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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"
1329 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"
- Crítica | Oppenheimer
quem já trabalhou no sci-fi pop Interstellar (2014), Dunkirk (2017) e no repetitivo e exagerado Tenet (2020 Oppenheimer mostra o homem que seguiu o mesmo caminho dos mitos e construiu, com suas próprias mãos,
- Entrevista | “Nos concentramos nos efeitos desse drama sobre as crianças”: Mees Peijnenburg fala sobre “Uma Família” (Mostra de SP 2026)
Diretor esteve na Mostra de SP para apresentar o filme, que aborda o processo de um divórcio através Dirigido por Mees Peijnenburg, o drama Uma Família é um dos longas a concorrerem na Mostra Perspectiva Internacional, da 50ª edição da Mostra de SP. O Oxente Pipoca já teve a oportunidade de assistir ao filme e você pode conferir a crítica aqui. Mees Peijnenburg esteve presente durante a Mostra para apresentar o filme, e o Oxente Pipoca pôde entrevistá-lo
- Crítica | Okurimono
Documentário funciona como bela reflexão guiada sobre o passado Foto: Divulgação Após uma ausência de 20 anos, Noriko, atualmente residindo no Canadá, retorna a Nagasaki para limpar a casa de sua mãe. Ao fazê-lo, encontra cartas que revelam detalhes de sua família entrelaçado com a memória dos habitantes da vila peninsular. Ao reconstruir esta história familiar, Okurimono evolui gradualmente para uma meditação cheia de sentimento sobre a passagem do tempo e o legado que deixamos. “Meditação” define bem a experiência de assistir ao documentário dirigido pela cineasta Laurence Lévesque. Tudo que a câmera apresenta nos seus 90 minutos tem um estado de apreciação reflexiva que funciona quase como uma prece. Em alguns momentos a câmera estável observa como num reality show tentando interagir o mínimo possível, saboreando o silêncio, as palavras precisas e a doçura quase harmônica de uma cidade que carrega um fardo invisível. São enquadramentos bem resolutivos que informam, em todos os planos, detalhes sobre a família, a casa, e o lugar. Falar de Nagasaki, que ainda vive as sombras de um dos maiores assassinatos em massa da história e provavelmente sempre viverá, é uma mácula que a personagem principal talvez nunca tivesse sentido. A necessidade de revisitar a casa de sua infância é a forma mais literal que se pode existir para trazer de volta o passado. Uma volta ao passado física não só mental e sentimental, mas bastante física e com texturas. Através de cartas, de gavetas antigas, de roupas, de fotos. E essa revisita acaba por se tornar um descobrimento. Noriko vai conhecendo junto com o espectador a destruição interna e subjetiva (ao mesmo tempo que coletiva) que a bomba fez na vida de várias gerações posteriores àquela que presenciou o acontecimento. Ela passa a conhecer sua história e vai reconstruindo sua interpretação sobre seus pais. Por mais que haja filmes, séries, animações e documentários recontando o fatídico dia, quando se tem sobreviventes contando sua experiência a mensagem chega de uma forma diferente. Entranhou na minha cabeça o preconceito das pessoas afetadas que ressoa até hoje como uma maldição adquirida sem qualquer culpa, causa ou pecado. O sofrimento une e coloca todos no mesmo plano e os depoimentos dos estranho que têm, talvez, apenas aquela desgraça como ponto comum é a prova disso. No entanto, a ideia de intercalar na montagem Noriko e suas irmãs tentando resolver as pendências dos falecidos pais com esses depoimentos parece fazer sentido enquanto texto escrito, mas na execução quebra a crescente de momentos e tira a força das narrativas, comprometendo um pouco também a linearidade do roteiro. Interessante ver como esse filme se contrapõe com o barulhento e opulento Oppenheimer. Um com a causa, o feito glorioso, a culpa com responsabilidade, o espetáculo da morte. O outro em silêncio, com graça, com penitência sem necessidade, com uma dor afável, quase que gentil. Nota: 3/5
- Crítica | Rustin
não deixou o fluxo orgânico e azeitado como aconteceu em seu último trabalho A Voz Suprema do Blues (2020
- Crítica | O Conde
Sátira sobre Pinochet se fortalece, se diverte e também se perde em sua própria diegese Foto: divulgação Na comédia cheia de ironia, o ditador Augusto Pinochet é, na verdade, um vampiro com mais de 200 anos que se refugiou no Chile com a intenção de estabelecer seu próprio império. No entanto, o sanguinário líder parece estar cansado e sem propósito, e finalmente quer dar um fim a sua vida cheia de glórias e também de derrotas. Ele resolve reunir sua família uma última vez para revelar alguns segredos e apontar direcionamentos para o futuro de seus descendentes. Pablo Larraín é, para mim, um dos diretores mais refinados – no sentido de elegância mesmo – da atualidade. Sua câmera firme, seus planos bem desenhados e seus enquadramentos bem compostos sempre constroem resultados com uma linguagem visual que imprime requinte e bom gosto. E em O Conde os usos do preto e branco, aplicado de maneira brilhante pelo primoroso Edward Lachman e aliado a uma direção de arte bem detalhada e cheia de texturas, dão um aspecto frio, rígido, tenso, mas não menos apurado. Mas toda essa sofisticação fica apenas na plasticidade porque o roteiro é um escracho. No melhor e no pior sentido. A alegoria de um ditador sanguessuga não é tão difícil de entender, sejamos honestos, mas o roteiro faz questão de toda hora ficar lembrando que aquilo é uma metáfora com exemplos políticos generalistas e piadocas já conhecidas. É uma sátira, tudo isso está autorizado, mas o problema vem quando o texto tenta ser mais esperto do que realmente é e começa a ser redundante e óbvio. Sem spoilers, mas existe uma narradora que só aparece ao final e que é talvez uma das maiores e melhores piadas, mas sua participação é tão desnecessária comparada ao que fora construído no primeiro e no segundo ato que ela se torna deslocada. A esposa e os filhos de Pinochet são o que de fato funcionou sem exageros e sem firulas. A gananciosa esposa almeja se tornar vampira e os gananciosos filhos almejam a herança do pai que nunca morre; a sede deles por poder (e por sangue) a qualquer custo é o viés que valida todas as ironias do filme. Foto: divulgação Larraín é criativo no filmar vidas de personalidades, e esse se pode ver que é um dos projetos mais apaixonados e caprichosos do diretor, e não digo isso num sentido romântico, mas num sentido visceral mesmo. Ele alfineta da hipocrisia religiosa que anda de mãos dadas com os 7 pecados capitais até o imperialismo do “primeiro mundo” com um rancor (e uma vontade) de anos, que foi maturando e ganhando forma até culminar na representação vampiresca de uma das figuras mais abjetas da história da América Latina. Deixando de lado as ideias um tanto reducionistas dos causos da política, ou mesmo não tendo qualquer conhecimento do contexto histórico daqueles personagens, ainda assim é um produto bem construído, bem desenvolvido e com todos os demais traços necessários para se tornar um clássico eventualmente. Nota: 4/5
- Crítica | Desaparecida
Um suspense criativo, antenado e com discussões interessantes Foto: Divulgação Filmes de suspense sempre são figurinhas carimbadas durante os lançamentos do mês, e, fazendo parte dessa leva do gênero, o longa Desaparecida chegou aos cinemas brasileiros no último dia 9. A história é uma sequência independente do aclamado Buscando, lançado em 2018 e dirigido por Aneesh Chaganty. Agora, dirigido por Nicholas D. Johnson e Will Merrick, os papéis nessa narrativa são invertidos e o público é apresentado à protagonista June, uma adolescente que vive com a mãe e que precisa lidar com o desaparecimento da mesma e do namorado após uma viagem romântica para a Colômbia. Tendo seus esforços bloqueados pela burocracia internacional e em Los Angeles, a milhares de quilômetros do local do desaparecimento, June utiliza toda a tecnologia que tem disponível ao seu alcance para encontrar a mãe antes que seja tarde. Quanto mais investiga, mais questões que ela nunca imaginaria encontrar surgem e ao descobrir os segredos da mãe, June percebe que o verdadeiro perigo está bem mais perto do que imaginava. Foto: Divulgação Iniciando com com cenas docu-dramáticas baseadas nos eventos do filme anterior, Desaparecida já deixa bem claro que as duas obras se passam no mesmo universo e fica claro para o telespectador também, desde o início, que o longa seguirá o mesmo formato de sucesso do seu predecessor. Sua história é contada quase que inteiramente por meio das telas do computador e do celular de June. Essa narrativa ajuda a deixar o longa frenético, onde as coisas vão acontecendo de uma forma bem intensa e ao mesmo tempo, aumentando ainda mais o grau de tensão existente na obra. Mesmo com esse formato diferente, o filme consegue apresentar muito bem seus personagens por meio desses detalhes virtuais, fazendo com que o telespectador sinta empatia com os mesmos dentro dessas situações de perigo e entre de cabeça nessa história. É interessante observar também como o roteiro consegue trabalhar as motivações de cada um e na medida em que June investiga as coisas por conta própria, quem está assistindo também entra nesse jogo e cria suas próprias teorias sobre o que pode ter acontecido. Storm Reid e Nia Long formam uma excelente dupla como mãe e filha e também entregam ótimas atuações durante todo o longa. Outro ponto positivo são as temáticas que o filme aborda, que vão desde a questão da segurança na internet à violência doméstica. Com plot twists realmente surpreendentes, Desaparecida é uma sequência indireta à altura de Buscando e uma boa adição a o gênero de suspense-tecnológico que vem se fortalecendo nos últimos anos com boas produções. Nota: 4/5
- Crítica | O Milagre
Fé e mistério se unem no novo filme de Sebastian Lélio, com uma das melhores atuações da carreira de Florence Pugh Divulgação: Netflix Adaptado do livro homônimo de Emma Donogue, “O Milagre” conta a história da enfermeira inglesa Elizabeth Wright (Florence Pugh), que, em 1862, foi a um remoto vilarejo da Irlanda para observar o jejum supostamente milagroso de Anna (Kíla Lord Cassidy), uma menina de onze anos, que sobrevive assim há meses sem graves consequências físicas. Elizabeth é assombrada pelo seu passado, o que dificulta sua aproximação com outras pessoas e a deixa ainda mais cética, diferente da população local, que acredita se tratar de um milagre. Turistas chegam aos montes para visitar a garota, e além deles, o caso desperta o interesse de um jornalista que procura investigar o caso. Dirigido pelo chileno Sebastian Lélio, o longa tem uma forte atmosfera de suspense. O fato de haver um mistério no enredo, obviamente colabora, mas os tons sombrios que o diretor explora, e sempre se utilizando de cores frias ou neutras, seja no cenário ou no figurino dos personagens, ajuda a deixar a experiência ainda mais imersiva, quase como se a gente sentisse o clima gélido daquele lugar. Como não li o livro, não posso julgar a fidelidade como adaptação, mas gosto bastante de como o roteiro funciona, que é escrito pela própria Donogue, Lélio e por Alice Birch. O modo como é construída a relação de Lib e Anna, muito me agrada. De início, a enfermeira tenta não se envolver emocionalmente, enquanto a menina luta para quebrar a barreira. Anna não quer ser tratada apenas como um objeto de estudo, e Lib começa a usar isso ao seu favor, à medida que começa a se afeiçoar pela garota. O texto trabalha ambas personagens muito bem, deixando o laço que elas formam extremamente verossímil, o que é importante pra que o espectador se conecte com elas e também para a narrativa no geral. O foco central que o filme quer abordar, e o faz com maestria, é o fanatismo religioso. A comunidade é fincada sob fortes raízes católicas, tanto que, além de Lib, uma freira também é chamada para observar Anna. A maioria das pessoas ali se deixa guiar inteiramente pela fé e a crença na vida eterna após a morte. Então, quando alguém questiona isso, é como uma grave ofensa para eles. O mistério principal está completamente conectado a esta perspectiva e é em torno dela que todo o contexto vai sendo trabalhado. A surpreendente cena inicial já nos diz sobre a importância de contar uma história e acreditar dela. E é justamente sobre isso. Tudo casa muito bem e as respostas para as perguntas são bastante satisfatórias, bem como o ritmo da trama, onde eu mal senti as quase 2h. Falei que a cena inicial surpreende e é verdade. No entanto, como a trama do longa é tão forte, ela se torna um tanto desnecessária e o filme quase se torna presunçoso quando não precisava ser. Entendo o porquê de existir inicialmente, mas quando os créditos sobem, se torna uma explicação obsoleta. Divulgação: Netflix Expondo esse pequeno defeito, há de se falar então do seu maior trunfo: Florence Pugh. A atriz já mostrava seu enorme talento há algum tempo, mas aqui ela traz uma de suas melhores performances. Silenciosa, contida, séria, de início, ela fala pelo olhar. A complexidade dos traumas que sua personagem carrega é demonstrada de uma forma brilhante por ela. Ela não precisa de caras e bocas para expressar o conflito de emoções que Lib tem. Mas quando precisa gritar ou chorar, ela o faz sem jamais escorregar para o exagero. É fascinante. Talvez não seja indicada ao Oscar porque a campanha do filme está em baixa, mas se fosse, seria mais que merecido. Kíla Lord Cassidy também tem um papel difícil na pele de Anna, não conhecia o trabalho dela e ela manda muito bem. Outro ator que de quem eu gosto muito e fiquei feliz de vê-lo no elenco, é Ciarán Hinds. Uma pena que ele não tem tanto destaque quanto eu gostaria. Tudo em excesso faz mal. Não tenho intenção de “explicar” o final ou o que o filme “quer dizer”, não só porque é bem fácil de entender, mas também porque enriquece a experiência de quem assiste a uma obra pensar sobre ela. Comigo pelo menos funciona assim. Prestando atenção, não há a menor dificuldade de compreender as mensagens, até porque a história te prende ali. Eu esperava um filme mais contemplativo, e fui pego de surpresa, não só pelo ritmo, como também pelas viradas bem pensadas do longa. É um filme que te convida a refletir, mas ele te dá material suficiente pra isso. E que belo material. Nota: 4,5/5
- Crítica | Os Suburbanos
Um grande esquete do que havia de pior em programas humorísticos antigos. Divulgação: Downtown Filmes e Paris Filmes Qual o limite do que é aceitável dentro de um suposto filme de comédia? Ou tudo é válido em troca das risadas? Durante a quase uma hora e meia de Os Suburbanos essa pergunta invade a mente, principalmente por nem sequer conseguir gerar risadas. Para começar, deve-se dar créditos ao longa por já no início alertar ao espectador que aquilo não se trata de um bom filme, pessoas com mais consciência escutariam o aviso e abandonariam ali mesmo, pois, os minutos seguintes vão gerar um grande desconforto e uma sensação fixa de vergonha alheia até o final. Estrelado por Rodrigo Sant’Anna, o filme não se leva a sério em nenhum momento, o que até poderia ser algo legal, mas ele não consegue criar nenhuma atmosfera de humor. Utilizando de clichês e estereótipos extremamente ultrapassados e batidos, ele se molda por trás de tentativas de piadas grosseiras que parecem tiradas de esquetes de programas de humor dos anos 90. A insistência dessas produções em continuarem retratando a figura de pessoas suburbanas e periféricas de maneira espalhafatosa é algo que causa um incômodo contínuo, trazendo uma saturação de algo que nem deveria ser abordado assim. Não tem muito sentido em avaliar uma obra que deixa óbvio que o único motivo da sua existência é lucrar com o mínimo de investimento ou esforço de fazer algo razoavelmente bom. No entanto, ele pelo menos tem o bônus de algumas personalidades queridas por muita gente de aparecerem em tela. Muitas das vezes sem qualquer propósito, mas quem se importa com isso dentro de uma produção que não se leva a sério, né? Figuras como Tadeu Mello, Rafael Portugal e até Jojo Toddynho aparecem em algum momento, deixando o longa atrativo por alguns segundos. Contudo, nada se salva. Não há nenhuma seriedade de roteiro, parece um grande compilado de frases pavorosas e situações que beiram o ridículo. Nenhuma escolha ali parece acertada, e o protagonista deixa tudo ainda mais desagradável, as tentativas de Sant’Anna de executar humor físico são vergonhosas, e nenhuma delas consegue gerar nem um fantasma de riso. Além disso, há a terrível ideia de continuar utilizando figuras LGBTQIAP+ como piada, trazendo uma representação desrespeitosa, ultrajante e ultrapassada que já era um desserviço no passado, e ganha um tom ainda pior quando se é lembrado que o ator principal é um homem gay. Por fim, ‘Os Suburbanos’ é um dos filmes menos atrativos já idealizados, não há graça na forma de humor que utilizam e não há seriedade ou interesse em fazer comédia de qualidade. Não há o mínimo esforço em se fazer algo menos que o ruim, deixando uma sensação de piedade em atores talentosos que entraram nisso (provavelmente por falta de opção). A questão principal que ele deixa é: qual a razão de tentar fazer algo bom se o ruim parece dar retorno?
- Crítica | LAR
Leandro Wenceslau transforma o cotidiano de famílias LGBTQIAPN+ em um gesto de afeto e reconhecimento. Imagem: Divulgação Uma das máximas de Eduardo Coutinho é que o documentário é um território de incertezas, mas isso é o que o torna belo. Ligar uma câmera e registrar o cotidiano pode parecer simples, até previsível. Ainda assim, nada disso diminui a essência do encontro entre quem filma e quem é filmado. É nesse ponto que começo a falar de “LAR”, primeiro longa-metragem documental do cineasta mineiro Leandro Wenceslau. “LAR” acompanha três famílias LGBTQIAPN+ em suas rotinas, maneirismos, hábitos e, acima de tudo, em seus afetos. Paralelamente, o filme assume sua condição documental ao trazer a voz do próprio diretor, que compartilha memórias, revisita experiências pessoais e reflete sobre suas próprias noções de vínculo e família. Entre as cenas íntimas das famílias e a perspectiva autobiográfica de Wenceslau, o trabalho convida o público a traçar paralelos entre o olhar do diretor e seus desejos de construir uma família. A partir daí emergem as complexidades de criar uma criança sendo LGBTQIAPN+ em uma sociedade ainda marcada pela heteronormatividade: os desafios na escola, as barreiras jurídicas e burocráticas de uma adoção – que ainda perpassam por questões raciais –, além das preocupações triviais de todo pai ou mãe com o bem estar dos seus. Embora retrate as dificuldades e receios dessas famílias diante do preconceito estrutural, o longa transita entre esses temas com sensibilidade. Cada núcleo familiar tem seus jeitos, dinâmicas e particularidades, o que dá ritmo à primeira metade do longa. Talvez o único incômodo esteja na constante alternância entre as imagens documentais e os monólogos do diretor; uma escolha intencional, mas que pode gerar uma estagnação da narrativa. Imagem: Divulgação Em muitos momentos, o filme se apoia nas cenas mais corriqueiras possíveis, e é justamente isso que o torna especial. Há um evidente cuidado na curadoria das imagens. Entre um “aproveita que você está em pé e busca uma água pra mim” e um “a vó faz uma broa com goiabada, então eu prefiro a broa da vó”, a produção reconhece a presença da câmera, mas nada ali escapa à normalidade. É um filme familiar que não tenta ser outra coisa. O documentário é cotidiano em sua forma mais pura e reconhece que o desafio também faz parte do trivial. A atmosfera narrativa é calma, sem grandes sobressaltos, o que contribui mais do que atrapalha. O corriqueiro, aqui, aparece como parte legítima do real. No fim, Wenceslau entrega um documentário sensível, leve em textura e ritmo, que consolida uma ideia muito clara: um lar é feito de acolhimento, de presença e de carinho, longe de qualquer ideia pré estabelecida socialmente. “LAR” estreia no dia 13 de novembro nos cinemas de Belo Horizonte, Salvador, São Paulo e Vitória, com distribuição da Embaúba Filmes. Nota: 3,5/5
- Crítica | Eu & Você na Toscana
Filme não encontra novos caminhos para a comédia romântica, mas percorre os velhos com simpatia. Imagem: Divulgação As comédias românticas vivem uma espécie de eterno retorno. Mesmo quando parecem seguir exatamente a mesma receita de sempre, há algo reconfortante em acompanhar duas pessoas destinadas a ficar juntas atravessando obstáculos que sabemos, desde os primeiros minutos, que serão superados. Eu e Você na Toscana, que estreia nos cinemas em 11 de junho, entende perfeitamente essa lógica e não tenta reinventá-la. Dirigido por Kat Coiro e escrito por Kristin e Ryan Engle, o longa acompanha Anna (Halle Bailey), uma jovem que vê sua vida virar de cabeça para baixo ao perder o emprego e o apartamento no mesmo dia. Em uma decisão impulsiva, ela embarca para a Toscana para ocupar a casa de um homem que sequer conhece. O problema começa quando a mãe do proprietário aparece inesperadamente e Anna, tomada pelo pânico, inventa ser sua noiva. A situação se complica ainda mais com a chegada de Michael (Regé-Jean Page), primo do suposto noivo e, obviamente, alguém que desperta sentimentos que ela não estava esperando. Se a premissa parece familiar, é porque realmente é. O filme lembra diversos romances contemporâneos que dominaram livrarias, plataformas de streaming e sessões da tarde nos últimos anos. Há a protagonista em crise existencial, a mudança repentina para um lugar paradisíaco, o interesse amoroso irresistível, o segredo que inevitavelmente será descoberto e a promessa de recomeço. Nada disso é novidade. Mas talvez esse seja justamente o seu maior mérito. Eu e Você na Toscana funciona porque abraça sem vergonha as convenções do gênero. Diferentemente de produções que tentam ironizar ou desconstruir a própria fórmula, o filme entende que parte do prazer de uma boa rom-com está justamente na previsibilidade. Sabemos para onde a história vai, mas seguimos acompanhando porque queremos ver como ela chegará lá. Imagem: Divulgação Grande parte desse envolvimento passa pela química entre Halle Bailey e Regé-Jean Page. Os dois sustentam cenas simples com naturalidade suficiente para tornar crível uma relação construída em situações cada vez mais improváveis. Mesmo quando o roteiro exige alguns saltos de lógica difíceis de justificar, a interação dos protagonistas ajuda a manter a narrativa funcionando. Bailey entrega uma protagonista carismática, vulnerável sem exageros, enquanto Page faz exatamente o que o gênero espera dele: ser encantador o suficiente para convencer o público de que vale a pena embarcar naquela história. O resultado é uma dinâmica leve, divertida e agradável de acompanhar. Outro personagem importante é a própria Toscana. O filme transforma a região italiana em muito mais do que cenário. As paisagens ensolaradas, os pequenos vilarejos, os cafés e vinhedos ajudam a construir uma atmosfera acolhedora que reforça a sensação de escapismo. Durante pouco mais de cem minutos, o longa oferece uma viagem confortável para um lugar onde os problemas parecem menores e os romances parecem inevitáveis. Isso não significa que o filme esteja livre de problemas. Em alguns momentos, a trama exige uma boa dose de suspensão da descrença. Há situações que parecem existir apenas para empurrar os protagonistas para mais perto um do outro, e certas conveniências narrativas soam artificiais. O roteiro também evita qualquer risco, permanecendo sempre dentro de uma zona segura. Há filmes que marcam pela originalidade e outros que encontram valor justamente na familiaridade. Eu e Você na Toscana pertence claramente ao segundo grupo. Não reinventa a comédia romântica, não amplia os limites do gênero e tampouco apresenta grandes surpresas. Mas entrega exatamente aquilo que promete: uma história leve, divertida, visualmente encantadora e sustentada por protagonistas que funcionam juntos. Em tempos em que muitas produções parecem determinadas a serem grandiosas, existe algo quase refrescante em um filme que apenas quer ser agradável. E, dentro do universo das rom-coms, isso às vezes é mais do que suficiente. Nota: 3/5
- Crítica | Honestino
Na avaliação dessa humilde crítica, porém, o longa funciona essencialmente como um documentário.
- Crítica | The Flash
Pena que o mesmo não pode ser dito da Supergirl de Sasha Calle, que se mostra uma personagem subutilizada resgate da Supergirl que The Flash começa a perder força, culminando num terceiro ato inferior e que mostra retorno de Michael Shannon como Zod empolga, e não é difícil entender porque o ator foi abertamente crítico elementos que se sobressaem o suficiente para distingui-lo, incluindo o CGI – que, à despeito de algumas críticas feitas aqui, consegue se encaixar muito bem ao longa em sua artificialidade intencional, que se mostra












