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  • Foto do escritorDavid Shelter

Crítica | Abracadabra 2

29 anos depois, a bruxaria das irmãs Sanderson continua encantadora.

Divulgação: Disney+


Quem cresceu nos anos 90 teve como companhia diversos filmes que se tornaram icônicos no decorrer do tempo, e acompanharam toda uma geração, dentre eles, ‘Abracadabra’, um marco envolvendo bruxas que se eternizou na memória ao lado de ‘Matilda’ e ‘Convenção das Bruxas’. O que provavelmente ninguém esperava, é que uma sequência fosse lançada quase três décadas depois. Tocar em filmes que se tornaram parte da cultura pop depois de tanto tempo sempre será arriscado, principalmente quando envolve nostalgia e o amor daqueles espectadores fiéis, mas, às vezes pode funcionar.


Lançado em 1993 e dirigido por Kenny Ortega (High School Musical), ‘Abracadabra’ se tornou um fenômeno sendo reprisado incontáveis vezes na tv. Ele nos apresenta três figuras emblemáticas, Winnie, Mary e Sarah, as irmãs Sanderson, bruxas que roubam almas de crianças para manter a juventude. Para quem não está familiarizado, as três são pegas cometendo tais ações e enforcadas, contudo, é claro que elas teriam se precavido antes para conseguirem retornar ao mundo dos mortais. Para que pudessem voltar, seria necessário que alguém virgem acendesse a vela da chama negra, e como esperado, é isso que acontece. Com os eventos finais do filme de 93, o anúncio de uma sequência gerou a questão; como elas poderiam retornar já que a história tinha sido encerrada?


Por mais que a história leve a pensar que veríamos as crianças do original agora crescidas, ‘Abracadabra 2’ se encaminha de maneira diferente, ele insere um novo personagem que presenciou os eventos de 29 anos antes, e faz com que ele seja a porta de entrada para as queridas irmãs Sanderson. E funciona, talvez até melhor se usasse a trama batida de trazer os antigos protagonistas para enfrentar o mesmo mal novamente. Nesse ponto a sequência soube fazer um bom malabarismo sem deixar tudo pedante ou forçado, a perspectiva do passado pelos olhos desse personagem se encaixa bem.


Obviamente temos de volta Bette Midler, Kathy Najimy e Sarah Jessica Parker, que interpretam as Sanderson. Com exceção de Midler, nota-se um pouco de demora para que elas consigam engatar no ritmo de suas personagens, que têm características bem marcantes de atitude e personalidade, mas no decorrer do longa vão se encaixando melhor e trazendo à tela a reprise do que fizeram anos antes. Uma boa surpresa se dá no início do filme, quando ele volta no tempo nos mostrando pela primeira vez a infância das três irmãs, mais de 300 anos antes, em Salém. Taylor Henderson, intérprete da Winnie jovem, entrega uma atuação muito convincente da personagem de Midler, ela replica com perfeição as entonações e trejeitos que a irmã mais velha carrega.


Apesar da era digital, ele se mantém com os pés nos efeitos práticos, algo que marcou seu antecessor, e continua funcionando muito bem nesse, claro que ele faz uso de CGI em momentos estratégicos, e o conjunto da obra se encaixa bem. O visual de cidade pequena também continua bem encaixado, e ele utiliza bem os espaços a seu favor. O roteiro não é nenhuma obra-prima e nem se esperava que fosse, mas o filme brinca com a própria história, faz uso adequado da nostalgia e remonta uma nova visão sobre as três bruxas numa perspectiva de mundo contemporâneo.


As entradas e aparições das Sanderson continuam marcantes, e a aquisição de nomes como Hannah Waddingham (Ted Lasso) e Tony Hale (Veep) traz um up para o longa. Apesar de uma participação mais rápida, Waddingham traz uma personagem que foi responsável por iniciar as três irmãs na magia, e por mais que não tenha aparecido no original, sua inserção na trama foi bastante adequada e ajudou a sequência a se desenrolar por caminhos que não pensaríamos. Hale traz um personagem que combina com seu tipo de humor, para quem já o conhece desde Arrested Development, é nítida a sua facilidade para o cômico. Também é válido mencionar o retorno de BIlly Butcherson, personagem secundário irreverente, interpretado pelo brilhante Doug Jones, que ao longo dos anos esteve por trás de diversos outros personagens, como o Fauno e o Homem Pálido de ‘O Labirinto do Fauno’, o surfista prateado do Quarteto Fantástico, a criatura de ‘A forma da água’, e por aí vai.


Por fim, foi ótimo vivenciar esse novo capítulo da história das Irmãs Sanderson, que tiveram a chance de serem reinventadas mantendo sua essência. O filme é uma boa sequência, mas também funciona de forma isolada. Conseguiram trazer nostalgia com respeito a uma história já criada e reescreveram a trama de forma que se encaixasse na contemporaneidade.


Nota: 3,5/5

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