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Entrevista | “Eu só quero continuar sendo feliz”: Mike Biggs revisita a relação com o pai em Biggs by Biggs

Gabriella Ferreira

28 de out de 2026 · 5 min de leitura

Documentário do Universal+ estreia em 6 de novembro e apresenta o olhar íntimo do integrante da Turma do Balão Mágico sobre a história de Ronald Biggs, conhecido pelo assalto ao trem pagador em Londres

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Filho de um dos criminosos mais famosos do mundo e integrante de um dos grupos infantis de maior sucesso do Brasil nos anos 1980, Mike Biggs cresceu entre duas histórias que pareciam pertencer a universos diferentes. De um lado, a fama conquistada com a Turma do Balão Mágico; do outro, a trajetória de Ronald Biggs, seu pai, que ficou mundialmente conhecido por participar do assalto ao trem pagador britânico em 1963. Em Biggs by Biggs, documentário Original Universal+ que estreia em 6 de novembro, Mike revisita essa história a partir de suas próprias memórias, afastando-se das manchetes para falar sobre a relação familiar que existia por trás da figura pública.


Dirigido por Guto Barra e Tatiana Issa, o documentário percorre cinco décadas marcadas por fama, crime, amor, ausências e conflitos familiares. Com passagens pelo Brasil e pela Inglaterra, a produção acompanha Mike em um processo de revisitação do passado, incluindo conversas com a ex-mulher e as filhas. Mais do que reconstituir episódios conhecidos da trajetória de Ronald Biggs, o filme investiga como a história do pai atravessou a vida do filho e influenciou suas próprias relações familiares.


Em entrevista ao Oxente Pipoca, Mike falou sobre a decisão de contar essa história sob sua perspectiva, a diferença entre o pai que conhecia dentro de casa e a figura construída pela mídia e os desafios de expor momentos tão íntimos diante das câmeras. Ao revisitar a própria trajetória, ele também reflete sobre o que faria diferente e sobre a importância de encarar as adversidades com mais leveza. Para Mike, a expectativa é que o público termine o documentário reconhecendo que, mesmo diante de uma história extraordinária, é possível encontrar felicidade e seguir em frente.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Queria começar me apresentando. Sou Gabi, faço parte do Oxente Pipoca, e assisti ao documentário ontem. Eu amei, amei mesmo! Era uma história que eu não conhecia e, depois, fui comentar com meus pais, que ficaram surpresos e começaram a relembrar alguns acontecimentos. Queria saber de você: essa é uma história que já foi contada várias vezes e que o público conhece, mas o documentário escolhe um caminho diferente para apresentar essa narrativa. De onde surgiu a ideia de contar essa história a partir do seu olhar? Quais foram as principais inspirações para levar esse projeto adiante?

Mike Biggs: A ideia inicial do documentário surgiu há uns três anos. A diretora, Tatiana Issa, e o Guto Barra tinham feito um documentário sobre a história do Balão Mágico, em que cada um dos integrantes contava um pouco da sua trajetória. Eu comecei a falar sobre a minha história e percebi que eles não me cortavam, que foram me deixando falar. Quando terminei, a Tatiana chegou para mim e disse: “Mike, essa tua história é muito boa. A gente deveria pensar em fazer um documentário sobre essa história do seu pai, sobre a sua visão, pelos seus olhos”.


A partir daí, a conversa foi avançando, a Universal+ entrou no projeto, gostou da ideia e comprou a proposta, o que foi maravilhoso.


Decidimos fazer esse documentário justamente para desmistificar essa história. Como você falou, muita gente, principalmente da nova geração, não faz a mínima ideia do que foi o assalto ao trem pagador. Alguns conhecem o Balão Mágico pelas músicas que ainda tocam. Então, é interessante trazer essa história de novo à tona porque, se a gente contextualizar dos anos 1960 até os anos 2000, meu pai nunca saiu da mídia. Ele estava o tempo todo ali, volta e meia aparecia.


É bom trazer um pouco da história dele de volta, mas, dessa vez, sem as fábulas que a mídia acabava criando em torno da história do meu pai.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Uma coisa de que eu gostei muito também é que o documentário revisita episódios marcantes dessa história, mas também mostra um pouco da sua intimidade como filho. Como foi reconstruir essas memórias e encontrar um equilíbrio entre o pai que você conhecia e o mito que a mídia criou em torno dele?

Mike Biggs: Era muito interessante, porque a gente sempre soube diferenciar o que acontecia da porta para fora e da porta para dentro. Eu cresci sabendo que, da porta para fora, meu pai era o Ronald Biggs, aquele cara que todos os roqueiros que vinham ao Brasil, todos os artistas e músicos queriam conhecer. Mas, em casa, ele era o Ronald, era meu pai.


Da mesma maneira, ele colocou isso muito na minha cabeça: da porta para fora, você é o Mike do Balão Mágico, é um cara que tem um monte de fãs, não pode sair na rua sozinho etc. Mas, da porta para dentro, você é só meu fedelho, você é meu filho, e quem manda na casa sou eu.


Então, a gente sempre conseguiu separar muito bem as personas que existiam na mídia das pessoas que éramos dentro de casa.


Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Outra coisa que achei muito bacana é como você mostra os momentos finais, não só do seu pai, mas também da sua família, incluindo as conversas com sua ex-mulher e os encontros em Londres. Como foi colocar esses momentos tão íntimos na tela e, depois, assistir ao resultado final?

Mike Biggs: Realmente economizei uma fortuna em terapia, né? Porque poder assistir a isso não foi fácil.


Minha grande preocupação ao colocar esses momentos no documentário talvez tenha sido com as meninas, porque minhas filhas nunca participaram de nada assim, nunca fizeram nada em relação à mídia. Eu sempre as protegi muito disso, mas achei que, naquele momento, seria interessante trazê-las.


Sobre expor esses momentos íntimos, acho que minha vida sempre foi tão exposta na mídia que, pessoalmente, não foi nada de diferente para mim. Fiquei preocupado por elas, mas acho que mandaram bem. Souberam me criticar de uma maneira muito boa.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Para finalizar, queria fazer duas perguntas. Depois de passar por todo esse processo, você conseguiu olhar para a sua trajetória de alguma maneira diferente? E o que espera que o público leve desse documentário ao conhecer você para além do Balão Mágico e do sobrenome Biggs?

Mike Biggs: Eu penso que, se as pessoas puderem sair desse documentário pensando: “Cara, que história louca, mas pelo menos as pessoas conseguiram ser felizes, conseguiram passar pelas adversidades com um sorriso no rosto e pensando positivo”, acho que isso já vai ser legal.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): E você conseguiu olhar para sua trajetória de alguma maneira diferente depois de todo esse processo?

Mike Biggs: Acho que talvez eu olhe para trás e pense que deveria ter aproveitado as coisas com um pouco mais de doçura, como aproveito hoje. Quando a gente é novo, não consegue apreciar a beleza de uma manhã como consegue quando chega a uma certa idade. Então, talvez eu devesse ter sorrido mais.


Olhando para trás, acho que é só isso: ter rido mais de mim mesmo, sido um pouco mais sarcástico e me divertido um pouco mais com as desgraças da minha vida. Ter sido uma pessoa mais positiva. Acho que minha única mudança seria essa.


Se eu pudesse voltar e encontrar o Mike de 15 ou 20 anos atrás, só viraria para ele e diria: “Cara, se auto-sacaneia muito mais, ri muito mais da vida, sabe? Não se preocupa, porque eu te garanto que daqui a 50 anos você não vai estar vivo e nada disso vai fazer diferença. Então, sorria mais, seja uma pessoa mais positiva”.

Acho que minha meta hoje é continuar sendo feliz. Eu não quero mais nada da vida, só quero continuar sendo feliz e continuar amando tudo, até quem me odeia.


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Imagem: Divulgação
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Filho de um dos criminosos mais famosos do mundo e integrante de um dos grupos infantis de maior sucesso do Brasil nos anos 1980, Mike Biggs cresceu entre duas histórias que pareciam pertencer a universos diferentes. De um lado, a fama conquistada com a Turma do Balão Mágico; do outro, a trajetória de Ronald Biggs, seu pai, que ficou mundialmente conhecido por participar do assalto ao trem pagador britânico em 1963. Em Biggs by Biggs, documentário Original Universal+ que estreia em 6 de novembro, Mike revisita essa história a partir de suas próprias memórias, afastando-se das manchetes para falar sobre a relação familiar que existia por trás da figura pública.


Dirigido por Guto Barra e Tatiana Issa, o documentário percorre cinco décadas marcadas por fama, crime, amor, ausências e conflitos familiares. Com passagens pelo Brasil e pela Inglaterra, a produção acompanha Mike em um processo de revisitação do passado, incluindo conversas com a ex-mulher e as filhas. Mais do que reconstituir episódios conhecidos da trajetória de Ronald Biggs, o filme investiga como a história do pai atravessou a vida do filho e influenciou suas próprias relações familiares.


Em entrevista ao Oxente Pipoca, Mike falou sobre a decisão de contar essa história sob sua perspectiva, a diferença entre o pai que conhecia dentro de casa e a figura construída pela mídia e os desafios de expor momentos tão íntimos diante das câmeras. Ao revisitar a própria trajetória, ele também reflete sobre o que faria diferente e sobre a importância de encarar as adversidades com mais leveza. Para Mike, a expectativa é que o público termine o documentário reconhecendo que, mesmo diante de uma história extraordinária, é possível encontrar felicidade e seguir em frente.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Queria começar me apresentando. Sou Gabi, faço parte do Oxente Pipoca, e assisti ao documentário ontem. Eu amei, amei mesmo! Era uma história que eu não conhecia e, depois, fui comentar com meus pais, que ficaram surpresos e começaram a relembrar alguns acontecimentos. Queria saber de você: essa é uma história que já foi contada várias vezes e que o público conhece, mas o documentário escolhe um caminho diferente para apresentar essa narrativa. De onde surgiu a ideia de contar essa história a partir do seu olhar? Quais foram as principais inspirações para levar esse projeto adiante?

Mike Biggs: A ideia inicial do documentário surgiu há uns três anos. A diretora, Tatiana Issa, e o Guto Barra tinham feito um documentário sobre a história do Balão Mágico, em que cada um dos integrantes contava um pouco da sua trajetória. Eu comecei a falar sobre a minha história e percebi que eles não me cortavam, que foram me deixando falar. Quando terminei, a Tatiana chegou para mim e disse: “Mike, essa tua história é muito boa. A gente deveria pensar em fazer um documentário sobre essa história do seu pai, sobre a sua visão, pelos seus olhos”.


A partir daí, a conversa foi avançando, a Universal+ entrou no projeto, gostou da ideia e comprou a proposta, o que foi maravilhoso.


Decidimos fazer esse documentário justamente para desmistificar essa história. Como você falou, muita gente, principalmente da nova geração, não faz a mínima ideia do que foi o assalto ao trem pagador. Alguns conhecem o Balão Mágico pelas músicas que ainda tocam. Então, é interessante trazer essa história de novo à tona porque, se a gente contextualizar dos anos 1960 até os anos 2000, meu pai nunca saiu da mídia. Ele estava o tempo todo ali, volta e meia aparecia.


É bom trazer um pouco da história dele de volta, mas, dessa vez, sem as fábulas que a mídia acabava criando em torno da história do meu pai.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Uma coisa de que eu gostei muito também é que o documentário revisita episódios marcantes dessa história, mas também mostra um pouco da sua intimidade como filho. Como foi reconstruir essas memórias e encontrar um equilíbrio entre o pai que você conhecia e o mito que a mídia criou em torno dele?

Mike Biggs: Era muito interessante, porque a gente sempre soube diferenciar o que acontecia da porta para fora e da porta para dentro. Eu cresci sabendo que, da porta para fora, meu pai era o Ronald Biggs, aquele cara que todos os roqueiros que vinham ao Brasil, todos os artistas e músicos queriam conhecer. Mas, em casa, ele era o Ronald, era meu pai.


Da mesma maneira, ele colocou isso muito na minha cabeça: da porta para fora, você é o Mike do Balão Mágico, é um cara que tem um monte de fãs, não pode sair na rua sozinho etc. Mas, da porta para dentro, você é só meu fedelho, você é meu filho, e quem manda na casa sou eu.


Então, a gente sempre conseguiu separar muito bem as personas que existiam na mídia das pessoas que éramos dentro de casa.


Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Outra coisa que achei muito bacana é como você mostra os momentos finais, não só do seu pai, mas também da sua família, incluindo as conversas com sua ex-mulher e os encontros em Londres. Como foi colocar esses momentos tão íntimos na tela e, depois, assistir ao resultado final?

Mike Biggs: Realmente economizei uma fortuna em terapia, né? Porque poder assistir a isso não foi fácil.


Minha grande preocupação ao colocar esses momentos no documentário talvez tenha sido com as meninas, porque minhas filhas nunca participaram de nada assim, nunca fizeram nada em relação à mídia. Eu sempre as protegi muito disso, mas achei que, naquele momento, seria interessante trazê-las.


Sobre expor esses momentos íntimos, acho que minha vida sempre foi tão exposta na mídia que, pessoalmente, não foi nada de diferente para mim. Fiquei preocupado por elas, mas acho que mandaram bem. Souberam me criticar de uma maneira muito boa.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Para finalizar, queria fazer duas perguntas. Depois de passar por todo esse processo, você conseguiu olhar para a sua trajetória de alguma maneira diferente? E o que espera que o público leve desse documentário ao conhecer você para além do Balão Mágico e do sobrenome Biggs?

Mike Biggs: Eu penso que, se as pessoas puderem sair desse documentário pensando: “Cara, que história louca, mas pelo menos as pessoas conseguiram ser felizes, conseguiram passar pelas adversidades com um sorriso no rosto e pensando positivo”, acho que isso já vai ser legal.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): E você conseguiu olhar para sua trajetória de alguma maneira diferente depois de todo esse processo?

Mike Biggs: Acho que talvez eu olhe para trás e pense que deveria ter aproveitado as coisas com um pouco mais de doçura, como aproveito hoje. Quando a gente é novo, não consegue apreciar a beleza de uma manhã como consegue quando chega a uma certa idade. Então, talvez eu devesse ter sorrido mais.


Olhando para trás, acho que é só isso: ter rido mais de mim mesmo, sido um pouco mais sarcástico e me divertido um pouco mais com as desgraças da minha vida. Ter sido uma pessoa mais positiva. Acho que minha única mudança seria essa.


Se eu pudesse voltar e encontrar o Mike de 15 ou 20 anos atrás, só viraria para ele e diria: “Cara, se auto-sacaneia muito mais, ri muito mais da vida, sabe? Não se preocupa, porque eu te garanto que daqui a 50 anos você não vai estar vivo e nada disso vai fazer diferença. Então, sorria mais, seja uma pessoa mais positiva”.

Acho que minha meta hoje é continuar sendo feliz. Eu não quero mais nada da vida, só quero continuar sendo feliz e continuar amando tudo, até quem me odeia.


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