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  • Foto do escritorFilipe Chaves

Crítica | Magnatas do Crime (1ª temporada)

Uma série divertida e satisfatória que é a cara de Guy Ritchie, para o bem e para o mal

Foto: Divulgação


Guy Ritchie virou mestre em contar histórias de criminosos ou, no mínimo, trambiqueiros, e eu, desde Snatch: Porcos e Diamantes, sempre vou conferir. Gosto muito do filme homônimo de 2019 com Matthew McConaughey, então já fiquei animado quando ouvi falar desta série mês passado. Desta vez, o foco está em Eddie Horniman (Theo James), um aristocrata inglês que acaba de herdar uma propriedade da família, para desespero de seu irmão mais velho, Freddy (Daniel Ings). Pouco depois, Eddie recebe a visita de Susan Glass (Kaya Scodelario), e é aí que seus problemas começam: há uma plantação ilegal de maconha em suas terras, que faz parte de uma sociedade entre o pai falecido de Eddie, e o milionário Bobby Glass (Ray Winstone), pai de Susan. Agora, Eddie precisa adentrar neste mundo do crime sem saber muito bem onde se encaixa, mas com a ajuda de Susan, as coisas parecem dar certo.


No entanto, conhecendo Guy Ritchie e sua fórmula, nada dá certo por muito tempo. Portanto, é bacana pois deixa a trama mais ágil, mas ao mesmo tempo, fica um pouco cansativo nos três primeiros episódios porque o artifício usado é o mesmo: Freddy fez algo que não devia. É a única função do personagem, o que irrita bastante e não consegue trazer o humor que deveria. Não é culpa do ator, que faz o que pode com o texto que tem. É inegável que Ritchie carrega uma identidade própria e dita o tom dirigindo e escrevendo os dois episódios iniciais, atuando como showrunner, conseguindo deixar a série muito elegante e o nome não é à toa. Os personagens exalam a riqueza que têm através dos belíssimos figurinos, assim como a direção de arte, que não economiza nas luxuosas locações externas e internas. É a aristocracia inglesa sendo retratada ali, então não só tem que ser caro, como tem que parecer caro.

Foto: Divulgação


A produção se equilibra entre o formato tradicional da Netflix e o episódico. Em cada um dos oito episódios há uma, digamos, missão – ou complicação – para nossa dupla protagonista resolver, ou seja, uma trama com começo, meio e fim, porém são peças de um enredo maior. Nem todas as missões são tão interessantes assim, mas a dinâmica de Eddie e Susan deixa tudo mais palatável. Mesmo que nem sempre eles estejam juntos, os dois personagens são bem desenvolvidos durante a temporada para que possamos nos apegar a eles, inclusive porque não sabem se podem confiar um no outro. Theo James foi uma escolha de elenco muito acertada, ele tem uma elegância e imponência que Eddie necessita, e mesmo quando parece não saber sair de uma situação, ele consegue dar algum jeito. A princípio, a Susie de Kaya Scodelario parece ser mais fria e racional, sempre preocupada com a aparência impecável e com uma excelente aptidão para os negócios. Porém, aos poucos ela vai mostrando suas vulnerabilidades, principalmente no que concerne ao seu irmão. O elenco, no geral, é ótimo. Giancarlo Esposito (Breaking Bad/Better Call Saul) aparece menos do que eu gostaria, mas faz parte do enigma do seu Stan Johnston com T., e Joely Richardson é a mãe de Eddie e Freddy, e parece estar adorando cada segundo no papel, assim como Vinnie Jones, que faz Geoff, o fiel ajudante da família.


As reviravoltas não são, exatamente, imprevisíveis, mas funcionam. É uma série que não vai mudar sua vida e nem tem essa pretensão. Assim como na maioria dos seus filmes, Guy Ritchie só quer entreter e aqui ele consegue fazer isso muito bem com seus planos mirabolantes e diálogos rápidos. O ritmo é dinâmico e mesmo que os dois primeiros episódios tenham mais de 1h de duração, os outros seis têm pouco mais de 40 minutos, deixando tudo ainda mais fluido. Ação e violência não faltam, embora apareça mais sangue do que mutilações gráficas, vale dizer, o que eu considero outra escolha certeira de Ritchie, já que o impacto é sentido, mas neste caso não precisou ser visto. Os protagonistas são carismáticos e a química é inegável. Se vai evoluir para um possível romance, o tempo dirá. E ainda que o episódio final resolva os vários dilemas principais da temporada, ainda sobra brechas há serem desenvolvidas, mostrando que há mais histórias a serem contadas, seja nos negócios ou no prazer, como bem afirma o próprio Eddie em determinada cena.


Nota: 3,5/5

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