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Análise | Andor 1x07 (“The Announcement”)

Vinicius Oliveira

20 de out de 2022 · 3 min de leitura

O Império começa a contra-atacar.

Divulgação: Disney+


As consequências do ousado roubo em Aldhani visto em The Eye não tardam a chegar, com o Império fechando sua mão sobre toda a galáxia. Sua burocracia ainda tende a retardar seus movimentos, mas aos poucos vemos a consciência de que há algo maior em jogo chegando a outros personagens que não apenas vozes solitárias como Dedra Meelo (Denise Gough), que se vê cada vez mais envolvida nos jogos políticos dentro da estrutura imperial.

Sua trama é uma das que ilustra o quão bem Andor apresenta seu lado político.


Mesmo sendo uma antagonista inteligente e perigosíssima para os planos dos protagonistas, ainda sentimos temor por ela quando, ao final do episódio, é alertada pelo Major Partagaz (Anton Lesser) para tomar cuidado. Ainda que suas ambições a conduzam para o lado certo, isso não virá sem um preço, já que os inimigos também podem ser encontrados dentro do Império, e não apenas na Aliança. A atuação de Gough, sempre controlada e dominante, ainda assim oferece vislumbres de rachaduras na sua fachada impiedosa que permitem que simpatizemos com ela, ainda que saibamos que será uma adversária formidável conforme for cada vez mais bem-sucedida.


Já do lado dos rebeldes, estes ganham cada vez mais contornos (inclusive sombrios) através das ações cautelosas e escusas de personagens como Luthen (StellanSkarsgard) e sua assistente Kleya (Elizabeth Dulau). Skarsgard domina qualquer cena com uma facilidade assombrosa, compondo um personagem de tantas facetas que até agora é impossível discernir suas reais intenções para além do ódio ao Império. Já Dulau ganha aqui mais algumas cenas que indicam que a personagem tem bastante a oferecer, inclusive apresentando mais de como ela e seu chefe não tem medo de sujar as mãos (ou deixarem os outros a fazerem por eles). Tais cenas tornam ainda mais complexa a moral do universo da franquia, e a série só cresce quando investe em momentos assim.


Porém, se há alguém que eu diria ser o destaque desse episódio, é Genevieve O’Reilly como Mon Mothma. Desde sua primeira aparição, no quarto episódio, a temos visto em alguma medida acuada e reticente para com as ações de Luthen e os riscos que corre enquanto uma senadora que secretamente financia a Rebelião; aqui, porém, temos a oportunidade de ver um outro lado dela na sua conversa com o velho amigo de infância Tay Kolma(Bem Miles). Com um trabalho de voz magnífico, a atriz transparece a cautela e a ferocidade de uma pessoa que se esconde por baixo de uma máscara há tanto tempo que é impossível não se arrepiar quando naquele momento ela encontra uma breve oportunidade de se libertar.


Quanto ao próprio protagonista, o episódio curiosamente só o mostra após quase 20 minutos, o que não é um demérito, dada a qualidade dos outros núcleos vistos. Tenho problemas com a forma muito rápida e conveniente com a qual Cassian (Diego Luna) volta ao planeta natal e vai embora dele, mas isso é recompensado pela pungência de suas cenas com Bix (Adria Arjona) e sobretudo com sua mãe adotiva Maarva (Fiona Shaw), que se mostra inspirada pelo roubo em Aldhani, mesmo que não faça ideia do envolvimento de seu filho. Cassian ainda é um tanto cínico quanto à causa, mas não há mais volta em suas ações; além disso, tanto a sequência final e suas ironias (ser preso por “vagar por aí” é o momento mais kafkaniano da história da franquia), bem como os flashbacks que mostram a morte de seu pai adotivo continuam a conduzir o personagem rumo à figura de destaque dentro da Rebelião que será vista em Rogue One.


Mesmo com menções ao Imperador Palpatine e até aparições de stormtroopers e shoretroopers (bem como um easter-egg que provoca uma provável aparição de um personagem querido de Rogue One), Announcementincorpora tais acenos à mitologia de Star Wars de maneira muito orgânica à sua história, que continua a se destacar à medida em que aprofunda sua narrativa ao seu próprio modo e em seu próprio tempo. Pode não ser um episódio frenético como o antecessor, mas continua a exibir os muitos méritos que tornam Andor a obra mais relevante da saga dos últimos anos, tanto pelo frescor que lhe traz quanto com suas acertadas conexões com nosso mundo e a conjuntura sócio-política atual.

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Análise | Andor 1x07 (“The Announcement”)

20 de out. de 2022
3 min de leitura

Atualizado: 8 de out.

O Império começa a contra-atacar.

Divulgação: Disney+


As consequências do ousado roubo em Aldhani visto em The Eye não tardam a chegar, com o Império fechando sua mão sobre toda a galáxia. Sua burocracia ainda tende a retardar seus movimentos, mas aos poucos vemos a consciência de que há algo maior em jogo chegando a outros personagens que não apenas vozes solitárias como Dedra Meelo (Denise Gough), que se vê cada vez mais envolvida nos jogos políticos dentro da estrutura imperial.

Sua trama é uma das que ilustra o quão bem Andor apresenta seu lado político.


Mesmo sendo uma antagonista inteligente e perigosíssima para os planos dos protagonistas, ainda sentimos temor por ela quando, ao final do episódio, é alertada pelo Major Partagaz (Anton Lesser) para tomar cuidado. Ainda que suas ambições a conduzam para o lado certo, isso não virá sem um preço, já que os inimigos também podem ser encontrados dentro do Império, e não apenas na Aliança. A atuação de Gough, sempre controlada e dominante, ainda assim oferece vislumbres de rachaduras na sua fachada impiedosa que permitem que simpatizemos com ela, ainda que saibamos que será uma adversária formidável conforme for cada vez mais bem-sucedida.


Já do lado dos rebeldes, estes ganham cada vez mais contornos (inclusive sombrios) através das ações cautelosas e escusas de personagens como Luthen (StellanSkarsgard) e sua assistente Kleya (Elizabeth Dulau). Skarsgard domina qualquer cena com uma facilidade assombrosa, compondo um personagem de tantas facetas que até agora é impossível discernir suas reais intenções para além do ódio ao Império. Já Dulau ganha aqui mais algumas cenas que indicam que a personagem tem bastante a oferecer, inclusive apresentando mais de como ela e seu chefe não tem medo de sujar as mãos (ou deixarem os outros a fazerem por eles). Tais cenas tornam ainda mais complexa a moral do universo da franquia, e a série só cresce quando investe em momentos assim.


Porém, se há alguém que eu diria ser o destaque desse episódio, é Genevieve O’Reilly como Mon Mothma. Desde sua primeira aparição, no quarto episódio, a temos visto em alguma medida acuada e reticente para com as ações de Luthen e os riscos que corre enquanto uma senadora que secretamente financia a Rebelião; aqui, porém, temos a oportunidade de ver um outro lado dela na sua conversa com o velho amigo de infância Tay Kolma(Bem Miles). Com um trabalho de voz magnífico, a atriz transparece a cautela e a ferocidade de uma pessoa que se esconde por baixo de uma máscara há tanto tempo que é impossível não se arrepiar quando naquele momento ela encontra uma breve oportunidade de se libertar.


Quanto ao próprio protagonista, o episódio curiosamente só o mostra após quase 20 minutos, o que não é um demérito, dada a qualidade dos outros núcleos vistos. Tenho problemas com a forma muito rápida e conveniente com a qual Cassian (Diego Luna) volta ao planeta natal e vai embora dele, mas isso é recompensado pela pungência de suas cenas com Bix (Adria Arjona) e sobretudo com sua mãe adotiva Maarva (Fiona Shaw), que se mostra inspirada pelo roubo em Aldhani, mesmo que não faça ideia do envolvimento de seu filho. Cassian ainda é um tanto cínico quanto à causa, mas não há mais volta em suas ações; além disso, tanto a sequência final e suas ironias (ser preso por “vagar por aí” é o momento mais kafkaniano da história da franquia), bem como os flashbacks que mostram a morte de seu pai adotivo continuam a conduzir o personagem rumo à figura de destaque dentro da Rebelião que será vista em Rogue One.


Mesmo com menções ao Imperador Palpatine e até aparições de stormtroopers e shoretroopers (bem como um easter-egg que provoca uma provável aparição de um personagem querido de Rogue One), Announcementincorpora tais acenos à mitologia de Star Wars de maneira muito orgânica à sua história, que continua a se destacar à medida em que aprofunda sua narrativa ao seu próprio modo e em seu próprio tempo. Pode não ser um episódio frenético como o antecessor, mas continua a exibir os muitos méritos que tornam Andor a obra mais relevante da saga dos últimos anos, tanto pelo frescor que lhe traz quanto com suas acertadas conexões com nosso mundo e a conjuntura sócio-política atual.

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