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  • Foto do escritorDavid Shelter

Crítica | DOM (2ª temporada)

Apesar do título, faltou Dom para superar o nível da temporada de estreia

Foto: Divulgação


Quem foi Pedro Dom? Pedro Machado Lomba Neto, que se tornou conhecido como Pedro Dom ou Bandido Gato, foi um criminoso carioca que invadia e roubava casas de classe média com seu bando, e foi morto em 2005. Dom se inspira em seus casos para escrever uma trama de, agora, 15 episódios. Criada por Breno Silveira, que faleceu em maio do ano passado, e lançada em 2021, a série nacional do Prime Video, que conquistou espaço por sua produção sensacional e uma história que prendeu o público com facilidade, retornou dois anos depois com uma nova temporada que não trouxe consigo o primor de sua estreia, infelizmente.


Atribuindo os elogios necessários, esse novo ano continua com um trabalho impecável da produção nos quesitos técnicos. Direção, fotografia e direção de arte são os pontos altos que seguram os sete episódios da temporada (oito com o especial). Embora essa parte seja louvável, a derrocada trágica que a série tem em relação à construção da sua trama é algo que torna doloroso acompanhar, pois, era sabido o potencial que havia ali visto o trabalho que entregaram na estreia. O retorno é marcado por uma repetição até compreensível, mas que acaba descendo por um caminho que faz tudo parecer dispensável e entediante. A decisão de manter as histórias paralelas pareceu não funcionar dessa vez, o que foi um dos pontos positivos anteriormente.

Foto: Divulgação


Sendo honesto, Gabriel Leone até segura bem o rojão de levar para frente um enredo desinteressante, mas uma pessoa só jamais salvaria tudo, e em vários momentos seu próprio protagonista ficava de escanteio para a maçante e tediosa aventura de Victor Dantas em seu trabalho como policial. Enquanto na versão interpretada por Filipe Bragança o personagem parece ter charme e cativar, com Tolezani ele tem o efeito mais oposto possível. Além da interpretação mais fraca, tudo ao redor de sua versão de Victor perde o brilho automaticamente, e faz com que a aparição dele mesmo que por segundos, se torne horas insustentáveis. Não só ele é ruim sozinho como atrapalha qualquer momento de interação com o protagonista, coisa que não aconteceu na temporada inicial.


A decisão de trazer um Pedro Dom oscilante entre permanecer no crime ou sair dele foi, talvez, o maior erro que tiveram, não pela temática, mas pela forma que idealizaram tudo. O drama poderia ter sido melhor construído sem a necessidade de tantas repetições e artifícios clichês já vistos numa quantidade de vezes incontáveis. É prisão vs igreja vs vício vs família, e tudo escrito sem o tom dramático certo para deixar aquilo interessante para o público, o máximo que conseguem é fazer com que tudo fique muito controverso e que o personagem de Leone pareça ter somente um tico e um teco funcionando na cabeça. Fizeram com que ele tomasse caminhos e decisões tão estúpidas que parecia que ali tínhamos uma criança de cinco anos decidindo tudo num sorteio de dados.


Apesar disso, as cenas de ação continuam sendo emocionantes de acompanhar e fazem o show valer um pouco mais a pena, mesmo que tenham diminuído bastante. Elas constroem um frenesi que te deixa de coração palpitando enquanto espera o desenrolar de tudo, e isso é muito positivo. A adição de Dhonata Augusto com seu personagem sedento por aventura é o que dá um pouco mais de gás nessa questão, mas, ainda assim, mal aproveitado, assim como Isabella Santoni, que mal teve destaque. Somente Raquel Villar consegue ter um pouco mais de aproveitamento e ainda assim sua Jasmin é repetitiva e cansativa, ainda deixando uma sensação de “o que rolou aqui?” com uma atitude no último episódio que não teve sentido algum, avaliando o que aconteceu minutos antes para que tudo se desencadeasse daquela forma.

Foto: Divulgação


O que dá um pouco mais de vigor à temporada é a aparição de Filipe Bragança e seu episódio especial, mesmo não tendo nenhuma ligação com a história. Talvez por já saberem o trabalho não muito agradável que decidiram contar em sete episódios, Victor Dantas retorna em um bônus interessante, bem escrito, apesar de rápido e que deixou um gostinho de “quero mais”, diferente da trama principal. Voltando a ela, considerando a inspiração em fatos, o questionamento que fica é se pensam em seguir adiante e como fazer isso, já que o momento de encerramento da temporada se dá de acordo com a descrição da morte de Pedro Dom (o que não aconteceu na série ainda), ou será que darão por encerrado ali daquela maneira mesmo?


Por mais que tenha falhado, a série continua sendo uma boa produção nacional, mal aproveitada, mas ainda boa. Considerando somente a minha perspectiva, deveriam decretar aqui já o encerramento e talvez partir para uma nova empreitada, com, digamos, a versão de Victor Dantas do Bragança seguindo o rumo deixado no episódio bônus. A faca e o queijo estão na mão, resta saber se vão usar para algo bom, deixar para lá ou se manterão na mesma história, piorando a situação da série ou resgatando o brilho da temporada de estreia.


Nota: 3,5/5

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