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  • Foto do escritorFilipe Chaves

Crítica | The Boys (4ª temporada)

Série ainda diverte com sua mesmice, mas quase se perde em tramas paralelas

Foto: Amazon/ Divulgação


Depois de uma boa 3ª temporada, mas que já mostrava sinais de cansaço com a produção tendo poucos avanços, a 4ª temporada chega deixando isso ainda mais claro. Com a sutileza de um trator, a narrativa critica o extremismo colocando Luz-Estrela (Erin Moriarty) – agora como Annie apenas – do lado oposto ao Capitão Pátria (Anthony Starr) e seus fiéis seguidores, enquanto este tenta ter o apoio de Victoria Neuman (Claudia Doumit) e fazê-la chegar à presidência dos Estados Unidos. Butcher (Karl Urban) segue sua própria agenda e não tem interesse na paz que Annie quer propagar, já que seus dias parecem contados, ele não tem tempo a perder e seu desejo de vingança aumenta, ainda que ele tente convencer Ryan (Cameron Crovetti) a deixar o pai. Nesta trama principal, entram duas interessantes adições. A superinteligente Mana Sábia (Susan Heyward), que começa como uma ajudante do Capitão Pátria e não hesita em dizer a verdade, quando ele se vê – finalmente – cercado de apenas bajuladores. É ela quem desenha o plano para derrotar Annie, trazendo Espoleta (Valorie Curry) para a jogada, uma reacionária da extrema-direita disposta a tudo pela atenção do líder dos Sete.


O que norteia a temporada, apesar de tudo ser tão previsível, é que o passado volta para assombrar, basicamente, todos os personagens. O problema aqui são os enredos que não conversam com a trama principal e parece que existem apenas para preencher tempo de tela, para afastar os personagens e adiar coisas inevitáveis e não há qualquer desenvolvimento para eles porque as intenções são boas, mas os contornos são cansativos já que sabemos onde irão nos levar desde o primeiro momento, como a de Hughie (Jack Quaid) e do Francês (Tomer Capone), por exemplo. Leitinho (Laz Alonso), Profundo (Chace Crawford), Ashely (Colby Minifie), Kimiko (Karen Fukuhara) e Trem-bala (Jessie Usher) estão em papeis coadjuvantes, mas cada um tem sua devida importância. Eventualmente, quando Hughie e Francês voltam a fazer parte da narrativa relevante, a temporada ganha mais foco e ritmo. O plano ainda é o mesmo de sempre: derrotar o Capitão Pátria, mas pelo menos é divertido.

Foto: Amazon/ Divulgação


O humor “5ª série” continua um dos pontos altos com os roteiristas colocando a criatividade em evidência em determinadas sequências envolvendo sexo e violência, como aquela absurda da sauna, a foto que Butcher enviou para Neuman ou uma luta sangrenta em meio a uma festa que tinha The Marvelous Mrs. Maisel como tema. O Profundo se mostra como um ótimo alívio cômico e se me dissessem que Chace Crawford seria engraçado na época que Gossip Girl estava no ar, eu diria que era mentira, mas que bom que aqui ele tem espaço para mostrar um pouco de versatilidade. Outro aspecto positivo são as interações entre Mana Sábia e Capitão Pátria. Por ser a única pessoa que ele escuta, ela não mede as palavras e o humilha sempre que pode, o que é uma dinâmica nova em meio a tanta mesmice. De início, tal qual todo personagem sabichão da tv ou cinema, a personagem irrita um tanto, mas Heyward usa o texto a seu favor e logo vira o jogo. E Anthony Starr, claro, continua um destaque absoluto em seu exagero que quase ultrapassa os limites para cair numa caricatura. O que deixa ainda mais clara a limitação de Cameron Crovetti quando contracena com ele. Erin Moriarty teve uma boa evolução e sua personagem finalmente ganha mais nuance e fica menos chata, vamos ser sinceros.


O Prime Vídeo liberou sete episódios para o Oxente, Pipoca?, então esta crítica é com base neles, e mesmo que quatro episódios já tenham disponibilizados na plataforma, evito spoilers ao máximo. O que eu posso dizer é que os três primeiros realmente são os mais fracos e a temporada ganha fôlego depois deles. Porém, mesmo tendo momentos inspirados, a sensação de “já vi isso antes” ainda é frequente, só que não deixa de divertir e eu estou bem curioso para saber o que o último episódio nos reserva. A sátira que a série sempre quis fazer seja a política ou ao capitalismo, sempre foi bem óbvia, mas nesta temporada está ainda mais. O que é compreensível para que parte da audiência entenda de vez o que realmente está sendo criticado, porém a outra parte sente sua inteligência questionada. É uma regressão, quando deveria haver um avanço, já que estamos caminhando para a temporada final, ainda que a jornada entretenha.


Nota: 3/5

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