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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1329 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | O Dublê

    horas poderiam dar um entendimento maior da categoria para fora de cena e par além do que usualmente se mostra

  • Crítica | Uma Família Feliz

    Longa faz críticas a classe média alta brasileira com suspense psicológico surpreendente Foto: Divulgação É um contraponto curioso dentro de um roteiro que também faz suaves (às vezes não tão suaves assim) críticas Feliz continua provando que o Brasil faz e exporta ótimos filmes do gênero sem deixar de fazer uma boa crítica

  • Crítica | Depois do Universo

    O casal protagonista mostra química e conseguem sustentar o filme por mais que o desdobramento do filme

  • Crítica | A Jaula

    desespero e a claustrofobia do personagem de Chay, também sentimos uma veia satírica e extremamente crítica nome, mas, é possível perceber perfeitamente o motivo da sua adaptação brasileira, especialmente em 2022 Dirigido por João Wainer, a crítica social do longa se enfraquece com algumas decisões do roteiro (especialmente

  • Crítica | Dentro da Baleia

    Não estamos diante de uma produção que depende exclusivamente do espetáculo de monstros gigantes perseguindo O cachalote não age como um monstro que persegue deliberadamente o protagonista.

  • Crítica | Propriedade

    A obviedade de um discurso político salva pela força do suspense Foto: Divulgação O conflito de classes tem ganhado notável espaço no cinema nacional e internacional dos últimos anos, impulsionado especialmente após a vitória de Parasita (2019) no Oscar. No nosso cinema, tal temática já é trabalhada há décadas nas mais diferentes perspectivas: da luta anticolonial e popular do Cinema Novo, passando pelas “figuras do ressentimento” individualistas do cinema de Retomada e pelas tensões político-ideológicas emergidas nos primeiros governos Lula e acentuadas pela ascensão da extrema-direita bolsonarista. Propriedade, de Daniel Bandeira, se enquadra nesse último panorama, e seu mote político é potencializado pela sua espacialidade: a Zona da Mata pernambucana, com seu histórico de engenhos e usinas de açúcar, casas-grandes e senzalas e relações de classe que aparentemente pouco mudaram desde o período colonial. Nesse sentido, se aproxima tanto de O Som ao Redor (2013) e Açúcar (2017), para citar dois exemplos recentes: a diferença está na forma, em como Bandeira conduz a história pelo viés do suspense e da violência. Na trama, Tereza (Malu Galli) é uma estilista que vive cada vez mais reclusa após sofrer um assalto e sequestro que terminou com a violenta morte do bandido. Para oferecer-lhe um pouco de paz e tranquilidade, seu marido Roberto (Tavinho Teixeira) a leva para a fazenda de sua família na Zona da Mata no seu luxuoso novo carro, que mandou blindar. Paralelamente, os empregados da fazenda recebem a notícia de que ela irá fechar para dar lugar a um hotel e por isso serão demitidos, com pouca ou nenhuma chance de ressarcimento, o que gera um sentimento de revolta coletivo que não tarda a atingir o casal de patrões. Apesar da relativa curta duração de cerca de 100 minutos, Propriedade opera num ritmo cadenciado que vai aos poucos alavancando a tensão da história, especialmente ao nos apresentar primeiro o ponto de vista de Tereza e depois dos empregados. Se a revolta destes nos parece justa, pouco há para nos fazer empatizar pela protagonista além do seu trauma (que depois de certo ponto é convenientemente ignorado), cabendo à força da atuação de Malu Galli sustentá-la até o fim, especialmente nos momentos de maior desespero e terror. Além disso, o filme não deixa de cair no clichê de tratar as massas como, bem... massas, um amontoado de rostos pouco distinguíveis uns dos outros, salvo um ou outro personagem, como aqueles interpretados por Zuleika Ferreira e Edilson Silva. Foto: Divulgação Se por um lado esse tratamento coletivo dado aos empregados dificulta uma certa conexão com suas motivações, por outro lado cai bem a um filme que evita o potencial maniqueísmo do seu discurso, como ocorre a tantas outras obras nacionais e estrangeiras, especialmente no contexto sociopolítico dos últimos anos. Bandeira está mais interessado na ambiguidade, em seguir o caminho menos fácil e cômodo, de modo que ele tampouco pinta Tereza como a “sinhazinha” vilanesca ou transforma os empregados numa unidade, permitindo que aflorem conflitos internos entre eles que impulsionam a trama. Nesse sentido, o suspense é a arma ideal para nos levar a esse caminho ambíguo e tortuoso, seja no visível ou no sugerido. Bandeira muitas vezes evita exibir frontalmente a violência para focar nas reações de Tereza, como na cena em que um personagem atira contra o carro blindado, e sabe que as consequências dessa violência podem ser ainda mais aterradoras, como no plano que exibe uma mão presa à porta do carro. A mixagem sonora do filme é outro grande acerto nesse aspecto, especialmente a partir do momento em que Tereza se vê presa no carro para sobreviver. A incapacidade dela de ouvir os empregados do lado de fora, mesmo quando esses tentam negociar para que a situação não piore, é simbólica de uma elite que jamais se prestou a ouvir seus subalternos e representa uma irreconciliável relação de classes (e também de raça, visto que a maior parte dos empregados é negra), culminando num final que, sem dar maiores spoilers, não poderia ser outro. Propriedade, portanto, tem a proeza de se inscrever num lugar-comum do cinema contemporâneo sem se prender a certas armadilhas que a sua proposta poderia trazer. Nem sempre acerta no que propõe a respeito dos seus personagens e também dos espaços que trabalha (as situações envolvendo Tereza e o carro são muito menos exploradas do que o filme prometia), mas é um excelente exemplar do audiovisual brasileiro na medida em que relaciona as tensões e conflitos de classe com o cinema de gênero. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Cassandro

    Gael García Bernal triunfa em cinebiografia com tom sensível, mas suntuoso Foto: divulgação Cassandro é o nome performático de Saúl Armendáriz, um dos mais famosos luchadores do México nascido dos EUA. Saúl é abertamente gay desde a adolescência e vive com sua mãe, uma imigrante batalhadora que faz de tudo para sustentar seu filho. No final dos anos 80, depois de anos lutando com a tradicional máscara, ele decide assumir o papel de um lutador exótico, assumindo personagens mais maquiados, com traços femininos ou fora dos padrões dos outros luchadores mascarados, e deverá enfrentar vários desafios pessoais e profissionais para se impor no meio da luta livre mexicana. Dicotomia e dualidade são as palavras de lei tanto da história de Cassandro quanto do filme em questão. Saúl nasceu de um caso extraconjugal entre um americano casado e uma imigrante mexicana, e passou a vida tendo que conviver com o pai que só conseguia vê-lo quando deixava sua esposa e filhas. Ao se assumir gay na adolescência, Saúl perde todo o contato com o pai por esse ser alegadamente religioso demais. Mas da relação com o pai nasce sua paixão pela luta livre. A luta livre mexicana é uma performance que mistura golpes de luta com encenação. E é nesse palco/ringue que Saúl consegue exorcizar seus demônios, angústias e brilhar para quem pudesse vê-lo, inclusive seu pai. Ao assumir o papel de Cassandro, um exótico, ele resolve deixar de lado uma parte da sua vida que viveu nas sombras, às escondidas. Mas é apenas uma parte. Saúl é apaixonado por outro luchador que vive com uma esposa e filhos, e esse ciclo acaba por interferir no seu desempenho profissional pro bem e pro mal. Os exóticos são criados para perderem as lutas para os luchadores tradicionais mascarados, mas Saúl não quer isso para Cassandro. Sua revolução não pode ser apenas pela metade, ele anseia respeito. Foto: divulgação Tudo isso precisou ser explicado para que o âmago do roteiro, e suas já citadas dualidades, seja compreendido, e, mais do que isso, seja valorizado e exaltado. Ao mesmo tempo em que Saúl precisa ser forte para assumir ser Cassandro o exótico – que é xingado das mais variadas ofensas pelo público sem qualquer problema – ele ainda é o sensível Saúl que luta por um romance fadado ao fracasso. Ao mesmo tempo em que ele se torna uma pessoa pública que atrai olhares e holofotes, ele ainda segue vivendo uma parte de sua vida retraída como foi na infância. E o hábil diretor Roger Ross Williams sabe equilibrar bem todas essas quase que contradições com flashbacks dosados que harmonizam com o presente sem querer disputar tempo de cena. Roger varia entre uma elegante câmera estável e suave e uma mais orgânica-vérité em cenas menos românticas e mais cruas. O roteiro cria um ambiente compreensível do contexto do esporte/arte sem querer dar palestrinha. O teor machista e homofóbico, por exemplo, que é cultural e estrutural da lucha libre surge como um condutor para o texto e não como um fator à parte que se destaque dos demais eixos. Todos os detalhes e definições essenciais para a compreensão do que acontece no ringue e fora dele até o momento que se inicia a luta são apresentados de maneira natural e já aplicados no personagem título. Gael García Bernal está em mais um daqueles papéis que consegue explorar bem o escopo do seu talento. Além de passear pelo drama com pitadas de humor sarcástico, seu trabalho de corpo e execução física é bastante convincente. Mas quem rouba as cenas em que aparece é a mexicana Perla de la Rosa que interpreta Yocasta, mãe de Saúl, com dureza, afeição, sensualidade, graça e paixão. Mesmo que inserido num recorte local bem específico, a história de Cassandro é universal e reflete muitos conflitos sociais para além do México e do esporte em questão. O filme evita passar por todos os momentos da vida de Saúl – ainda bem – e também escolhe escapar de algumas conclusões de personagens secundários, mas ainda assim traz o que é necessário para saudar o protagonista e dar as flores em vida que sua luta conseguiu conquistar. Nota: 4/5

  • Crítica | Perdida

    Conto de fadas brasileiro exagera nos clichês em versão atualizada da obra literária Foto: Divulgação Com estreia oficial marcada para o dia 13 de julho, o longa brasileiro Perdida chega aos cinemas depois de uma longa espera pelos fãs da obra. O livro de Carina Rissi foi lançado em 2011 e teve os direitos da adaptação do primeiro volume adquiridos em 2013. Posteriormente, eles foram renegociados para a Filmland International, que desenvolveu o filme em parceria com a Star Original, do grupo Disney. Perdida é o primeiro de uma série de seis livros com mais de 700 mil cópias vendidas somente no Brasil e tem a proposta de ser um conto de fadas moderno, com inspirações em famosas obras como Bridgerton e Outlander. Na história, conhecemos Sofia Alonzo (interpretada por Giovanna Grigio), uma garota moderna e independente, que quando o assunto é amor, os únicos romances da sua vida são aqueles do universo literário de Jane Austen. Porém, após utilizar um celular emprestado, algo misterioso acontece e ela é transportada para um mundo diferente, que se assemelha ao século XIX. Sofia é acolhida pela família de Ian Clarke (Bruno Montaleone) e enquanto tenta desesperadamente encontrar uma forma de retornar a sua vida, ela se apaixona por Ian e vê sua vida mudar completamente. Foto: Divulgação Sob direção de Katherine Chediak Putnam (Inferno), Dean Law (O Ritual do Livro Vermelho) e Luiza Shelling Tubaldini (Divórcio), Perdida enfrenta bem a parte mística da história, criando uma boa justificativa para sua protagonista e também explicando a falta de veracidade histórica que a obra não cria com o Brasil da época. Afinal, bebendo muito do proposto por outros conteúdos do gênero, a produção traz diversidade para um período histórico sempre representado por uma branquitude desnecessária. A primeira parte do filme, da Sofia do presente, amarra bem a narrativa, mas, não é tão bem dirigida quanto na sua segunda parte. Fica muito claro que o filme é quase dividido nessas duas etapas, de passado e de presente, e que não conversam muito entre si (esteticamente falando). A chegada ao século XIX traz um frescor para a história, além de uma fotografia muito bonita e uma direção de atores muito mais apurada. Com ótimas participações como Hélio de la Peña e Luciana Paes, Perdida tem um ótimo mérito de possuir um elenco brasileiro muito eficiente, mesmo que o roteiro pareça um pouco travado pela formalidade do texto, é possível notar a qualidade dos atores. Giovanna é incrível, muito talentosa e cativante em cena, é impossível não gostar dessa versão da Sofia criada pela atriz. Já Bruno teve a difícil missão de interpretar um daqueles personagens adorados e extremamente idealizados para o público leitor do livro, e, acredito que eles devem ficar satisfeitos com a versão do Ian Clarke das telas. Também vale ressaltar a química dos dois em cena, sendo determinante em momentos-chave do filme. Mas, para quem vai esperando uma história inovadora, devo orientar que Perdida não deve ser a sua escolha. O longa é divertido, cumpre o seu papel e deve satisfazer os fãs do livro. Na história, caímos em vários clichês que se misturam em diversos filmes, séries e obras literárias do gênero que já cansamos de assistir e acompanhar. O diferencial de Perdida seria, por exemplo, trazer esses clichês para a realidade brasileira. Porém, o longa cai na pasteurização da história para atingir um público mais abrangente que o do nosso país. Não é um problema. Só peca na falta de originalidade. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Skinamarink

    Uma experiência aterradora sobre nossos medos mais primitivos Divulgação O cinema experimental tende a causar seu devido estranhamento no grande público. “Filme excêntrico conceitual indie? Tô fora” – dizem. E bom, a verdade é que muito do que se vende como “experimental” acaba se mostrando miseravelmente chato à medida em que exige demais daquilo que se diz estar escondido nas entrelinhas. Porém, em ‘Skinamarink’, longa-metragem de estreia do diretor e roteirista Kyle Edward Ball, essa lógica é subvertida em favor de uma experiência única que foge (e muito) do convencional. Não à toa, a produção causou grande burburinho nas redes ao ser considerado por muitos o filme mais assustador do ano. A trama segue Kevin e Kaylee, duas crianças que acordam no meio da noite e percebem que seu pai desapareceu sem deixar rastros. Além disso, portas, janelas e outros objetos parecem seguir o mesmo destino. No decorrer do filme, acompanhamos os garotos durante a madrugada e suas reações perante as coisas estranhas que estão acontecendo dentro da casa. Vale dizer, desde já, que tudo isso ocorre de maneira desconexa, em que grande parte da condução narrativa ocorre fora dos nossos olhos, já que vemos tetos, chão, paredes e as silhuetas dos pequenos, mas nunca seus rostos. Em uma incursão mais profunda, percebemos que a história possui muito mais camadas do que aparenta. A decisão de utilizar crianças como únicos personagens do enredo diz muito sobre a intenção do roteiro em deixar o espectador completamente à deriva. Pouco se sabe sobre o background daquela história, e é apenas através de alguns diálogos confusos entre os dois irmãos que podemos ir tendo a mera ideia do que realmente se passa – o que torna tudo ainda mais assustador. Divulgação A proposta é justamente causar estranheza, a qual vem atrelada a um sentimento deturpado de nostalgia. Isso porque o desenrolar da trama é especialmente voltado ao resgate de um dos sentimentos mais primitivos do ser humano: o medo do escuro. O longa explora nossos instintos mais infantis e utiliza um território familiar como artifício materializador de uma atmosfera hostil e obscura. Em síntese, a sensação de assistir aos momentos iniciais de 'Skinamarink' é análoga a de acordar de um pesadelo e se deparar com um quarto envolto na escuridão. Para criar essa atmosfera, o longa se utiliza de artifícios sensoriais para causar o efeito de “pesadelo”. Com uma câmera de efeitos granulados que remetem à tentativa dos olhos humanos de se adaptar ao escuro, a casa em que o filme é ambientado tem seus cômodos e corredores transformados em verdadeiros “espaços liminares”, termo utilizado para caracterizar lugares vazios, fora de contexto, que causam sensação desconfortável de medo, nostalgia e familiaridade. E é justamente nesse quesito que 'Skinamarink' é bem sucedido em sua empreitada, tornando-se impossível de esquecer. A atmosfera sombria pautada na incerteza do que se esconde nas trevas transforma o longa em uma verdadeira experiência imersiva. Tudo é perfeitamente pensado para causar desconforto: A câmera estática, o escuro, a ausência de som e o sentimento de dissociação da realidade atuam como condão de um filme que tem como principal objetivo assustar quem assiste. Os “jump scares” são moderados e, quando utilizados, encaixam muito bem com a situação em tela. Divulgação Todavia, é preciso fazer algumas ressalvas. Muito embora seja reducionista considerá-lo “chato”, o filme peca pelo excesso de cautela na hora de construir sua narrativa. Penso que poderia se dar muito melhor como um curta ou média metragem, já que, muito embora a tensão criada ajude a segurar os curiosos, a demora que o filme leva para engatar é uma verdadeira barreira, o que o torna maçante em diversos momentos. 'Skinamarink' é ousado, para dizer o mínimo. Redirecionar a atenção para imagens estáticas e deixar os sons e a imaginação do espectador fazerem o trabalho narrativo requer nada menos do que uma execução eficiente – e é o que ocorre aqui. Sabemos que trazer para as grandes telas experimentos dessa magnitude é uma tarefa difícil, e conseguir que deem certo é mais difícil ainda. Por isso, apesar de ter seus erros (e, confesso, a lentidão é o maior deles), o trabalho de Ed Ball é fulminante em sua finalidade. O medo é real, bruto e quase palpável. Assistir 'Skinamarink' à noite e sozinho foi talvez uma das experiências mais reais de terror que eu pude experienciar, com sequências que fazem gelar a espinha sem precisar mostrar muito, sendo essa é a genialidade de sua execução. Logo, fica de lição: não dá pra torcer o nariz logo de cara quando nos deparamos com “cinema experimental”, às vezes achamos coisa boa por aí. Nota: 4/5

  • Crítica | Juntos

    Romance fantasiado de terror funciona nos níveis metafórico e literal. Divulgação Depois de anos de relacionamento, Tim (Dave Franco) e Millie (Alison Brie) se encontram em uma encruzilhada ao se mudarem para o interior. Com as tensões já exaltadas, um encontro com uma força sobrenatural ameaça corromper suas vidas, seu amor e sua carne. Tenho receio de falar em filmes de terror que funcionam no campo da analogia porque esse estilo de filme sufocou o terror de sensações mais imediatas na década passada, e se tornou o queridinho das pessoas rasas que gostam de pagar e cabeçudas e acham que uma simples metáfora tem mais peso qualificatório do que os mais literais. Mas Juntos é um destes filmes e que trabalha bem suas figuras de linguagem a ponto de funcionar no âmbito referencial e no âmbito mais pragmático, digamos. O texto trata de um casal com problemas de codependência, com problemas de confiança e com problemas de segurança. E quando essas questões ficam à flor da pele isso acontece de forma simultânea no terror e no romance/drama, ao pé da letra e nas entrelinhas. Existem também um tom e humor satírico que permeia todas essas camadas e que deixa margem para fazer graça com as situações e suas interpretações, o que funciona quando o filme se abre ao bizarro, mas tira parte da coragem ao se blindar de leituras mais sérias, que não relevem tanto os detalhes. Afinal, a mitologia por trás dos eventos causadores do terror corporal é explicada enquanto causa, mas não enquanto modo operante. Os motivos são apresentados, mas não se explica como acontece. E o texto se vira sem isso, honestamente, e nem se preocupa em ir além em suas filosofias. Divulgação A química entre o casal protagonista ajuda tanto nos momentos de tesão quanto de tensão. Dave Franco e Alison Brie conseguem equilibrar bem os textos mais sóbrios com os mais engraçados sem quebrar os climas e sustentando a fusão de gêneros que o filme propõe. São trabalhos que mantêm a narrativa de pé mesmo quando a lógica por trás do enredo ameaça desmoronar. No fim, este bad romance sabe ser divertido, é ágil e flui bem, mesmo que, para isso, passe por cima de vários deslizes de continuação e buracos narrativos. É um filme que prefere empilhar e expor suas boas ideias visuais entre o grotesco e o romântico do que entregar alguma solidez. Nota: 3,5/5

  • Crítica | O Sobrevivente

    Imagem: Divulgação O Sobrevivente retrata uma realidade sombria que se passa no ano de 2025, nos Estados

  • Crítica | O Estrangeiro

    François Ozon encontra na inexpressividade de Benjamin Voisin o veículo ideal para adaptar o existencialismo e absurdismo do clássico livro de Albert Camus. Divulgação Argélia, década de 1930. A mão colonial francesa se estende pela capital Argel de diferentes maneiras, algumas sutis e outras nem tanto. É nesse universo de veladas tensões entre franceses e árabes que vive Mersault (Benjamin Voisin), um funcionário de uma empresa que perde a mãe e vive em constante demonstração de indiferença para com o mundo e as pessoas ao seu redor. Após matar um jovem árabe a aparente sangue frio, Mersault é julgado, embora menos pelo crime e mais por essa alienação ao mundo. Escrito por Albert Camus e publicado em 1942, O Estrangeiro refletia talvez muitas das próprias complexidades do seu autor, um argelino de ascendência francesa que estudou na Universidade de Argel, lutou na Resistência Francesa e mais tarde adotou uma posição moderada na guerra de independência da Argélia. Mais do que isso, também foi um veículo para as correntes filosóficas do absurdismo – a qual em essência alega que o universo é irracional e sem sentido – e do existencialismo, embora o próprio Camus rejeitasse sua associação com esta corrente. Para o diretor François Ozon, traduzir a veia filosófica do livro e as suas camadas ligadas à ambientação no período colonial da Argélia só se tornou possível ao encontrar um ator que pudesse transmitir a indiferença e apatia de Mersault para com tudo e com todos. Entra em cena Benjamin Voisin, que já havia trabalhado com o diretor em Verão de 85 e que dá vida a um protagonista que nos chama a atenção pela sua quase completa ausência de reação ao longo de todo o filme. É um trabalho muito difícil de jogo atoral, já que com exceção da sua última cena com o capelão (Swann Arlaud), Voisin praticamente não demonstra reações, mantendo uma inexpressividade que é cortante. Poderia ser facilmente entendida como uma atuação vazia (ou ruim), mas ele brilha justamente na maneira como essa indiferença vai nos incomodando e desestabilizando, tal qual faz com os demais personagens. Ozon dispõe de uma linguagem mais clássica que alude a uma transparência do dispositivo fílmico, sobretudo no elegante trabalho da fotografia em preto-e-branco de Manu Dacosse e a soberba reconstituição da Argel dos anos 1930, os quais promovem uma imersividade histórica. A direção prioriza uma encenação mais contida, a qual serve de veículo para a performance do protagonista, o que nos choca ainda mais com a postura (ou falta de postura) dele, já que é o ponto fora da curva num filme todo azeitado nesta linguagem mais clássica. No entanto, ele também se rende a uma certa estilização, como nas cenas na cadeia ou na própria sequência do assassinato em si, onde a luz da faca do rapaz árabe incide sobre os olhos do protagonista, e a câmera e o trabalho de som entregam um certo desequilíbrio por parte dele antes de cometer o ato. Divulgação Ainda assim, nunca há respostas concretas sobre seu comportamento: no tribunal tudo se torna um julgamento das suas ações passadas, sobretudo na maneira como se portou durante o funeral e enterro da mãe. Nem mesmo as defesas de sua noiva Marie (Rebecca Marder), do amigo Raymond (Pierre Lottin) ou do vizinho Salamano (Denis Lavant) bastam, pois não há como ler esse homem tão fora das normas. Assim, “o estrangeiro” ao qual o título alude não o é meramente por ser um francês em território colonial ocupado, mas também por sua alienação da própria sociedade em que vive. É um esforço curioso pensar nas raízes dessas palavras: alien, em inglês, também pode significar “estrangeiro”, enquanto o título original em francês, L’Étranger, não só é a raiz do nosso termo em português, como ela própria se origina no latim extranĕus (“estranho”, “de fora”). E é nessa estranheza constantemente trabalhada por Ozon, sobretudo a partir do impacto dessa performance tão inexpressiva de Benjamin Voisin, que reside a maior força do filme. E nada mais justo do que terminá-lo com os versos de The Cure também influenciados pelo romance de Camus: I can turn and walk away or I can fire the gun Staring at the sky, staring at the Sun Whichever I chose it amounts to the same Absolutely nothing I'm alive I'm dead I'm the stranger Killing an Arab. Nota: 4/5

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