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  • Foto do escritorGabriella Ferreira

Crítica | Blonde

Um retrato de Marilyn Monroe sob a ótica da objetificação e da violência contra a mulher.

Divulgação: Ana de Armas em Blonde (Netflix)


Nesta quarta-feira, 28, a Netflix disponibilizou em seu streaming o filme Blonde, uma cinebiografia fictícia escrita e dirigida por Andrew Dominik e baseada no romance de 2000 de mesmo nome de Joyce Carol Oates. Desde o anúncio de Ana de Armas como a intérprete de Marilyn até as entrevistas mais recentes do elenco e da produção, o filme vem sendo cercado de polêmicas e causou grande expectativa do público em geral após ser aplaudido de pé por 14 minutos no Festival de Veneza.


Com longas duas horas e quarenta e seis minutos, ‘Blonde’ começa mostrando a infância da atriz que veio a se tornar um ícone da cultura pop até os dias de hoje. É desde esse começo que vimos a visão do diretor em enfatizar os momentos mais trágicos da artista. Não que Norma Jeane (nome verdadeiro de Marilyn) não tenha sofrido traumas e tristezas em sua vida, ela sofreu e muito. Porém, fica claro que a intenção do diretor não foi salientar a grande força que era Marilyn nas telas e com o público e sim mostrar a sua trajetória como um grande circo de horrores.

Divulgação: Ana de Armas em Blonde (Netflix)


‘Blonde’ usa do poder de ser uma cinebiografia fictícia para exagerar e dramatizar todas as situações vividas pela atriz que são de conhecimento público. Falta sensibilidade ao colocar tantas cenas grotescas em tela, cenas essas que desrespeitam não só a memória de Marilyn como também ofende as diversas mulheres que (provavelmente) assistiram o filme. Andrew Dominik (diretor conhecido por-pasmem-filmes de faroeste com bastante violência) não tem nenhuma cautela durante essas quase três horas de longa e esmaga o telespectador com cenas de estupro, agressões e nudez gratuita. Além disso, utiliza-se de uma ferramenta tosca que parece ter saído de um comercial político conservador ao mostrar para o telespectador um bebê (grande) no útero de uma Marilyn prestes a abortar e usa do fato de Marilyn não ter um pai para a demonstração de um feitiche doentio onde a personagem chama seus parceiros de ‘pai’.


Em uma perspectiva maior, o filme tem os destaques positivos na atuação quase que impecável de Ana de Armas e na fotografia que mescla elementos em preto e branco com o colorido. Ana é realmente a única parte memorável de ‘Blonde’ e fica óbvio que ela sustenta com sua atuação a história fantasiosa e misógina de Dominik. Não existe nada que justifique a forma como a figura de Marilyn foi retratada pelo diretor. A desculpa de que o longa é uma ‘visão artística’ não é motivo para reduzir uma figura tão emblemática ao estereótipo da loira burra hipersexualizada e surtada que vive beirando o colapso.

Divulgação: Ana de Armas em Blonde (Netflix)


É deprimente para a sociedade feminina perceber que, 60 anos depois, a atriz continua sendo sexualizada e violentada de várias formas possíveis. Não importa a qualidade estética e técnica, ‘Blonde’ é mais um longa que demonstra as mulheres do pior jeito possível: através da perspectiva e das lentes de um homem hétero e branco.


Nota: 1,5/5

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