Entrevista | “O filme fala de um perverso que aglutina muitas perversidades”: Taciano Valério fala sobre “Ao Sabor das Cinzas”
Em conversa com o Oxente Pipoca, Taciano Valério discorre sobre luto, patriarcado e memória, além de refletir sobre o cinema pernambucano e os desafios da distribuição de filmes brasileiros

Exibido na Mostra Olhos Livres da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, Ao Sabor das Cinzas chegou aos cinemas brasileiros no dia 22 de outubro, com distribuição da Embaúba Filmes. Novo longa-metragem do cineasta Taciano Valério, o filme mistura drama familiar, suspense e realismo fantástico em uma história sobre luto, memória e os vínculos que permanecem depois da morte.
Na trama, as irmãs Bethânia (Verônica Cavalcanti) e Laura (Maria Lima) se reencontram após a morte do pai, Seu Lauro (Everaldo Pontes), e descobrem que o corpo desapareceu do necrotério do hospital. A busca as leva por uma viagem pelo agreste pernambucano, enquanto Isadora (Isadora Gibson), filha de Bethânia, edita vídeos em que vivos e mortos se confundem num jogo de silêncios e revelações.
Em entrevista ao Oxente Pipoca, Taciano fala sobre o desaparecimento do corpo como símbolo de um luto que não encontra onde pousar e sobre a figura de Seu Lauro, que continua organizando a vida das filhas mesmo depois de morto. O diretor explica por que enxerga o filme como uma denúncia do patriarcado e da exploração, e reflete sobre o fogo como gesto de expor aquilo que se tenta esconder.
O cineasta também detalha o processo de criação do roteiro e da montagem, a construção do desencontro entre as protagonistas e a escolha de texturas que vão do Super 8 às câmeras de segurança e às imagens de celular. Ao longo da conversa, relaciona o filme à perda do “rosto” na comunicação contemporânea e à perversão como forma de sedução e de ferida geracional.
Por fim, Taciano comenta sua relação com o cinema pernambucano e com a vida no interior, onde mora e trabalha, além de criticar o “messianismo cinematográfico” e as dificuldades de exibição diante do aumento de filmes e da escassez de salas. Confira a entrevista completa:
Giulia Meneses (Oxente Pipoca) | O sumiço do corpo do Seu Lauro é um dispositivo de suspense, mas também uma negação do ritual. Em que momento do roteiro você percebeu que o filme não era sobre encontrar o corpo, e sim sobre o que se faz quando o luto não tem onde pousar?
Taciano Valério: Tem um autor que diz que perguntar quando o luto acaba é perguntar qual é a altura mais alta. Porque o luto nunca termina, né? Ele continua, mas ele sempre é ressignificado. De certa forma, também, o luto não é apenas relacionado à perda de alguém que morreu, mas à perda, às vezes, também de uma abstração. Quando a gente fica sabendo de uma coisa importante que não é aquilo que a gente achava, a gente entra em luto.
Então, eu acho que o corpo de Lauro não é apenas a morte de um sujeito. Ele anuncia, também, a morte de uma simbólica com a qual todos nós estamos atados, que quando a gente fica sabendo que, além da morte dele, que supostamente geraria um luto, a gente fica sabendo que a história dele, na verdade, é uma outra história, então, esse luto é reconfigurado a partir também da revolta.
É como a gente, infelizmente, se colocando no lugar ao sabermos, e aí, claro, obviamente, isso aqui é um exemplo, ao sabermos que, por exemplo, que um dos nossos pais, que nós tantos amamos, e que, de repente, a gente sabe que esse pai morreu, a gente chora, mas depois descobre que esse pai era muito diferente do que a gente pensava ser, ou seja, ele fazia maldades. Esse luto passa a ser representado pela revolta, pela raiva e pela denúncia.
Até porque é como se nós quiséssemos desatar esse nó com o qual nós estávamos atados, denunciando, a partir do momento que eu fiquei sabendo que ele fazia essas atrocidades, estou denunciando como se fosse desatar o nó com esse pai. Coisas que muita gente faz, mas dentro de uma dimensão da fala, dentro de uma dimensão simbólica, o que eu vou fazer com esse pai que está dentro de mim? Acho que elas vão se reencontrar a partir de uma relação bem difícil, porque uma delas, que é a Laura, não era nem para ter vindo ao mundo, porque a vinda dela representou a morte da mãe. O filme tem muitas marcas de morte, de denunciar uma dimensão do patriarcado.
A dimensão do patriarcado é a dimensão do homem que explora. Não estou falando apenas do homem, no sentido de todo homem, porque o patriarcado também está na dimensão da linguagem, está no feminino também. Porque acho que a gente tem que trabalhar também na metáfora, olhar para o mundo e dizer que ele é um explorador.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Se o pai desaparece, mas continua organizando a vida das filhas, ele é mais personagem ausente ou mais uma presença que o filme se recusa a explicar? Você chegou a decidir, internamente, o que “realmente” aconteceu com ele?
Taciano Valério: Na verdade, o Seu Lauro... Ali eu trabalho nessa fronteira do realismo fantástico, mas também uma fronteira meio, não vou dizer mística. Tem um autor que diz que o ser existe até onde ele atua. Ou seja, as pessoas podem morrer, mas elas continuam em onipresente e onisciente. Onisciente, porque eu carrego a memória daquela pessoa, e onipresente, porque eu acabo adoecendo e agora todo lugar que eu olho, eu vejo aquela pessoa. Não de carne e osso, mas o Lauro é como um sujeito que morre, mas ele continua a viver. Por mais que as filhas enterrem, supostamente, essa história continua em outro lugar, que não necessariamente mais na família deles.
Então eu acho que tem um enredo que já pega em andamento e tem um enredo que na verdade finaliza com esse corpo que é queimado, mas é queimado como a necessidade de queimar esse pai explorador. E não necessariamente estou dizendo que qualquer pessoa que faça um mal a gente tem que matar, porque senão o mundo vira um caos. Então por mais que a gente tenha um mundo jurídico que anda capengando, mas a dimensão da civilização contra a barbárie impõe justamente o exercício da lei para você ter defesa.
Então qualquer um da gente que faça algo errado, a gente não pode chegar e dizer assim, vou matar porque fez algo errado. E algo errado porque ele atenta contra a civilização. Como por exemplo, o caso de Lauro explorando mulheres e fazendo todas essas sacanagens, eu vou lá e mato. Não, não é assim. Mas o que a gente faz com esse corpo? O que a gente faz com a memória dessas pessoas? A gente denuncia, a gente queima. Queima no sentido de que a gente expõe isso em público para a gente dizer que isso ainda existe e continua.
Então, por exemplo, a gente está vendo aí o caso Vorcaro. As pessoas estão com medo de expor. Quanto mais expõe, mais fedor aparece. Inclusive estão envolvidos agora meios de comunicação majoritários do Brasil. Então quanto mais expõe, mais fede. O que é que as pessoas estão querendo fazer? Esconder. O que é que outras pessoas estão querendo fazer? Expor isso. Tocar fogo. E naturalmente, não vou estar discutindo isso saindo mais do filme e indo para a realidade. Porque eu acho que o filme é além disso. Ele mostra relações, dramas também.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Vocês escreveram em três mãos. Houve alguma cena em que os três discordaram sobre quanto do sobrenatural deveria ser dito em voz alta e quanto deveria ficar só na imagem?
Taciano Valério: Então, na verdade, eu fiz o argumento sozinho. Aí eu chamei a Ivana para desenvolver o roteiro. Nós desenvolvemos. E Carla Francis entrou depois para dar uma olhada. Até porque é uma mulher. Era importante também a gente ter esse olhar feminino. Porque estamos trabalhando com mulheres. É um filme comum e muito feminino. No sentido da aparição das suas personagens. Eu não estou falando de feminilidade do filme, de autoria. Estou falando de duas irmãs, uma filha. Além dessa questão do desejo. Essa questão também daquela advogada que arma a cama de gato…
Então, eu e Ivana escrevemos mas, durante o processo de filmagem, eu mudei muito. Porque tem muita coisa que ficou de fora. Muita coisa. Tem muitas mais imagens das mulheres. Mas eu não queria também panfletar isso. Tinha outro enredo também, que era a polícia, o pessoal fazendo essa pesquisa. Então, é meio que um trailer psicológico. E eu não queria também panfletar isso. Tem cenas muito pesadas das meninas. E eu também não quis colocar... O montador é João Maria, que é um dos montadores de Kleber Mendonça, que montou o Sol ao Redor, que era o montador dos curtas, e que não colocam o nome deles em muitos filmes do Brasil. A gente conversou muito sobre esse filme. E a gente teve uma conversa muito dentro da dimensão simbólica também. Dessa dimensão, por exemplo, aquela menina que edita tudo. Na verdade, isso tem uma dimensão metafórica também. Ou seja, é uma ilha de edição hoje que narra a história, as histórias que vêm à tona.
Ou seja, hoje em dia nós acreditamos nas verdades que são realizadas a partir dos cortes das ilhas de edição, nem que seja no celular. Então o filme tem muitas camadas, sabe? Muitas camadas para ser explorado. Eu tinha feito outro filme, até que estava em circulação, que era só uma personagem. Nesse filme eu tentei reunir uma diversidade de situações, de explosões, para trazer esse conflito da dimensão humana, que é um conflito que também engendra isso. O impasse desses corpos que nos acompanham, desses fantasmas que nos rodeiam.

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Falando do lado externo, mas trazendo um pouco para o filme aqui, você falou um pouco sobre esse colapso da comunicação e em que ponto esses meios podem estar envolvidos em certos formatos. No filme, a Bethânia e a Laura se falam o tempo todo, mas parecem não se escutar. Como é que você trabalhou esse desencontro com as atrizes? O texto já carregava isso? Ou esse silêncio foi construído no set e na montagem?
Taciano Valério: Olha, veja só. Quando a gente fala do colapso das comunicações, é que as pessoas hoje perderam o rosto. O que é o rosto? É a capacidade que você tem de olhar para o outro e estar no mundo do outro. Então, as pessoas hoje se comunicam, não se comunicam mais. Elas falam, mas o outro não escuta. Então, existe, na verdade, um reencontro dessas irmãs e a necessidade de cada um fazer escutar uma a outra. Quando elas, por exemplo, aquele requisito bem experimental que eu uso, foi um recurso que a gente temeu um pouco, pensei já antes do filme, que é simplesmente que, quando a gente fala, o outro está próximo da gente, mas nem sempre a gente enxerga o outro.
Então, esse outro que aparece, que ali implica, ele mostra um pouco da dimensão na qual nós estamos conectados muito hoje em dia, mas nós não temos uma comunicação efetiva. A gente não escuta o outro. Então, precisou de uma catástrofe, de uma exposição para elas entenderem quem elas são. Porque uma coisa que ficou no filme é que Beatriz, no fundo, já sabia daquilo tudo.
Quando ela chega ali no final, ela faz uma encenação. Quando ela chega ali no final e Laura sai para ver o corpo do pai e Bethânia fica dentro, o olhar de Bethânia, ela já sabia onde era aquele lugar, ela já sabia de tudo.
Então, o que é isso? É que as pessoas encenam hoje, as pessoas usam semblante. O mundo da comunicação hoje é um mundo de semblante, não é um mundo mais da verdade, é um mundo das narrativas que se quer impor uma verdade. A gente está vivendo isso na política. Teve um debate ontem que eu não aguentei, porque não se tem conversa, não se tem diálogo, o que se tem é mentira. Eu falo uma coisa para ti, mas tu vem com outra conversa, aí eu faço um corte, jogo na internet e todo mundo bate palma e a verdade é essa, a gente quer acreditar.
Então, a gente tem um mundo extremamente passional, perigoso. Enfim, é isso. O mundo é de quem expõe, de quem hegemoniza a sua narrativa. Perdemos o rosto.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Trazendo um pouco de volta para o luto, esse luto transmitido em tempo real, ele sugere meio que uma dimensão de tela, de registro, algo mais voltado ao excesso, pelo menos eu imaginei muito isso. Uma coisa falando de um lado mais técnico, como foi decidir quando o filme adota um ponto de vista dos vídeos da Isadora e quando ele se afasta dele? Existe alguma diferença de textura entre essas imagens,esses momentos?
Taciano Valério: Na verdade, a gente fez toda uma ordem de imagens, porque se a gente pega bem, são mais de 20 anos de diferença. Então, a gente tem ali uma imagem que seria mais Super 8, e uma imagem que é mais depois o Matic e câmeras de vídeo. Porque se você pega ali, vamos dizer, os anos 70, os anos 80, acho que são 20, 30 anos, temos mais imagens, vamos dizer, mais Super 8, o Matic, mais MiniDV. E imagem de câmera de segurança, que tem uma que tem, aquela imagem meio arranhada, inclusive a câmera meio azulada, preta e branca. E até as imagens que a gente usa, que a imagem em tempo. E as imagens também da internet, que são filmadas ali por 1080.
E a outra coisa também que a gente coloca a partir dessas imagens é essa dimensão do fetiche da imagem. O celular tem um fetiche da imagem, mas esse fetiche da imagem é um fetiche também narcísico. Inclusive, quando mostrei esse filme uma vez, alguém disse, o que eu não gostei é porque esses caras não filmam a si mesmo. E esse filme foi pensado antes. Ou seja, o filme fala de um perverso. Por exemplo, uma amiga minha ficou com raiva do filme. Mas ela ficou com raiva do filme porque ela estava se identificando com o Seu Lauro, achando massa. Quando descobriu que o Seu Lauro era um fela da puta, ela ficou com raiva. Mas por quê? Porque é isso que o perverso faz. Veja só. Todo perverso... Aí vem vários cenários. Todo perverso é um sedutor, mas nem todo sedutor é um perverso, para a gente não ser literal.
Se alguém for sedutor, a gente não vai dizer que é perverso, por favor. Mas todo perverso arruma um lugar de sedução em alguma coisa. Então o Seu Lauro seduz. Quando as pessoas se identificam com ele, as pessoas ficam com raiva. E isso é uma coisa muito difícil também, porque pode tocar na ferida de alguém que sofreu uma dimensão de agressão, de abuso com alguém. Alguém que seduziu para conseguir alguma coisa. Então as pessoas podem tocar isso também. Podem ter uma relação de identificação ruim com o filme, porque o filme sai da dimensão da ficção simplesmente e vai para a dimensão de uma realidade que é uma realidade do trauma. Então o filme fala de um perverso que aglutina muitas perversidades e que acha seu próprio filho, seu próprio gênero, um perverso também. Então isso é passado enquanto geração, esse ato da perversão. O perverso tem prazer de causar falta ao outro. Ele goza, no sentido simbólico, com este prazer. No fundo eu digo que, infelizmente, eu fiz esse filme.
Eu digo infelizmente, não é que eu não tinha sentido o prazer em fazer, mas eu não senti prazer em contar essa história. Sabe? Era muito bom que essa história fosse só uma ficção, mas ela extrapola a ficção e vai para a realidade.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): O realismo fantástico latino-americano tem uma tradição bem pesada. E o cinema pernambucano tem essa identidade própria desde sempre. A gente está vendo bastante isso ultimamente. Você sentiu necessidade de se posicionar em relação a esse peso do cinema pernambucano ou o fantástico no filme nasce mais de uma experiência cotidiana?
Taciano Valério: Eu tenho um problema com o Pernambuco que não é um problema com o Pernambuco. É um problema que talvez os outros tiveram sempre comigo. Porque eu vim da Paraíba, cheguei aqui em 2008 e vivo no interior. E a minha opção de interior foi uma opção de vida. Porque já morei em seis cidades e todas no interior da Paraíba, do Ceará, do Rio Grande do Norte e aqui. Então, eu não consigo morar em uma cidade grande movimentada. Eu moro em uma cidade afastada da cidade, próxima à zona rural. E desde os primeiros filmes, eu trabalho com questões de realismo fantástico. Arranho, né?
Eu acho que nós não temos uma tradição de realismo fantástico. Eu gostaria de dialogar mais com isso. De pirar o cabeção. E eu trabalho muito com esses temas de necropolítica. Por exemplo, tem um filme, uma série que eu fiz com Jean-Claude Bernadet.
Então, assim, eu trabalho muito entre a necropolítica, entre o tema da morte, entre o tema de realismo fantástico. É interessante porque, por eu morar em Caruaru, eu sou um cara que não tem uma rede social. Gosto muito de literatura, de estar fazendo filmes. Eu não me sinto próximo de uma cinematografia pernambucana. Sabe? Eu me sinto próximo de uma cinematografia. E essa, não necessariamente, ela me coloca numa ou naquela posição. Mas ela me coloca, obviamente, dentro desse estado lindo e dentro, simplesmente, do interior. Já que se a gente vive, ou como diria nós do interior, “veve” no interior do Brasil, eu vivo ainda mais no interior do interior deste Brasil. Porque onde eu moro é a 120 quilômetros aqui do sertão e 120 quilômetros da Paraíba. Então, assim, se eu quiser tomar um banho de sol escaldante, nesse momento, eu pego o carro e vou ali, cruzo, entro em pesqueira, chego ali em Arcoverde e, daqui a pouco, estou em Serra Talhada, onde eu vivi também, durante um ano e meio morando lá. Se eu quiser ir onde Lula nasceu, são 110 quilômetros. Eu já trabalhei lá, aqui em Caetés, Zizinha, Garanhuns.
Se eu quiser ir na praia, é 120 quilômetros. Então, eu me sinto privilegiado por morar no Agreste, está perto do sertão, está perto do litoral e está perto de outros estados também. Inclusive, se eu quiser ir para São Cristóvão, se eu quiser ir para Sergipe, Aracaju, são seis horas de viagem. Então, eu acho que o cinema é diverso. E aí, eu acho que também a gente sofre com isso, porque, como eu não sou um cara muito de mídia, e a gente tem visto um desmonte também do ponto de vista das cinematografias no Brasil, até escrevi sobre isso, a gente vive um messianismo cinematográfico também, onde, por ano, a gente só vê falar de dois, três filmes, né? E aí, eu não estou falando que essas pessoas são ruins, más ou boas, são excelentes os filmes. A gente vê falar de um filme de Walter (Salles), de Kleber, e os filmes aí de Evangelhos e tudo. Mas, há uma explosão de cinemas, há uma explosão de filmes, e a gente está num momento de crise também, e onde mostrar, como mostrar? Os cinemas são cada vez mais escassos, cada vez há mais filmes, cada vez menos públicos, e a gente não tem debate também.














