“O Brasil faz as melhores novelas do mundo”: elenco e produção falam sobre Dona Beja em coletiva de imprensa
- Gabriella Ferreira

- há 2 horas
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Nova novela da HBO Max estreia em 2 de fevereiro e reescreve história real sobre empoderamento feminino

Nesta terça-feira (27), a HBO Max realizou a coletiva de imprensa de sua nova novela, Dona Beja, que estreia a partir do dia 2 de fevereiro. A produção marca o retorno da plataforma à teledramaturgia brasileira após o sucesso de Beleza Fatal e reforça a aposta no formato de novelas para o streaming, inaugurando um novo momento para o mercado audiovisual brasileiro.
Exibida originalmente em 1986, Dona Beja não é um remake, mas uma releitura contemporânea do clássico da Rede Manchete, agora apresentada em 40 capítulos. Assim como Beleza Fatal, a produção consolida o investimento do streaming em narrativas longas, com identidade brasileira e abordagem atualizada.
Inspirada na trajetória histórica de Ana Jacinta de São José (1800–1873), a trama revisita uma personagem que, ao longo do tempo, foi cercada por mitos. Como lembrou a equipe durante a coletiva, a Beja que atravessou o imaginário popular é, em grande parte, fruto da imaginação de um jornalista, enquanto a figura histórica era, na realidade, uma mulher que vivia sozinha com dois filhos. A novela parte dessa construção simbólica para contar uma história sobre coragem e ousadia, abrindo caminhos para discussões que existiam naquele tempo e que permanecem atuais.
Dirigida por Hugo de Sousa, a novela não suaviza seus conflitos centrais. O julgamento social, especialmente imposto por outras mulheres, as questões religiosas e a hipocrisia moral de uma sociedade conservadora atravessam a narrativa. Temas como racismo, transfobia, homofobia e a imposição de normas de comportamento e afeto surgem de forma direta, afastando qualquer olhar puritano sobre a protagonista.
É nesse contexto que a discussão sobre sexualidade e afetos ganha destaque. Durante a coletiva, Indira Nascimento ressaltou como a novela dialoga com experiências que, no passado, sequer tinham vocabulário para serem debatidas. “A gente vive uma heterossexualidade compulsória e, na época, não tinha os termos para discutir isso. Se eu, com 12 ou 15 anos, tivesse assistido a uma novela com uma personagem que descobre que talvez seja de outra sexualidade, isso teria mudado a minha vida”, afirmou a atriz. Segundo ela, o avanço na representatividade feminina e LGBTQIA+ na televisão amplia possibilidades de identificação. “Hoje a gente vê mais personagens mulheres se relacionando na TV, e, no geral, o nosso trabalho fala justamente sobre essas normas”. Para Indira, Dona Beja pode ter um impacto direto sobre o público jovem: “Meu desejo é que meninas assistam a essa novela e pensem: ‘será que meu afeto não pode passar por aqui?’ E que, se se descobrirem em uma sexualidade, saibam que isso também é possível”.
Durante a coletiva de imprensa, estiveram presentes integrantes do elenco principal, como Grazi Massafera (Ana Jacinta de São José / Dona Beja), David Junior (Antônio Sampaio), André Luiz Miranda (João Carneiro de Mendonça), Deborah Evelyn (Cecília Sampaio – Ceci), Erika Januza (Cândida da Serra – Candinha), Thalma de Freitas (Josefa Carneiro de Mendonça), Indira Nascimento (Maria Felizardo Sampaio) e Pedro Fasanaro (Severina). Também participaram do encontro Daniel Berlinsky, escritor da produção, e Renata Rezende, representante da Warner Bros. Discovery.

Nos cinco primeiros episódios disponibilizados para a imprensa, Dona Beja se apresenta como uma novela de época que, em sua abordagem moderna, reafirma esses debates sociais. Beja surge como uma mulher livre que, em determinado momento, se vê presa a um homem agressivo, mas que encontra caminhos para se libertar e também empoderar outras mulheres.
A questão racial também ocupa um lugar central na narrativa. Como destacou André Luiz Miranda, a novela propõe um olhar diferente sobre personagens negros dentro do contexto histórico, fugindo de estereótipos e reposicionando essas figuras de forma mais complexa e humana.
Vivendo a protagonista, Grazi Massafera comentou sobre a recepção que a novela pode ter. “Os conservadores vão falar que é lacração, mas que falem. A novela coloca o dedo na ferida da sociedade”, afirmou a atriz, que classificou o projeto como “uma das novelas que mais gostei de fazer”. Segundo ela, críticas e tentativas de deslegitimar a obra já fazem parte do processo criativo atual: “Muita gente vai tentar tirar a dignidade da nossa história. Sinto que, nesses últimos anos de rede social, estamos acostumados a transformar a crítica em força”.
O cuidado estético é outro destaque da produção. A trilha sonora surge em momentos precisos, ampliando a carga dramática das cenas, enquanto os cenários, figurinos e o design de produção ajudam a transportar o espectador para o ano de 1815. Para Thalma de Freitas, o projeto reafirma a força do audiovisual nacional: “O Brasil faz as melhores novelas do mundo”.
Mais do que uma releitura histórica, Dona Beja se firma como uma obra que aposta na coragem narrativa e na ousadia temática, reafirmando a potência da teledramaturgia brasileira no streaming.



















