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  • Foto do escritorGabriella Ferreira

Crítica | Fazendo meu Filme

Adaptação de romance juvenil de Paula Pimenta entrega o que os fãs esperaram durante anos

Foto: Divulgação


Lançado pela primeira vez em 2008, o livro Fazendo meu Filme da mineira Paula Pimenta conquistou um público fervoroso no universo literário desde então. São mais de 750 mil exemplares vendidos, três sequências, três volumes de uma versão em quadrinhos e mais cinco livros situados no mesmo universo criado pela autora. Quase dezesseis anos depois, a adaptação cinematográfica de Fazendo meu Filme chegou no Prime Video nesta quarta-feira, 14, após dois anos de espera entre o fim das gravações e data oficial de lançamento.  


Este não é o primeiro livro de Paula a ganhar uma adaptação. Em 2019, Cinderela Pop foi lançado nos cinemas e no ano passado, Um Ano Inesquecível - Inverno, chegou também ao Prime Video. E foi pensando em garantir uma maior fidelidade à obra, diferente dos dois longas acima, que em  Fazendo meu Filme, Paula Pimenta atua também como roteirista junto com Bruna Horta, Marcelo Saback e Pedro Antônio (este último também dirige a obra). 


Na história, voltamos aos anos 2000 para acompanhar a vida de Estefânia Castelino Belluz, a Fani,  uma jovem tímida que está cursando o segundo ano do ensino médio, apaixonada por filmes e que sonha em cursar cinema. Fani vê a sua vida mudar quando sua mãe sugere que ela faça uma entrevista para um intercâmbio e ela é aprovada. Sem querer deixar o Brasil e suas amizades para trás, também conhecemos os amigos de Fani e suas desventuras no ensino médio, como a sua paixão platônica pelo professor de biologia e a descoberta de que, talvez, ela possa estar apaixonada pelo seu melhor amigo, o Leo. 


Primeiramente preciso confessar que não sei se quem escreve essa crítica hoje é a Gabriella Ferreira jornalista, casada, de 25 anos, ou a Gabi de 12 anos que leu Fazendo meu Filme pela primeira vez lá em 2011 e descobriu no livro uma identificação que poucas vezes havia sentido. Fani e eu tínhamos as mesmas angústias, dores, paixões e também dividimos o amor pela sétima arte, com um fraco especial pelos filmes de amorzinho. FMF é muito importante para mim, foi meu companheiro em muitos momentos de solidão adolescente e segue presente na minha vida, pois, até hoje, tantos anos depois, continuo lendo as histórias criadas pela Paula Pimenta. 

Foto: Divulgação


Voltando a sua adaptação, Fazendo meu Filme é realmente muito fiel ao seu material original e vai agradar bastante aos apegados a obra, pois, em certos momentos, algumas falas dos personagens são idênticas ao que lemos no livro. Outro ponto muito interessante é como a direção de arte do filme conseguiu capturar a essência da história, construindo um universo que é presente no imaginário de milhares de leitores de uma forma muito visual e ao mesmo tempo condizente com os seus personagens.


Falando mais um pouquinho dessa visualidade, é inegável o cuidado da produção com a seleção do elenco que, além da aparência física, incorpora bastante esses personagens que vivem na mente dos seus leitores. O casal principal, interpretado por Bella Fernandes e Xande Valois, possui bastante química em cena e também expressa bem nas telas as peculiaridades de Fani e Leo. Outra surpresa bastante positiva foi Gabi e Natália, a dupla de melhores amigas da protagonista interpretadas por Alanys Santos e Julia Svacinna, que passam uma leveza em cena onde o telespectador consegue sentir a cumplicidade entre essas três jovens em todas as cenas em que elas aparecem juntas. A participação de Rodrigo e Priscila, interpretados por Pedro David e Kiria Malheiros, é rápida mas transparece a fofura da dupla (que ganhou sua própria saga literária narrada pela autora em Minha Vida Fora de Série).


O roteiro de Fazendo meu Filme se apropria bem dos clichês das comédias românticas juvenis trazendo a clássica história de melhores amigos que se apaixonam e precisam ir contra as adversidades de um destino que não parece querer ver os dois juntos. Um dos maiores acertos na hora de contar essa história foi deixá-la nos anos 2000, trazendo a nostalgia dos e-mails, bilhetes durante a aula e ligações interurbanas custando caro, aumentando mais ainda essa sensação de conexão com quem foi adolescente junto com a Fani alguns anos atrás. 


Mas, um ponto que me incomodou durante o filme foi a quantidade de vezes que ocorre a quebra da quarta parede com a protagonista. A ideia, no princípio, funciona ao tentar emular a narração em primeira pessoa do livro para as telas, mas, do meio para o final, as quebras soam um pouco repetitivas e didáticas demais para uma história que é simples. Outra coisa que causa um certo estranhamento é a trilha sonora que é pouquíssimo aproveitada e não funciona em alguns momentos chave da trama. 


Aquém ao seus problemas, Fazendo meu Filme ainda é uma experiência divertida e verdadeira, especialmente para quem é ou já foi leitor de Paula Pimenta ou fã incondicional de histórias de romance. Assim como as obras da autora, essa adaptação consegue fazer com que o seu leitor, neste caso o telespectador, seja transportado a aquele singelo momento da adolescência onde descobrimos o primeiro amor.


Nota: 4/5

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