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Entrevista | “É uma década de coragem”: EGBÉ celebra 10 anos e fortalece o cinema negro em Sergipe

  • Foto do escritor: Gabriella Ferreira
    Gabriella Ferreira
  • há 19 horas
  • 13 min de leitura

Luciana Oliveira e João Brasil destacam avanços, desafios e o futuro da mostra em sua nona edição.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Celebrando uma década de trajetória e resistência no audiovisual, a EGBÉ – Mostra de Cinema Negro chega à sua nona edição reafirmando seu papel como um dos principais espaços de articulação estética, política e formativa do cinema negro no Brasil. Realizada de 11 a 18 de abril de 2026, em Aracaju, a mostra traz como tema “A contribuição das mulheres negras no audiovisual brasileiro”, propondo um mergulho nas trajetórias e nas múltiplas atuações de mulheres negras que estruturam o passado, o presente e o futuro do cinema nacional.


Mais do que uma vitrine de filmes, a EGBÉ se consolida como um território de encontros, formação de público e fortalecimento de redes, conectando realizadores de diferentes regiões do país e ampliando o alcance de narrativas historicamente invisibilizadas. Criada em 2016, a mostra vem, ao longo dos anos, expandindo suas frentes de atuação, incorporando debates, oficinas e, nesta edição, uma inédita ação de mercado audiovisual, que busca aproximar projetos e agentes do setor.


Para falar sobre os caminhos dessa edição histórica, os desafios de consolidar o audiovisual negro em Sergipe e as perspectivas para o futuro, conversamos com Luciana Oliveira, diretora geral e artística da mostra, e João Brasil, produtor executivo da nona edição. Confira a íntegra da conversa abaixo: 


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Primeiro, eu queria agradecer a disponibilidade de vocês em conversar com a gente para essa matéria especial sobre o EGBÉ. Para começar, gostaria que vocês falassem um pouco sobre esta edição: o que ela traz de novidade em relação às anteriores? Sabemos que já é a nona edição, então queria entender também como esse evento se consolida dentro do mercado audiovisual sergipano, especialmente com a presença de iniciativas como o mercado que vocês estão promovendo.

Luciana Oliveira: Esse ano a gente está realizando a nona edição, mas, na verdade, estamos celebrando 10 anos de mostra, de trabalho. A gente começou em 2016 e agora, em 2026, completa uma década. Teve um ano em que não conseguimos realizar a mostra presencial por conta da pandemia e também da falta de recursos, porque o acesso veio mais com as leis emergenciais. Acho que foi em 2021, se não me engano.


Então, a gente está celebrando esses 10 anos, que é uma década de dedicação e também de coragem para manter um projeto duradouro em um contexto que a gente sabe que é delicado, especialmente quando se fala de cultura em Sergipe. Ainda mais o cinema, que além de ser uma arte muito cara, também é visto por muita gente como algo distante. Se a gente for pensar na população como um todo, ainda são poucas as pessoas que sabem que existe produção de filmes aqui no estado.


Então é muito também sobre celebrar essa persistência, esse caminho, porque depois de 10 anos a gente continua realizando a mostra.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Este ano vocês também estão homenageando o legado de Lilian Santiago. Eu queria que vocês falassem um pouco sobre essa homenagem e a importância dela para esta edição.


Luciana Oliveira: Esse ano a gente está trabalhando com esse tema, que é celebrar a contribuição das mulheres negras no audiovisual brasileiro. É um tema muito especial porque, quando a gente olha para a historiografia do cinema negro no Brasil, percebe que existem períodos em que as mulheres negras não aparecem de forma registrada.


Quando se fala em cinema brasileiro, por muito tempo não se sabia, por exemplo, quem foi a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem. Hoje a gente tem esse dado, que aponta para Délia Sampaio, nos anos 1980. Mais recentemente, a partir dos anos 2010, com pesquisas como as da professora Elida Penha de Souza e também com o fortalecimento das cineastas negras contemporâneas, além da internet como espaço de troca e das políticas de ações afirmativas, a gente começou a se reconhecer mais, divulgar nossos trabalhos e ocupar outros espaços.


Quando a gente olha para esse cenário de 2010 para cá, é possível ver a quantidade de curtas-metragens realizados por mulheres negras, ainda que muito dentro de um circuito independente. Também é possível perceber os desafios para entrar nas curadorias de grandes festivais, que muitas vezes não olhavam para esses filmes ou não compreendiam essas propostas. São outras formas de fazer cinema, atravessadas pelas nossas vivências.


E não é só sobre direção. Hoje a gente tem mulheres negras teorizando o cinema, fazendo curadoria, trabalhando com produção, montagem, distribuição, liderando sets de filmagem. Essas presenças também fazem a gente repensar o próprio cinema e as relações dentro dele. Porque muitas das opressões sociais também se repetem dentro dos sets, e isso é algo que a gente vive na prática.


Então esse tema vem muito nesse lugar de celebrar esse conjunto de experiências e contribuições. A gente traduz isso também numa poética, com a imagem dessas mulheres-peixe que carregam espelhos e câmeras nas mãos, apontando para outras mulheres negras e para narrativas que antes eram invisibilizadas ou não tinham espaço para existir.


E é nesse contexto que a gente decide homenagear Lilian Santiago, que é uma grande referência para a nossa geração. Ela fez parte do Dogma Feijoada, sendo a única mulher dentro de um movimento majoritariamente masculino, o que também gerou processos de invisibilização.


A trajetória dela é muito potente. Ela começa muito jovem, entrando em set de filmagem, passa por funções como produção e vai construindo seu caminho até se tornar diretora. É uma história marcada por desafios, mas também por muita força e persistência. Para a gente, enquanto cineastas negras, olhar para a trajetória dela é fundamental.


Então essa homenagem vem justamente desse reconhecimento, de entender a importância dela como um espelho e uma referência para todas nós hoje.


João Brasil: E só para complementar, além da Lilian como grande homenageada, a gente também traz essa proposta para toda a programação. A ideia foi justamente pensar, a partir da curadoria, em mesas, ações e atividades que celebrem essa trajetória e a contribuição de diversas mulheres negras no audiovisual.


Então a gente vai ter desde nomes que são da mesma época de Lilian Santiago, como Adélia Sampaio, entre outras, até essa geração mais contemporânea que vem se fortalecendo principalmente a partir de 2010, com o avanço das políticas públicas e das ações afirmativas, que ampliaram as possibilidades de acesso e trouxeram mais diversidade para o cinema.


A gente também pensou em garantir essa representatividade nas mesas, nas discussões e nas atividades formativas. Então serão cerca de 10 dias de evento celebrando a Lilian como essa referência central, mas também todas essas outras mulheres que estão presentes em diferentes frentes, seja nas apresentações culturais, nas mesas ou nas oficinas.


Imagem: Pritty Reis
Imagem: Pritty Reis

Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Então, vocês também trazem essa proposta dentro da ação de mercado, com atividades que dialogam com o tema da edição. Eu queria aproveitar esse gancho para falar um pouco sobre isso.


No ano passado, eu entrevistei aqui no Oxente um realizador de um festival em Salvador que comentava sobre a importância desses espaços de mercado para a nossa região, justamente como uma oportunidade de mostrar trabalhos que são tão potentes quanto os do eixo Sul e Sudeste.


E quando eu vi que vocês estão trazendo essa iniciativa para Sergipe, eu achei incrível, porque mesmo Salvador sendo perto, muitas vezes a gente não consegue acessar, seja por distância, trabalho ou outros fatores. Então queria que vocês falassem um pouco sobre a importância de criar esse espaço de mercado aqui no estado e o que ele representa para o audiovisual sergipano.


João Brasil: “É a primeira vez que a gente realiza essa ação de mercado e é algo que a gente traz com muito orgulho. A decisão de fazer isso agora vem muito desse momento que o audiovisual vive, com a chegada de recursos que impulsionaram bastante a produção, seja de filmes em desenvolvimento, finalização ou já em fase de produção.


Há muitos anos, enquanto coletivo e também como fórum, a gente vinha tentando viabilizar uma rodada de negócios e uma ação de mercado aqui em Sergipe. Como você mencionou, já existem iniciativas em outros lugares, como o NordesteLab, e muita gente daqui já participava desses espaços fora do estado. Então existia essa necessidade de promover algo localmente, tanto para dar visibilidade à produção sergipana quanto para mostrar, em nível nacional, a força do que está sendo feito aqui.


Mas também tem um outro ponto importante, que é fazer com que produtores, gestores e todos os agentes da cadeia produtiva entendam o audiovisual como um mercado, como uma economia que gera emprego e movimenta recursos. Existe, claro, o lado criativo e artístico, mas a gente também precisa fortalecer esse entendimento econômico.


Durante os três dias da ação de mercado, a gente vai ter mesas discutindo políticas públicas, investimento e orçamento, pensando justamente em como esse setor pode crescer ainda mais. A gente vem de um período recente de investimentos importantes, mas também precisa discutir continuidade e estruturação.


Além disso, a programação inclui rodadas de negócios e sessões de pitch, que são apresentações de projetos para empresas convidadas. Ao todo, serão sete empresas participando e avaliando esses projetos. A gente também pensou em garantir espaço para produções sergipanas, criando uma cota específica, justamente para assegurar visibilidade e oportunidade para esses realizadores.


Então é também uma forma de proporcionar essa experiência, porque nem todo mundo consegue participar de mercados fora do estado. Aqui, esses projetos têm a chance de se apresentar, criar conexões e buscar parcerias.


No fim, o que a gente quer é que o audiovisual sergipano ocupe esse lugar dentro do mercado nacional. Sergipe já produz cinema, já tem realizadores e realizadoras circulando em festivais e conquistando prêmios. Agora é também sobre consolidar esse espaço, entendendo o audiovisual como mercado e fazendo com que o próprio mercado reconheça Sergipe como parte desse cinema nacional.


Luciana Oliveira: A gente entende que o nosso cenário é um polo de formação já bastante consolidado. Na academia, por exemplo, a gente tem graduação, tem pós-graduação e mestrado já há mais de uma década. O curso de cinema tem cerca de 15 anos e o PPGCine também já tem por volta de 10 anos. Então existe uma base muito sólida de formação aqui em Sergipe.


A gente já viveu, inclusive, um momento muito forte, com iniciativas como o Núcleo de Produção Digital, que era muito reconhecido nacionalmente. Infelizmente, esse cenário mudou, mas ainda assim seguimos com essa força na formação.


O grande desafio agora é o que acontece depois. Quando essas pessoas se formam, onde elas vão trabalhar? Como elas se inserem no mercado? Então essa discussão também passa por fortalecer essa luta que o fórum vem fazendo, da gente dialogar com o poder público e também com o empresariado local, porque isso faz parte da engrenagem. Hoje a gente ainda tem muita dificuldade de acessar patrocínio, de construir parcerias financiadas, e isso é algo sintomático.


O mercado vem também como esse espaço de provocação. É para a gente se entender enquanto profissionais que precisam de trabalho, que precisam de continuidade. A gente vive hoje um momento importante com políticas públicas e incentivos, mas ainda são mecanismos que não são permanentes. São editais, são leis que têm prazo, que não garantem uma estrutura contínua.


E aí surge essa pergunta, o que acontece depois? Como é que a gente consolida de fato o audiovisual sergipano sem políticas permanentes, sem uma lei estruturante, sem ferramentas mais estáveis? Essas são questões que o mercado também quer levantar dentro da programação da mostra.


A gente também teve uma experiência muito importante participando do MercaMimbi, ligado à Mostra de Cinemas Negros Mahomed Bamba, em Salvador, que é realizada por Anne Rosário e outras parceiras. Foi uma experiência muito inspiradora, que mostrou para a gente que é possível construir esse tipo de espaço.


A partir disso, a gente pensou em experimentar algo aqui em Sergipe, com a nossa cara, considerando o nosso contexto e as nossas especificidades. E tem sido uma experiência muito interessante até aqui.


Como João falou, muitas vezes a gente não tem um cenário consolidado, então é muito difícil conseguir se deslocar com um projeto para outros mercados, mesmo para Salvador que é perto, e ainda mais para outros estados. Então criar esse espaço aqui também é uma forma de garantir essa oportunidade para o nosso cenário local, para que mais pessoas consigam acessar essas experiências e construir caminhos dentro do audiovisual.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): “E para a gente caminhar para o final da nossa conversa, tem uma coisa que eu gosto muito na mostra, que é justamente essa diversidade da curadoria. É muito interessante como a gente consegue assistir a filmes de vários lugares do país, com diferentes estilos e formas de fazer cinema, e isso também atravessa quem está assistindo.


Tem produções daqui de Sergipe, mas também de outros estados, como São Paulo, da região Norte, de estados vizinhos como Alagoas. É uma curadoria que realmente mistura e amplia esse olhar sobre o cinema brasileiro.


Eu queria que vocês falassem um pouco sobre esse processo de curadoria deste ano, como foi a seleção dos filmes e o que o público pode esperar dessa diversidade que já começou a ser divulgada.


Luciana Oliveira: Então, seria ótimo se a nossa coordenadora de curadoria pudesse falar mais aprofundadamente sobre isso, porque ela acompanhou esse processo mais de perto. Mas, de modo geral, o que você traz tem tudo a ver com o que a gente estabelece como política da mostra.


A curadoria da EGBÉ sempre foi pensada de forma muito plural. A gente entende que, estando no lugar geográfico em que estamos, também enfrenta certas limitações e, muitas vezes, vê processos de seleção muito concentrados em alguns territórios. Por isso, a descentralização é uma política muito importante para a gente.


A ideia é justamente garantir que o público tenha acesso a filmes produzidos em diferentes partes do país. Então a gente sempre orienta a curadoria a buscar uma representação ampla, com obras de todas as regiões, do Norte, Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul.


Isso também é uma forma de conhecer melhor esses contextos. Entender como o cinema está sendo feito em diferentes estados, porque mesmo dentro de uma mesma região existem muitas diferenças. A gente sente isso no próprio Nordeste, onde cada estado tem suas especificidades.


Então essa diversidade também ajuda a gente a se reconhecer nessas diferenças, a ampliar o olhar. E, falando também como espectadora, é muito interessante poder acessar outras narrativas, outras vivências e outros cotidianos através desses filmes. É uma experiência muito rica poder ter esse contato com produções tão diversas dentro de uma mesma mostra.


João Brasil: Então, só complementando mesmo, de forma mais breve, essa sempre foi uma proposta da mostra desde o início, mas a cada ano ela se torna mais desafiadora. Isso porque o número de inscrições vem crescendo bastante e, este ano, com as políticas de incentivo como a LPG, a gente teve um aumento muito significativo. Foram cerca de 400 filmes inscritos, e a curadoria teve um trabalho ainda maior para chegar aos 25 selecionados.


Mas, acompanhando de perto as reuniões, foi um processo muito cuidadoso e muito satisfatório em termos de resultado. E a gente também pensa a curadoria não só na seleção dos filmes, mas nas pessoas que estão fazendo esse olhar. Este ano, inclusive, em diálogo com o tema, a curadoria foi composta apenas por mulheres, coordenada por Jéssica Araújo.


Tivemos também Beatriz, Isabel e Ângela, trazendo olhares de diferentes estados do Nordeste. Isso também faz parte da nossa política de diversidade, tanto regional quanto de perspectivas.


Ao mesmo tempo, a gente segue valorizando muito o cinema sergipano, porque isso é uma essência da mostra desde o início, quando a proposta era justamente discutir a invisibilidade dessa produção no estado. É daí que também surge o Cineclube Candeeiro, que realiza a mostra, com esse objetivo de dar visibilidade ao cinema negro nacional em Sergipe e também aos filmes sergipanos para o público local.


Dentro dos 25 filmes selecionados, a gente busca equilibrar essa diversidade regional e de propostas. E, além da mostra oficial, a programação também se amplia com mostras convidadas. A gente tem a mostra infantil, que já acontece desde as primeiras edições, e também a mostra internacional, que vem sendo realizada nos últimos anos.


No ano passado, por exemplo, a gente trouxe um recorte de países africanos, como Angola e Moçambique, e este ano o foco está mais na América Latina, especialmente em Cuba. Então, para além da seleção principal, a ideia é ampliar ainda mais esses olhares e reforçar o quanto o cinema negro é múltiplo, diverso e presente em diferentes territórios. Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Para encerrar, eu queria que vocês falassem um pouco sobre a expectativa para esta edição, até como um convite para o público acompanhar a programação. E também queria ouvir de vocês quais são as perspectivas para o futuro da mostra. Vocês estão celebrando 10 anos de trajetória, então o que a gente pode esperar para os próximos 10, 20 anos?”Luciana Oliveira: Eu acho que as expectativas são as melhores. Realizar uma mostra por 10 anos e seguir projetando esse caminho para o futuro é, antes de tudo, um gesto de muita coragem. Apostar em um evento de cinema, especialmente dentro do contexto que a gente vive, é sempre um desafio.


E essa coragem é coletiva. Vem de todas as pessoas que fizeram e fazem parte dessa trajetória, desde quem esteve lá no início até quem chegou mais recentemente. Todo mundo contribui para sustentar esse projeto, para continuar acreditando nele.


Acho que por isso as expectativas são sempre muito positivas, porque existe uma força coletiva muito grande acreditando que isso dá certo. E a gente também tem um público que responde, que acompanha, que se envolve. Isso é muito importante.


Lá na primeira edição, a gente conseguiu construir algo que era uma demanda, não só nossa, mas também do público local e de um cenário mais amplo. A ideia de uma mostra de cinema negro que pudesse fazer esses filmes circularem, trazer produções de Sergipe e de outros lugares e, principalmente, provocar encontros.


Ao longo desses anos, a mostra foi se tornando esse espaço de trocas, de conexões, dessas encruzilhadas que a gente tanto fala. Então, para esta edição, a expectativa é justamente essa, de ter mais uma vez ótimos encontros, muitas trocas e um público presente, fortalecendo ainda mais esse espaço.


João Brasil: Então, vai ser lindo. As expectativas são boas. Como todo evento, existe um certo nervosismo, mas ele vai sendo diluído ao longo da pré-produção, que a gente já vem fazendo. Claro que, quando começa, sempre bate aquela ansiedade, mas esses 10 anos também ajudam a gente a lidar melhor com isso, a aprender com o que já passou e a tornar os caminhos um pouco mais seguros. Ainda assim, cada edição é uma novidade.


Este ano, por exemplo, a gente tem a ação de mercado, que é algo novo para nós. Isso traz também uma ansiedade diferente, mas ao mesmo tempo mostra essa coragem de propor algo que é tão necessário e esperado. Pelo menos dentro do que a gente acompanha, é uma das primeiras iniciativas desse tipo voltadas para o audiovisual, especialmente dentro do cinema negro, criando esse espaço de encontro entre empresas e realizadores.


Então a gente está tranquilo, caminhando bem, mas também com essa expectativa natural de quem está construindo algo importante. E, pensando no futuro, é muito isso. Cada edição fortalece a próxima. A gente percebe isso não só quando o evento termina, mas principalmente no retorno que vem depois, nas conversas, nas trocas, no impacto que os filmes causam nas pessoas.


Esse retorno é o que impulsiona a gente a continuar, mesmo diante das dificuldades. E a gente sabe que um dos grandes desafios ainda são as políticas públicas e os investimentos. Teve um ano, por exemplo, em que a mostra não aconteceu por conta dessa espera por recursos. Agora, com a perspectiva de políticas como a PNAB, que prevê um período maior de investimento, a gente espera conseguir ter mais planejamento e continuidade.


A expectativa para os próximos anos é justamente essa: que essas políticas se mantenham e se fortaleçam, que haja um olhar mais estruturado do poder público, tanto estadual quanto municipal, para iniciativas como o EGBÉ.


Porque a gente entende que festivais e mostras não são importantes só para o audiovisual, mas também para a cultura de forma mais ampla, para o turismo, para a economia local. Então a gente espera que, nos próximos 10 anos, a mostra continue existindo, crescendo e se consolidando ainda mais dentro desse cenário.


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