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- Crítica | Velozes & Furiosos 10
Absurdos habituais divertem, mas Jason Momoa é o ponto fora da curva Foto: Divulgação Sou fã confesso da franquia, então é claro que adorei o filme e assim será enquanto estiver me garantindo entretenimento. Dessa vez, o passado de Dominic Toretto (Vin Diesel) volta para se vingar e tirar dele tudo e todos que ama. E se começamos com um tradicional churrasco, a tempestade anunciada não demora muito para aparecer na figura de Jason Momoa. Deixei de me importar com a verossimilhança da saga há muito, muito tempo, então quando uma bomba gigante sai rolando por Roma, explodindo e destruindo boa parte da cidade, mas não mata ninguém porque Toretto e sua turma conseguiram salvar a todos, eu vou acreditar. E se anteriormente eles eram lidos como anti-heróis, desta vez, o filme quer exaltar muito mais o heroísmo, sendo isso um dos pontos centrais. E deixando bem claro que eles enfrentam o vilão mais perigoso até então. Vilão este que é o ponto mais alto do longa. Jason Momoa está ótimo no papel de Dante, que é perverso e sarcástico na mesma medida. É evidente como Momoa se diverte como o personagem, deixando sua marca, onde ao mesmo tempo que você vai rir com ele, também vai odiá-lo. Brie Larson se une a Rita Moreno, Helen Mirren e Charlize Theron no time das “Oscarizadas”. Ela é Tess, filha do Sr. Ninguém (Kurt Russel), uma patricinha carismática que ajuda a equipe enquanto o pai está ausente. Funciona bem. Foto: Divulgação Perseguições, tiroteios e lutas corpo a corpo não faltam no longa, é claro, e todos são eletrizantes. No entanto, devo dizer que as lutas são muito mais “Marvel” do que “John Wick”. Apesar de também serem bem coreografadas, há um elemento mais fantasioso em cena, digamos assim, com grandes pulos e golpes mirabolantes. Não me incomoda, mas tenho que citar. Assim como os diálogos extremamente expositivos e emocionalmente apelativos que saem da maioria dos personagens, com exceção do Dante de Momoa, que são bem inspirados na maior parte. Eu relevo os outros, mas não posso ignorar esses aspectos mais técnicos também. Não entrei no mérito da trama em si, para evitar spoilers e não entregar nenhuma reviravolta, ainda que algumas sejam previsíveis à distância. Porém, não consigo deixar de falar que há uma conexão com o quinto longa da franquia, “Operação Rio” e voltamos ao Brasil. Mesmo que seja uma adjacência do calçadão de Copacabana que não existe, ainda é bacana ver nosso país e contar com a participação de ninguém menos que a própria Ludmilla fazendo a contagem para uma corrida. O filme funciona como uma primeira parte, ele é construído assim e termina com inúmeros ganchos. Personagens entre a vida e a morte, retornos surpresas, etc. Tudo é coeso e coerente? Óbvio que não, mas se você vai assistir a um Velozes e Furiosos esperando isso, meia-noite te conto um segredo. É o décimo capítulo, e se você chegou aqui, é natural que se importe com esses personagens e torça por eles. É redundante afirmar que tem ação, mas o humor característico da franquia também está presente, assim como a emoção, ainda que apelativa. Velozes e Furiosos já fez de tudo e sempre tenta se superar nos seus próprios absurdos. Neste, ninguém foi para o espaço, mas a pegada heróica é quase sobre-humana, com Toretto desvirando um carro com uma única mão em determinada sequência e outra mais irreal ainda que eu não vou citar pra não dar spoilers. E tá tudo bem, nem tudo precisa ser levado a sério. O único pecado que um filme da franquia não pode cometer é ser chato, e isso passa longe de ser. Nota: 3/5
- Crítica | Citadel (1ª temporada)
A nova aposta do Prime Video está no seu melhor quando não se leva a sério. Foto: Divulgação Anunciada como a “série mais cara” do Amazon Prime Video, Citadel ganhou notoriedade com seus problemas nos bastidores, como a saída dos showrunners originais por conta de conflitos com os irmãos Russo (produtores executivos da série) e extensas refilmagens que encareceram ainda mais a obra, atingindo um orçamento de inacreditáveis 300 milhões de dólares. Ainda assim, é difícil ver tamanho orçamento em tela, o que é tanto uma bênção quanto uma maldição. Quando tenta ser grandiosa, Citadel escancara seus defeitos, seja no CGI e direção deficitários quanto no roteiro repleto de incongruências. Quando investe em seu núcleo humano e nos elementos mais básicos de espionagem, ou até mesmo em um humor relativamente eficiente, a série consegue ser uma agradável e escapista experiência, mesmo que não vá muito além disso. A temporada segue Mason Kane (Richard Madden) e Nadia Sinh (Pryanka Chopra Jonas), dois espiões de uma agência secreta chamada Citadel que são enviados a uma missão contra uma organização rival, a Manticore. Oito anos depois, ambos seguem vidas completamente diferentes – e sem nenhuma lembrança de que um dia já foram espiões ou que se conheciam. Contudo, os planos malignos da Manticore, lideradas pela maligna Dahlia Archer (Lesley Manville), logo os colocam em rota de colisão, mesmo com os segredos das suas vidas passadas ameaçando vir à tona. Foto: Divulgação Citadel começa promissora, com uma sequência inicial de 15 minutos que nos introduz a Mason e Nadia em um trem nos Alpes italianos, onde vemos não apenas as habilidades letais de ambos contra seus inimigos, mas também a química que exala entre eles. É uma pena que a série não volte a atingir o nível dessa sequência nos episódios posteriores, nem mesmo em suas cenas de ação. Isso se dá pela estrutura fragmentada que a temporada adota, alternando entre o presente (onde Kane possui uma nova identidade e família no Oregon, enquanto Nadia trabalha num restaurante em Valencia) e o passado (onde informações são preenchidas a respeito do passado conturbado dos dois). A série parece indecisa sobre se quer mostrar mais do passado ou do presente, e a curta duração dos episódios não ajuda – essa é uma rara obra onde os episódios deviam ser maiores do que são, ao contrário da tendência atual dos streamings de esticá-los ao máximo. A pouca quantidade de episódios (apenas seis) também interfere no desenvolvimento da trama, que acaba se mostrando mais simples e genérica do que as constantes idas e vindas no tempo tentam esconder, enquanto o roteiro toma saídas ridiculamente fáceis que sacrificam o desenvolvimento narrativo. Quando dá espaço a cenas de luta mais pé-no-chão (um ponto forte dos Russo desde seus dias na Marvel), bem como às interações entre seus personagens, Citadel consegue exibir mais do seu potencial. Apesar de ser um ator extremamente limitado, Madden consegue convencer em sua dinâmica sexy e complicada com Chopra, enquanto Stanley Tucci, no papel do mentor deles, consegue sempre brilhar quando aparece com seu humor sarcástico – e é uma pena que apareça tão pouco. Quem se revela o grande destaque da temporada, porém, é Manville, que parece se deliciar no papel de uma vilã que poderia cair no genérico e caricatural, mas consegue ser efetivamente aterrorizadora – até mesmo no previsível plot twist final da temporada. Me pergunto o quanto a mudança de showrunners e as refilmagens interferiram no produto final, especialmente levando em conta que o Prime Video pretende transformar a série numa franquia com spin-offs ao redor do mundo. É até uma boa coisa que a temporada não se preocupe em preparar terreno para esses spin-offs – afinal de contas, já seria um problema a mais numa série que tem tantos. No frigir dos ovos, Citadel nunca faz jus ao seu orçamento astronômico, posando como mais uma aventura genérica de espionagem. Ainda assim, é o tipo de série em que, olhando mais atentamente, pode se encontrar alguns méritos que ilustram o potencial dela de ser muito melhor, desde que não se leve tão a sério. Nota: 3/5
- Crítica | Teto Para Dois (minissérie)
Adaptação não faz jus à obra original e entrega história esquecível Foto: Divulgação Lançada em março no Paramount+, a minissérie Teto para Dois é baseada no livro homônimo de Beth O'Leary que fez bastante sucesso no universo literário jovem-adulto nos últimos anos. Na série, Tiffy e Leon dividem um apartamento em Londres, mas nunca se viram pessoalmente. Ele vive no local de dia, ela, à noite. Quando começam a se envolver por meio de uma troca de post-its, uma relação inesperada tem início. Como leitora da história por meio do seu material original, os primeiros segundos da adaptação de Teto para Dois já me causam uma certa estranheza. Na história, a protagonista Tiffy é descrita como acima do peso e isso é um fator importante para a reconstrução da sua autoestima e até para o desenvolvimento narrativo de um arco do livro, porém, nessa versão para as telas, a escolha foi que a protagonista estivesse dentro do padrão de magreza que nós já conhecemos e estamos cansados de ver na TV. Nada contra a atriz Jessica Brown Findlay, que inclusive, é bastante competente em seu trabalho, mas essa falta de cuidado na adaptação já é um alerta do que veremos pela frente. Não que a adaptação de Teto para Dois seja ruim. Ela é fiel em alguns dos principais pontos da história e toda sua essência também está presente e dividida entre os seus seis episódios. Mas, ao assistir a história, a impressão que temos é que o carisma da obra literária não conseguiu ser transposto para as telas, formando um romance um pouco superficial em uma narrativa esquecível depois de uma maratona mesmo tratando de assuntos importantes. Foto: Divulgação Falta profundidade ao tratar sobre a temática de relacionamentos abusivos (diferente do livro, por exemplo) e também ao falar sobre o encarceramento da população negra e da questão das prisões injustas. Você consegue perceber isso tudo ali com um olhar mais apurado, mas isso não é discutido com a importância que merecia. Ademais, Teto para Dois tem boas atuações, um casal principal que convence e um ótimo elenco de apoio. Mesmo com um orçamento modesto, também tem uma ambientação muito legal em uma Londres diferente da que estamos acostumados a ver nas telinhas. Em algumas mudanças feitas na adaptação, também conhecemos mais a fundo a vida profissional dos protagonistas e dos seus ciclos de amigos e isso, sem dúvidas, é um dos seus pontos mais positivos. E, quando chegamos ao fim da minissérie, a sensação é que assistimos a um conteúdo que facilmente vai se misturar com os outros milhares de romances entre jovens adultos que somos bombardeados em todos os streamings. A experiência para quem leu o livro é ainda mais triste sabendo do ótimo conteúdo no seu material de inspiração e vendo um fraco resultado nas telas. Nota: 2,5/5
- Crítica | Teen Wolf: O Filme
“The Vampire Diaries” era mestre nisso, e até a excelente “Buffy the Vampire Slayer” usou o artifício
- Crítica | Dia Zero (Minissérie)
Elenco estelar tenta mascarar mediocridade do suspense político, mas não é suficiente. Divulgação Quando eu ouvi falar que Robert De Niro faria uma minissérie, logo me animei. Era a primeira dele e não poderia ser qualquer coisa. Mas infelizmente é. De Niro é George Mullen, um ex-presidente amado por todos, apartidário (risos), como insistem em nos lembrar de tempos em tempos durante os primeiros episódios. Ele precisa sair de sua aposentadoria para cuidar de uma grande missão: liderar as investigações de um terrível ataque cibernético que matou mais de 3 mil pessoas. Lembram daquele filme O Mundo Depois de Nós, também da Netflix? Então, é como se acontecesse a mesma coisa, só que o foco aqui é na presidência dos Estados Unidos, ao invés de uma família. O longa de Sam Esmail tem seus defeitos, mas passa longe de ser genérico como esta minissérie. Além de De Niro, Joan Allen é sua esposa Sheila, Lizzy Caplan é sua filha, Connie Britton é sua ex-chefe de gabinete, Jesse Plemons é seu assessor, Angela Basset é a Presidente em exercício, Matthew Modine é o presidente da Câmara dos Deputados, Dan Stevens é um apresentador reacionário, Clark Gregg é um bilionário suspeito, McKinley Belcher III é um agente e Gaby Hoffman é uma empresária da tecnologia. Eu não dei muitas informações sobre quem é quem para evitar spoilers, mas tudo é tão previsível que não faria muita diferença, sendo sincero. Os atores estão no automático e isso é desdobramento de um roteiro superficial que não os desafia. Os personagens fazem exatamente aquilo que se espera deles e a maioria são de uma nota só, estão ali com apenas uma função. São apenas seis episódios e não há muito tempo para trabalhar bem todos eles e suas relações, mas com certeza poderia ser feito um trabalho melhor pelo roteiro, principalmente com o protagonista. Quando há uma sombra de nuance dele, logo se transforma em mais uma reviravolta infundada. A produção tenta vender a ideia de um político amado por quase todos em um mundo tão polarizado, mas soa muito irreal. Em uma determinada cena, Mullen contém uma população revoltada com um discurso – vazio e formulaico – e ao terminar, é aplaudido. Não só é pouco plausível, como chega a ser ridículo, só para citar um exemplo. Nota-se que foi uma minissérie cara, não só pela constelação que forma o elenco. Há um cuidado com os cenários, por mais comuns que eles sejam, e as sequências de ação são bem filmadas, mesmo que não sejam exatamente tensas ou muito elaboradas. É caro, mas não deixa de ser ordinário. Divulgação O final faz jus a tudo que foi construído até então, ou seja, não há muito o que dizer. A resolução do grande mistério é jogada de qualquer forma e sem qualquer esforço de realmente surpreender ou fazer o mínimo sentido em meio a já tantas coisas inautênticas. Há a tentativa, mas tudo estava tão enfadonho que as viradas não conseguiam surtir algum efeito, além da apatia. É uma pena o desperdício deste elenco em uma produção que se assemelha a um filme de suspense político qualquer com pitadas de ação, onde a mediocridade é a regra. Imagino que ofereceram uma bolada de dinheiro a De Niro primeiro, e depois todos os outros atores foram embarcando graças ao nome dele estar envolvido. É a única explicação para tantos nomes grandes e que, geralmente, escolhem bons projetos, toparem algo tão esquecível, ainda que não seja inassistível. O ritmo oscila, mas é mantido pelas viradas insanas, então em algum momento, há entretenimento pelo menos. Nota: 2,5/5
- Crítica | O Brilho do Diamante Secreto
O filme da dupla belga Hélène Cattet e Bruno Forzani foi exibido na competição da Berlinale 2025 e estreia
- Crítica | Hungria: A Escolha de um Sonho
Em meio à febre das cinebiografias musicais, filme aposta em uma narrativa íntima e brasileira. Imagem: Divulgação Em meio à nova onda de cinebiografias que tomou conta das telas do cinema mundial, chega agora aos cinemas brasileiros, nesta quinta-feira (7), Hungria: A Escolha de um Sonho. E existe algo particularmente interessante em ver histórias de artistas brasileiros também ocupando esse espaço, especialmente em um momento em que produções do gênero seguem movimentando público e bilheterias ao redor do mundo. Antes da sessão, eu pouco sabia sobre Hungria e sua trajetória. Conhecia o nome, algumas músicas soltas, mas não a dimensão da caminhada que o levou até o sucesso. Talvez justamente por isso o filme funcione melhor quando mergulha na história de superação do artista: a adolescência difícil, os obstáculos financeiros, os conflitos familiares e a tentativa constante de transformar a própria realidade através da música. Existe sinceridade nessa construção. O longa claramente quer aproximar o espectador do homem por trás do palco, e consegue em alguns momentos bastante honestos. O problema é que o filme demora demais para encontrar seu próprio ritmo. Há uma sensação constante de preparação, como se a narrativa estivesse o tempo inteiro “chegando” ao ponto principal. E quando finalmente engrena, quando parece descobrir o tom emocional que deveria ter sustentado toda a obra, o filme já está praticamente acabando. Ainda assim, o elenco sustenta boa parte da experiência. O protagonista Gabriel Santana entrega uma atuação competente e segura, especialmente nas cenas mais íntimas, onde o filme abandona a grandiosidade típica das cinebiografias e se concentra apenas nas fragilidades do personagem. O trabalho de som também chama atenção de maneira positiva, principalmente na integração das músicas com a construção emocional das cenas e dos momentos de ascensão artística. Imagem: Divulgação E é impossível não pensar na inevitável comparação com Michael, que estreia em um contexto muito próximo e segue cercado de atenção nas bilheterias e entre fãs. Embora sejam artistas completamente diferentes, os dois filmes parecem compartilhar um mesmo problema: ambos até reconhecem que seus protagonistas possuem falhas, mas nunca permitem que essas falhas realmente confrontem a imagem construída sobre eles. Existe sempre uma tentativa de colocá-los em um lugar de inocência, injustiça ou incompreensão. No fim, o resultado acaba sendo parecido. São filmes que funcionam melhor como celebração afetiva do que necessariamente como retratos complexos de seus personagens. E talvez isso não seja exatamente um defeito para quem já chega emocionalmente conectado à figura retratada. Se Michael é uma obra que conversa diretamente com os fãs do Rei do Pop, Hungria: A Escolha de um Sonho certamente deve encontrar força justamente entre aqueles que acompanham o artista há anos. Para quem conhece pouco sobre sua trajetória, fica um retrato honesto e emocionalmente acessível, ainda que um pouco apressado justamente quando finalmente encontra sua melhor versão. Nota: 2.5/5
- Crítica | O Urso (4ª temporada)
Partindo do suspense que fechou a temporada passada, sobre a crítica culinária que poderia definir o Uma das principais críticas que vejo à O Urso é o pouco avanço da sua trama principal, crítica esta acentuada Da mesma forma, Ayo Edebiri mostra mais uma vez que é uma das maiores da sua geração, com um timing cômico Nota: 4.5/5 Notícias, Críticas e Dicas: se inscreva no canal do Oxente Pipoca no WhatsApp
- Crítica | Entre Estranhos (Minissérie)
Nova série do Apple TV+ tem boas intenções, mas subestima o seu próprio telespectador Foto: Divulgação Para construir um bom mistério, é necessário alguns critérios importantes – ambientação detalhada, personagens cativantes, um enredo que trafegue bem entre o enigmático e o satisfatório e, obviamente, uma reviravolta eficaz. Porém, preencher esses requisitos não é sinônimo de dever cumprido, visto que o pote de ouro está na maneira em que a história é contada. E é justamente neste último ponto que a nova série do Apple TV+, Entre Estranhos, erra de forma brusca, desperdiçando um bom elenco e, pior, uma boa ideia. Entre Estranhos conta a história de Danny Sullivan (Tom Holland), um jovem misterioso que acaba sendo preso após iniciar um tiroteio em plena luz do dia, no Rockefeller Center, em uma Nova York da década de 70. A razão por trás do crime parece ser uma incógnita para os policiais do caso, que logo buscam o auxílio da professora Rya Goodwin (Amanda Seyfried), especialista em transtornos da mente humana. Durante suas sessões, Rya tenta encontrar fagulhas do passado de Danny que possam vir a justificar os seus últimos atos violentos e os achados peculiares em sua residência. Essa dinâmica traz constantes retrospectivas temporais, conforme o diálogo dos dois personagens vai progredindo e tornando-se mais denso. Ariana (Sasha Lane), Yitzak (Lior Raz) e Jonny (Levon Hawke) também são alguns personagens que fazem parte dos sucessivos eventos que levaram Danny até o fatídico tiroteio. É importante frisar também que Entre Estranhos foi baseada no livro As Mentes de Billy Milligan, escrito por Daniel Keys. A obra conta a história real do próprio Billy Milligan, um homem atormentado por vinte e quatro personalidades diferentes e acusado de crimes como estupro, sequestro e roubo. Por mais que a série tenha sido construída a partir do julgamento de Milligan, a trama, e o próprio Danny, seguem linhas distintas do caso criminal legítimo. Em seus dez episódios, a série busca criar uma atmosfera de suspense, ao passo que também traz uma carga dramática intensa para a narrativa. Daí, somos apresentados à adolescência de Danny, aos conflitos entre sua mãe e seu padrasto e, mais à frente, aos seus traumas de infância. Foto: Divulgação Dito isso, por mais que Entre Estranhos possua uma premissa interessante e sedutora, sua montagem, edição e duração não fazem nada para tornar a experiência do telespectador agradável. Tudo soa prolongado demais e pedante demais, o que até acaba prejudicando a exemplar atuação de Tom Holland. O seu personagem paga pela forma cansada em que sequências são montadas e conjugadas entre si – é sempre o mesmo movimento de retornar ao passado e trazer um Danny mais confuso no presente. Quando a série opta por fugir da sua estratégia de salto temporal ao passado, a história torna-se mais dinâmica e atraente. Um exemplo disso é o episódio 6, intitulado Rya, que tem o seu foco mirado na personagem de Seyfried e em seus desafios pessoais e profissionais acerca do caso. Para fazer justiça à totalidade de Entre Estranhos, percebe-se que há um cuidado diante da conversação sobre saúde mental e como certos abusos podem afetar a mente humana de formas inimagináveis. Nesse âmbito, o roteiro de Akiva Goldsman (Uma Mente Brilhante) consegue refletir sobre a importância que o eixo temático merece, especialmente porque estamos falando de uma série baseada em acontecimentos reais, numa época de pouca compreensão sobre o adoecimento psicológico. Entretanto, Entre Estranhos resolve tomar uma das piores decisões criativas para o desenrolar de um suspense – esconder informações nas quais o público já conseguiu entender de cara. O resultado dessa escolha é um grand finale enfezado. É muito difícil manter o telespectador atento quando o material acaba ficando para trás, sugerindo pistas para um plot óbvio e escancarado. Talvez se o roteiro fosse mais honesto em suas decisões, a produção poderia debruçar de uma maneira ainda mais incisiva e menos clichê sobre as circunstâncias em que Danny se encontra. Para um bom entendedor, meia palavra basta, e infelizmente a série Entre Estranhos não consegue entender que o seu público é um observador astuto. Em sentido amplo, a série parece ignorar notas singelas que são essenciais para tornar um enredo interessante. Muitas coisas poderiam ter sido diferentes se ao menos a obra usasse os seus longos episódios para dissecar seus personagens sem pudor, e sem antecipar a chegada de uma grande revelação que já foi decifrada. Nota: 2,5/5
- Crítica | Adão Negro
Já o Sabbac é apenas um monstro feito em CGI com a motivação de destruir o mundo, nada que já não tenhamos
- Crítica | Abracadabra 2
29 anos depois, a bruxaria das irmãs Sanderson continua encantadora. Divulgação: Disney+ Quem cresceu nos anos 90 teve como companhia diversos filmes que se tornaram icônicos no decorrer do tempo, e acompanharam toda uma geração, dentre eles, ‘Abracadabra’, um marco envolvendo bruxas que se eternizou na memória ao lado de ‘Matilda’ e ‘Convenção das Bruxas’. O que provavelmente ninguém esperava, é que uma sequência fosse lançada quase três décadas depois. Tocar em filmes que se tornaram parte da cultura pop depois de tanto tempo sempre será arriscado, principalmente quando envolve nostalgia e o amor daqueles espectadores fiéis, mas, às vezes pode funcionar. Lançado em 1993 e dirigido por Kenny Ortega (High School Musical), ‘Abracadabra’ se tornou um fenômeno sendo reprisado incontáveis vezes na tv. Ele nos apresenta três figuras emblemáticas, Winnie, Mary e Sarah, as irmãs Sanderson, bruxas que roubam almas de crianças para manter a juventude. Para quem não está familiarizado, as três são pegas cometendo tais ações e enforcadas, contudo, é claro que elas teriam se precavido antes para conseguirem retornar ao mundo dos mortais. Para que pudessem voltar, seria necessário que alguém virgem acendesse a vela da chama negra, e como esperado, é isso que acontece. Com os eventos finais do filme de 93, o anúncio de uma sequência gerou a questão; como elas poderiam retornar já que a história tinha sido encerrada? Por mais que a história leve a pensar que veríamos as crianças do original agora crescidas, ‘Abracadabra 2’ se encaminha de maneira diferente, ele insere um novo personagem que presenciou os eventos de 29 anos antes, e faz com que ele seja a porta de entrada para as queridas irmãs Sanderson. E funciona, talvez até melhor se usasse a trama batida de trazer os antigos protagonistas para enfrentar o mesmo mal novamente. Nesse ponto a sequência soube fazer um bom malabarismo sem deixar tudo pedante ou forçado, a perspectiva do passado pelos olhos desse personagem se encaixa bem. Obviamente temos de volta Bette Midler, Kathy Najimy e Sarah Jessica Parker, que interpretam as Sanderson. Com exceção de Midler, nota-se um pouco de demora para que elas consigam engatar no ritmo de suas personagens, que têm características bem marcantes de atitude e personalidade, mas no decorrer do longa vão se encaixando melhor e trazendo à tela a reprise do que fizeram anos antes. Uma boa surpresa se dá no início do filme, quando ele volta no tempo nos mostrando pela primeira vez a infância das três irmãs, mais de 300 anos antes, em Salém. Taylor Henderson, intérprete da Winnie jovem, entrega uma atuação muito convincente da personagem de Midler, ela replica com perfeição as entonações e trejeitos que a irmã mais velha carrega. Apesar da era digital, ele se mantém com os pés nos efeitos práticos, algo que marcou seu antecessor, e continua funcionando muito bem nesse, claro que ele faz uso de CGI em momentos estratégicos, e o conjunto da obra se encaixa bem. O visual de cidade pequena também continua bem encaixado, e ele utiliza bem os espaços a seu favor. O roteiro não é nenhuma obra-prima e nem se esperava que fosse, mas o filme brinca com a própria história, faz uso adequado da nostalgia e remonta uma nova visão sobre as três bruxas numa perspectiva de mundo contemporâneo. As entradas e aparições das Sanderson continuam marcantes, e a aquisição de nomes como Hannah Waddingham (Ted Lasso) e Tony Hale (Veep) traz um up para o longa. Apesar de uma participação mais rápida, Waddingham traz uma personagem que foi responsável por iniciar as três irmãs na magia, e por mais que não tenha aparecido no original, sua inserção na trama foi bastante adequada e ajudou a sequência a se desenrolar por caminhos que não pensaríamos. Hale traz um personagem que combina com seu tipo de humor, para quem já o conhece desde Arrested Development, é nítida a sua facilidade para o cômico. Também é válido mencionar o retorno de BIlly Butcherson, personagem secundário irreverente, interpretado pelo brilhante Doug Jones, que ao longo dos anos esteve por trás de diversos outros personagens, como o Fauno e o Homem Pálido de ‘O Labirinto do Fauno’, o surfista prateado do Quarteto Fantástico, a criatura de ‘A forma da água’, e por aí vai. Por fim, foi ótimo vivenciar esse novo capítulo da história das Irmãs Sanderson, que tiveram a chance de serem reinventadas mantendo sua essência. O filme é uma boa sequência, mas também funciona de forma isolada. Conseguiram trazer nostalgia com respeito a uma história já criada e reescreveram a trama de forma que se encaixasse na contemporaneidade. Nota: 3,5/5
- Crítica | Minha Melhor Amiga
Comédia aposta no carisma da dupla protagonista e em boas mensagens sobre amor próprio. Imagem: Divulgação Minha Melhor Amiga chega aos cinemas brasileiros no dia 3 de setembro com uma proposta bastante conhecida, mas que encontra força principalmente no carisma de suas protagonistas. Dirigido por Susana Garcia, o longa é estrelado por Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, que interpretam Clara e Júlia, duas amigas de longa data que precisam lidar com uma nova fase da vida depois que suas filhas, Manu (Giulia Benite) e Isadora (Gabi Amaral), viajam para Portugal para um intercâmbio. Com a casa vazia, as frustrações profissionais e os relacionamentos atravessando momentos complicados, as duas decidem embarcar para a Europa. O que deveria ser apenas uma viagem para reencontrar as filhas e viver algumas novas experiências acaba se transformando em uma jornada de descobertas, perrengues e revelações que faz as duas repensarem a própria vida e, principalmente, a força da amizade entre elas. Não há exatamente uma grande novidade na estrutura de Minha Melhor Amiga. É uma comédia bastante protocolar, que segue caminhos conhecidos e aposta em situações que o público do gênero já sabe reconhecer. Só que, dentro dessa proposta, o filme funciona. E muito disso acontece graças à química entre Ingrid Guimarães e Mônica Martelli. As duas protagonistas têm uma sintonia muito evidente em cena. Existe uma naturalidade na maneira como Clara e Júlia se relacionam que faz a amizade parecer verdadeira, e isso acaba sendo mais importante do que a própria previsibilidade do roteiro. Ingrid e Mônica também demonstram muito talento individualmente, sabendo equilibrar humor e momentos mais emocionais sem deixar que suas personagens se tornem caricaturas. É justamente nessa relação que o filme encontra seu maior coração. Embora utilize elementos bastante associados às comédias românticas, Minha Melhor Amiga não coloca o romance como centro absoluto da realização de suas protagonistas. Pelo contrário: há uma preocupação interessante em falar sobre amor próprio, amadurecimento, liberdade e sobre a necessidade de se reencontrar enquanto indivíduo. E essa talvez seja uma das melhores coisas do longa. Por trás das situações engraçadas e dos problemas enfrentados pelas personagens, existe uma mensagem bonita sobre entender que a vida não termina quando os filhos crescem ou quando um relacionamento chega ao fim. A felicidade pode estar na amizade, nas novas experiências e na capacidade de descobrir quem somos quando deixamos de viver apenas em função dos outros. Susana Garcia conduz tudo com segurança e demonstra conhecer muito bem o tipo de cinema que está fazendo. A diretora, que também comandou Minha Vida em Marte, Minha Mãe é Uma Peça 3 e Minha Irmã e Eu, mantém aqui o equilíbrio entre comédia e emoção que marca parte de sua filmografia. E para quem acompanha esse universo, existe ainda um carinho especial: Minha Melhor Amiga presta uma bela homenagem a Minha Vida em Marte, criando uma conexão que deve funcionar especialmente bem para quem já tem uma relação afetiva com o filme anterior e com o ator Paulo Gustavo. Imagem: Divulgação O problema está principalmente na duração. Com cerca de duas horas de filme, Minha Melhor Amiga se alonga demais na segunda metade. Algumas situações poderiam ser resolvidas com mais agilidade, e o roteiro insiste em determinados conflitos por mais tempo do que o necessário. O resultado é uma parte final que perde um pouco do ritmo e faz a experiência ficar mais cansativa do que deveria. Ainda assim, isso não chega a comprometer o conjunto. Minha Melhor Amiga sabe exatamente qual público quer alcançar e tem grandes chances de agradar bastante quem já é fiel consumidor desse tipo de comédia nacional. É um filme leve, acessível, divertido e que consegue acrescentar mensagens importantes sobre amizade e amor próprio à sua fórmula. Não é uma produção que pretende reinventar o gênero, mas também não precisa ser. Minha Melhor Amiga é um filme bom dentro da sua proposta, sustentado por duas protagonistas excelentes e por uma química que faz toda a diferença. Para quem procura uma comédia gostosa de assistir, com humor, emoção e uma boa dose de carinho pela amizade feminina, a viagem de Clara e Júlia tem boas chances de funcionar. Nota: 3/5












