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  • Crítica | De Volta Aos 15 (2ª temporada)

    Série mantém qualidade do primeiro ano e entrega uma nostalgia sentimentalista bem-feita dos anos 2000 Foto: Divulgação Pouco mais de um ano depois da estreia da sua primeira temporada, a série brasileira De Volta aos Quinze lançou a segunda leva de episódios nesta semana. Baseada em no livro da escritora Bruna Vieira, a série conta a história de Anita que aos 30 anos, é uma jovem infeliz com os rumos da sua própria vida. Quando encontra o primeiro blog que criou, aos 15 anos de idade, a jovem acaba voltando no tempo e tentando consertar a vida das pessoas que ama, Anita acaba alterando o futuro dos seus entes queridos. Assim como na primeira temporada, a série caiu na mão de roteiristas, produtores e diretores que se preocuparam em modernizar o conteúdo do livro e elevaram o nível de uma história adolescente que parece bobinha à primeira vista. Na trama, lidamos com conteúdos maduros e necessários para jovens de uma forma onde eles são tratados com inteligência. De Volta aos Quinze me lembra um pouco ‘Eu…Nunca’ nesse sentido, mas com menos piadas e mais idas e vindas no tempo. Seguindo do mesmo ponto onde a primeira temporada foi finalizada, vemos uma protagonista agora mais madura depois dos acontecimentos anteriores. Agora, Anitta não viaja no tempo sozinha e divide essa responsabilidade em alterar o futuro com o amigo (às vezes namorado) Joel. Essa dinâmica entre os dois ficou extremamente divertida e trouxe uma camada a mais à essa aventura vivida por eles. Por falar no romance, é incrível também como a trama amarra bem os seus protagonistas e pretendentes de Anita, assim como ela, é difícil escolher quem combina mais com ela. Foto: Divulgação Outra coisa positiva da série é o seu elenco. Tanto suas versões jovens, quanto as versões adultas são muito cativantes e se complementam bem. Elogiei na primeira temporada e volto a elogiar Maísa e Camila Queiroz que se transformam nessa protagonista de forma que conseguimos até notar semelhanças físicas entre elas. As duas, que por si só, já entregam uma boa performance, juntas abrilhantam De Volta aos Quinze. Mas elas não são as únicas. Klara Castanho, Amanda Azevedo e Nila também são ótimas, assim como todo o resto do elenco e se destacam em cenas pontuais durante a temporada. Destaco, em especial, um dos episódios mais bonitos que assisti recentemente. Na trama, a jovem sempre acabava perdendo seu pai e mesmo que tentasse modificar o futuro, esse evento era o que se repetia. Em uma linda despedida entre os dois, ao som de Titãs, De Volta aos Quinze proporciona um momento muito genuíno e bonito, com uma belíssima atuação de Maísa e Camila, mais uma vez. Com uma trilha sonora que trabalha muito bem essa sensação de nostalgia dos anos 2000, seis episódios passam rápido demais para uma produção tão legal e divertida de assistir. Como é bom ter séries nacionais como essa sendo produzidas. Leves, importantes, que funcionam para adolescentes e adultos na mesma medida e que nos encantam enquanto estamos assistindo. Espero não ter me despedido de Anita ainda. Nota: 4/5

  • Crítica | O Crime é Meu (Mon Crime)

    Nova comédia de François Ozon é a mistura perfeita entre o doce e o maquiavélico Foto: Divulgação Imagine que você esteve na casa de um famoso produtor e, horas depois da sua partida, esse mesmo homem é encontrado morto, com uma bala em seu crânio. Logo mais, a investigação pelo assassino começa e você é apontado como um dos suspeitos. A decisão mais lógica em uma situação como essa seria dar um depoimento para a polícia e esclarecer que a sua ida ao local do crime não teve qualquer ligação com o que aconteceu. Porém, com os motivos certos, talvez a decisão mais proveitosa seja simplesmente assumir a culpa pelo delito. Esse é o contexto em que o filme O Crime é Meu, dirigido pelo francês François Ozon, está inserido. A trama segue as duas amigas Madeleine Verdier (Nadia Tereszkiewicz) e Pauline Mauléon (Rebecca Marder), ambas sem dinheiro ou prosperidade em suas respectivas carreiras de atriz e advogada. Sendo assim, quando uma oportunidade de conquistar visibilidade e fama acaba caindo em suas mãos, Madeleine e Pauline precisarão de um crime para chamar de seu. Além de um roteiro esperto, divertido e caricato na medida certa, o longa nunca deixa o entusiasmo cessar. Conforme os minutos, o seu enredo vai ganhando forma e nos prendendo ainda mais na história de Madeleine e Pauline, intercalando o humor sarcástico com os vestígios do sexismo contemporâneo. Embora a história se passe nos anos 30, época em que as mulheres eram submetidas a modelos ainda mais transgressores de dominação masculina, sua narrativa consegue se manter atual e, acima de tudo, consciente de seus próprios excessos. Foto: Divulgação E por falar em excessos, uma marca palpável de ‘O Crime é Meu’ é a sua teatralidade, o que faz total sentido, já que o filme é baseado na peça homônima Mon Crime, de Louis Verneuil e Georges Berr. Por diversas vezes, o longa adota a postura de rebobinar acontecimentos passados, acompanhados de uma locução ao seu fundo, fazendo com que os próprios atores, enquanto personagens, estejam atuando também. É válido destacar que o charme e o encanto dessa comédia não se dá exclusivamente pelas personagens principais. Aqui, os coadjuvantes elevam o carisma da trama ao quadrado com as performances de alguns veteranos do cinema francês. Nomes como Fabrice Luchini, André Dussolier e a ilustre Isabelle Huppert, que simplesmente rouba a cena com a carismática Odette Chaumette, são peças fundamentais para garantir o que o espectador seja fisgado e conquistado. No mais, O Crime é Meu é uma comédia que está perfeitamente pronta para te divertir, ao passo que explora as grandes bizarrices do comportamento misógino e de uma sociedade obcecada pelo espetáculo. De fato, quando as mulheres são submetidas a circunstâncias discriminatórias, em um habitat em que os homens são obviamente menos inteligentes, a solução para um problema pode ser a mais excêntrica possível. Nota: 4,5/5

  • Crítica | Perry Mason (2ª temporada)

    Após um bom ano de estreia, a série volta melhor e mais focada Foto: Divulgação Tendo passado alguns meses do caso de Emily Dodson (Gayle Rankin), Perry (Matthew Rhys), agora oficialmente advogado, rejeita casos criminais. Quando o playboy Brooks McCutcheon (Tommy Dewey), filho do milionário Lydell McCutcheon (Paul Raci), é encontrado morto, os irmãos Mateo (Peter Mendoza) e Rafael Gallardo (Fabrizio Guido) são acusados do crime. Pobres e imigrantes, a família recorre a Perry para defendê-los e inicialmente ouvem uma recusa, até que Della (Juliet Rylance) o convence do contrário. Gosto bastante da 1ª temporada, mas várias coisas nela me incomodavam. Parecia um pouco bagunçada, com tramas espalhadas que nem sempre conversavam. A 2ª é muito mais centrada, desenvolvendo melhor seus personagens e o enredo principal sabia onde queria chegar desde o início, e ainda que não fosse exatamente surpreendente ou impctante, a história foi bem amarrada. É mais importante aqui o “como” e o “porquê” do que o choque do “quem”. Foto: Divulgação Mais focada no julgamento e nas cenas de tribunal, a temporada traz o Perry advogado que ele deveria ter sido desde o começo. Matthew Rhys, claro, está fantástico no papel, ajudando a desenvolver o personagem pessoal e profissionalmente, com um toque emotivo que só ele sabe dar. Ainda que não haja tantas cenas com seu filho, é perceptível o quanto ele é importante para Perry, por exemplo ou como ele tem dificuldade em confiar e se abrir para um novo interesse amoroso. Juliet Rylance se destaca também com sua Della, que vive um romance escondido com Anita (Jen Tullock), uma artista. A homofobia da época fazia com que elas não pudessem se assumir, e esse é um ponto crucial não só de desenvolvimento para Della, mas na conexão com a trama principal, quando há uma chantagem envolvida, sobre a qual não darei spoilers. A amizade dela com Perry e o respeito recíproco que eles têm é muito bonito e bem trabalhado. Paul (Chris Chalk) também ganha mais destaque, quando sua família é mostrada, e faz uma descoberta crucial sobre o caso em questão. A trama flui muito bem e a ambientação impecável da época ajuda muito na experiência imersiva. Há uma reviravolta no caso que leva a um dilema típico que advogados enfrentam, o qual eu curti muito a abordagem que o roteiro trouxe para a situação. Por isso citei acima que Perry se desenvolve tanto profissional quanto pessoalmente. Há outras figuras-chave envolvidas e o poder e o dinheiro são pontos centrais do desenrolar. Os oito episódios têm muito mais altos do que baixos, e normalmente alguns são melhores que outros, mas os pontos positivos se sobressaem e eu espero que haja uma nova temporada. Anseio pela nova aventura de Perry Mason e sua fiel escudeira Della Street. Nota: 4/5

  • Crítica | Olá, Amanhã! (1ª temporada)

    Um exuberante visual retrofuturista não salva a série da mediocridade Foto: Divulgação Quando era mais novo, tinha uma enorme fascinação pela cultura estadunidense dos EUA nos anos 50. Talvez fosse o impacto de assistir na infância o concerto 9012Live do Yes — onde as performances da banda eram intercaladas com vídeos, fotos e montagens de adoráveis famílias suburbanas cinquentistas. Claro, hoje sabemos que não foi um período nada idílico (e sim repleto de sexismo, racismo e paranoia anticomunista, tal qual hoje em dia), mas é inegável a marca que nos foi deixada de ser uma época que representou com perfeição o american dream em sua plenitude. No papel, Olá, Amanhã! parece querer satirizar esse “sonho americano”, adotando uma das vertentes mais icônicas da imagética cinquentista: a ficção científica produzida à época, onde víamos a colonização da Lua, foguetes cruzando os céus, robôs domésticos e muito mais. Essa abordagem retrofuturista se revela o grande diferencial e charme da série, que segue uma equipe de vendedores liderada pelo carismático Jack Billings (Billy Crudup) que convence as pessoas a comprarem lotes na Lua, mas que na verdade as enreda em um esquema criminoso. Parece interessante, não? E é... mas só no papel mesmo. Vamos começar pelo positivo: no que se refere aos quesitos técnicos, Olá, Amanhã! é um desbunde. O Apple TV+ não se faz rogado ao investir em suas séries, e aqui temos um mergulho imersivo nesse mundo retrofuturista tão convidativo. O design de produção da série é um show à parte, aliado aos figurinos, a trilha sonora “alienígena” e aos efeitos especiais que nos fazem sentir que essa realidade na qual passado e futuro se sobrepõe é perfeitamente possível. Foto: Divulgação Mas, por mais impressionante que seja a forma, ela não consegue nos fazer ignorar o fato de que não há muita substância a ser encontrada aqui. A premissa aparentemente cínica e satírica a respeito do “sonho americano” é logo descartada em prol de tramas clichês e que não parecem ir a lugar nenhum. No começo da série até ousei compará-la com Mad Men pela forma como parecia retratar o espírito de épocas tão similares, mas ao final tal comparação soa quase blasfema. Olá, Amanhã! não chega aos pés de Mad Men e, por melhor ator que Billy Crudup, seu Jack Billings não chega aos pés de Don Draper. Nem todo o charme que ele confere ao personagem pode salvá-lo da trama desinteressante e morna que lhe é conferida: suas tentativas de se reconectar com o filho Joey (Nicholas Podany) a base de mentiras não são suficientes para nos cativar, tampouco os míseros vislumbres de seu passado que nunca soam suficientes para justificar seus atos, de modo que ao final você torce para que ele seja pego em seu esquema ilegal, ao invés de torcer por ele ou pelo menos compreendê-lo. O restante dos personagens também não nos dá muito motivo para apreciá-los, em parte por causa de péssimas escolhas do roteiro, mas também porque as atuações nunca estão à altura dos seus intérpretes — mesmo com nomes como Hank Azaria, Alison Pill, Dagmara Domińczyk e Jacki Weaver no elenco —, sendo muitas vezes relegadas a performances caricatas; e nesse sentido, quem mais sofre com isso são Dewshane Williams e Susan Heyward como o insuportável casal Bert e Betty. Apenas Hanneefah Wood, no papel de Shirley, a braço direito de Jack, parece conferir algo mais à sua personagem, conferindo-lhe não apenas personalidade, mas também humanidade e complexidade. Apesar de todo o seu deslumbre visual e técnico, Olá, Amanhã! é uma série que se esgota assustadoramente rápido, escolhendo um caminho tão convencional e ordinário para sua narrativa que em nada justifica a ambientação retrofuturista escolhida. Aliás, esse caminho de contar histórias ordinárias não seria exatamente um problema se o roteiro e o elenco conferissem alguma vida a essas tramas e seus personagens, de modo que nem o gancho final é atraente o suficiente para nos querer voltar para uma segunda temporada. Infelizmente, há casos em que a forma não dá conta da (ausência de) substância, e Olá, Amanhã! é um dos mais flagrantes casos disso que vi nos últimos tempos. Nota: 2,5/5

  • Crítica | Querido Edward (1ª temporada)

    A série tem boas intenções, mas peca pelo excesso Foto: Divulgação Baseada no livro homônimo de Ann Napolitano, a série conta a história de Edward (Colin O’Brien), um menino de 12 anos que é o único sobrevivente de um acidente de avião. Enquanto ele e outras pessoas afetadas pela tragédia tentam entender o que aconteceu, amizades, romances e conexões são formadas pelo grupo de enlutados que passa a se reunir para que tentem superar o trauma. Edward passa a morar com sua tia Lacey (Taylor Schling) e o marido dela, John (Carter Hudson). Os dois tentam esconder dele as inúmeras cartas que ele vem recebendo de toda parte dos Estados Unidos para que ele não se sinta ainda mais pressionado com o fardo. A série começa muito bem, eu diria. Os dois primeiros episódios são bem dramáticos, mas diante da situação, imagino que não teria como ser diferente. Ambos escritos por Jason Katims, que atua como showrunner e foi o primeiro nome que me chamou atenção na produção por ter sido um dos principais roteiristas da espetacular ‘Friday Night Lights’ e o criador da ótima ‘Parenthood’. Katims sabe emocionar, ainda que use artifícios conhecidos, como os flashbacks das vítimas que conseguem despertar empatia em quem assiste. Seguindo essa narrativa não linear de início, a série não tem vergonha de se assumir um dramalhão e algumas cenas, ainda que apelativas – como a da queda do avião – emocionam, bem como a descoberta dos familiares sobre o que aconteceu. Então, pelo menos durante esses momentos iniciais, você assiste ciente que vai se comover, afinal é uma história sobre luto e perdas irreparáveis e é isso que ela te entrega. No entanto, a partir do terceiro episódio, os maiores problemas da série começam a tomar forma. São dez episódios no total, dos quais, uns quatro não precisavam existir. Mas existem porque são DEZESSEIS atores no elenco principal para o roteiro dar conta. Quem se destaca desde o início é Connie Britton, que faz fútil Dee Dee. Foi outro nome que me chamou atenção e ela é, de fato, a personagem mais interessante. Britton interpretando uma mulher supérflua não é novidade, assim como sua trama, mas o talento da atriz é tanto, que ela caminha com facilidade pelo humor e pelo drama. Talvez seja por isso que sua história empolgue mais do que tantas outras que somos obrigados a acompanhar. O núcleo central vai se tornando cada vez mais enfadonho à medida que Edward vai se rebelando. É compreensível pelo trauma que ele passou e pela idade que ele tem, mas com o passar dos episódios os desdobramentos vão se tornando cada vez mais repetitivos, e outros, que poderiam significar algo ficam perdidos, como por exemplo, Edward lembra do pai apenas no episódio 8 e pouco o menciona anteriormente, enquanto conversa sempre com o irmão e constantemente pergunta da mãe à tia. Foto: Divulgação Como eu já disse, são vários personagens, e eles vão tomando conta da tela com seus enredos chatíssimos. Não vou citar todos especificamente, porque realmente são vários e não valem a pena. Tem uma trama política, tem duas traições, tem gravidez inesperada... E só de citar essas tramas, você já sabe exatamente o que esperar delas. Falta carisma nos nossos “heróis”, os quais o roteiro luta para dar alguma profundidade, mas falha bastante com um desenrolar pra lá de previsível, o que faz com que eu pouco me importe com eles. Os personagens contracenam bastante, mas nunca estabelecem conexões realmente fortes. A série quer passar essa impressão, mas também deixa a desejar. Não há a sensação de que aquele grupo que se reúne naquela igreja realmente precise um do outro, a não ser em alguns casos particulares, mas não como um grupo de fato. A impressão que fica, é que eles se gostam, mas nada além, ainda que eles se refiram como “família” no último episódio. Palavras são poderosas, mas há certas coisas que precisam serem mostradas para serem críveis. No penúltimo episódio, Edward acha as cartas e foge desnorteado. Mais uma vez parece algo que já vimos. As tais cartas que o título faz referência, servem principalmente para deixar um gancho para uma possível 2ª temporada e é por isso que eu tenho me referido à produção como série, e não minissérie como eu achei que seria. Caso seja renovada, provavelmente não estarei assistindo. Sabe aquele sentimento de “essa reunião poderia ter sido um e-mail?”, ou sendo mais específico, essa série poderia ter sido um filme. Eu sei que o intuito é mostrar uma grande tragédia e a extensão da vida durante o luto e após, mas é necessário que haja histórias e personagens que sustentem isso por dez episódios e nem todos conseguem. Há excesso de personagens, há excesso de episódios, há excesso de tramas paralelas, há excesso de melodrama. Enfim, excesso não falta, o que falta é um filtro para que o que há de bom na série seja espremido. É um diamante muito bruto, que precisa de muita lapidação para que justifique sua existência e não seja só mais uma no mar de opções que temos para assistir hoje em dia. Nota: 2,5/5

  • Crítica | Demolidor: Renascido (1ª temporada)

    Uma série sem alma, que ocasionalmente entretém. Divulgação Quando Demolidor estreou sua 1ª temporada na Netflix em 2015, a promessa era de uma produção mais sombria do que os filmes da Marvel que víamos no cinema, e ela cumpriu esse papel muito bem até 2018, quando foi encerrada, trabalhando diversas nuances do personagem, com belas sequências de ação, vilões à altura e coadjuvantes carismáticos. Agora, voltando para “casa” – Disney é dona da Marvel –, a pegada é diferente. Tem um foco maior na advocacia, com Matt (Charlie Cox) lutando por justiça através do seu escritório, pelo lado correto da lei, mas quando Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) – antigo Rei do Crime – reaparece almejando uma carreira política em Nova York, seus caminhos voltam a se cruzar e suas identidades passadas voltam a emergir. O problema é que a série parece não saber o que fazer com essas tais identidades e desperdiça o potencial. De início, dá a impressão que ela sabe que rumo vai tomar. As drásticas decisões que toma já no primeiro episódio poderiam ser lidas como ousadas, mas no decorrer da temporada fica claro que a intenção era somente descartar personagens da série anterior, já queridos e estabelecidos, substituindo por novos, mas que o roteiro falha em desenvolver, utilizando os rostos conhecidos de outrora como artifício meramente nostálgico. Karen (Deborah Ann Woll), Foggy (Elden Henson) e Justiceiro (Jon Bernthal) servem basicamente para isso e a tentativa de usá-los como motivação para atitudes do protagonista é uma boa ideia, mas mal executada, bem como grande parte de Demolidor: Renascido. Dos antigos, Fisk tem um papel maior, assim como sua esposa Vanessa (Ayelet Zurer). Há um foco no casamento complicado dos dois e eles chegam até a fazer terapia de casal – outra boa ideia jogada de qualquer jeito – com Heather (Maragarita Levieva), novo interesse amoroso de Matt. Apesar da boa química com Cox, a personagem é de uma nota só e nem o talento de Levieva salva de cair no marasmo. O elenco, no geral, é competente, mas não consegue fazer milagre com o roteiro que recebe. Com exceção de D’Onofrio, que me irritou muito mais do que instigou com sua performance, causando por vezes até um riso involuntário. Divulgação Estou ciente dos problemas nos bastidores do processo criativo e isso explica muitos problemas aqui. Quando a série foi anunciada, o plano era que tivesse 18 episódios, que depois foram reduzidos a 9 quando uma nova equipe assumiu. É visível como algumas ideias permaneceram e foram cortadas pelo meio, parecendo um retalho do que deveria ter sido. Arcos que começam bem, mas foram mal trabalhados e entregam um resultado apático, sem vida. As cenas de ação que eram famosas por serem extremamente bem ensaiadas e filmadas na série da Netflix, aqui são cheias de cortes que dificultam o envolvimento do telespectador, o que é uma pena. Há episódios bons pelo meio, como o 5º, onde Matt está no meio de um assalto a banco. Ele foi chamado de “filler”, mas eu nem acredito nesta nomenclatura porque há um desenvolvimento eficaz do protagonista e mesmo se fosse “filler”, isso nunca foi sinônimo de ruim, divertindo mais do que os episódios focados na trama principal, em que vilões vão e voltam sem causar muito impacto. O final ensaia uma melhora, mas seria muito mais proveitoso se a temporada tivesse sido bem construída, pois sem uma boa base, não importa quão bonita é a cobertura: ela ainda é frágil. No entanto, consegue deixar o terreno preparado e levanta o potencial para uma 2ª temporada mais forte. Espero não me enganar de novo e ganhar algo tão esquecível quanto esta 1ª. Nota: 2,5/5

  • Crítica | Chefe de Guerra - 1ª temporada

    O que falta no drama, é compensado na ação e no mergulho na cultura havaiana. Divulgação A nova série do Apple TV+ acompanha a épica história da colonização e unificação do Havaí no século 18. O protagonista é Ka’iana, interpretado por Jason Momoa – que também co-escreve todos os episódios com Thomas Pa'a Sibbett e oito deles com Doug Jung –, um chefe guerreiro que reluta, a princípio, na missão monumental de unir sua terra natal, enquanto a luta pelo poder irrompe os quatro reinos. Baseada na história real, é notório como os fatos agregam à trama, mas a dramatização não sai muito do lugar comum. Então, é nos combates que a força da série reside, não só pela espetacularização das coisas, mas é quando os personagens mostram finalmente o que tanto falam: ganância e brutalidade. De início, quando as peças são postas no tabuleiro já é perceptível o tom que enredo vai adotar, com as alianças, intrigas e traições tomando forma, o que deixa impossível não lembrar de Shogun, além, claro, da introdução do homem branco na história. Pode dar a impressão que vá abordar coisas demais e não dê conta de tudo, mas o problema maior neste aspecto, é que os arcos dramáticos e políticos são superficiais. Eles existem, são bem apresentados, mas pouco aprofundados. No entanto, a rica cultura havaiana ganha forma seja no misticismo, nos costumes, figurinos ou nas armas manuais. O design de produção é de encher os olhos e agrega muito à imersão da época dando identidade à série. 80% das gravações ocorreram na Nova Zelândia e 20% no Havaí, e a utilização dos cenários reais faz uma diferença enorme aqui. O verde predominante contrastando com as cores quentes das roupas é um estímulo visual e o uso da luz solar natural em diversas cenas é de uma beleza ímpar. A linguagem nativa, claro, é um ponto chave e eu gostaria que tivesse sido mais presente no decorrer da temporada. Sabemos que os estadunidenses têm problemas de leitura com legendas, então o inglês vai predominando cada vez mais, até quando não cabe. Como, por exemplo, em cenas íntimas entre dois personagens havaianos. Divulgação E falando neles, Ka’iana é o típico herói que reluta com o que lhe foi pedido, até que se afasta e volta para sua missão com uma cabeça mais formada, digamos assim. Jason Momoa está ótimo no papel, e esta é a sua melhor atuação até então. Ele dosa os momentos mais vulneráveis com a visceralidade de forma muito crível. Ka’ahumanu é interpretada pela ótima Luciane Buchman e é através dela que se levanta o debate sobre o casamento arranjado e a liberdade feminina na época. As mulheres lutam em meio aos homens nas batalhas, mas ainda assim há limites impostos do que elas podem ou não fazer. Ela se casa com Kamehameha (Kaina Makua) – sim, fãs de Dragon Ball Z, eu também ri –, que preza por uma pacificidade utópica, já que Keoua (Cliff Curtis, fantástico) ou Kahekili (Temuera Morrison), reis inimigos, não estão nada interessados nesta paz. O roteiro é maniqueísta ao tratá-los como vilões apenas, mas eles assumem muito bem este papel. A família de Ka’iana também se destaca, como sua esposa Kupuohi (Te Ao O’Hinepehinga Rauna), seus irmãos Nãmake (Te Kohe Tuhaka) e Nãhi (Siua Ikale’o), e a irmã de Kupuohi, Heke (Mainei Kinimaka). Todos têm arcos que definem suas personalidades e o laço entre eles é bem estabelecido, mas não arranha muito a superfície da previsibilidade do que já vimos em outras produções parecidas, então é mais fácil se apegar a eles pelo carisma, do que pelo desenvolvimento, ainda que isso impeça uma conexão emocional maior. As performances de Momoa, Buchman e Curtis se sobressaem, mas no geral, o elenco, composto em sua grande maioria por atores de ascendência havaiana, é muito competente. Se o drama não consegue ir além de lugares já conhecidos e o texto é um tanto didático e expositivo, a ação supre esta falta com maestria. A série não tem qualquer pudor em ser brutal ou extremamente violenta, o que é essencial para que a narrativa ganhe o peso necessário. Ainda que seja gráfica, há uma certa elegância no que escolhe mostrar ou não, com uma direção eficaz dando o impacto que a sequência pede. As lutas são muito bem coreografadas e mesmo com uma grande quantidade de figurantes, cada pessoa ali tem seu momento de brilhar sem que os combates parem ao redor. Assim como em Shogun ou Game of Thrones, há a promessa de uma grande batalha desde o começo e as expectativas são devidamente atendidas. Acontece no último episódio da temporada – dirigido por Momoa –, que é um dos melhores do ano. Um espetáculo grandioso e catártico que em nada fica devendo aos combates cinematográficos. Não posso falar muito porque spoilers estão sob embargo, mas é uma das maiores sequências televisivas que eu já vi onde as emoções estão à flor da pele e o que é épico atinge um novo parâmetro. É justamente ela que faz a série se sobressair e os ganchos deixados para a 2ª temporada são absolutamente promissores. Não sei se já há uma renovação oficial, mas a intenção fica clara na própria história. E eu não vejo a hora. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Super Mario Galaxy: O Filme

    Mesmo consolidando boa personalidade visual, continuação se perde em meio à narrativas repetidas e limitadas. Imagem: Divulgação Depois de salvar o Reino dos Cogumelos, Mario e seus amigos são levados a uma missão de tirar o fôlego ao enfrentar uma nova ameaça cósmica que coloca toda a galáxia em perigo, entregando cenas divertidas e repletas de ação. A proposta aqui é clara desde o início, ampliar tudo o que já havia sido apresentado antes, como se o filme olhasse para o próprio sucesso e decidisse que a resposta está sempre no excesso. Há mais cenários, mais rostos conhecidos e uma escala que tenta transformar cada momento em espetáculo. Essa continuação expande as fronteiras narrativas, modo de dizer, e principalmente no campo visual, apostando em uma estética vibrante que prende a atenção logo nos minutos iniciais. É um filme mais longo, mais colorido e mais barulhento do que o primeiro, e que parece sempre disposto a oferecer algo novo aos olhos. No entanto, essa expansão não vem acompanhada de um desenvolvimento real do texto. A sensação é de que o roteiro circula as mesmas ideias, repetindo motivações e conflitos sem encontrar um novo caminho que justifique esse crescimento em tamanho. Imagem: Divulgação É justamente na ação que o longa encontra sua sustentação. As sequências são bem coreografadas, dinâmicas e conseguem manter o interesse mesmo quando a história começa a dar sinais de cansaço. Existe um entendimento claro de ritmo nessas cenas, com momentos que empolgam e mostram o potencial desse universo quando explorado com energia e criatividade. É nesse ponto que o filme acerta. O contraste com o primeiro longa é inevitável. Antes, havia uma certa inteligência em saber se conter, em construir uma narrativa direta e sem tantos enfeites. Era uma produção enxuta, que não parecia preocupada em preencher cada segundo com estímulos. Aqui, a vontade de extrapolar domina, e embora a plasticidade impressione com novas texturas, ambientes e referências aos jogos, falta um cuidado maior com o que sustenta tudo isso. O resultado é um filme que diverte, ainda que oscile entre situações-chave inspiradas e outros bastante previsíveis. Há boas piadas e uma composição visual que realmente surpreende em vários trechos. De todo mondo, para quem pouco se importa com referências, aparições surpresas e easter eggs, sobra dificilmente vai encontrar algo memorável ali. Nota: 3/5

  • Crítica | Falando a Real (3ª temporada)

    Todo mundo precisa de um abraço no fim do dia e a série continua sendo o equivalente a isso. Divulgação Sabe aquele tipo de série conforto, que não precisa ter grandes reviravoltas e tramas complicadíssimas, mas apenas pessoas vivendo seu dia a dia, te fazendo rir e te emocionar? Pois é, Shrinking – ou Falando a Real aqui no Brasil – pra mim é isso e eu fico feliz de dizer que a nova temporada continua consistente com o tom estabelecido nos anos anteriores. Foram onze ótimos episódios (ou doze, se a gente contar que o primeiro teve 1 hora de duração, rs) e um tema constante neles foi como seguir em frente diante das inevitáveis tragédias que a vida apronta pelo caminho, o que permeou o arco geral da trama de cada personagem. Na 2ª temporada, muito se falava em perdão, o que deixou a brecha para o intragável Louis (Brett Goldstein) aparecer e isso nunca funcionou para mim. Continuou não funcionando aqui, mas felizmente, Gaby (Jessica Williams) disse tudo que estava entalado e o homem tomou seu rumo, deixando as coisas fluírem como tinham que ser. Se antes, mesmo não gostando, eu entendia a existência do enredo, agora ele retornar parecia apenas uma satisfação do ego de Goldstein – um dos co-criadores da série – que sequer estava bem no papel, vamos combinar. Então quando Gaby desabafa em um grande momento catártico, nada me soou mais justo. Que ele continue apenas como roteirista mesmo e que nós e os personagens sigamos sem sua presença na frente das câmeras. Divulgação Paul (Harrison Ford) está aprendendo a lidar, ou tentando, com seu diagnóstico de Parkinson e isso garante muita comoção, ainda mais com a participação do espetacular Michael J. Fox. Ford continua brilhante sendo o turrão mais amado do mundo, fora das telas e dentro, pois todos estão lá para apoiá-lo, o que às vezes passava uma impressão de despedida, mas a realidade é que o personagem está mais do que ciente da finitude da vida. Enquanto Jimmy (Jason Segel) está relutante em arranjar um novo relacionamento e custa a aceitar a iminente partida de Alice (Lukita Maxwell) para a faculdade, ainda para complicar um pouco mais, o retorno de seu pai, feito com maestria Jeff Daniels, abala sua estrutura ainda mais. Já no namoro de Gaby, tudo vai bem como Derrick (Damon Wayans Jr.), mas no campo profissional ela enfrenta uma das pacientes mais desafiadoras da sua carreira, o que tem contornos bem dramáticos. No lado mais cômico, meus favoritos Liz (Christa Miller) e Derek (Ted McGinley) precisam colocar um filho acomodado para viver sua vida fora da asa deles. E claro, não deixam de emocionar também, porque Derek tem um probleminha no coração ali pelo meio da temporada e rendeu um dos melhores episódios, com o incrível título de ‘Dereks Don’t Die’. O elenco tem uma química fantástica e mesmo que cada um tenha seus próprios arcos, eles sempre estão entrosados e por dentro da vida um do outro, como é o caso de Liz querendo ser a mãe do filho de Brian (Michael Urie) e Charlie (Devin Kawaoka) e metendo sempre que pode na criação, o que é engraçado de fato. Toda essa união é uma das principais forças da produção, de que aquelas pessoas sempre vão estar ali umas pelas outras e isso garante tanto momentos fofos quanto comoventes. É comum nas séries de Bill Lawrence esse equilíbrio entre a comédia e o drama, seja em Scrubs ou Ted Lasso, mas Shrinking tendo este título e como protagonistas três terapeutas, o foco maior em saúde mental é um fator diferencial, principalmente nos tempos em que vivemos. Os personagens enfrentam o luto, doenças incuráveis e a solidão, por exemplo, e a série aborda isso de uma maneira balanceada para não perder o tom, com o texto afiado sempre com uma piada na ponta da agulha com o intuito de trazer leveza para algumas cenas mais pesadas. A vida precisa de leveza e é por isso que Shrinking é tão especial, mesmo que vez ou outra exagere em alguma sequência boba que passe do ponto, a série ainda vai ser aquele abraço no fim do dia, onde você vai rir e chorar na mesma medida e aquela cena belíssima que Paul e Jimmy dividem nos minutos finais do último episódio resumem essa essência muito bem. Nota: 4/5

  • Pequenas Tragédias, Feito Pipa e 100 Dias vencem prêmios na 50ª Mostra de São Paulo

    enquanto O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas venceu como documentário Divulgação Os vencedores da 50ª Mostra Ao longo de duas semanas, a Mostra exibiu 394 títulos de mais de 90 países, distribuídos por 57 salas Confira os principais premiados da 50ª Mostra: Prêmio do Júri Melhor Ficção• Cinco Anos, Quatro Meses Gasull Balada) Melhor Filme de Ficção Internacional• O Sentido da Vida (Ryūsuke Hamaguchi) Prêmio da Crítica Para procurar as diversas críticas feitas pelo Oxente Pipoca durante a cobertura do festival, basta clicar

  • Crítica | Encantado's (1ª temporada)

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  • Crítica | Filhos do Mangue (Festival de Gramado 2024)

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