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Floriô de Cinema aposta no desenvolvimento de projetos para fortalecer o audiovisual sergipano

Foto do escritor: Oxente Pipoca
Oxente Pipoca
há 1 hora
4 min de leitura

Incubadora da produtora reúne cinco obras em desenvolvimento e amplia oportunidades para realizadores e para o cinema produzido em Sergipe.


Apresentação de pitching de Onilé no Campus Málaga Talent, em Málaga, na Espanha.


A Floriô de Cinema, produtora independente localizada em Sergipe, aposta no desenvolvimento de projetos como estratégia para fortalecer o audiovisual sergipano. Por meio da sua incubadora de projetos, a produtora reúne cinco obras em diferentes etapas de criação, estimulando a troca de experiências, a formação de profissionais e a articulação de oportunidades para que novas histórias possam chegar às telas.


Entre os projetos está Cidade Acordada, longa-metragem de ficção escrito por Neto Astério. A trama acompanha Karla Foguete, uma superstar que retorna à cidade natal para investigar o desaparecimento da avó Joana, matriarca da cultura popular que sumiu há dez anos após ser considerada criminosa por liderar uma antiga festividade junina. Com projeto gráfico de Augustinho, o projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, via FUNCAP e o roteiro participou de consultorias com Diogo Velasco, George Walker Torres, Luciano Vidigal, Thiago Paulino e Marcelo Lima, tendo sido premiado no Laboratório de Roteiro do V Festival Internacional de Cinema de Itabaiana. 


Também integra a incubadora As Ilhas, longa-metragem de ficção roteirizado por Thaís Galindo Ramos e co-roteirizado por Euler Lopes. Inspirado no sequestro do voo 302 da Cruzeiro do Sul, desviado para Cuba em 1984, o thriller político acompanha duas irmãs e um jovem casal de militantes durante os meses finais da ditadura militar brasileira. A obra aborda questões como o direito ao próprio corpo, a juventude sem horizonte e as escolhas diante da ausência de saídas legais.


Contemplado pela Lei Paulo Gustavo do Governo de Sergipe, via FUNCAP, As Ilhas passou pelo Vem de Sergipe Lab, com consultorias de Lucas Daniel e Marília Nogueira, conquistando um passaporte para o Nordeste Lab, em Salvador. O projeto também integrou o grupo de desenvolvimento de roteiro Marieta, coordenado por Lucas Daniel, e participou da Rede de Mulheres: Imersão de Desenvolvimento de Projetos para Nordestinas, onde recebeu consultorias de roteiro com Luciana Vieira e Kika Sena e de produção com Keyti Souza. Pela rede, conquistou o prêmio Paradiso Multiplica, que garantiu uma consultoria de roteiro com Natália Sellani. 


Em sua trajetória de mercado, o filme participou de rodadas de negócios no Tela Cariri, no Crato (CE), onde foi selecionado para reuniões com a Globo Filmes, o Canal Brasil e a Europa Filmes. Também participou de uma rodada de negócios no FRAPA, o maior festival de roteiro da América Latina, com a produtora pernambucana VIUCINE. Atualmente, o longa passa por consultorias de roteiro com Camila Agustini e por um processo de desenvolvimento que inclui uma ampla pesquisa histórica em acervos de jornais e entrevistas com referências-chave para a história.


Pesquisa para o desenvolvimento do roteiro de CIDADE ACORDADA, na Festa do Mastro em São Cristóvão, em 2026.


De Carolen Meneses, Neurolink é seu segundo projeto de longa-metragem e parte da relação entre tecnologia e ética humana, refletindo sobre os limites e as responsabilidades envolvidos na criação e manipulação dessas tecnologias. Em fase inicial de desenvolvimento, o projeto já captou recursos para pesquisa e elaboração de um primeiro tratamento de roteiro.


A realizadora também desenvolve Acronológica, seu primeiro projeto de série. A obra acompanha uma jovem que precisa recomeçar a vida após um incêndio em seu alojamento estudantil, abordando a precarização das instituições de ensino e a falta de perspectiva enfrentada por determinados corpos. O projeto também está em fase inicial de desenvolvimento.


Onilé, série ficcional de Sidjonathas Araújo, aposta no horror negro e no folk horror para contar a história de Dayo, um jovem artista negro que ingressa em uma Escola de Artes instalada em uma fazenda colonial e passa a ser assombrado por presenças ligadas ao passado apagado da instituição. Voltada ao público jovem adulto, a obra tensiona arte, poder e memória histórica. O projeto foi selecionado para o Campus Málaga Talents, na Espanha, e para o Mercado EGBÉ, onde conquistou um passaporte para o Nordeste LAB.


“Essa incubadora oferece, antes de tudo, um suporte coletivo aos projetos. Eles não se desenvolvem isoladamente, mas dentro de uma dinâmica em que uma equipe acompanha o processo da outra, trocando experiências e apoio em momentos-chave”, explica Thaís Galindo Ramos, sócia da Floriô.


A iniciativa articula produção executiva, leituras coletivas, pitchings internos, consultorias e participação em laboratórios e mercados audiovisuais. Para Neto Astério, a realização de filmes em Sergipe é fundamental para transformar a maneira como o estado é percebido no cinema. “Sergipe produz, tem histórias para contar e profissionais para realizá-las, mas ainda não se vê nas telas. É preciso mudar esse cenário”, afirma.


Carolen Meneses destaca que o fortalecimento do setor passa pela valorização dos profissionais locais. “Quando um projeto sergipano circula e ganha espaço, ele também abre caminhos para que outros profissionais e produções do estado sejam vistos e reconhecidos”, pontua.


A trajetória da Floriô de Cinema é de destaque no cenário nacional e inclui o curta-metragem Ímã de Geladeira, dirigido por Carolen Meneses e Sidjonathas Araújo, que conquistou Menção Honrosa na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Brasileiros do Festival de Cinema de Gramado. O júri destacou o filme por “catapultar a urgente discussão sobre o racismo estrutural através do horror cósmico”.


O reconhecimento reforça a presença da produtora entre os expoentes do cinema independente brasileiro contemporâneo, ao lado de uma atuação voltada à criação de obras autorais e ao desenvolvimento de novas produções.


Para Sidjonathas Araújo, a incubadora amplia esse papel no setor audiovisual. “Ao estabelecer um espaço permanente de formação e desenvolvimento de projetos, a Floriô amplia a qualificação de seus projetos, assim como a articulação entre talentos, profissionais e oportunidades do mercado”, afirma.


Com a iniciativa, a produtora reafirma seu compromisso com a criação de novas narrativas e com a construção de um cinema sergipano mais estruturado, diverso e capaz de alcançar públicos dentro e fora do estado.




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