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- Emmy 2024: Quando a Expectativa Encontra a Surpresa – Uma Análise da Temporada
premiação superou a apatia nos momentos finais Divulgação: Max No último domingo, dia 15, aconteceu o Emmy 2024 Agora, entrando no que vocês realmente querem saber: o Emmy 2024 e seus vencedores. Em 2024, as novatas Lessons in Chemistry (Apple TV+) e Ripley (Netflix) foram indicadas, ao lado das Em 2022, The White Lotus (HBO) venceu impressionantes 10 prêmios e, neste ano, ainda dominou metade das Esnobada nas suas duas primeiras temporadas, a série chegou com força em 2024, recebendo 9 indicações
- Crítica | Retratos Fantasmas (Representante do Brasil no Oscar 2024)
As sombras do passado e a força da memória num tributo (nada ortodoxo) ao cinema Foto: Divulgação Numa determinada cena de Babilônia, a crítica e colunista Eleanor St. John (Jean Smart), numa conversa com o ator decadente Jack Conrad (Brad Pitt), reflete sobre a efemeridade das estrelas de cinema em favor do legado que elas deixarão por causa dos filmes que estrelaram. “Em 100 anos, quando eu e você estivermos mortos há muito tempo, alguém congelará um quadro de um dos seus filmes e você estará vivo de novo. Um dia, cada pessoa que esteve num filme lançado neste ano estará morta, mas seus filmes serão exibidos e seus fantasmas serão reunidos mais uma vez”, diz ela. A conexão com Babilônia não me veio de imediato conforme eu assistia Retratos Fantasmas, mas é impossível não associar essa fala à proposta do diretor Kleber Mendonça Filho, que se ancora na memória — tanto pessoal quanto pública — para resgatar a sua relação com os cinemas de ruas de sua cidade natal, Recife, a maioria dos quais foi fechado e abandonado ao longo das últimas décadas. Sete anos de pesquisa documental, além de imagens e vídeos de arquivo do diretor ou de diversas outras fontes, são esculpidos e convertidos na abordagem documental de pouco mais de 1h30 que Kleber nos entrega aqui. Como seus outros longas-metragens, Retratos Fantasmas se divide em três partes. Na primeira, O Apartamento de Setúbal, ele volta ao apartamento onde cresceu — e que para minha surpresa, foi cenário de tantas outras obras suas, em especial O Som ao Redor. O diretor, que também narra o filme, nos conduz pela sua íntima relação com o cinema e como este foi encrustado em sua própria vida pessoal, a partir da influência de sua mãe (que é talvez o primeiro dos “fantasmas” que a obra traz) e da sua própria relação com o espaço doméstico e deste com sua filmografia. É fascinante como nessa primeira parte há quase uma retrospectiva da carreira de Kleber através de cada história contada e detalhes observados sobre o apartamento, lançando novas luzes sobre suas obras anteriores. Foto: Divulgação Considerando o peso do cinema de gênero na filmografia do diretor, não é surpresa que Retratos Fantasmas fuja do convencional esperado para um documentário, borrando as linhas entre realidade e ficção — prova disso é a “reencenação” de um episódio vivenciado por Kleber e a atriz Maeve Jinkings no apartamento. A trilha sonora, que vai do brega nacional ao jazz, passando por trechos de trilhas de outros filmes, é articulada para favorecer essa linha tênue, intensificando sentimentos, emoções e percepções. E os próprios vídeos de arquivo do diretor, vários dos quais datados de mais de 30 anos atrás, são incorporados à obra como se tivessem sido gravados lá no passado apenas para esse filme em específico. Em nenhum lugar isso é tão evidente quanto na segunda e maior parte, Os Cinemas do Centro do Recife. Concebida como o eixo central da obra, aqui temos Kleber saindo do micro da primeira parte para o macro, sem nunca deixar de lado seu olhar e experiências pessoais, no entanto. Na verdade, mesmo quando abraça o macro, ele escolhe construí-lo a partir de si, sem, entretanto, soar vaidoso ou prepotente. Sua narração — seca, afiada e cômica — reflete ainda mais a pessoalidade do longa e como essa pessoalidade atravessa sua relação com os cinemas aqui trazidos e com a própria cidade do Recife, explorada a partir das suas contradições (e enriquecida por causa delas). Isso não quer dizer que aspectos mais gerais não se façam presentes, como evidenciado em sequências tais quais a do papel dos nazistas na criação de um dos cinemas retratados, nos comentários sobre a força da produção cinematográfica pernambucana ou na já tão conhecida relação entre arquitetura, espaço e classe que é uma das marcas do cinema de Kleber. Mas praticamente a todo instante vemos um diretor que constrói intersecções e narrativas a partir das suas próprias vivências, entregando um olhar muito íntimo (mas não necessariamente nostálgico). Foto: Divulgação É por isso que para mim o ponto alto do filme está nos resgates das suas interações com seu Alexandre Moura, o falecido projecionista do Art Palace com quem Kleber interagiu nos últimos anos antes do fechamento do cinema no início dos anos 1990. A presença de seu Alexandre é a expressão máxima dos fantasmas indicados pelo título; mesmo já tendo morrido há mais de 20 anos, ele é “ressuscitado” pelo diretor, se transformando numa presença viva diante dos nossos olhos. Suas falas divertidas, sua paixão palpável pelo trabalho e a melancolia diante do iminente fechamento do Art Palace trazem uma humanidade e sensibilidade pungente à obra, que só nos fazem lamentar ainda mais por uma época do cinema que parece cada vez mais distante para a nossa geração. É notável como cada uma das partes do filme parece tão distinta uma da outra e, ao mesmo tempo, Kleber tece entre elas uma sutil costura que aponta para tema(s) maior(es). Mesmo quando parece ir para um lado menos pessoal, como na última parte, Igrejas e Espíritos Santos, Kleber incorpora seu olhar ao mundo à sua volta, seja nas imagens de arquivos que abordam a transição de salas de cinema para igrejas evangélicas, ou nos sagazes minutos finais que borram ainda mais os limites da realidade e da ficção (e entre os gêneros) e ainda uma piada visual envolvendo farmácias que parece ilustrar a sina dos nossos tempos. Se pudesse destacar um dos (muitos) méritos de Retratos Fantasmas, é em como, ir do micro ao macro no decorrer do filme, Kleber reforça uma das marcas do seu cinema: conjugar o pessoal ao universal. É por isso que há uma força simbólica na exibição do filme nessas últimas semanas em diversos cinemas de rua do país, os quais ainda resistem à avassaladora hegemonia dos multiplex de cinemas e à falta de incentivos à cultura. Há uma transcendência na obra que toca não só a quem é de Recife e/ou foi aos cinemas aqui retratados. Para mim, em particular, foi como voltar ao saudoso Cine Madrigal, em Vitória da Conquista, lugar fundamental para a formação do meu amor pelo cinema e infelizmente fechado em decorrência da chegada do primeiro shopping ; ou ao Cine Vitória em Aracaju, que resiste mesmo com a gradativa depredação e abandono do centro da cidade. E é por isso que os fantasmas do filme vão além da mãe de Kleber ou de seu Alexandre: é o centro do Recife (e tantos outros centros abandonados à sua própria sorte e aos efeitos nocivos da gentrificação), os cinemas que fizeram a vida e a mente do diretor, e também as milhões de pessoas que por eles passaram e deixaram suas risadas, sustos, lágrimas e tanto mais. Os Retratos Fantasmas são, antes de tudo, de Kleber, mas também se tornam nossos, e é nessa afinidade e identificação que reside uma das maiores belezas do cinema, aqui expressa em sua potência máxima. Nota: 5/5
- Crítica | Ainda Estou Aqui (Representante do Brasil no Oscar 2025)
É doloroso assistir a, por exemplo, Argentina, 1985 (2022) e saber que nunca contaremos nossa história
- Crítica | Train Dreams (Festival Sundance de Cinema 2025)
Drama épico é filmado com elegância, mas perde força em meio a divagações Foto: Divulgação Baseado num romance de mesmo nome, a adaptação conta a história de Robert Grainer (Joel Edgerton), um homem comum que viveu em tempos extraordinários do início da expansão ferroviária norte-americana, e trabalhou como temporário no oeste americano no começo do século XX. Tendo que lidar com a distância de sua família e a perda de entes queridos, ele luta para se ajustar a esse novo ambiente em constante mudança. O mais recente filme do cineasta Clint Bentley é um deleite visual antes de qualquer coisa. Não há como passar por Train Dreams sem ser impactado pela beleza plástica do longa. O que o diretor de fotografia Adolpho Veloso faz com o contraste de sombras e com os planos abertos é sem dúvidas o maior destaque do filme. A ponto de em alguns momentos não parecer importar o argumento que deveria amarrar aquelas belas imagens bucólicas estadunidenses. Mas existe sim ali um enredo bem norte americanizado sobre os tempos áureos onde os brancos homens de bem viviam com suas belas e recatadas esposas na mais tranquila paz longe de todos os males contrários ao seu estilo de vida e/ou vindos de fora. A vida do protagonista é contada através de uma narração apática que em nada soma ao encadeamento de fatos, além disso existem causos de personagens paralelos e constantes contemplações que tentam dar um gracejo ao texto – e que pode funcionar bem no livro – mas aqui resultou numa distração em relação à trama do personagem central. A narrativa funciona melhor, para além do protagonista e do contexto geopolítico em si, quando se percebe que o tema central é a passagem do tempo e a instabilidade espontânea que o acaso/destino pode trazer à vida por mais planejada que ela seja. Joel Edgerton veste como ninguém as roupas de época de homem bruto do início do século XX, e desempenha um papel contido, mas que consegue manter a constância necessária para o desenvolvimento da narrativa. E mesmo com um elenco de coadjuvantes de peso, nenhum dos personagens consegue se fazer relevante o suficiente para deixar algum registro no resultado. Em meio a reflexões existenciais e questões de propósito humano, que pendem para uma inocência quase tola, Train Dreams consegue passar sua mensagem e contar a sua história com sucesso, mas sem chamar muito a atenção, mesmo as vezes sendo necessário uns picos de energia. Nota: 3/5
- Crítica | Sukkwan Island (Festival Sundance de Cinema 2025)
Isolamento na natureza serve de terapia pai-e-filho hipotética em drama surpreendente Foto: Divulgação Em Sukkwan Island acompanhamos Roy, um jovem assustado com o passado, que viaja para uma ilha remota nos fiordes noruegueses para se reconectar com seu pai e confrontar a experiência traumática que eles compartilharam dez anos antes e que transformou seu relacionamento. Filmes que apresentam a natureza como um espaço propício ao autodescobrimento são quase um subgênero do drama no cinema pós-moderno. E o mais interessante é que vários destes são inspirados em histórias reais como o bastante conhecido Na Natureza Selvagem (2007) e o indicado ao Oscar Livre (2014). É o cinema retratando mais uma crise de identidade e personalidade do ser humano contemporâneo das mais belas e criativas formas. No entanto, assistindo ao novo filme do cineasta francês Vladimir de Fontenay, não pude deixar de lembrar de uma comédia honesta e bastante sensível chamada In Natura (2014). O cenário norueguês e o homem se isolando da sociedade para lidar com seus demônios em meio a natureza onde ele pode chorar e ninguém ver aparentemente funcionam nas mais diversas abordagens, seja pela ideia quase mística de um poder curativo da natureza, ou seja pelo sempre saudável distanciamento físico da sociedade. Quase que o filme todo se desenrola num flashback contando como o adolescente Roy e seu pai, com quem não tinha contato há tempos, se conectaram em meio às belas paisagens das montanhas gélidas da Noruega, durante um ano sabático que resolveram tirar para esse propósito. Com uma filmagem que aproveitou os tons naturais do ambiente e soube reproduzir belas imagens com pouca iluminação, o longa-metragem tem um visual exuberante e pinta este plano de fundo idílico para uma história que se apresenta de forma emocionante e densa. Foto: Divulgação A dinâmica desenvolvida em cena pelos atores Swann Arlaud e Woody Norman carrega de forma orgânica o roteiro mesmo nos momentos mais estáticos. Destaque para mais um trabalho visceral de Arlaud que brilha ao preencher todas as lacunas do seu personagem criado em cima de várias concepções hipotéticas. Os diálogos são bem trabalhados e criam nuances sobre o personagem de Roy que para o espectador mais racional podem perder a força haja visto que nos minutos finais o filme apresenta uma reviravolta que, dependo de qual foi sua experiência com a produção até ali, pode comprometer ou endossar o resultado da experiência. O longa se encerra com um epígrafo, em texto mesmo antes dos créditos finais, que escancara para caso tenho sobrado alguma dúvida, o que foi exatamente que se acabou de assistir, e, mesmo sendo bem sensacionalista e até desnecessário mesmo, é uma justificativa de todas as escolhas narrativas feitas que possam ter ficado incompreendidas. Pode não funcionar para alguns, para mim atingiu certeiro. Nota: 4/5
- Crítica | Explode São Paulo, Gil (Olhar de Cinema 2025)
Quando uma personagem é muito maior do que seu filme. Imagem: Divulgação Na primeira vez em que vemos a protagonista de Explode São Paulo, Gil cantar, ela está num karaokê – um cenário mais que propício para o universo da obra. Seu microfone não está muito bom, mal ouvimos sua voz, mas então de repente... a vemos e ouvimos cantando a plenos pulmões Maluco Beleza de Raul Seixas, e o deslumbramento de todos ali é nítido. Um homem se aproxima e oferece uma bebida a ela, abraçando-a, e um coro se forma para entoar os versos junto com ela. Naquele instante entendemos: existe algo de mágico em Gil, aquela mulher pequena e franzina, e sobretudo em sua voz. Documentários podem retratar os mais diversos tipos de personagens, mas tenho um carinho por aqueles que conseguem extrair o extraordinário de pessoas aparentemente tão ordinárias. Em Edifício Master, por exemplo, Eduardo Coutinho pega um prédio qualquer do Rio de Janeiro e consegue construir um microcosmo do Brasil a partir das figuras singulares que encontra lá. Gil é, sob muitos aspectos, bastante singular, como ela própria já faz questão de frisar ao se apresentar: imigrante goiana, faxineira, sapatão, poeta e cantora. A música faz parte do DNA desta mulher tão única, e vê-la performar para a câmera, seja em momentos mais “autênticos” ou naqueles mais encenados, é um deleite, assim como nos assustamos e sofremos ao vê-la ter um ataque de epilepsia em cena, e como isso afeta sua memória e a própria relação que ela vinha construindo com a música até ali. Imagem: Divulgação Justamente por isso, é frustrante ver como a direção de Maria Clara Escobar passa um bom tempo ainda incerta sobre como exatamente quer abordar a protagonista. Há uma instabilidade nítida na primeira parte do filme, a começar pela abertura com o monólogo de Gilda Tonacce, que atende à essa proposta um tanto docuficcional e experimental do filme, mas soa bastante deslocada ao postergar a entrada de uma figura muito mais interessante como a da própria Gil. Mesmo quando esta entra em cena, essa incerteza paira sobre o longa, e é justamente a partir da cena do karaokê que ele se encontra junto à sua personagem. Ainda assim, esta instabilidade está presente em outros momentos (como nas breves sequências em Brasília), de modo que é difícil fugir a esta primeira impressão de que o filme não sabe o que fazer com um material (e um sujeito) tão rico. No fim, o grande mérito de Explode São Paulo, Gil é em não reduzir sua protagonista a uma caricatura mesmo quando tudo à sua volta parece um tanto caricatural, tampouco ridicularizá-la. Há carinho e admiração por esta figura, mas o filme demora a indicar que este será o caminho, preferindo abrir espaço para uma experimentação e um processo de tentativa e erro que, no entanto, priva muito de nosso maior apreço pela obra. Acaba caindo mais sobre as costas da própria Gil a tarefa de nos conquistar, e apesar dos tropeços do longa, isso é feito. O próximo passo? Procurar seu álbum no Spotify. Nota: 3/5
- Crítica | Apenas Coisas Boas (Olhar de Cinema 2025)
Imagem: Divulgação Se eu ganhasse um real para cada vez que tivemos em 2025 um filme produzido em Goiás
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