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- Crítica | Um Ano Inesquecível: Inverno
Terceiro longa da franquia se distancia dos seus antecessores, trazendo história mais dramática e menos original. Foto: Divulgação Sendo o terceiro filme da franquia adolescente do Prime Video, Um Ano Inesquecível: Inverno chegou ao streaming na última semana. Baseado no conto ‘Deixe a Neve Cair’ da escritora Paula Pimenta, o longa acompanha Mabel (Maitê Padilha), uma garota que quer passar os últimos momentos antes da formatura viajando com as melhores amigas, porém, a jovem é surpreendida com uma viagem em família para o Chile na mesma época. No local, Mabel descobre um concurso literário e decide se dedicar a isso, mas não sabe que história contar. Quando a jovem observa uma movimentação suspeita na floresta e descobre que alguns jovens da estação de esqui se reúnem dentro de uma caverna no meio da noite, ela decide contar esta história e se aproxima do grupo. A partir daí, Mabel vê sua vida mudar completamente. Com direção de Caroline Fioratti e roteiro assinado por Ângela Fabri, a história de Um Ano Inesquecível: Inverno teve grandes modificações do seu material original e transformou uma leve trama de romance bem juvenil na adaptação de tom mais dramático, até agora, da franquia. É possível identificar um estilo bem similar do filme com histórias coming of age de sucesso americanas. Mabel é uma adolescente repleta de incertezas e é a protagonista mais vulnerável dentre as três já assistidas pelo público. Ela tem dúvidas sobre quem é de verdade e vive aquele momento de difícil convivência com as regras impostas pelos pais. A protagonista encontra apoio em um grupo de amigos disfuncionais que vivem seus próprios dramas acerca do luto, aceitação e amor-próprio. Foto: Divulgação Com uma estética bonita e interessante, misturando os tons frios do inverno com uma fotografia que usa muito bem a água em seus vários estados, o filme homenageia claramente Sociedade dos Poetas Mortos em diversos pontos da narrativa. As atuações neste filme funcionam muito bem e são o seu ponto alto. Maitê Padilha é uma atriz muito competente, assim como Michael Joelsas. Os dois juntos estão muito bem em cena. Porém, em Um Ano Inesquecível: Inverno, as motivações dos personagens parecem pouco autênticas e as reações totalmente desproporcionais. A representação que o longa propõe é importante, mas não parece se encaixar com a proposta do roteiro, que se leva a sério demais em alguns momentos, enfiando cenas bonitas, mas meio desconexas com a história como um todo onde parece que coisas simples são tratadas com uma seriedade excessiva e coisas mais complexas são abordadas de forma banal. O filme não é ruim, mas se torna esquecível, por conta desses problemas narrativos muito presentes. Além disso, a franquia Um Ano Inesquecível se diferenciava de outros filmes do gênero por trazer uma brasilidade forte em histórias clichês. Inverno perde isso ao fazer com que a trama se passe em outro país. E, mesmo com protagonistas e personagens brasileiros, faltou a centralidade merecida que as histórias estavam contando pelos quatro cantos do Brasil. E isso faz com que esse terceiro longa tenha uma identidade menos própria que os outros da franquia, além de ter a proposta menos original. A franquia se encerra nesta sexta-feira, 23, com Um Ano Inesquecível: Primavera baseado no conto da escritora Bruna Vieira. Nota: 3/5
- Crítica | O Urso Do Pó Branco
A lisérgica comédia-slasher de Elizabeth Banks diverte mais do que assusta Foto: Divulgação Imagine como seria trabalhoso seguir todos os passos de um grande narcotraficante nos anos 80 sem dispor dos mecanismos tecnológicos que hoje são parte do nosso dia a dia. Nada de nanochips, ou geolocalização simultânea, nem pensar em triangulação de sinais e esqueça os números de IP, ou IMEI, nada disto. Então você também consegue imaginar o tamanho do êxito que seria interceptar uma grande carga de cocaína nestes termos, correto? Exceto que, especificamente, esta interceptação se deu de modo mais… digestivo. E, não, você não entendeu errado. Pareceu absurdo ou fictício demais? Mas não é. O urso do pó branco existiu, só foi menos lisérgico e sangrento. Enquanto o urso da história real teve seu fim trágico horas ou dias, vai saber?, depois de ter se empanturrado de cocaína, a mamífero-protagonista de Elizabeth Banks — “Ela. A vagina dela está no meu ombro!” — começa sua jornada partindo do mesmo marco zero: A queda real do helicóptero em que o contrabandista Andrew Thornton morre, não ironicamente (valeu, twitter!) por ter tropeçado antes de abrir o paraquedas e batido com a cabeça. Já aterrissou em outro plano espiritual. Um casal super simpático com nome de personagem da Disney (Elsa e Olaf/Kristoff) é o primeiro alvo que a nossa macro-querida enxerga, numa cena inicial que arranca umas risadinhas até de quem ainda não está muito convencido pelo absurdo da ursa-cheiradora-de-pó. Foto: Divulgação O longa apresenta, progressivamente, os outros personagens como peças de um quebra-cabeças simples e que garantem uma boa diversão. Não são muitas as pessoas envolvidas, e o plano de fundo de suas histórias são compreensíveis, suas motivações são claras. Alguns têm subtemas maiores, como o filho do traficante Syd White, Eddie, interpretado por Alden Ehrenreich, cuja angústia cômica de não querer mais pertencer à vida criminosa, em meio ao luto de sua companheira, Joan, se envolve ao fio principal da trama: recuperar os 14 milhões de dólares em cocaína perdidos na floresta. Syd White este, que é fictício e interpretado pelo saudoso Ray Liotta em um de seus últimos trabalhos. Elizabeth Banks sempre traz em seus filmes figuras femininas fortes, e neste filme temos a mãe-herói Keri Russell que vai em busca de sua filha Dee Dee e encontra com o garotinho Henry (Christian Convery, o Gus de Sweet Tooth da Netflix), que, me permitam todos os clichês, roubam a cena com um carisma enorme e tom cômico como a gente gosta de ver: a autenticidade da criança sendo criança, achando que sabe de tudo e fazendo merda: 10/10. Uma participação bem-vinda foi a de Scott Seiss, que de nome você talvez não se lembre, mas o reconheça dos tik-toks do “Angry Retail Guy” que viralizaram. Foto: Divulgação A comédia-slasher-mais-comédia-do-que-slasher tem seus momentos sangrentos que acabam arrancando risadas também. Quando a história caminha para o ato final, que conclui a narrativa (aquele, no ponto central da cachoeira), pareceu uma resolução um tanto desconjuntada, mas que se recupera ao finalizar de modo afetuoso, deixando a dádiva da segunda chance para os personagens que permaneceram após o massacre. Desde antes da pandemia de COVID, minhas idas ao cinema rarearam por diversos fatores: a praticidade do streaming no conforto de casa, o valor acessível que faz frente aos preços impraticáveis dos ingressos, às vezes os filmes em cartaz não empolgam… A gama de — aviso que vale a redundância — justas justificativas é imensa. Sou adepta do streaming pelos motivos que listei. Mas é compreensível que se escute por aí que filmes foram feitos para serem experienciados no cinema. Há essa curiosa sensação de comunidade que se faz quando se compartilham risadas, silêncios e comentários. O urso do pó branco é um destes filmes que não são obra-prima, mas que garante a experiência da comunhão despretensiosa do cinema. E que bom que se pode ser assim. Nota: 3,5/5
- Crítica | Sharper - Uma Vida De Trapaças
As muitas camadas de um golpe Foto: Divulgação Filmes sobre golpistas muitas vezes dependem do quão bem você é capaz de enganar seu público junto com os personagens a quem esses golpistas querem trapacear. Por isso, não raramente são obras calcadas em plot twists pelos quais vivem e morrem, visto que a aceitação desses plot twists por parte do público é que determinam se a obra será bem-sucedida ou não. Dito isso, Sharper - Uma Vida De Trapaças é uma produção inicialmente convincente pela estrutura que adota, sendo dividido em blocos que trabalham o ponto de vista de cada um dos quatro personagens principais e a intrincada teia de intrigas, golpes e traições que os unem. É até difícil detalhar como esses protagonistas - a saber: Tom (Justice Smith), Sandra (Brianna Middleton), Max (Sebastian Stan) e Madeline (Juliane Moore) - se relacionam, já que parte do charme do filme em seus dois primeiros atos é justamente entender as gradativas conexões que surgem entre eles, conforme cada bloco dedicado ao ponto de vista de um deles expõe novas informações necessárias à compreensão da trama. Para isso o filme adota uma estrutura ligeiramente não-linear que visa se pagar nos quarenta minutos finais, conforme as decisões tomadas por eles convergem para o clímax. Esse quarteto principal - mais John Lightgow, que vive um bilionário - tem cada um o seu momento de brilhar. Smith confere a ingenuidade e vulnerabilidade necessárias para seu personagem, que o colocam na base da pirâmide desse esquema, enquanto Middleton interpreta a personagem mais multifacetada e imprevisível. Mas são Stan e Moore quem brilham mais: ele parece cada vez mais confortável em papéis vilanescos e ela, é claro, rouba a cena como sempre. Os enquadramentos e usos de cores e sombras reforçam a ambiguidade dos personagens, enquanto a montagem permite que cada bloco flua naturalmente durante a primeira metade da obra. Foto: Divulgação Infelizmente, para um filme que pretende funcionar como uma boneca russa, Sharper - Uma Vida De Trapaças não demora a esgotar seus recursos, e isso fica ainda mais evidente a partir do bloco de Madeline (a despeito da ótima atuação de Moore). O ato final soa extremamente corrido conforme tenta resolver o emaranhado deixado pelos anteriores, e pior: tudo parece extremamente previsível, de modo que a grande reviravolta final pode ser telegrafada há quilômetros. Para um filme desse gênero, isso é imperdoável. No fim, Sharper - Uma Vida De Trapaças se beneficia do seu elenco, do ritmo cadenciado dos seus dois primeiros terços e da estrutura que nos permite aprender mais a cada personagem trazido como ponto de vista. Mas o resultado final, apesar da premissa interessante, é morno e previsível, de modo que não há muito aqui que possa se distinguir do que já vimos em tantas outras obras sobre golpistas. Nota: 3/5
- Crítica | Chucky (2ª temporada)
possível se livrar do brinquedo assassino Divulgação: Syfy/USA Network Sendo uma agradável surpresa de 2021
- Crítica | Shantaram (1ª temporada)
História interessante e personagens complexos mal aproveitados em execução tediosa Divulgação: Apple TV+ Há algo de atraente em acompanhar histórias de protagonistas que estão tentando de alguma forma fugir dos seus passados, nem que precisem atravessar o mundo para isso. De 'Casablanca' à recente 'Tokyo Vice', não são raras as obras centradas em expatriados de personalidades complexas e anti-heróicas. 'Shantaram' busca se juntar a esse panteão, adaptando o livro homônimo de Gregory David Roberts e trazendo Charlie Hunnam como seu alter ego, um criminoso australiano que escapa da prisão para refazer sua vida na Índia. Hunnam é hábil em construir personagens que passam longe de serem mocinhos, mas carregam alguma centelha de bondade dentro de si, como seu sucesso em 'Sons of Anarchy' atestou. Mesmo quando vemos seu Lin Ford escapar da prisão ou os flashbacks que explicam como ele foi parar lá, ainda de forma torcemos por ele. Entretanto, mesmo com as falhas e erros cometidos pelo personagem (e que o humanizam), a narrativa não resiste a colocá-lo como uma espécie de “white savior”, caindo na armadilha dos tropos de exotismo a partir do momento em que Lin se mistura aos marginalizados e o submundo do crime de Mumbai (aqui ainda chamada de Bombaim, já que a série se passa nos anos 80). Esse apelo ao exotismo e à estereotipação só não é levado mais à frente porque os personagens apresentados, entre indianos e outros expatriados, possuem vida própria e são o grande forte da série. Do fiel escudeiro Prabhu (Shubham Saraf) à misteriosa e atraente Karla (Antonia Desplat), passando pelo carismático Didier (Vincent Perez), o enigmático chefão do crime Abdel Khader Khan (Alexander Siddig) e seu braço direito Abdullah (Fayssal Bazzi), 'Shantaram' povoa seu universo com personagens de moralidade cinzenta e aprofunda as ligações entre eles, mesmo obedecendo a certos clichês, especialmente os dos filmes noir (Karla é a femme fatale, Didier é o homem sem lealdade definida que conduz um café que parece a versão bombaíta do Rick’s Café de 'Casablanca', etc.). Divulgação: Apple TV+ É uma pena, portanto, que personagens tão cativantes sejam mal aproveitados numa narrativa tão lenta que beira o tedioso. Ao fim dos 12 episódios, não há justificativa razoável que explique a necessidade de se alongar tanto a temporada, e o que se vê é um esvaziamento da sua proposta. Como exemplo, tem-se as constantes tentativas de Lin de fugir de Bombaim, que depois de um tempo perdem qualquer nuance dramática para se tornarem apenas risíveis, assim como a sua desnecessária narração em off e os diálogos (nada sutis) sobre livre arbítrio e destino. É uma falsa profundidade conferida à série, e que não ajudam a evitar que nosso interesse nesses personagens e arcos diminua episódio após episódio. Ao menos a série consegue reverter seus sérios problemas de ritmo com uma reta final onde todos os núcleos são eficazmente convergidos para uma crescente narrativa e um clímax (relativamente) satisfatório. Infelizmente, o que poderia ser um final fechado e decente acaba se convertendo nos últimos minutos em desnecessários ganchos e pontas soltas - e que nunca serão amarradas, já que o anúncio de cancelamento veio junto com o último episódio. Não posso dizer que não entendo. Há uma frustração particular em ver obras de grande potencial e com certos méritos se perder por causa de escolhas narrativas que poderiam ter sido evitadas ou contornadas, e esse é o caso de 'Shantaram', que se encerra deixando um sabor tépido em nossa boca. Nota: 2,5/5
- Crítica | Blockbuster (1ª temporada)
Sitcom sobre a última locadora Blockbuster é, no máximo, simpática e não consegue surpreender em nada Divulgação: Netflix Sitcoms são séries incrivelmente populares e que possuem muito espaço na televisão e nos streamings principalmente por serem divertidas, leves e descontraídas. Nesse cenário, novos estilos - alguns mais ousados que outros - que apostam em novos formatos e narrativas surgiram nos últimos anos, como é o caso de The Good Place e Unbreakable Kimmy Schmidt. Contudo, o novo lançamento da Netflix continua com aquele clássico estilo usado por vários títulos dos anos 2010, como Modern Family e Brooklyn Nine-Nine, e isso poderia ser ótimo se não fosse o fato do roteiro e dos personagens serem tão medíocres e sem graça a ponto de deixarem a história desinteressante. Acompanhamos Timmy (Randall Park), que trabalha na locadora Blockbuster desde o ensino médio, e logo após o fechamento de todas as lojas da franquia passa a ser o dono da última unidade. Timmy e seus funcionários - entre eles Eliza (Melissa Fumero), sua paixão de longa data - lutam para permanecer relevantes em uma era dominada por serviços de streamings. Para isso, ele insiste veementemente e defende que grandes corporações são deficientes em proporcionar a conexão humana necessária a todos, e somente essas lojas são capazes disso, já que ao ir na locadora escolher um filme os clientes irão interagir e ouvir as recomendações dos funcionários da loja. Diferentemente de outras séries da mesma criadora, aqui Vanessa Ramos (escritora e produtora de Superstore e Brooklyn Nine-Nine) cria uma história arrastada, sem propósito, que quase não tem humor e não te prende logo na primeira temporada. É uma comédia que alguns anos atrás talvez agradasse mais, pois bastava seguir a tradicional fórmula e apresentar algumas poucas piadas sem graça durante os trinta minutos de episódio e ali garantiria uma boa série. Hoje, porém, isso não é o suficiente para conquistar o público. A ironia de ter sido produzida e lançada pela Netflix, que foi a precursora nos serviços de streaming e principal responsável por acabar com as locadoras é, no mínimo, interessante e sagaz, e em alguns momentos dão origem a algumas piadas sobre o assunto que até são legais, mas não sustentam o roteiro como um todo. Dito isso, logo no primeiro episódio é mostrado o tom que a trama seguirá e para muitos pode desagradar logo ali. Ainda assim, assisti a temporada inteira esperando a virada de chave e a evolução dos personagens, mas isso não aconteceu. Divulgação: Netflix Os atores são bons, mas o roteiro não os fazem brilhar. Os dois protagonistas se destacam entre os outros, porém, não são personagens com os quais você ficará apegado. Além disso, é evidente que eles possuem elementos de outros ótimos personagens principais já vistos em produções anteriores da criadora, principalmente do Jonah de Superstore e Jake de Broklyn Nine-Nine. Entretanto, em Blockbuster eles não conseguem ser carismáticos a ponto de elevar o nível e qualidade da história, ou até mesmo de te deixar vidrado e curioso com o que acontecerá, como era o que acontecia em B99 ao acompanhar a jornada e evolução de Jake Peralta ou Amy Santiago. No quesito humor, várias piadas que envolvem metalinguagem e o universo cinematográfico e televisivo são jogadas a todo momento durante os diálogos, e mesmo que eu ame piadas e joguinhos de palavras que envolvam o tema, o modo como é feito aqui é extremamente cansativo. Sinto que a cada cinco minutos - ou menos - uma citação dessas aparece, muitas vezes sem contexto nenhum, somente é jogada ali suplicando pela nostalgia na tentativa de cativar o público, mas isso não se concretiza. Na teoria é muito bom, na prática, porém, é um desperdício de potencial. Por fim, em um mercado saturado e repleto de sitcoms, fica evidente que a nova produção da Netflix busca espaço e destaque apostando em um bom elenco e uma equipe de roteiristas já conhecida de outras séries famosas, mas se perde ao apresentar uma história com uma boa premissa, porém com desenvolvimento bastante simples, superficial, que não se arrisca e até é chata em alguns momentos. Não bastasse isso, tenta apelar para a nostalgia, que claramente não funciona, além de não apresentar nada de especial e memorável. Arrisco dizer que provavelmente passará despercebida por muitos. Nota: 2/5
- Crítica | Wandinha (1ª temporada)
Jenna Ortega prova mais uma vez que é uma das melhores jovens atrizes da atualidade Divulgação: Netflix Lançada nesta quarta-feira, 23, a série "Wandinha" da Netflix tem como seu principal objetivo restaurar uma personagem clássica no imaginário cultural da nova geração e agradar aqueles já familiarizados com a história da família Adams. A série original, inspirada em cartoons que saiam em jornais e revistas, foi ao ar entre 1964 a 1966 e deixou uma marca pouco antes vista dentro da indústria da cultura popular. É difícil alguém não conhecer Gomez, Morticia e todo o clã Adams e foi segurando um legado que envolve videogames e um filme extremamente bem sucedido em 1991 que a Netflix resolve apostar na já bem sucedida história. A aposta de "Wandinha" ser o mais novo sucesso da plataforma está nas mãos dos roteiristas Miles Millar e Alfred Gough com a direção de Tim Burton. A presença do diretor aclamado dita bem o tom da produção desde o seu início e é um chamariz para os fãs das produções góticas do cineasta. No elenco, o streaming também traz boas fichas que prometem atrair o público. Sua protagonista é interpretada por Jenna Ortega, atual fenômeno do terror moderno, que sempre apresenta boas e surpreendentes atuações e em "Wandinha" isso não foi diferente. Jenna é a encarnação de Wandinha e é ela que torna assistir os oito episódios da série algo extremamente prazeroso. Ela acerta no tom em uma personagem que é completamente fora do padrão de protagonistas de séries juvenis. Sua personalidade mórbida e fechada, esconde por trás uma adolescente como qualquer outra, que sente dificuldade em encontrar o seu lugar no mundo e que passa por problemas com os pais e com situações rotineiras da adolescência (como o primeiro amor). Divulgação: Netflix Além da excelente performance de Jenna, Gwendoline Christie também está maravilhosa como a diretora da "Nevermore Academy" e Catherine Zeta-Jones e Luis Guzmán são ótimas novas versões de Morticia e Gomez. Outro destaque é Christina Ricci (interprete de Wandinha no filme de 91) como uma das professoras da Academia. Sua presença tem um "quê" de nostalgia e também traz uma oportunidade de rever uma atriz tão talentosa em um papel cômico e divertido. Narrativamente falando, a história de "Wandinha" é similar a de outras séries juvenis com personagens singulares. Por conta da suas ações violentas, a jovem é mandada para uma academia repleta de alunos problemáticos e precisa lidar com um mistério que assola além dos muros da escola. O plot não surpreende, mas é consistente e segura muito bem sua trama durante os oito episódios. A nova fórmula pode não agradar aqueles que esperavam ver os valores da família Adams nas telas, mas, "Wandinha" consegue entender bem o seu público-alvo e entrega uma história que é puro entretenimento e que deverá angariar novos fãs para personagem e deixa uma mensagem extremamente positiva para os mais novos de como crescer em um mundo que te considera diferente. Nota: 4/5
- Crítica | Os Roses: Até Que a Morte os Separe
Nova adaptação traz cinismo mais sutil e aposta na “inversão de papéis” para a receita do caos. Divulgação Os Roses: Até Que a Morte Os Separe acompanha a vida perfeita do casal Ivy (Olivia Colman) e Theo (Benedict Cumberbatch). Tudo parece extraordinário: Ivy é uma bem-sucedida chef de cozinha com seu próprio restaurante, Theo é um arquiteto renomado, o casamento dos dois é repleto de amor e carinho e seus dois filhos são maravilhosos. Um contratempo, porém, acaba desembocando num conjunto de ressentimentos e competição que acaba com essa fachada de família de margarina e vida ideal. É assim que a tempestade perfeita se forma e uma bomba cheia de mágoas escondidas, implicâncias em público e disputas ferozes se prepara para explodir. A nova adaptação do romance de 1981 que aborda o desgaste de um casamento em frente a interesses conflitantes, papéis de gênero e capitalismo tardio atualiza muito bem todas estas questões com organicidade, bem encaixados num texto esperto, do premiado escritor Tony McNamara, que não esquece do humor e que sabe amarrar bem suas motivações e desdobramentos sem esfregar na cara do espectador os detalhes das implicações. Alguém que não tenha assistido ao filme dos anos 80 ou lido o livro certamente vai achar natural que a esposa aqui seja a bem sucedida e o marido o “dono de casa”, sem perceber que esta é talvez a maior das mudanças do material original. Encontrar equilíbrio entre o romance, a comédia, o drama e a abordagem de tantos temas é um trabalho que facilmente poderia ruir, mas a direção experiente de Jay Roach consegue sustentar tudo isso com leveza. Divulgação A casa segue sendo um personagem importante na narrativa, e sua versão tecnológica também vestiu bem as necessidades criativas e cômicas dos confrontos entre o casal protagonista, refletindo as contradições entre juras de amor, poder e desejo de autonomia num mesmo lugar literal. Benedict Cumberbatch e Olivia Colman trabalham numa sintonia uníssona e souberam encontrar o mesmo tom tanto no humor quanto na tensão por vezes silenciosa. O elenco de apoio ajuda a desenvolver especialmente a via cômica do longa, mesmo achando que as situações da personagem de Kate McKinnon passem um pouco da proposta elaborada para todo o restante. A crescente narrativa ajuda a instigar o espectador e impulsiona o texto até literalmente o seu momento final. Jay Roach deixa o melhor para seu terceiro ato e vai soltando a compostura dos personagens e do roteiro devagar, mas de forma intensa, sem esquecer que por mais que aquele enredo esteja beirando o absurdo, ainda possui um casal de humanos com questões reais a serem trabalhadas e resolvidas, seja lá da forma que for acontecer. É um tipo de comédia estilo Nancy Meyers que não se acha mais e que o Globo de Ouro dos anos 2000 iria amar. Nota: 3,5/5
- Crítica | Cara de Um, Focinho de Outro
Um dos exemplos mais bem sucedidos é Zootopia (2016) que usou todas as características das “personalidades
- Crítica | It Was Just an Accident (TIFF 2025)
vez, com seu novo longa It Was Just an Accident, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2025
- Crítica | Seus Amigos e Vizinhos (1ª temporada)
A 1ª temporada tem nove episódios, dos quais o Apple TV+ nos disponibilizou sete para fazer a crítica
- Crítica | Carvão (TIFF 22)
Courtesy of TIFF Carvão mostra um cenário triste, mas realista no Brasil atual, com questões éticas e












