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  • Foto do escritorVinicius Oliveira

Crítica | Depois da Festa (Temporada 2)

Atualizado: 13 de out. de 2023

Série perde um pouco do seu frescor neste novo ano, mas mantém a consistência

Foto: Divulgação


No papel, a premissa de Depois da Festa é boa demais para se ignorar: um whodunnit onde cada episódio segue o ponto de vista de um dos suspeitos, mas sob as lentes de um gênero/tropo cinematográfico diferente: comédia romântica, suspense, animação, ação, etc. Felizmente, a inventividade da premissa foi sustentada por um elenco carismático e o uso de um timing cômico certeiro para atravessar toda a história.


Em sua segunda temporada, a série adota um formato semi-antológico, resgatando apenas alguns dos personagens da temporada anterior — o casal Aniq (Sam Richardson) e Zoë (Zoë Chao) e a detetive Danner (Tiffany Haddish) —, enquanto todo o restante do elenco é composto de recém-chegados (ainda que haja algumas deliciosas participações especiais do elenco da primeira temporada). Há um novo mistério também: desta vez, o assassinato do bilionário Edgar (Zach Woods) logo após seu casamento com Grace (Poppy Liu), irmã de Zoë.


Em seu âmago, entretanto, Depois da Festa segue a mesma estrutura, dessa vez trazendo Aniq e Danner colaborando juntos para extrair os relatos dos suspeitos, que incluem os pais de Grace e Zoë (interpretados por Ken Jeong e Vivian Wu), seu aventureiro e distante tio Ulysses (John Cho), o ex-namorado de Grace, Travis (Paul Walter Hauser), a fria mãe de Edgar, Isabel (Elizbeth Perkins), sua irmã adotiva Hannah (Anna Konkle) e seu melhor amigo e padrinho Sebastian (Jack Whitehall).


A leva de novos personagens, significativamente maior que a da primeira temporada, levou também a um aumento de episódios, de 8 para 10 aqui. Sinto, porém, que o maior número de episódios acabou acarretando em um ritmo um tanto mais irregular; é possível sentir uma espécie de barriga lá pelo meio da temporada, a qual felizmente é compensada pela ótima reta final. Além do mais, onde os episódios da primeira temporada se centravam nos eventos diretamente ligados ao assassinato em questão, aqui os roteiros nos levam a lugares muito mais distantes das vidas desses personagens, o que faz alguns episódios parecerem um tanto inchados com a quantidade de informações trazidas.



Foto: Divulgação


A série aqui também parece afrouxar suas definições de “gênero cinematográfico” para comportar uma definição mais abrangente que incluem estilos e assinaturas de cineastas em específicos. Isso é mais evidente ainda no quarto episódio, focado em Hannah, que traz uma estética e linguagem diretamente tiradas dos filmes de Wes Anderson. Isso não chega a ser um problema em si, mas dá a estranha impressão de que a série já gastou sua premissa cedo demais, sendo que há outros episódios na temporada que demonstram a sagacidade dos seus criadores em reler e subverter os tropos e gêneros cinematográficos adotados.


Por exemplo, o terceiro episódio, focado em Travis, abraça as convenções do gênero noir, enquanto o penúltimo episódio, dedicado a Isabel, se fia o melodrama Technicolor dos anos 50. Ambos os episódios incorporam as possibilidades de cada um dos gêneros sem nunca, no entanto, se levar a sério demais ou se perder nos meandros deles, já que Depois da Festa é acima de tudo uma comédia, e uma comédia das boas.


Assim como na primeira temporada, muito disso vem do mérito do elenco. Ainda que a gama de novos personagens não deixem uma marca tão impressiva quanto os da primeira temporada, é inegável os talentos cômicos de nomes como Walter Hauser, Perkins, Jeong e Cho. Além disso, a química do trio que retorna do ano anterior é simplesmente indefectível, tanto no aspecto romântico de Richardson e Chao quanto na parceria buddy cop de Richardson com Haddish. Mas a verdadeira arma secreta da temporada é talvez Woods, que tem a oportunidade de apresentar diferentes lados de seu Edgar a cada episódio conforme acompanhamos os diferentes relatos dos personagens.


O segundo ano de Depois da Festa pode não ter o frescor e a inventividade do primeiro, mas continua a consolidar a série como uma das melhores joias do catálogo da AppleTV e uma das comédias mais subestimadas da atualidade. Com um gancho final que expande ainda mais a metalinguagem e intertextualidade da série, só posso torcer por uma terceira temporada que abrace ainda mais as possibilidades de novos gêneros cinematográficos.


Nota: 3.5/5

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