Crítica | Lucky (Minissérie)
- Filipe Chaves

- há 18 horas
- 2 min de leitura
Entretém, mas não vai além.

Em mais um caso de “é bacana, mas ninguém lembrará mês que vem”, temos esta nova minissérie do Apple TV, onde Anya Taylor-Joy brilha como uma vigarista em rota de fuga. A história começa com Lucky (Taylor-Joy) e o noivo Cary (Drew Starkey) comemorando um roubo em uma noitada em Las Vegas. Após muita bebedeira e curtição, Lucky acorda sozinha no quarto de hotel, sem o noivo e sem os milhões de dólares roubados. A agente do FBI Billie Rand (Aunjanue Ellis) já está no local à sua procura, bem como os capangas de Priscilla (Annette Bening), a mafiosa, que é mãe de Cary e dona dos milhões. Agora, Lucky precisa lutar pela sua vida, enquanto tenta encontrar Cary.
Então, temos a premissa de um filme de ação e suspense que foi transformado em minissérie e felizmente posso dizer que não há uma quebra de ritmo. O fato de ser baseada em um livro escrito por Marissa Stapley, dá a quantidade de acontecimentos necessários para preencher os sete episódios, embora só haja profundidade o suficiente para que eu me importasse com os personagens e não mais do que isso. Eu não li o livro e nem quero julgar a fidelidade da adaptação, porque adaptação boa é aquela que se basta. O fato aqui é que não há muita profundidade em nada. Ou seja, a minissérie é bacana e divertida, mas jamais vai além disso.

O elenco, no entanto, como vocês já viram, é recheado de nomes talentosos e conhecidos. Anya Taylor-Joy está fantástica como a golpista protagonista e ainda que o roteiro não ofereça muita nuance à personagem, a atriz tem um alcance para dar o seu melhor. Aunjanue Ellis é outro baita destaque na pele da agente Rand e assume uma postura imponente e impressiona pelo quão expressiva ela consegue ser, mesmo em um papel não tão rico, mostrando sua potência. Outra veterana que está ótima, obviamente, é Annette Bening. Ela é a antagonista principal e sua presença é sentida mesmo quando ela não está em tela. Drew Starkey não aparece tanto, mas tem carisma de sobra e uma boa química com Anya para que sua escalação seja justificada. Timothy Olyphant, que começa a série preso, é o pai de Lucky e está muito bem no papel, construindo uma relação interessante com a personagem.
Ainda que a narrativa não ofereça qualquer complexidade, o entretenimento é garantido e não há uma quebra de ritmo notável, mesmo que após o quarto – e melhor episódio – haja uma mudança drástica, após a única reviravolta que não foi previsível durante a temporada toda. As sequências de ação são muito bem filmadas, são empolgantes e o senso de risco é elevado e mesmo que as surpresas não surpreendam (risos) em sua maioria, a minissérie consegue te manter fisgado ali naquele momento. Os arcos se encerram bem e eu realmente espero que não haja uma 2ª temporada. Não há qualquer necessidade e é o exato tipo de minissérie competente em que a gente se diverte enquanto está assistindo, mas não é memorável. Tipo um cheeseburger de fast food, é bom ali na hora e mata sua fome, mas logo menos você esquece.
Nota: 3,5/5



















