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Crítica | Cara de Um, Focinho de Outro

  • Foto do escritor: Ávila Oliveira
    Ávila Oliveira
  • há 7 horas
  • 2 min de leitura

Texto sagaz e bem-humorado emprega bem o uso de animais como alegorias sociais contemporâneas.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Em Cara de Um, Focinho de Outro (Hoppers), uma jovem apaixonada por animais descobre uma tecnologia capaz de transferir sua mente para o corpo de um castor robótico hiper-realista. Ao viver entre os animais, ela passa a compreender seus hábitos, medos e laços de amizade de uma forma totalmente nova. Quando uma ameaça coloca o habitat da floresta em risco, ela precisará unir humanos e animais para impedir a destruição. 


Poucas coisas me deixam tão satisfeito quanto uma animação que escolhe abordar antropomorfismo, através de qualquer que seja a abordagem, e acerta com precisão em todos os alvos que mirou. Um dos exemplos mais bem sucedidos é Zootopia (2016) que usou todas as características das “personalidades animais” que crescemos ouvindo através de fábulas e contos do imaginário popular, e deu vida a um roteiro esperto, ágil e hilário.


Os temas enquadrados vão das lições de moral como empatia e conviver com as diferenças, até os temas sociais contemporâneos que é onde o texto se agiganta. Ecologia, especulação imobiliária, gentrificação, IA, status quo, micropoderes políticos… são tantas cutucadas bem encaixadas e que funcionam tão bem juntas, que passa a sensação que o espectador sempre deixou passar algum detalhe ou algum extra, o que não prejudica em nada a experiência, pelo contrário, o texto está sempre aguçando a atenção e o interesse de quem está assistindo.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Outro acerto do filme é ter encontrado com naturalidade o denominador comum sempre almejado por quase todos os longas de animação, que é conseguir contemplar e entreter diferentes públicos de diferentes faixas etárias. As referências são amplas o suficiente para conversar com quem cresceu vendo Avatar e entende rapidamente a discussão sobre invasão de território e transfusão de mente entre humanos e criaturas de laboratório, mas também funcionam para quem vive imerso na cultura digital dos emojis, das redes e das tecnologias que atravessam o cotidiano. A inteligência artificial não surge como mero enfeite futurista, ela está integrada ao conflito dramático e dialoga com os temas ambientais e sociais já citados.


Se há algo que me soa menos inspirado é o campo estético. Falta um certo requinte visual que se tornou marca registrada de produções da Disney + Pixar, uma identidade que salta aos olhos seja pela escolha de cores, pela textura dos cenários ou pela renderização impressionantemente absurda. O diretor exibe bem suas escolhas baseadas em animações asiáticas, especialmente nas expressões corporais dos personagens e nas sequências de ação mais aceleradas, mas o conjunto nem sempre encontra um equilíbrio que consolide um traço próprio em meio a tantas referências já conhecidas. Ainda assim, reconheço que essa observação talvez seja apenas o rigor de quem se acostumou a tomar a estética como parâmetro fundamental em um certo padrão de animação. Pode até soar como preciosismo meu, porque em nada apaga o humor afiado, a emoção e a inteligência presentes no longa.


Nota: 4/5


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