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- Crítica | Fogo nos Macacos
Filme incômodo apresenta tensão familiar revestida de traumas sociais. Imagem: Divulgação Baseado no conto homônimo do livro Rio dos Contos, de Daiana de Souza, o filme apresenta um casal macaense que se desloca com o filho até a periferia do Rio de Janeiro para que bebê conheça o avô. O encontro é marcado por choques geracionais e angústias guardadas causadas por mazelas sociais. Existe algo inquieto já nos primeiros minutos de Fogo nos Macacos, como se o filme respirasse curto antes mesmo da visita, ação central da trama, acontecer. Clementino Jr. e Daiana de Souza constroem uma tensão inicial que nasce do cotidiano, mas nunca é banal. O trajeto dessa família até o encontro com o avô carrega um peso difícil de disfarçar, como se cada gesto fosse meticulosamente medido para evitar um conflito que já parece inevitável. O silêncio funciona como prenúncio em vez de ausência. A câmera acompanha tudo com uma proximidade que por vezes assume o ponto de vista dos próprios personagens, quase nos empurrando para dentro da cena. Isso faz com que a tensão deixe de ser apenas observada e passe a ser sentida no corpo, como um incômodo que cresce aos poucos. O espectador não fica de fora, ele é colocado ali, no meio de olhares desconfortáveis e palavras não ditas, partilhando daquela atmosfera carregada antes, durante e depois dos embates. Imagem: Divulgação Quando as gerações finalmente se encaram, o curta revela um atrito que não se resolve em confronto direto, mas em pequenas fissuras emocionais. Os mais velhos parecem moldados por silêncios antigos, enquanto os mais novos demonstram uma urgência em compreender e expor o que foi reprimido. As atuações de Izabel Rezende, Ricardo Romão, Carol Haber, Ray Senna sustentam essas divergências com uma humanidade rara, onde o afeto, a mágoa e a tentativa de aproximação coexistem sem nunca se acomodar e sem interferir na presença um do outro. É no simbolismo dos macacos que o curta encontra sua camada mais incômoda, evocando traumas, feridas raciais e tudo aquilo que foi herdado sem ser pedido. Existe ali um “santuário” que carrega um peso imagético potente, e talvez um tempo maior de exploração visual desse espaço pudesse intensificar ainda mais a experiência sensorial do filme. Ainda assim, isso não diminui a força do que é dito e, principalmente, do que permanece não dito. Fogo nos Macacos é um filme que cutuca e que entende que algumas dores não precisam ser explicadas no detalhe para serem profundamente sentidas. Nota: 3,5/5
- Crítica | Lucky (Minissérie)
Entretém, mas não vai além. Imagem: Divulgação Em mais um caso de “é bacana, mas ninguém lembrará mês que vem”, temos esta nova minissérie do Apple TV, onde Anya Taylor-Joy brilha como uma vigarista em rota de fuga. A história começa com Lucky (Taylor-Joy) e o noivo Cary (Drew Starkey) comemorando um roubo em uma noitada em Las Vegas. Após muita bebedeira e curtição, Lucky acorda sozinha no quarto de hotel, sem o noivo e sem os milhões de dólares roubados. A agente do FBI Billie Rand (Aunjanue Ellis) já está no local à sua procura, bem como os capangas de Priscilla (Annette Bening), a mafiosa, que é mãe de Cary e dona dos milhões. Agora, Lucky precisa lutar pela sua vida, enquanto tenta encontrar Cary. Então, temos a premissa de um filme de ação e suspense que foi transformado em minissérie e felizmente posso dizer que não há uma quebra de ritmo. O fato de ser baseada em um livro escrito por Marissa Stapley, dá a quantidade de acontecimentos necessários para preencher os sete episódios, embora só haja profundidade o suficiente para que eu me importasse com os personagens e não mais do que isso. Eu não li o livro e nem quero julgar a fidelidade da adaptação, porque adaptação boa é aquela que se basta. O fato aqui é que não há muita profundidade em nada. Ou seja, a minissérie é bacana e divertida, mas jamais vai além disso. Imagem: Divulgação O elenco, no entanto, como vocês já viram, é recheado de nomes talentosos e conhecidos. Anya Taylor-Joy está fantástica como a golpista protagonista e ainda que o roteiro não ofereça muita nuance à personagem, a atriz tem um alcance para dar o seu melhor. Aunjanue Ellis é outro baita destaque na pele da agente Rand e assume uma postura imponente e impressiona pelo quão expressiva ela consegue ser, mesmo em um papel não tão rico, mostrando sua potência. Outra veterana que está ótima, obviamente, é Annette Bening. Ela é a antagonista principal e sua presença é sentida mesmo quando ela não está em tela. Drew Starkey não aparece tanto, mas tem carisma de sobra e uma boa química com Anya para que sua escalação seja justificada. Timothy Olyphant, que começa a série preso, é o pai de Lucky e está muito bem no papel, construindo uma relação interessante com a personagem. Ainda que a narrativa não ofereça qualquer complexidade, o entretenimento é garantido e não há uma quebra de ritmo notável, mesmo que após o quarto – e melhor episódio – haja uma mudança drástica, após a única reviravolta que não foi previsível durante a temporada toda. As sequências de ação são muito bem filmadas, são empolgantes e o senso de risco é elevado e mesmo que as surpresas não surpreendam (risos) em sua maioria, a minissérie consegue te manter fisgado ali naquele momento. Os arcos se encerram bem e eu realmente espero que não haja uma 2ª temporada. Não há qualquer necessidade e é o exato tipo de minissérie competente em que a gente se diverte enquanto está assistindo, mas não é memorável. Tipo um cheeseburger de fast food, é bom ali na hora e mata sua fome, mas logo menos você esquece. Nota: 3,5/5
- Crítica | O Melhor Amigo
Gabriel Fuentes apresenta completa desenvoltura e se mostra tão à vontade no volátil personagem que não
- Crítica | O Estrangulador de Boston
É uma pequena linha, mas que no contexto do longa faz todo sentido e mostra o porquê de ser um filme
- Crítica | Mundo Estranho
Let It Go também está ainda bastante viva mesmo após 10 anos (sim, 'Frozen' completa uma década em 2023 Ambientando em um mundo muito diferente do que conhecemos, ele nos mostra os Clade, uma família lendária anos que mereciam o alcance que a Disney tem, e isso reflete até em grandes premiações, como vimos em 2022
- Crítica | Beau Tem Medo
de crise de ansiedade alucinógena fazem o melhor pior filme dos últimos tempos Foto: Divulgação Como críticos Mas e quando a opinião do crítico é “????”?
- Crítica | In A Violent Nature
O longa canadense mostra Johnny, uma criatura que aterroriza um grupo de adolescentes que acidentalmente
- Crítica | Cabo do Medo (Minissérie)
Os dois primeiros episódios já foram exibidos e a Apple disponibilizou oito dos dez para a crítica. que Amy Adams faz de uma forma sutil, dócil, mas com segurança e que consegue surpreender quando ela mostra
- Crítica | Loki (2ª temporada)
DeMartino) e Loki (Tom Hiddleston) ser jogado numa espécie de versão alternativa da AVT, a temporada já nos mostra centelha de criatividade e frescor que tanto falta a outras séries da Marvel, além de um belo final que se mostra
- Crítica | Jogos Mortais X
acertos Foto: divulgação Com uma história que se passa entre os dois primeiros longas, Jogos Mortais X mostra Depois de um spin-off – Espiral: O Legado de Jogos Mortais (2021) – interessante e até inventivo em se
- Crítica | Casamento Sangrento: A Viúva
No frigir dos ovos, Casamento Sangrento: A Viúva se mostra uma continuação sólida, consciente de suas
- Crítica | Swagger (Temporada 2)
É um belíssimo encerramento, que mostra que nem toda perda é o fim do caminho.












