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  • Foto do escritorMaryana Leão

Crítica | Blockbuster (1ª temporada)

Sitcom sobre a última locadora Blockbuster é, no máximo, simpática e não consegue surpreender em nada

Divulgação: Netflix


Sitcoms são séries incrivelmente populares e que possuem muito espaço na televisão e nos streamings principalmente por serem divertidas, leves e descontraídas. Nesse cenário, novos estilos - alguns mais ousados que outros - que apostam em novos formatos e narrativas surgiram nos últimos anos, como é o caso de The Good Place e Unbreakable Kimmy Schmidt. Contudo, o novo lançamento da Netflix continua com aquele clássico estilo usado por vários títulos dos anos 2010, como Modern Family e Brooklyn Nine-Nine, e isso poderia ser ótimo se não fosse o fato do roteiro e dos personagens serem tão medíocres e sem graça a ponto de deixarem a história desinteressante.


Acompanhamos Timmy (Randall Park), que trabalha na locadora Blockbuster desde o ensino médio, e logo após o fechamento de todas as lojas da franquia passa a ser o dono da última unidade. Timmy e seus funcionários - entre eles Eliza (Melissa Fumero), sua paixão de longa data - lutam para permanecer relevantes em uma era dominada por serviços de streamings. Para isso, ele insiste veementemente e defende que grandes corporações são deficientes em proporcionar a conexão humana necessária a todos, e somente essas lojas são capazes disso, já que ao ir na locadora escolher um filme os clientes irão interagir e ouvir as recomendações dos funcionários da loja.


Diferentemente de outras séries da mesma criadora, aqui Vanessa Ramos (escritora e produtora de Superstore e Brooklyn Nine-Nine) cria uma história arrastada, sem propósito, que quase não tem humor e não te prende logo na primeira temporada. É uma comédia que alguns anos atrás talvez agradasse mais, pois bastava seguir a tradicional fórmula e apresentar algumas poucas piadas sem graça durante os trinta minutos de episódio e ali garantiria uma boa série. Hoje, porém, isso não é o suficiente para conquistar o público.


A ironia de ter sido produzida e lançada pela Netflix, que foi a precursora nos serviços de streaming e principal responsável por acabar com as locadoras é, no mínimo, interessante e sagaz, e em alguns momentos dão origem a algumas piadas sobre o assunto que até são legais, mas não sustentam o roteiro como um todo. Dito isso, logo no primeiro episódio é mostrado o tom que a trama seguirá e para muitos pode desagradar logo ali. Ainda assim, assisti a temporada inteira esperando a virada de chave e a evolução dos personagens, mas isso não aconteceu.

Divulgação: Netflix


Os atores são bons, mas o roteiro não os fazem brilhar. Os dois protagonistas se destacam entre os outros, porém, não são personagens com os quais você ficará apegado. Além disso, é evidente que eles possuem elementos de outros ótimos personagens principais já vistos em produções anteriores da criadora, principalmente do Jonah de Superstore e Jake de Broklyn Nine-Nine. Entretanto, em Blockbuster eles não conseguem ser carismáticos a ponto de elevar o nível e qualidade da história, ou até mesmo de te deixar vidrado e curioso com o que acontecerá, como era o que acontecia em B99 ao acompanhar a jornada e evolução de Jake Peralta ou Amy Santiago.


No quesito humor, várias piadas que envolvem metalinguagem e o universo cinematográfico e televisivo são jogadas a todo momento durante os diálogos, e mesmo que eu ame piadas e joguinhos de palavras que envolvam o tema, o modo como é feito aqui é extremamente cansativo. Sinto que a cada cinco minutos - ou menos - uma citação dessas aparece, muitas vezes sem contexto nenhum, somente é jogada ali suplicando pela nostalgia na tentativa de cativar o público, mas isso não se concretiza. Na teoria é muito bom, na prática, porém, é um desperdício de potencial.


Por fim, em um mercado saturado e repleto de sitcoms, fica evidente que a nova produção da Netflix busca espaço e destaque apostando em um bom elenco e uma equipe de roteiristas já conhecida de outras séries famosas, mas se perde ao apresentar uma história com uma boa premissa, porém com desenvolvimento bastante simples, superficial, que não se arrisca e até é chata em alguns momentos. Não bastasse isso, tenta apelar para a nostalgia, que claramente não funciona, além de não apresentar nada de especial e memorável. Arrisco dizer que provavelmente passará despercebida por muitos.


Nota: 2/5

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