Crítica | Street Fighter (2026)

há 7 horas
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Lutas bem coreografadas, personagens exagerados e hiperestímulos visuais fazem do filme uma grande piada (no melhor sentido).

Em 1993, os antigos parceiros de treino Ryu e Ken Masters, agora afastados, são lançados novamente no mundo das lutas quando a misteriosa Chun-Li os recruta para o próximo Torneio Mundial de Guerreiros: um confronto brutal de punhos, destino e fúria. Mas, por trás dessa batalha, existe uma conspiração mortal que os obriga a enfrentar um ao outro, e também os demônios de seus próprios passados.
E o grande ímã financeiro da crise criativa de Hollywood sustentada por remakes e alimentada pela nostalgia barata agarrou outro jogo em 2026. O clássico jogo de videogame da década de 90 agora ganha uma versão carregada de sexualização, de hiperestímulos visuais, de piadocas péssimas e de sequências de lutas muito bem coreografadas. Não dá para negar que Street Fighter (2026) tem energia para segurar suas 2 horas de duração. Entre as escolhas que tornam a convulsiva e eufórica experiência mais divertida está a inserção de animes para contar os flashbacks, o que ajuda a segurar o freio quando tudo parece intenso além da conta, e, ironicamente, são essas animações que apresentam os momentos mais densos e sérios da história.
O roteiro é uma farofada que nem perde tempo se preocupando em imprimir alguma veracidade. É fantasia pura e, de certo modo vazia, sem qualquer mensagem política e social ou metáfora aplicável à vida real. É um texto que toda hora mistura ação com comédia sem assumir um lado definitivo. As gracinhas constantes com 15 minutos já cansam, então é levantar da sala de cinema ou trincar os dentes e aceitar que vem muito mais por aí, algumas vezes elas funcionam, na maioria das vezes não. E a ação é divertidíssima, com um trabalho de dublês espetacular e com estilos diferentes de sequências (e cenários), o cineasta Kitao Sakurai não economiza nas cores, nos objetos, nos tons, nos jogos de luz e sombra e mostra que se divertiu bastante na criação disso tudo.

Exagero presente também na direção de arte e na caracterização dos personagens. Os fãs ficarão completamente satisfeitos com as representações, figurinos e penteados que desenham com detalhes os traços mais reconhecíveis de cada nome do jogo. Noah Centineo é um poço de carisma e tem um trabalho de corpo bem desenvolvido tanto para as lutas quanto para o humor físico. Andrew Koji consegue ser a contrapartida mais sutil no arco dos protagonistas e faz seu arroz com feijão dentro do esperado.
Street Fighter é o exemplo perfeito de filme passatempo. É um filme que, apesar dos excessos, não diz muito, sua função é o mero “espetáculo” e nisso ele se resolve perfeitamente. Tal qual um meme de nicho na vasta internet, eu apenas me deixei ser entretido pelas cores vibrantes e pelos barulhos altos, como uma criança. E, nesse filtro, é um programão.
Nota: 3/5



















