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  • Foto do escritorFilipe Chaves

Crítica | Outer Banks (3ª temporada)

Apesar de tentar, série não consegue manter o nível das temporadas anteriores

Foto: Divulgação


Com uma sólida primeira temporada, uma segunda irregular, mas com alguns bons momentos, Outer Banks chega com sua nova leva de episódios desesperada por reviravoltas, o que piora tudo, mas algumas coisas se salvam graças a química dos personagens. A temporada se inicia na Poguelândia, uma ilha deserta onde os Pogues passaram mais ou menos 1 mês. Em 20 minutos do primeiro episódio eles já são resgatados mostrando que agilidade não vai faltar, o que já não se pode falar do desenvolvimento da trama principal. Obviamente, o piloto que os resgata da ilha não é de confiança e depois de um pouso truculento, Kiara (Madison Bailey) é pega em mais uma conveniência do roteiro para separar o grupo e nos apresentar ao novo vilão: Carlos Singh (Andy McQueen). Quis fazer esse breve resumo para ressaltar a repetição da fórmula e quão enfadonha ela já está.


Depois de muitas idas, vindas e reencontros no Caribe – muito mais do mesmo - todos os personagens voltam para Outer Banks. John B. (Chase Stokes) consegue encontrar seu “ressuscitado” pai, Big John (Charles Halford), e volta com ele, mas já estão em busca de um tesouro maior e mais lendário: El Dorado. Essa vai ser a trama que norteia a temporada e é onde ela mais falha. É uma trama megalomaníaca como a série vem se tornando e ela não faz o mínimo sentido. Além do ‘nonsense’ a trama não diverte ou empolga, utilizando elementos de fantasia como estátuas que brilham conforme a luz da lua. Sinceramente. Parece um jogo de videogame, só que não temos o controle, então só assistir esses personagens decifrarem enigmas bobos não tem a menor graça. O foco aqui também é a relação de John B. com o pai, que é um sujeito sem qualquer traço de carisma que me faça torcer por ele ou no mínimo me importar. Boa parte disso acontece durante o interminável episódio final que tem desnecessárias 1h20 de duração. Sarah (Madeline Clyne) faz companhia aos dois durante a busca final e o roteiro sempre deixa que ela decifre algum dos enigmas para que se mostre necessária ali e é ela quem vai a El Dorado com John B. Na luta final, o caricato vilão Singh que parece saído diretamente de um desenho animado, explode com uma dinamite – sim, isso mesmo que você leu. Quando todos os personagens que estavam correndo de um lado pro outro se reencontram, ainda há um capanga de Singh os ameaçando e é aí que morre Ward (Charles Esten), se sacrificando por Sarah, com quem passou a temporada tentando se redimir. Big John, já ferido, acaba morrendo pela segunda vez e vai sem dizer a que veio. Mas alguém morre de fato nessa série?

Foto: Divulgação


Há várias tramas desconexas pelo meio do caminho que não valem muita menção. A famosa cruz da família de Pope (Jonathan Daviss) que foi o objeto de tanta na luta na temporada passada é derretida por Rafe (Drew Starkey). Isso depois dos Pogues tentarem roubar um trem (!) em movimento para tentar pegá-la de volta. A ação mirabolante tenta disfarçar que a série tem pouco a dizer e somente quer encher linguiça. Topper (Austin North) está de volta e leva Sarah a ter saudade da sua vida Kook. É mais uma trama com potencial bacana, mas que acaba apelando para o exagero com um enciumado e rejeitado Topper queimando o Castelo com todos personagens principais dentro. Há alguma consequência disso? Não, pois no momento que o outro episódio começa já vemos os personagens sãos e salvos apenas com algumas escoriações e supondo o que poderia ter acontecido. É mais um exemplo de choque gratuito.


JJ (Rudy Pankow) e Kiara, o casal “vai não vai” da série, têm uma ótima química e compartilham momentos genuinamente bacanas, que desenvolvem bem os dois personagens não só como casal, mas também individualmente – ele mais do que ela. Até que, mais uma vez, na tentativa de trazer grandiosidade para algo que poderia ser muito mais simples e intimista, a série força toda uma situação para que o primeiro beijo do casal seja um grande momento. Kiara é mandada para um tipo de acampamento de reabilitação por seus pais e somente JJ se dispõe a ir resgatá-la quando o grupo está de partida para a Venezuela em busca de El Dorado. É mais um empecilho criado pelo roteiro que sabemos que será contornado. É desnecessário e o tão aguardado beijo funcionaria de uma forma muito melhor em um dos inúmeros reencontros do grupo que o roteiro insiste tanto em separar. Sem falar que, de novo, não faz o menor sentido por toda a situação envolvida.


É comum que séries queiram evoluir à medida que avançam as temporadas, mas também é preciso colocar o pé no chão e saber o tipo de história que quer contar. Outer Banks nunca foi um poço de verossimilhança, mas a apelação fantasiosa beirou o ridículo nos novos episódios. No mínimo deveria entreter ou investir mais no desenvolvimento dos personagens que têm uma ótima química e um elenco competente, em sua maioria. O gancho para a próxima temporada é o navio do Barba Negra, e eu já não imagino que venha qualquer coerência daí. Em uma eventual 5ª temporada, não duvido que o destino seja Atlântida. São vários personagens interessantes, mas renega-los a segundo plano para focar em uma trama absurda não é a melhor das ideias. São dez episódios com bastante ação, uma bela trilha sonora e muito filtro amarelo, mas sem qualquer aprofundamento fica a sensação de vazio, de que o que eu acabei de assistir é completamente esquecível e não vale meu tempo. Se continuar assim, o tesouro mais difícil de encontrar vai ser qualidade da série.


Nota: 2/5

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