top of page
Background.png

Crítica | Talismã (Festival do Rio 2026)

Foto do escritor: Giulia Meneses
Giulia Meneses
há 3 horas
3 min de leitura
Exibido no Festival do Rio 2026, o longa de Thaís Fujinaga, premiado como melhor direção na mostra Novos Rumos, transforma um reality show de talentos mirins em espelho das frustrações de uma mulher.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

O que pensar de um longa que mistura Pequena Miss Sunshine com Lady Bird, só que com a mãe como protagonista? Em Talismã, da diretora Thaís Fujinaga, essa combinação deixa de ser hipótese e vira realidade na tela.


Protagonizado por Fernanda Chicolet, Sophia Fuggacy, Stepan Nercessian e Allan Souza Lima, o filme acompanha Tereza (Chicolet), mãe solo e professora de dança, cuja rotina muda quando a filha, Pina (Fuggacy), entra em um reality de talentos mirins e passa a sonhar com a final no Rio de Janeiro. Enquanto ajuda a menina nos ensaios, Tereza começa a reencontrar desejos que havia deixado para trás. 


Diante de uma infância fragilizada pelo "abandono" do pai, que na fase presente do enredo já se vê mais próximo da neta, por iniciativa da própria, ela enxerga na filha, mesmo que tardiamente, a oportunidade de ver realizados os sonhos que lhe foram arrancados. A pergunta que a história faz é até onde vai o desejo de uma e onde começa o da outra.


Com estreia nacional no Festival do Rio 2026, Talismã saiu da mostra Novos Rumos com o prêmio de melhor direção, e a conquista é um reconhecimento justo ao trabalho de Thaís Fujinaga. O longa mostra que, por mais americanizadas que certas narrativas soem, a brasilidade dá a elas um brilho a mais, e é isso que chama a atenção desde o início. 


A mistura de sotaques cariocas e gaúchos, o funk brasileiro, a torcida apaixonada do público e o companheirismo entre os personagens tornam a história tão acolhedora que a montagem, mais simples, muitas vezes passa despercebida.


O trabalho da diretora é claramente competente, mas nem tudo funciona. Algumas sequências constroem uma expectativa crescente que não se paga, e o retorno emocional fica abaixo do prometido. Ainda assim, suas escolhas sustentam um retrato cru e frustrante de uma mulher privada do próprio protagonismo.


Idealizadora do projeto, Fernanda Chicolet entrega uma atuação segura como uma mulher cheia de ideais pessoais, que não percebe que ser mãe talvez fosse o mais importante deles naquele momento. Tereza é uma dançarina que nem nas aulas, ao lado do parceiro na dança e na vida (vivido pelo igualmente competente Allan Souza Lima), ocupa o centro da cena. Em planos cotidianos e íntimos, a atriz transmite com precisão a dúvida constante sobre até onde vai o sonho dela e onde começa a vontade da filha.


O grande destaque, porém, é Sophia Fuggacy. A espontaneidade e a delicadeza de uma criança sincera, encantadora e sem papas na língua são o maior trunfo do filme. Apesar da pouca idade, a atriz mirim contracena em pé de igualdade com nomes consagrados como Stepan Nercessian, num papel acolhedor de avô dedicado e pai arrependido. Em momentos potentes e firmes, ela reafirma o peso da figura materna aos olhos de uma garota.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

No fim, Talismã põe em contraste a exposição de uma criança e uma aspiração coletiva. A trilha sonora ilustra bem isso ao colocar uma menina diante de músicas geralmente associadas a outra faixa etária. A direção, suave e sensível, também mostra o quanto a exposição às redes sociais pode ser prejudicial e reveladora. 


Para Tereza, a convivência com artistas que não são verdadeiramente reconhecidos vira o ponto de virada. Ela percebe que resgatar a relação com a filha era o que realmente importava, algo que, tristemente, ela não conseguiu fazer com o próprio pai.


Nota: 4\5 


LEIA TAMBÉM NO SITE:

FILMES BRASILEIROS DE 2026

bottom of page