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Produtora sergipana Floriô de Cinema celebra dez anos fortalecendo o audiovisual nordestino e prepara primeiro longa-metragem

  • Foto do escritor: Gabriella Ferreira
    Gabriella Ferreira
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Da universidade pública ao circuito internacional, a produtora construiu uma trajetória marcada pela formação de profissionais, circulação de filmes e fortalecimento do cinema feito em Sergipe.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Há dez anos, um grupo de estudantes do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS) decidiu transformar o desejo de fazer cinema em um projeto coletivo. O que começou em 2016 como Floriô Filmes, em meio às dificuldades de produzir em um estado com poucos recursos para o setor audiovisual, tornou-se a Floriô de Cinema, produtora e distribuidora sergipana que hoje reúne uma trajetória marcada por filmes premiados, projetos de formação, circulação internacional e novas produções em desenvolvimento.


Ao celebrar uma década de atuação, a produtora reafirma seu compromisso com um cinema feito a partir dos territórios, das identidades e das histórias do Nordeste, contribuindo para fortalecer a cadeia audiovisual em Sergipe e ampliar a presença de narrativas historicamente pouco representadas no cinema brasileiro.


"A Floriô nasceu como Floriô Filmes, uma produtora formada por jovens estudantes de cinema da UFS que ainda não compreendiam a burocracia de gerir uma empresa, mas compartilhavam o sonho de fazer florescer o cinema em um território marcado pela escassez de recursos, mas abundante em identidade e histórias pulsantes. Foi em 2020 que retomamos as atividades com uma nova formação, muito mais madura, ampliando nossas conexões no Brasil e no exterior para fortalecer e fomentar a produção local", afirma a roteirista e diretora Carolen Meneses, sócia da produtora.


Ao longo desses dez anos, a Floriô consolidou um catálogo com mais de quinze curtas-metragens e projetos reconhecidos em festivais nacionais e internacionais. Entre eles estão Ímã de Geladeira, exibido na Mostra de Tiradentes, Festival de Gramado, Chicago Latino Film Festival e Seattle Black Film Festival; ANARRIÊ, premiado em diversos festivais brasileiros e com circulação internacional e Abjetas 288, vencedor da Mostra Foco da Mostra de Cinema de Tiradentes. A partir de 2022, a Floriô criou mais uma frente de atuação, que foi a distribuição. Entre as obras, destacam-se "Para as gerações que vieram antes de mim", de Felipe Bretas, premiado no 23º FestCurtasBH, e "Fogo nos Macacos", de Clementino Júnior e Daiana de Souza, exibido no 18º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul.


As produções da Floriô também chegaram à televisão e ao streaming, com licenciamentos para Canal Brasil, Itaú Cultural Play, SPCine Play e Embaúba Play.


Formação e fortalecimento do setor


Mais do que produzir filmes, a Floriô investe na formação de novos profissionais e no fortalecimento do audiovisual sergipano. Entre suas principais iniciativas está o CRIAS – Cine de Rua Infantil de Sergipe, projeto itinerante de exibição que caminha para a quarta edição, levando gratuitamente o cinema brasileiro para diferentes comunidades.


Outra frente é o Pólen das Artes, iniciativa formativa criada pela produtora que promove oficinas, aulas, masterclasses e sessões de cinema. Em aproximadamente um ano de atividades, o projeto já alcançou mais de 150 participantes.


"Esses dez anos marcam um projeto de vida que segue de pé. Assumir a continuidade da produção neste território é um desafio que nos move, apesar das improbabilidades e dos desestímulos. Escolhemos continuar aqui porque entendemos que nossos projetos só podem ser realizados neste lugar, por estarem conectados ao território e às pessoas que o constroem", destaca o diretor e produtor Neto Astério.


Segundo ele, a atuação da produtora está diretamente ligada à universidade pública. "Tendo saído do ensino público superior, entendemos a importância das ações formativas e nos orgulhamos dos passos dados até aqui pelo Pólen das Artes. Além disso, ter em perspectiva a realização de Abya Yala, o primeiro longa-metragem da produtora, representa um importante marco construído ao longo de todos esses anos."


Próximos projetos


A comemoração dos dez anos coincide com um dos momentos mais importantes da trajetória da produtora: a preparação de Abya Yala, primeiro longa-metragem da Floriô de Cinema, com roteiro e direção de Carolen Meneses.


Além do longa, a produtora mantém em desenvolvimento outros três projetos de longa-metragem, duas séries e novos curtas com estreia prevista para 2027, entre eles Coágulos, dirigido por Thaís Galindo Ramos, e Corpus-Água, de Sidjonathas Araújo, recentemente premiado no XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador, na Bahia.


Em 2026, a Floriô também conquistou novos reconhecimentos internacionais, como a participação da série Onilé, de Sidjonathas Araújo, no Campus Málaga Talent, na Espanha, e a premiação do projeto durante o Mercado EGBÉ.


Para Sidjonathas Araújo, o futuro da produtora passa pela ampliação das conexões nacionais e internacionais sem perder o vínculo com seu território de origem. "A Floriô de Cinema mira para o futuro com o compromisso de ampliar sua atuação no audiovisual brasileiro, impulsionando a conexão artística em Sergipe e a produção de obras no cenário nacional. Seguiremos construindo um cinema comprometido com a transformação social, a inovação artística e a circulação de histórias que ainda encontram poucos espaços de visibilidade."


Cinema feito a partir de Sergipe


Ao longo de sua história, a Floriô construiu uma identidade voltada para temas como negritudes, territórios, identidades, gênero e sexualidade, buscando fortalecer narrativas produzidas a partir do Nordeste.


"Nosso propósito continua sendo a diversidade, o impacto cultural e a democratização do acesso ao cinema. Acreditamos que fazer cinema em Sergipe, a partir de quem somos e de onde viemos, é também garantir que histórias historicamente silenciadas encontrem espaço nas telas e no imaginário coletivo", afirma a roteirista e produtora Thaís Galindo Ramos.


Ela destaca que cada produção realizada pela empresa também representa um investimento na cadeia produtiva local. "Cada filme ou projeto movimenta nossa cadeia audiovisual e abre caminho para novos profissionais que, sem esse espaço, dificilmente teriam onde começar. Nosso compromisso é construir oportunidades reais para quem ousa fazer cinema aqui."


Com uma década de atuação, a Floriô de Cinema segue apostando em um modelo de produção que une criação artística, formação, circulação e fortalecimento do audiovisual descentralizado, mostrando que histórias produzidas em Sergipe podem dialogar com públicos de todo o Brasil e do mundo.


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