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  • Foto do escritorGabriella Ferreira

Crítica | Sex Education (4ª temporada)

Atualizado: 13 de out. de 2023

Com último ano abaixo do esperado, série finaliza sua jornada de maneira agridoce

Foto: divulgação


Logo após o lançamento da sua primeira temporada em 2019, Sex Education se tornou uma das séries mais populares e comentadas entre o público jovem do streaming. Agora, quatro anos depois, a série encerra o seu ciclo com o lançamento da quarta e última temporada no fim deste mês de setembro com oito episódios para fechar a história de Otis e outros alunos de Moordale.


Nesta quarta temporada, acompanhamos os desdobramentos na vida desses jovens após o fechamento da Moordale Secondary e o início das aulas na escola Cavendish. Otis está empenhado em abrir uma nova clínica, mas, se depara com uma rival à altura, Eric vive dividido entre a Igreja e sua família e a visão de mundo que ele alcança com os novos amigos, Cal inicia sua transição, Jackson começa a se questionar sobre seu pai biológico, Adam desiste da escola e busca uma nova profissão, Aimee se debruça sobre arte e, enquanto isso, Maeve vive o seu sonho em uma prestigiada universidade americana estudando para ser uma escritora. Tudo isso ao mesmo tempo que eles precisam lidar com a própria sexualidade, desejos, dúvidas e inseguranças.


Sem dúvidas, Sex Education é uma série muito importante por desmistificar muitos tabus acerca do sexo de uma forma muito responsável e orgânica com uma linguagem muito acessível para o seu público alvo. Desde o seu início até a sua temporada final, foram diversos assuntos de extrema relevância para os jovens. Neste quarto ano não seria diferente e Sex Education aborda com maestria temas como depressão pós-parto, vergonha do próprio corpo, processo de transição, o uso de hormônios e de como isso afeta o psicológico de pessoas trans, o luto, a superação de um abuso. A série é muito pontual e certeira na mensagem que ela quer espalhar e tudo isso é inserido no roteiro de uma forma muito natural, identificável e honesta.

Foto: divulgação


Porém, mesmo com seus méritos, a última temporada de Sex Education ficou devendo em algo que estava conseguindo seguir bem até então. O desenvolvimento dos personagens, especialmente do seu protagonista, parece que foi esquecido, e aqui Otis age como se estivéssemos de volta à primeira temporada. Foi como se todos os personagens conseguissem evoluir e ele ficasse lá atrás. Não sei se essa era a intenção da série, mas ver Otis tão imaturo é uma das coisas mais chatas desta quarta temporada.


Sem poupar elogios, é sempre bom destacar a qualidade do elenco da série. Desde os mais jovens aos mais velhos, todos entregam atuações maravilhosas. Gillian Anderson é incrível como a Dra. Jean Milburn em um momento de extrema vulnerabilidade. Jean precisa lidar e aprender a maternar de novo, ao mesmo tempo que concilia o seu retorno ao trabalho com a volta da irmã mais nova em sua vida. É sempre uma delícia assistir Gillian Anderson em ação, especialmente em um papel onde ela está super à vontade.


Mas, sem dúvidas, o meu maior destaque é Ncuti Gatwa como Eric Effiong. Desde o início, Eric é um dos personagens que mais evolui temporada à temporada, e, neste quarto ano vemos o personagem se encontrar de vez em suas próprias convicções. Todo plot de Eric com dúvidas sobre a sua própria religião, sua fé e o fato de ser gay em uma comunidade tão preconceituosa foi um dos pontos altos da série. A jornada do personagem, como um todo, foi belíssima de se acompanhar e a construção identitária do personagem é um dos pontos altos de Sex Education graças a excelente atuação de Ncuti.

Foto: divulgação


Falando agora como uma conclusão para uma série tão querida e aclamada, mesmo com uma temporada regular, Sex Education falhou em não dar um destino muito claro aos seus personagens com um final um pouco vago e meio corrido no que diz respeito ao futuro dessa turma. Mesmo decepcionando um pouco nesse sentido, ainda é uma série que merece ser assistida pela qualidade do conjunto da sua obra e por ter percebido o momento certo de finalizá-la, mesmo que não agradando a todos.


Sex Education deixa um legado importante para a Netflix e para os jovens que assistiram ou vão assisti-la em algum momento da vida. É mais que um entretenimento, por mais que ela divirta, é uma aula muito boa sobre educação sexual onde muitas pessoas só irão aprender com ela. Mais uma vez, o entretenimento dá conta de não só ser uma companhia, mas, de também conscientizar quem assiste de alguma forma. Sex Education fez e continuará fazendo isso com maestria.


Nota: 3.5/5

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