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Crítica | Look Back (Mostra de SP 2026)

Vinicius Oliveira

28 de out de 2026 · 3 min de leitura

Adaptação de Kore-eda de aclamado mangá conta com as sensibilidades e qualidades cênicas típicas do diretor, mas falha em termos de montagem e sentimentalismo

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Publicado em 2021 por Tatsuki Fujimoto, o mangá Look Back se revelou um verdadeiro fenômeno de vendas, com mais de 1 milhão de unidades vendidas até o momento. A história das amigas e jovens mangakas Fujino e Kyomoto, depois de ganhar uma adaptação em forma de anime em 2024, agora ganha sua versão live-action pelas mãos de ninguém menos do que Hirozaku Kore-eda, um dos mais renomados diretores japoneses vivos.


Ao longo de cerca de 100 minutos, Kore-eda abarca as vidas de Fujino (Natsuki Deguchi e Furi Nanese) e Kyomoto (Aju Makita e Rokka Okada) de suas infâncias até o início da vida adulta. O laço entre as duas se forma quando Fujino, celebrada como uma brilhante mangaka na sua escola, é superada pela reclusa Kyomoto. Apesar do sentimento de rivalidade de Fujino, ela logo descobre que Kyomoto a admira, e as duas então formam um laço profissional e de amizade que vai se prolongando ao longo dos anos, mas é testado quando cada uma das duas passa a ter sonhos diferentes.


Kore-eda é hábil na construção dos diversos enquadramentos que servem para mostrar os processos criativos das personagens, filmadas muitas vezes de costas enquanto estão compenetradas em seus trabalhos com os mangás que vão produzindo. Seja nas versões mirins ou adolescentes/jovens/adultas, a relação de Fujino e Kyomoto vai se construindo num laço com o qual aprendemos a nos importar, tanto pelos contrastes entre as duas personagens quanto no afeto palpável entre elas, apesar desses contrastes. Muito disso vem da química das quatro atrizes, seja Deguchi e Nanese na primeira fase ou Makita e Okada na segunda.


Entretanto, na tentativa de comprimir vários anos das vidas das protagonistas em um longa relativamente curto, Look Back acaba sacrificando muito da construção dessa relação e a fragilizando. Por exemplo, o filme toma seu tempo para revelar o impacto de Kyomoto sobre Fujino antes mesmo dela ser revelada em cena, mas uma vez que ela enfim aparece, o filme já salta para um momento em que a relação das duas está devidamente consolidada. A partir disso, o que se vê é esse constantemente encadeamento de diversos saltos temporais entre os blocos de eventos, o que não é exatamente em si um problema, mas faz com que o filme nunca consiga se aprofundar nas vidas dessas personagens.


Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Ele até consegue se organizar em seu segundo ato, quando Makita e Okada entram em cena como as versões mais velhas das protagonistas (apesar de que a inserção abrupta delas, inicialmente como adolescentes de 13 anos, soe pouco convincente). É o bloco onde o filme possui mais tempo para trabalhar as personagens, além de explorar mais do processo criativo delas. No entanto, uma guinada em seu último ato faz com que o longa descambe para um sentimentalismo que vai sendo esticado até o limite por Kore-eda, o que acaba gerando um descompasso nítido: se a primeira hora do filme vai saltando por diversos eventos, muitas vezes sem dar a devida atenção a eles, a meia hora final prolonga outra série de eventos, criando uma sucessão de falsos finais que não apenas reforçam uma sensação anticlimática, como mostram uma mão tão pesada do diretor na tentativa de nos comover que, no fim das contas, o efeito acaba sendo o contrário.


Look Back tem boas doses da sensibilidade típica dos filmes de Kore-eda – e um quarteto de ótimas atrizes – para que nos conectemos às protagonistas conforme navegamos com elas pela passagem dos anos. Mas as escolhas narrativas e de montagem do filme prejudicam e muito essa imersão, e sentir a mão do diretor tentando manipular tão diretamente nossos sentimentos acabam operando contra ele. Não li ao mangá original tampouco assistir ao anime de 2024, mas torço para que a condução dos eventos neles seja feita com menos afobação e manipulação do que ocorre aqui.


Nota: 2.5/5 


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Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Publicado em 2021 por Tatsuki Fujimoto, o mangá Look Back se revelou um verdadeiro fenômeno de vendas, com mais de 1 milhão de unidades vendidas até o momento. A história das amigas e jovens mangakas Fujino e Kyomoto, depois de ganhar uma adaptação em forma de anime em 2024, agora ganha sua versão live-action pelas mãos de ninguém menos do que Hirozaku Kore-eda, um dos mais renomados diretores japoneses vivos.


Ao longo de cerca de 100 minutos, Kore-eda abarca as vidas de Fujino (Natsuki Deguchi e Furi Nanese) e Kyomoto (Aju Makita e Rokka Okada) de suas infâncias até o início da vida adulta. O laço entre as duas se forma quando Fujino, celebrada como uma brilhante mangaka na sua escola, é superada pela reclusa Kyomoto. Apesar do sentimento de rivalidade de Fujino, ela logo descobre que Kyomoto a admira, e as duas então formam um laço profissional e de amizade que vai se prolongando ao longo dos anos, mas é testado quando cada uma das duas passa a ter sonhos diferentes.


Kore-eda é hábil na construção dos diversos enquadramentos que servem para mostrar os processos criativos das personagens, filmadas muitas vezes de costas enquanto estão compenetradas em seus trabalhos com os mangás que vão produzindo. Seja nas versões mirins ou adolescentes/jovens/adultas, a relação de Fujino e Kyomoto vai se construindo num laço com o qual aprendemos a nos importar, tanto pelos contrastes entre as duas personagens quanto no afeto palpável entre elas, apesar desses contrastes. Muito disso vem da química das quatro atrizes, seja Deguchi e Nanese na primeira fase ou Makita e Okada na segunda.


Entretanto, na tentativa de comprimir vários anos das vidas das protagonistas em um longa relativamente curto, Look Back acaba sacrificando muito da construção dessa relação e a fragilizando. Por exemplo, o filme toma seu tempo para revelar o impacto de Kyomoto sobre Fujino antes mesmo dela ser revelada em cena, mas uma vez que ela enfim aparece, o filme já salta para um momento em que a relação das duas está devidamente consolidada. A partir disso, o que se vê é esse constantemente encadeamento de diversos saltos temporais entre os blocos de eventos, o que não é exatamente em si um problema, mas faz com que o filme nunca consiga se aprofundar nas vidas dessas personagens.


Imagem: Divulgação
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Ele até consegue se organizar em seu segundo ato, quando Makita e Okada entram em cena como as versões mais velhas das protagonistas (apesar de que a inserção abrupta delas, inicialmente como adolescentes de 13 anos, soe pouco convincente). É o bloco onde o filme possui mais tempo para trabalhar as personagens, além de explorar mais do processo criativo delas. No entanto, uma guinada em seu último ato faz com que o longa descambe para um sentimentalismo que vai sendo esticado até o limite por Kore-eda, o que acaba gerando um descompasso nítido: se a primeira hora do filme vai saltando por diversos eventos, muitas vezes sem dar a devida atenção a eles, a meia hora final prolonga outra série de eventos, criando uma sucessão de falsos finais que não apenas reforçam uma sensação anticlimática, como mostram uma mão tão pesada do diretor na tentativa de nos comover que, no fim das contas, o efeito acaba sendo o contrário.


Look Back tem boas doses da sensibilidade típica dos filmes de Kore-eda – e um quarteto de ótimas atrizes – para que nos conectemos às protagonistas conforme navegamos com elas pela passagem dos anos. Mas as escolhas narrativas e de montagem do filme prejudicam e muito essa imersão, e sentir a mão do diretor tentando manipular tão diretamente nossos sentimentos acabam operando contra ele. Não li ao mangá original tampouco assistir ao anime de 2024, mas torço para que a condução dos eventos neles seja feita com menos afobação e manipulação do que ocorre aqui.


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