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Crítica | Hungria: A Escolha de um Sonho

  • Foto do escritor: Gabriella Ferreira
    Gabriella Ferreira
  • há 9 horas
  • 2 min de leitura

Em meio à febre das cinebiografias musicais, filme aposta em uma narrativa íntima e brasileira.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Em meio à nova onda de cinebiografias que tomou conta das telas do cinema mundial, chega agora aos cinemas brasileiros, nesta quinta-feira (7), Hungria: A Escolha de um Sonho. E existe algo particularmente interessante em ver histórias de artistas brasileiros também ocupando esse espaço, especialmente em um momento em que produções do gênero seguem movimentando público e bilheterias ao redor do mundo.


Antes da sessão, eu pouco sabia sobre Hungria e sua trajetória. Conhecia o nome, algumas músicas soltas, mas não a dimensão da caminhada que o levou até o sucesso. Talvez justamente por isso o filme funcione melhor quando mergulha na história de superação do artista: a adolescência difícil, os obstáculos financeiros, os conflitos familiares e a tentativa constante de transformar a própria realidade através da música.


Existe sinceridade nessa construção. O longa claramente quer aproximar o espectador do homem por trás do palco, e consegue em alguns momentos bastante honestos. O problema é que o filme demora demais para encontrar seu próprio ritmo. Há uma sensação constante de preparação, como se a narrativa estivesse o tempo inteiro “chegando” ao ponto principal. E quando finalmente engrena, quando parece descobrir o tom emocional que deveria ter sustentado toda a obra, o filme já está praticamente acabando.


Ainda assim, o elenco sustenta boa parte da experiência. O protagonista Gabriel Santana entrega uma atuação competente e segura, especialmente nas cenas mais íntimas, onde o filme abandona a grandiosidade típica das cinebiografias e se concentra apenas nas fragilidades do personagem. O trabalho de som também chama atenção de maneira positiva, principalmente na integração das músicas com a construção emocional das cenas e dos momentos de ascensão artística.

Imagem: Divulgação
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E é impossível não pensar na inevitável comparação com Michael, que estreia em um contexto muito próximo e segue cercado de atenção nas bilheterias e entre fãs. Embora sejam artistas completamente diferentes, os dois filmes parecem compartilhar um mesmo problema: ambos até reconhecem que seus protagonistas possuem falhas, mas nunca permitem que essas falhas realmente confrontem a imagem construída sobre eles. Existe sempre uma tentativa de colocá-los em um lugar de inocência, injustiça ou incompreensão.


No fim, o resultado acaba sendo parecido. São filmes que funcionam melhor como celebração afetiva do que necessariamente como retratos complexos de seus personagens. E talvez isso não seja exatamente um defeito para quem já chega emocionalmente conectado à figura retratada.


Se Michael é uma obra que conversa diretamente com os fãs do Rei do Pop, Hungria: A Escolha de um Sonho certamente deve encontrar força justamente entre aqueles que acompanham o artista há anos. Para quem conhece pouco sobre sua trajetória, fica um retrato honesto e emocionalmente acessível, ainda que um pouco apressado justamente quando finalmente encontra sua melhor versão.


Nota: 2.5/5


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