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  • Foto do escritorDavid Shelter

Crítica | The Crown (5ª temporada)

Série entrega o ano mais enfadonho da família real

Divulgação: Netflix


Em 2020, quando a pandemia do Covid-19 explodiu se estendendo até 2021 ainda de forma trágica, diversas produções foram paralisadas ou adiadas. Em decorrência disso, várias séries acabaram atrasando por bastante tempo seu lançamento, deixando o ano de 2021 em um período de 'seca' na TV, possibilitando a chance de 'The Crown' conseguir o tão sonhado Emmy na categoria principal pela primeira vez para a Netflix. Não somente isso, ela conseguiu o feito de ser a única série dramática a vencer todas as categorias principais (melhor série, categorias de atuação principal e coadjuvantes, roteiro e direção), feito antes conquistado somente por 'Angels in America' na categoria de minissérie em 2004 e por 'Schitt's Creek' em comédia no ano de 2020.


Após todas essas conquistas, a série recebeu sobre si um novo peso além do hype pelo período de história que ela está abordando atualmente. Não somente isso, a produção da Netflix ganhou um novo olhar após a morte da principal monarca britânica, a Rainha Elizabeth II, falecida em setembro. Somando-se a essas duas coisas vem também o fato de ela abordar uma das figuras mais amadas e lembradas até hoje, a princesa Diana. Infelizmente, a quinta temporada não conseguiu êxito pelas responsabilidades que puxou para si mesma.


Para quem já acompanha, é comum saber que a série tem uma monotonia específica dela, abordando a família real de ângulos diversos e focando em atuação e diálogos. Nesse início de temporada, a monotonia veio maçante. Ela inicia seu novo ano trazendo um tédio que não condiz com sua fase da história, que foi um período em que todos os olhares estavam voltados para aquela família, a crise que eles passavam diante do divórcio do filho primogênito da rainha, o príncipe Charles, e sua esposa, Diana, além dos debates levantados sobre o fim da monarquia.

Divulgação: Netflix


Já entrando na questão dessa personagem, Diana teve aqui, provavelmente, sua abordagem mais cansativa considerando todas as produções que já utilizaram sua história. A série estende, por dez episódios, um loop sonolento sobre como Diana sofria nas mãos da família real, repetindo sempre as mesmas coisas por diversas vezes, dando um ar de birra adolescente para a trama. O próprio enredo aborda isso em seus episódios finais, transmitindo em um diálogo toda a canseira que essa trama trouxe, deixando um pouco controverso a decisão da produção de estender ainda mais esse assunto, visto que na próxima temporada teremos mais dessa história.


Como de costume, o cast da série a cada dias temporadas, incluindo Diana, desta vez interpretada por Elizabeth Debicki, substituindo a elogiada Emma Corrin, que ficou apenas por uma temporada, contracenando diretamente com Josh O'Connor, também aclamado. Todas as figuras importantantes vêm sendo representadas nas telas de TV e cinema com frequência nos últimos anos, então há sempre uma espera de entrega quando o elenco se renova, no entanto, Debicki teve a má sorte de em menos de dois anos, sua personagem ter tido duas interpretações aclamadas pela crítica e com uma recepção excelente também por parte do público, em 'The Crown' e em 'Spencer'. A Diana de Debicki é enfadonha e limitada, com trejeitos que se aproximam mais de uma imitação, gerando antipatia quando se assiste. Já o princípe Charles e par de Diana, interpretado agora por Dominic West, consegue se sair melhor no que lhe é proposto, apesar da gigante diferença dele com a figura que interpreta.


Claire Foy, que garantiu um Emmy no último ano como atriz convidada na quarta temporada, retorna para mais uma rápida participação, que provavelmente será usada novamente para outra indicação. No que diz respeito à Rainha Elizabeth II, ouso dizer que com Imelda Staunton ela teve a sua melhor intérprete, a mais próxima da nossa atualidade, Staunton entrega a frieza que já vimos antes e uma vivacidade incrível. Contudo, Staunton foi bastante debilitada pela própria trama, não conseguindo ter o destaque que merecia, sendo deixada de lado em prol do cansativo drama do divórcio de Diana e Charles. Uma das melhores adições foi a de Jonathan Pryce, o príncipe Philip. É sempre gratificante ver Pryce em cena, e a série o utiliza bem dentro do proposto, dando a melhor interpretação do Duque de Edimburgo.

Divulgação: Netflix


Apesar dos poucos acertos na trama, a produção tem a sua qualidade amplificada pela parte técnica. A representação histórica de cenários e momentos é sempre muito convincente e feitos com bastante primor, assim como a parte de figurinos, conseguindo replicar instantes que ficaram marcados na história por conta de uma simples roupa, e a fotografia veio bem equilibrada, com a marca registrada da série. A trilha é um destaque positivo da temporada, sustentando por diversas vezes momentos em que o enredo falhou, e fazendo uma conjunção de cena que fica agradável de assistir. Em relação à verossimilhança da figuração do elenco com seus personagens, somente Debicki é a mais marcante, sendo um de seus poucos pontos positivos, e quanto ao restante não tem muito o que se falar.


Em seu quinto ano, ‘The Crown’ chegou mostrando que sua força parece estar se esvaindo, não conseguindo manter o nível de suas antecessoras e entregando a sua temporada mais debilitada. Apesar dos acertos, seus erros são o que mais se destacam, sendo o maior deles a decisão de manter por tanto tempo uma história que eles parecem não saber como utilizar em favor da série. A sensação que fica, é que após o ano de sorte que teve em 2021, a produção olhou para o ouro que tinha em mãos e pensou “como podemos transformar isso em pirita?”, e, infelizmente, conseguiram.


Nota: 3/5

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