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  • Foto do escritorFilipe Chaves

Crítica | Griselda (Minissérie)

Produção da Netflix não foge à regra do streaming: entretém, mas falta profundidade

Foto: Divulgação


Em seis episódios, a produção narra a ascensão de Griselda Blanco (Sofia Vergara), que dominou o narcotráfico em Miami entre as décadas de 1970 e 1980. No primeiro episódio, já começamos com o pé na porta, o que nos dá uma noção do ritmo da minissérie. Griselda está com pressa, ferida e em fuga de Medellín para Miami com seus três filhos, ainda não sabemos o porquê, mas é fácil prever, mesmo que a narrativa não linear desta primeira hora faça parecer que não. Com muita luta – e algumas conveniências do roteiro – ela vai conseguindo seu lugar ao sol, o que não é nada fácil para ninguém e muito menos para uma mulher, como sempre faz questão de frisar o texto, mesmo que de forma rasa.


Desde 1999 com a estreia de Tony Soprano (James Gandolfini) na televisão, a figura do anti-herói foi se popularizando cada vez mais, entre erros e acertos. Demorou um pouco mais para que a mulher tivesse esse espaço, uma personagem feminina que desafiasse os limites do certo e errado, oferecendo um grau maior de complexidade. Tivemos belíssimas personagens femininas na TV, como Nora Durst (Carrie Coon) de The Lerftovers, Alicia Florrick (Julianna Margulies) de The Good Wife, por exemplo, que passavam longe do estereótipo da mocinha, oferecendo um grau maior de ambiguidade, mas não exatamente cometiam crimes. Já a Elizabeth (Keri Russell) de The Americans faria o que fosse preciso pela sua causa, mas sempre amparada por um roteiro muito bem escrito que ressaltava as diversas nuances da personagem. É o que falta em Griselda. Ela é uma mulher ambiciosa, violenta e o contraponto é o amor pelos filhos, mas somente. É uma pena porque a minissérie podia ser bem melhor do que é e é essa falta que torna difícil ter empatia pela personagem em certos momentos.

Foto: Divulgação


No entanto, acho que vai sim agradar boa parte do público porque o entretenimento está garantido. Mesmo que a direção peque em algumas sequências de ação e que pareçam um pouco engessadas, o ritmo ainda é ótimo, as cenas violentas são bem verossímeis, as reviravoltas não param e o design de produção não faz feio na ambientação, que, assim como os figurinos, combinam com os exageros da personagem-título. Sabe o que combina também? Sofia Vergara. Dona de um carisma inegável, ela se doa ao papel e segura bem as pontas no drama, mesmo que sua caracterização envolva um pedaço da dentadura que Rami Malek usou em Bohemian Rhapsody. O elenco, no geral, é competente, com destaque para Vanessa Ferlito, no papel de Carmen, amiga de Griselda, Alberto Guerra como Dario, seu capanga e futuro marido, Martín Rodriguez como Rivi, seu braço direito e Juliana Aidén Martinez, como a investigadora June. Os personagens, no entanto, são de uma nota só, mesmo com o talento dos atores.


Não sei dos fatos reais e não é o ponto compará-los, mas imagino que haja mudanças para fins dramáticos, o que explica algumas facilidades no roteiro e como a minissérie quase desliza ainda mais para o exagero. Não há problema nisso quando o resultado é satisfatório, o que nem sempre é o caso. Algumas sequências funcionariam para a Gloria de Modern Family, personagem que fez Vergara famosa, mas aqui a pegada é outra. Os diálogos expositivos sempre explicam qual o próximo passo e o ponto positivo é que boa parte deles são falados em espanhol, língua nativa dos personagens e o inglês só é usado quando necessário. O que me incomoda principalmente no todo é como o enredo é norteado pelos acontecimentos e somente por eles, sem que haja um desenvolvimento de personagens apropriado. Havia espaço para mais discussões como a misoginia, no tráfico ou na força policial, ou os limites de Griselda, mas a produção escolhe ficar pelo raso mesmo, o que prejudica até na hora que poderia emocionar. Vale a pena ver? Pelo entretenimento sim, mas não espere mais do que isso.


Nota: 3/5

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