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Crítica | Magnatas do Crime (2ª temporada)

Foto do escritor: Vinicius Oliveira
Vinicius Oliveira
há 6 horas
3 min de leitura

Guy Ritchie refina seu universo de aristocratas criminosas em temporada mais segura e coesa.


Divulgação


Spin-off (ou releitura) do filme homônimo de 2019, Magnatas do Crime entrelaça o habitual interesse de Guy Ritchie por narrativas ambientadas no mundo do crime com um outro mundo, talvez ainda mais perigoso e sórdido: o da aristocracia britânica. A primeira temporada nos introduziu o duque Eddie Horniman (Theo James), forçado a assumir não só a chefia da família como também os negócios ilegais que o pai assumiu com Bobby Glass (Ray Winstone) e sua filha Susie (Kaya Scodelario), que usavam as terras dos Hornimam para sua plantação de maconha. Nesta segunda temporada, o poder de Eddie e Susie se consolida, mas também surgem divergências entre os dois, bem como ameaças oriundas de novos (e velhos) inimigos.


A série segue calcada num ritmo ágil, onde os eventos se sucedem sem muitas enrolações (mas sempre com muitas complicações para os personagens). Porém, esta segunda temporada deixa de lado um pouco a estrutura episódica da anterior, especialmente em sua segunda metade, para focar em uma narrativa mais abrangente e seriada, com a introdução da máfia italiana, personificada no chefão Marco Moretti (Sergio Castellito) e sua afilhada Isabella (Benedetta Porcaroli), que se configura o novo interesse amoroso de Eddie. Uma mensagem da série para deixarmos de lado quaisquer shipp entre ele e Susan? Talvez sim, já que ela também ganha seu interesse amoroso na forma do enigmático Joe Green (Tyler Conti). No entanto, a série nunca deixa de lado o vínculo dos dois protagonistas – ainda que estremecido pelas suas ambições e divergências – e inegavelmente a química entre Theo James e Kaya Scodelario segue um dos seus pontos fortes.


Apesar de um começo um tanto abrupto, tanto ao trazer Eddie numa posição de poder mais consolidada em relação à temporada anterior quanto na introdução de novos personagens – como Cico (Michelle Morrone), lorde Richard (Hugh Bonneville), Nanny (Benjamin Clementine) –, este segundo ano logo encontra uma segurança que talvez faltasse à série em seu início, segurança essa que se reflete até em algumas atuações, como a de James. Longe de ser um ator brilhante, eu acho que ele consegue se acomodar nesse tipo charmoso, soturno e potencialmente violento que o personagem exige, demonstrando algumas vulnerabilidades (sobretudo na segunda metade da temporada) que o enriquecem e o elevam para além de um tipo meio marcado de personagem desse tipo de produção – a saber, o protagonista que é engolido pela violência deste mundo e se torna o indivíduo mais perigoso e poderoso possível.


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Da mesma forma, Scodelario consegue construir bem o conflito que sua Susie vivencia entre a lealdade ao pai e os interesses e ambições em comum que partilha com Eddie. Embora o conflito entre Eddie e os Glass que vai sendo construído nos primeiros episódios não chegue a se concretizar da maneira que se esperaria, a personagem também tem espaço para oferecer outras nuances. Nomes como Vinnie Jones, Joely Richardson e Bonneville também tem seus momentos para brilhar (os dois primeiros ganhando um episódio quase todo dedicado a eles na reta final da temporada, o qual pode ser o melhor da série até o momento), além de participações menores que sempre nos lembram da excentricidade cômica deste universo.


Em compensação, a quase completa ausência de Daniel Ings e seu imprevisível Freddy é fortemente sentida. O uso do personagem como um dispositivo de enredo na primeira temporada foi um de seus pontos fracos, mas não por demérito de Ings, e vê-lo ter aqui tão pouco espaço, como se a série resolvesse ir para um outro extremo em relação à sua presença em cena, é uma pena. Essa decisão se torna ainda mais incompreensível quando ao final seu papel nos eventos da temporada é mais esclarecido, mas, sem dar maiores spoilers, gosto que a série evita reciclar elementos de O Poderoso Chefão no que tange à relação de Eddie e Freddy, com a promessa de uma maior participação deste último no futuro da série.


Apesar desses tropeços, a segunda temporada de Magnatas do Crime é uma grata surpresa. Mais coesa e segura da história que quer contar, ela refina os pontos fortes da primeira temporada e elimina grande parte dos seus pontos fracos. Com uma terceira temporada já confirmada, mal posso esperar pelas próximas desventuras e crimes dos Hornimam, Glass, parceiros e inimigos neste excêntrico e sangrento universo.


Nota: 4/5

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