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Crítica | Falando a Real (3ª temporada)

Filipe Chaves

08 de abr de 2026 · 3 min de leitura

Todo mundo precisa de um abraço no fim do dia e a série continua sendo o equivalente a isso.

Divulgação


Sabe aquele tipo de série conforto, que não precisa ter grandes reviravoltas e tramas complicadíssimas, mas apenas pessoas vivendo seu dia a dia, te fazendo rir e te emocionar? Pois é, Shrinking – ou Falando a Real aqui no Brasil – pra mim é isso e eu fico feliz de dizer que a nova temporada continua consistente com o tom estabelecido nos anos anteriores. Foram onze ótimos episódios (ou doze, se a gente contar que o primeiro teve 1 hora de duração, rs) e um tema constante neles foi como seguir em frente diante das inevitáveis tragédias que a vida apronta pelo caminho, o que permeou o arco geral da trama de cada personagem.


Na 2ª temporada, muito se falava em perdão, o que deixou a brecha para o intragável Louis (Brett Goldstein) aparecer e isso nunca funcionou para mim. Continuou não funcionando aqui, mas felizmente, Gaby (Jessica Williams) disse tudo que estava entalado e o homem tomou seu rumo, deixando as coisas fluírem como tinham que ser. Se antes, mesmo não gostando, eu entendia a existência do enredo, agora ele retornar parecia apenas uma satisfação do ego de Goldstein – um dos co-criadores da série – que sequer estava bem no papel, vamos combinar. Então quando Gaby desabafa em um grande momento catártico, nada me soou mais justo. Que ele continue apenas como roteirista mesmo e que nós e os personagens sigamos sem sua presença na frente das câmeras.


Divulgação


Paul (Harrison Ford) está aprendendo a lidar, ou tentando, com seu diagnóstico de Parkinson e isso garante muita comoção, ainda mais com a participação do espetacular Michael J. Fox. Ford continua brilhante sendo o turrão mais amado do mundo, fora das telas e dentro, pois todos estão lá para apoiá-lo, o que às vezes passava uma impressão de despedida, mas a realidade é que o personagem está mais do que ciente da finitude da vida. Enquanto Jimmy (Jason Segel) está relutante em arranjar um novo relacionamento e custa a aceitar a iminente partida de Alice (Lukita Maxwell) para a faculdade, ainda para complicar um pouco mais, o retorno de seu pai, feito com maestria Jeff Daniels, abala sua estrutura ainda mais. Já no namoro de Gaby, tudo vai bem como Derrick (Damon Wayans Jr.), mas no campo profissional ela enfrenta uma das pacientes mais desafiadoras da sua carreira, o que tem contornos bem dramáticos.


No lado mais cômico, meus favoritos Liz (Christa Miller) e Derek (Ted McGinley) precisam colocar um filho acomodado para viver sua vida fora da asa deles. E claro, não deixam de emocionar também, porque Derek tem um probleminha no coração ali pelo meio da temporada e rendeu um dos melhores episódios, com o incrível título de ‘Dereks Don’t Die’. O elenco tem uma química fantástica e mesmo que cada um tenha seus próprios arcos, eles sempre estão entrosados e por dentro da vida um do outro, como é o caso de Liz querendo ser a mãe do filho de Brian (Michael Urie) e Charlie (Devin Kawaoka) e metendo sempre que pode na criação, o que é engraçado de fato. 


Toda essa união é uma das principais forças da produção, de que aquelas pessoas sempre vão estar ali umas pelas outras e isso garante tanto momentos fofos quanto comoventes. É comum nas séries de Bill Lawrence esse equilíbrio entre a comédia e o drama, seja em Scrubs ou Ted Lasso, mas Shrinking tendo este título e como protagonistas três terapeutas, o foco maior em saúde mental é um fator diferencial, principalmente nos tempos em que vivemos. Os personagens enfrentam o luto, doenças incuráveis e a solidão, por exemplo, e a série aborda isso de uma maneira balanceada para não perder o tom, com o texto afiado sempre com uma piada na ponta da agulha com o intuito de trazer leveza para algumas cenas mais pesadas. A vida precisa de leveza e é por isso que Shrinking é tão especial, mesmo que vez ou outra exagere em alguma sequência boba que passe do ponto, a série ainda vai ser aquele abraço no fim do dia, onde você vai rir e chorar na mesma medida e aquela cena belíssima que Paul e Jimmy dividem nos minutos finais do último episódio resumem essa essência muito bem.


Nota: 4/5


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Na 2ª temporada, muito se falava em perdão, o que deixou a brecha para o intragável Louis (Brett Goldstein) aparecer e isso nunca funcionou para mim. Continuou não funcionando aqui, mas felizmente, Gaby (Jessica Williams) disse tudo que estava entalado e o homem tomou seu rumo, deixando as coisas fluírem como tinham que ser. Se antes, mesmo não gostando, eu entendia a existência do enredo, agora ele retornar parecia apenas uma satisfação do ego de Goldstein – um dos co-criadores da série – que sequer estava bem no papel, vamos combinar. Então quando Gaby desabafa em um grande momento catártico, nada me soou mais justo. Que ele continue apenas como roteirista mesmo e que nós e os personagens sigamos sem sua presença na frente das câmeras.


Divulgação


Paul (Harrison Ford) está aprendendo a lidar, ou tentando, com seu diagnóstico de Parkinson e isso garante muita comoção, ainda mais com a participação do espetacular Michael J. Fox. Ford continua brilhante sendo o turrão mais amado do mundo, fora das telas e dentro, pois todos estão lá para apoiá-lo, o que às vezes passava uma impressão de despedida, mas a realidade é que o personagem está mais do que ciente da finitude da vida. Enquanto Jimmy (Jason Segel) está relutante em arranjar um novo relacionamento e custa a aceitar a iminente partida de Alice (Lukita Maxwell) para a faculdade, ainda para complicar um pouco mais, o retorno de seu pai, feito com maestria Jeff Daniels, abala sua estrutura ainda mais. Já no namoro de Gaby, tudo vai bem como Derrick (Damon Wayans Jr.), mas no campo profissional ela enfrenta uma das pacientes mais desafiadoras da sua carreira, o que tem contornos bem dramáticos.


No lado mais cômico, meus favoritos Liz (Christa Miller) e Derek (Ted McGinley) precisam colocar um filho acomodado para viver sua vida fora da asa deles. E claro, não deixam de emocionar também, porque Derek tem um probleminha no coração ali pelo meio da temporada e rendeu um dos melhores episódios, com o incrível título de ‘Dereks Don’t Die’. O elenco tem uma química fantástica e mesmo que cada um tenha seus próprios arcos, eles sempre estão entrosados e por dentro da vida um do outro, como é o caso de Liz querendo ser a mãe do filho de Brian (Michael Urie) e Charlie (Devin Kawaoka) e metendo sempre que pode na criação, o que é engraçado de fato. 


Toda essa união é uma das principais forças da produção, de que aquelas pessoas sempre vão estar ali umas pelas outras e isso garante tanto momentos fofos quanto comoventes. É comum nas séries de Bill Lawrence esse equilíbrio entre a comédia e o drama, seja em Scrubs ou Ted Lasso, mas Shrinking tendo este título e como protagonistas três terapeutas, o foco maior em saúde mental é um fator diferencial, principalmente nos tempos em que vivemos. Os personagens enfrentam o luto, doenças incuráveis e a solidão, por exemplo, e a série aborda isso de uma maneira balanceada para não perder o tom, com o texto afiado sempre com uma piada na ponta da agulha com o intuito de trazer leveza para algumas cenas mais pesadas. A vida precisa de leveza e é por isso que Shrinking é tão especial, mesmo que vez ou outra exagere em alguma sequência boba que passe do ponto, a série ainda vai ser aquele abraço no fim do dia, onde você vai rir e chorar na mesma medida e aquela cena belíssima que Paul e Jimmy dividem nos minutos finais do último episódio resumem essa essência muito bem.


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