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  • Foto do escritorFilipe Chaves

Crítica | A Hora do Diabo (1ª temporada)

Com uma trama hipnotizante, nova série da amazon fisga a atenção do telespectador do início ao fim

Divulgação: Amazon Prime Video


'A Hora do Diabo', nova série da Amazon Prime Video conta a história de Lucy (Jessica Raine), uma mulher que acorda toda noite, exatamente, às 3h33. Ela tem várias visões e tudo passa a fazer menos sentido ainda, mas de alguma forma, ela encontra uma conexão com assassinatos brutais que estão ocorrendo.


Com uma narrativa não linear, os seis episódios querem confundir sua cabeça e conseguem, então não dá pra ver com o celular na mão. Isso não é uma coisa difícil, já que você se envolve na trama e quer descobrir as respostas para tantas perguntas. Desconfio que se fosse uma série mega famosa, o YouTube estaria cheio de vídeos de “final explicado”, o que seria desnecessário, já que o último episódio quase desenha o que está se passando. De novo, você só tem que prestar atenção. E esse suspense psicológico te fisga.


Lucy, a protagonista, é uma assistente social que faz de tudo para ajudar quem precisa. Ela tenta descobrir o que há de errado com o filho, Isaac (Benjamin Chivers), um menino que não demonstra qualquer sentimento, tendo os inúmeros médicos consultados descartado autismo ou esquizofrenia. No entanto, a esquizofrenia atinge a mãe da moça, de quem ela ajuda a cuidar. Lucy mantém uma relação estritamente sexual com seu ex-marido Mike (Phil Dunster), que ainda almeja voltar à vida dela e do filho. Em outro ponto da cidade, os detetives Ravi (Nikesh Patel) e Nick (Alex Ferns) investigam um assassinato brutal. Aparentemente no futuro, Lucy e Ravi interrogam Gideon (Peter Capaldi), o suposto culpado pelos assassinatos. É um panorama geral do primeiro episódio, sem entregar muita coisa, porque quanto menos se sabe, melhor.

Divulgação: Amazon Prime Video


A série não funcionaria se tudo girasse em torno somente de mistérios e os personagens não fossem desenvolvidos, o que, felizmente, não é o caso aqui. Todas as tramas se interligam de maneira satisfatória, narrativa e emocionalmente. Se o roteiro não fizesse com que nos importássemos com os personagens, tudo seria em vão. Ela é uma série ambiciosa e complexa, porque trabalha com vários temas, mantém o suspense psicológico como o tom principal, mas sabe dosar isso com um drama familiar de qualidade. Por exemplo, a relação de Lucy com seu filho Isaac, é um ponto crucial e é construída de uma forma tão sensível e tão bonita, que consegue emocionar genuinamente. Os dois atores estão sensacionais, Raine consegue trazer força e vulnerabilidade ao mesmo tempo. Chivers, traz a frieza que o personagem pede e ainda consegue se mostrar uma criança que pede por cuidado, o que só sua mãe enxerga. Outro destaque do elenco é Peter Capaldi, que tem um personagem bem difícil em mãos, mas não se pode falar dele sem entregar muito da trama.


Quando uma série quer mostrar tanta coisa, contar tantas histórias e passear por diversos gêneros, ela acaba se perdendo em inúmeros casos. O que me impressiona tanto em “The Devil’s Hour” é isso. Começa como uma aparente trama de terror e suspense, traz esse drama familiar, complementa com o gênero policial, sem falar no humor ácido presente nos diálogos e no romance que surge. No meio disso tudo, desenvolvendo bem seus personagens. Por isso a duração de quase 1h por episódio não fica cansativa. O que também colabora é o fato da direção ser segura e dinâmica e com a ajuda da bela fotografia, que adota tons mais sombrios, consegue trazer alguns sustos que não são meramente apelativos.


Naquela máxima do “ela entrega o que se propõe”, o desfecho é fechado, mas exige que você saia da sua zona de conforto e pense sobre ele. Já disse no começo do texto, embora que as coisas sejam muito bem explicadas em uma determinada conversa, requer atenção. Poderiam ter “mostrado” mais do que “falado”, mas em alguns casos é necessário que ambos aconteçam dada a complexidade do enredo. Esse é um dos casos. Não sei se a Amazon pretende renovar ou deixar como uma temporada só ou minissérie. Confesso que ficaria mais satisfeito com a última opção, por gostar tanto do final. Mas, caso haja, estarei assistindo, desde que mantenha a qualidade dessa primeira.


Nota: 4,5/5

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