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Glitter, gore e drag queens enfrentando o apocalipse zumbi.

Lançado nos cinemas brasileiros em 5 de março de 2026, Queens of the Dead é o tipo de filme que entende exatamente o que quer ser e se diverte muito com isso. A comédia de zumbis dirigida e coescrita por Tina Romero, filha do lendário George A. Romero, transforma uma noite de festa em um galpão do Brooklyn em um apocalipse tão sangrento quanto brilhante.
A premissa já anuncia o tom. Durante uma megafesta cheia de glitter e clubbers, mortos-vivos invadem o lugar e obrigam um grupo nada discreto de drag queens e frequentadores da cena noturna a deixar os barracos de lado para sobreviver. Saltos altos, maquiagem impecável e muito sarcasmo viram armas improváveis contra zumbis, alguns deles aparentemente tão viciados em rolar o feed quanto em devorar cérebros.
Desde o início, o filme deixa claro que opera dentro de um registro profundamente camp. Tina Romero brinca com tropos clássicos do cinema de zumbi, muitos deles popularizados justamente pelos filmes de seu pai, enquanto adiciona uma camada de humor queer repleta de referências internas ao universo drag e à cultura pop LGBTQ+. O resultado é um híbrido curioso, um horror-comédia que nunca é totalmente uma coisa nem outra, mas que funciona graças ao seu espírito leve e ao carisma do elenco.
E que elenco. O filme reúne um verdadeiro panteão queer. Margaret Cho aparece empunhando uma furadeira em uma das participações mais absurdamente divertidas do filme. Cheyenne Jackson entrega uma performance espirituosa, enquanto Dominique Jackson, conhecida por Pose, vive a egoísta e glamourosa drag superstar Yasmine. Já Nina West assume o papel de Ginsey Tonic, uma matriarca drag que transforma elegância em arma letal.
Quem também se destaca com força é a protagonista Katy O'Brian. Conhecida por trabalhos recentes no cinema de ação e ficção científica, a atriz demonstra aqui um timing cômico afiado e uma presença de tela que ancora a narrativa mesmo quando o caos toma conta. O'Brian equilibra bem o absurdo da situação com uma energia quase de “final girl”, funcionando como o ponto de estabilidade em meio ao espetáculo de exageros que define o filme.

Para os fãs do legado Romero, a produção ainda guarda pequenos presentes. Ícones do terror como Gaylen Ross e Tom Savini aparecem em participações que funcionam como homenagens espirituosas à filmografia da família.
Apesar do tom irreverente, Queens of the Dead não se limita às piadas. Tina Romero e a co-roteirista Erin Judge aproveitam a jornada grotesca e cômica do grupo para tocar em temas que atravessam a vida queer contemporânea, como abuso de substâncias, insegurança, conflitos dentro de famílias escolhidas e a superficialidade da cultura de influenciadores. O interessante é que essas questões surgem sem pesar o ritmo, sempre filtradas por humor ácido e uma certa empatia pelos defeitos dos personagens.
Há também um aspecto simbólico relevante ao colocar drag queens e artistas queer no centro de um cinema de gênero historicamente dominado por protagonistas masculinos. Aqui, o horror vira palco para uma celebração exagerada, glamourosa e autodepreciativa da própria comunidade.
Ainda assim, o filme funciona melhor quando não tenta se levar muito a sério. A trama é simples e previsível, mas quando o espectador entra na proposta, a mistura de gore, glitter e humor camp se torna envolvente.
No fim das contas, Queens of the Dead é uma experiência divertida e despretensiosa. Com um elenco carismático e um estilo próprio muito marcado, é uma boa escolha para aqueles momentos em que você só quer relaxar e assistir a drag queens enfrentando zumbis de salto alto.
Nota: 3/5



