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  • Foto do escritorDavid Shelter

Crítica | O Rei Da TV (2ª temporada)

Um reinado de altos e baixos, mas sempre com polêmica

Foto: Divulgação


Menos de seis meses após a sua estreia, o Star+ já tratou de trazer uma segunda temporada de O Rei Da TV, série baseada na vida do apresentador e empresário Silvio Santos. Após nos mostrar a ascensão do dono do baú e seus conflitos iniciais com a criação do SBT, o segundo deste show traz eventos a partir do final dos anos 80, quando o MC “Quem quer dinheiro?” resolveu cair de paraquedas na política ao se candidatar para o cargo da presidência do Brasil. Além desse tópico, os novos episódios também exploram a guerra pela audiência entre SBT e Globo nos anos 90, o sequestro do patriarca da família Abravanel e de uma de suas filhas e intercala com momentos que se passam nos anos 2010 quando houve a fraude do Banco PanAmericano.


Um dos pontos mais positivos da temporada é a fluidez com que ela transcorre os assuntos, fazendo com que não se torne cansativo assistir e acompanhar as mudanças que ocorrem no decorrer dos oito episódios. Outro ponto a se destacar foi a escolha dos momentos em que intercalam a trama, trazendo um contraste direto na própria vida e escolhas do protagonista, enquanto nos anos 90 vemos uma subida em larga escala em relação a poder, dinheiro e audiência, nos anos 2010 nos deparamos com os problemas envolvendo uma fraude bancária, perda de dinheiro e uma possível prisão do líder sbtista. Tudo isso sendo carregado, dessa vez, somente por José Rubens Chachá no papel de Senor.


A série segue com o mesmo tom em relação à figura do queridinho apresentador dominical, tentando mostrar um lado mais mordaz e traiçoeiro enquanto age pelos bastidores e em momentos de enfrentamento de conflitos. Apesar de não explorar com clareza as possíveis motivações para o tão almejado cargo de presidente em 89, (o que poderia ter sido interessante ver, já que a série não se atém somente aos fatos ocorridos e se permite liberdade imaginativa), é instigante acompanhar aquela curta trajetória no meio político, que, aliás, é algo já explorado desde a temporada anterior, quando nos mostrou um pouco sobre a mídia e a ditadura. Neste tópico é onde vemos que os interesses pessoais e profissionais sempre estarão ligados diretamente de quem precisa ser bajulado, deixando em cheque que o personagem não tem convicções morais.

Foto: Divulgação


Aproveitando o gancho sobre eleições e momento político, é necessário frisar o quanto a produção deixa a desejar em relação à caracterização. Figuras políticas sempre foram retratadas em diversos programas, principalmente de humor, de maneira satirizada e bastante ridícula propositalmente, o que acabou acontecendo também aqui, seja proposital ou não, ficou destoando bastante do drama que tentaram trazer, e parecia algo feito de última hora. Outros personagens também sofrem com esse problema, aliás, fazem o espectador sofrer. A produção parece ter certa dificuldade em caracterizar principalmente nomes conhecidos do humor, como Sérgio Mallandro, com uma interpretação sofrível de uma imitação mal feita, e Ronald Golias, que foi jogado na trama de qualquer jeito, por falar nisso.


Uma das coisas que se tornam muito repetitivas é a relação Gugu x Silvio Santos, que se estende por horas e horas, parecendo não haver nenhum outro problema dentro da emissora. No entanto, é nessa relação que temos um Silvio mais egoísta, o que é até legal de ver. Outro embate que trouxe alguns benefícios dramáticos, foi o que envolve sua esposa, Íris Abravanel, quando tentava emplacar suas novelas, Leona Cavalli teve mais destaque e se saiu muito bem no que lhe foi proposto. Contudo, o que essas duas tramas deixam é um questionamento sobre a razão de não vermos outros nomes tão conhecidos na história do próprio canal, como, por exemplo, Carlos Alberto de Nóbrega, que segue Silvio há anos e não há nenhuma menção a ele ou a seu programa, mesmo que seu pai tenha sido representado na temporada anterior. Como já é notável que a série adora trazer polêmicas e conflitos, fica a pulga atrás da orelha sobre não retratar essa relação conflituosa, como é de conhecimento geral.


Algo muito bacana de assistir é a forma como ela retrata alguns momentos marcantes da TV, na temporada anterior tivemos a inesquecível piada do bambu, e nessa tivemos a constrangedora participação de Jean-Claude Van Damme dançando coladinho com a Gretchen no Domingo Legal. Outro momento que a temporada retratou bem foi a entrevista de Patrícia Abravanel sobre o seu sequestro de uma semana. Os novos episódios também fizeram questão de mostrar a figura de Patrícia como uma pessoa que já queria estar metida ali naquele meio e que ansiava pelos holofotes sobre si.


Apesar dos altos e baixos, a série manteve a proposta de trazer uma figura quase mítica para o plano terreno dos humanos comuns, ela torna interessante assistir sobre esse personagem, visto com bons olhos e que se pinta como bonzinho, de uma maneira mais aberta. Mesmo correndo por muitos anos em somente duas temporadas, O Rei Da TV consegue se sair bem, e diferente do final da estreia que deixou um gancho sobre continuação, essa parece fechar seu ciclo propositalmente. No entanto, se ela quiser voltar, sabemos que polêmica e assunto é o que não vai faltar.


Nota: 3,5/5

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