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- Crítica | Scarpetta
Ainda assim, séries de excelência como Succession (2018), Fleabag (2016), Veep (2012), Atlanta (2016) e Ruptura (2022) tornaram-se cada vez mais frequentes — resultado direto da corrida competitiva entre De True Detective (2014) a Bad Sisters (2022), passando por Sharp Objects (2018), Mare of Easttown (2021 É o caso de Scarpetta (2026), novo thriller do Amazon Prime Video, inspirado na popular série de romances ), The Perfect Couple (2024), The Undoing (2020) e Big Little Lies (2017).
- Crítica | Sra. Harris Vai A Paris
No entanto, ao chegar lá, o ambiente da alta costura não se mostra disponível e acessível a Ada, que Seja pela fotografia inebriante ou pelo figurino impecável, e indicado ao Oscar 2023, diga-se de passagem
- Crítica | Marcel The Shell With Shoes On
Um abraço apertado que deixa o coração quentinho Foto: Divulgação É triste perceber que poucas pessoas assistiram e tiveram o prazer de ter contato com Marcel the Shell With Shoes On, tranquilamente um dos melhores filmes do ano passado. A pouca divulgação e distribuição não contribuíram para o seu melhor alcance, já que o longa não chegou às salas de cinema no Brasil e não houve qualquer previsão para sua estreia em plataformas de streaming por aqui. Felizmente, o longa foi merecidamente indicado e reconhecido em algumas premiações - entre elas o Oscar - pela excelente e majestosa animação que é, além do magnífico trabalho na sua produção, o que elevará sua visibilidade e dará a novos espectadores a chance de conhecer essa linda história. Aqui acompanhamos a rotina de Marcel, uma adorável concha que usa pequenos sapatos e leva uma vida agradável com sua avó Connie. Os dois protagonistas são criaturas que antes faziam parte de uma grande comunidade de conchas e agora vivem sozinhos, pois foram vítimas de uma desconhecida tragédia que deixou somente os dois como únicos sobreviventes. A vida de Marcel muda quando um documentarista o encontra no meio da bagunça de seu Airbnb e resolve postar na internet pequenos vídeos curtos sobre a rotina da pequena concha. O que antes começou com curtas sem propósitos, logo atinge enormes proporções e fazem de Marcel um sucesso nacional e uma celebridade amada por muitos fãs. Assim, com a visibilidade alcançada e os recursos que possuí, Marcel enxerga ali a possibilidade de reencontrar sua família há muito tempo perdida. Acompanhar o dia a dia de uma concha usando tênis é uma ideia que eu nunca imaginei para um filme, e pode até ter sido justamente por isso e pelo fato de não saber absolutamente nada pelo que esperar que ele foi capaz de me tocar e me fazer chorar tanto. Sinto que o cuidado que a equipe teve com esse longa transparece e fica notório em cada frame, que parecem sair da tela para encontrar e se conectar com o telespectador. A impressão que fica é que os envolvidos no projeto são seres humanos talentosos, cheios de coração e com uma linda mensagem para passar. Foto: Divulgação Por ser um longa independente, em stop-motion, com baixo orçamento e que teve uma produção que durou aproximadamente sete anos, a originalidade e criatividade extravasam e tomam conta, mas não são a única fonte de riqueza do filme. A mensagem passada é mais um troféu em meio a tudo que é construído e entregue ao telespectador. Desde perseverança, otimismo inabalável, inocência, fragilidade, e até coragem; tudo em tela é capaz de te fazer enxergar a magia das pequenas coisas e te deixar com o olhar atento para o que está ao nosso redor. E mesmo sendo relativamente curto, com 1h30min de duração, tem muita bagagem e muita coisa importante para contar. O diretor e roteirista Dean Fleischer Camp precisa ser exaltado e reconhecido por esse trabalho esplendoroso e pelo espetáculo que é essa obra. Foi criado aqui uma excelente e harmoniosa combinação entre animação em stop-motion, efeitos especiais e live action, bem como um texto que navega entre temas como amizade e companheirismo à formas de lidar com traumas e luto. Além do incrível trabalho do diretor, outra pessoa merecedora de crédito e exaltação é a atriz Jenny Slate que também assina o roteiro - juntamente com Fleischer e Nick Paley - dubla e é a responsável por dar vida à concha protagonista. A atriz consegue ao mesmo tempo mostrar tanto a fragilidade quanto a bravura de Marcel através de seu tom de voz que sem dúvidas foi um dos pontos altos do longa para mim. Por fim, Marcel the Shell With Shoes On é um comfort movie adorável, brilhante e repleto de criatividade que consegue ser fofo, mas nunca bobo, e que conta com um protagonista incrivelmente irresistível. Capaz de ser original ao mesmo tempo que é simples, mas com uma simplicidade que se eleva e se transforma em algo mais, pois transborda todo o amor envolvido nessa produção. Incrível como a cada segundo que passava e a cada cena de crescimento, amadurecimento e aprendizagem vivenciada por Marcel um sentimento tomava conta de mim e eu me encantava ainda mais por aquilo que estava assistindo. Sem dúvida alguma é um dos filmes mais originais que assisti nos últimos anos, com uma linda lição de vida e de amor que ficou comigo por bastante tempo. Nota: 5/5
- Crítica | Triângulo da Tristeza
O meme da “crítica social f***” em divertidos – e às vezes sofríveis – 147 minutos Foto: Divulgação Crítica social e cinema andam juntos desde cedo. O audiovisual é um recurso excelente para expor contradições e injustiças da vida contemporânea para um grande número de pessoas de maneira provocante e atraente, sendo essa temática responsável por alguns dos melhores e mais icônicos filmes da história. Nos últimos anos, mais especialmente desde o fenômeno de Parasita (Bong Joon-ho, 2019), uma versão específica dessa crítica tem se popularizado: a narrativa eat the rich, isto é, uma tentativa de retaliação contra a burguesia, seja apontado a podridão da classe, seja projetando uma vingança aparentemente legítima nos personagens da trama. The White Lotus, Entre Facas e Segredos, O Menu e Morte Morte Morte são alguns exemplos bastante atuais dessas histórias – todas elas contadas com um tom satírico que, acertadamente, tem se tornado parte dessa estética, contribuindo para evidenciar os absurdos da vida ostensiva. Recente adição a esse interessantíssimo grupo é Triângulo da Tristeza, triplamente indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro, estes últimos para o sueco Ruben Östlund. O filme estreou em maio do ano passado, em pleno Festival de Cannes, e desde então vem chamando atenção pelo humor ácido e irreverente. Mas existe um limite claro entre a sátira bem construída e um amontoado de esquetes, e Triângulo da Tristeza se arrisca demais entre as duas searas. Foto: Divulgação Dividido em três partes conectadas pelos personagens e não muito mais que isso, o filme começa nos apresentando à tão cobiçada e desconfortável vida de dois jovens e ricos modelos, Carl (Harris Dickinson) e Yaya (Charlbi Dean). Em três sequências de puro desconforto cômico, Carl participa de uma audição bizarra; é solicitado para mudar de assento num desfile, cedendo o privilégio da primeira fila para alguém mais no auge dos 15 minutos de fama que ele; e se vê numa discussão com Yaya que se inicia sobre pagar a conta e termina com o que de fato esse relacionamento tem de lucrativo (em todos os sentidos que essa palavra pode expressar) para ambos. Tudo nesta primeira parte é excelente, do timing da direção e da química entre os atores até o diálogo propositalmente vazio, passando por uma montagem que sustenta o silêncio até quase ficar incômodo. Começa a segunda parte. Carl e Yaya estão num iate, mais posando que vivendo. A esse ponto, já estamos investidos no romance instagramável dos dois e ansiosos para saber onde esse amor funcional nos levará… e aí o filme esquece deles. O foco muda e passa a ser a relação dos excêntricos hóspedes com a tripulação, que subservientemente aceita cada ordem, por mais extravagante e humilhante. Thomas Smith (Woody Harrelson), um comunista declarado que usa o álcool como antídoto para sua contradição de trabalhar para o 1%, é o capitão do navio, que tem como evento de gala um jantar com sua presença. Chegando a hora da tão aguardada cerimônia, com hóspedes em suas melhores roupas e tripulação em melhores sorrisos servis, a embarcação vai ficando mais e mais instável, o que é muito bem representado pela movimentação de câmera mimetizando as ondulações turbulentas. Recapitulando: estamos claustrofobicamente restritos a uma embarcação de médio porte no meio do mar, com pessoas desprezíveis, num movimento oscilante e nauseante. Agoniante o suficiente? Não para Östlund, que acrescenta uma sequência escatológica de uma literal enxurrada de vomito e merda. Foto: Divulgação Aos olhos desta crítica – que deve confessar, tem estômago fraco e nunca foi muito fã do uso do nojo para chocar – é aí que o filme sai da esfera da sátira e entra na do ridículo. É nítida a intenção do cineasta em contrapor a aparência limpa e imaculada da elite com toda a podridão que verdadeiramente tem por dentro, mas o exagero e o absurdo em tudo que permeia essa cena causa muito mais que a repulsa esperada, se tornando quase insuportável de assistir. Mas a sequência é tão longa que, depois que você decide encará-la, ainda dá tempo de se acostumar e, pior ainda, se entediar. Lembro de, sentada na sala de cinema, desejar estar em casa, apertando o botão de adiantar essa que, certamente, foi pensada com a pretensão de ser uma das cenas mais icônicas do ano. As desventuras no iate desembocam na terceira e última parte, com parte dos hóspedes e da tripulação náufragos numa ilha aparentemente deserta. Dinheiro, títulos e seguidores não importam aqui, e os papéis se invertem: agora, quem comanda é Abigail (incrivelmente interpretada por Dolly de Leon), ex-cozinheira da embarcação e única com qualquer habilidade de sobrevivência ali. No maior chavão freiriano, a oprimida passa a oprimir e rebaixar os demais sobreviventes, utilizando comida, conforto e sexo como moeda de troca nesse novo sistema em que ela é a capitã, talvez para dar o troco… ou talvez porque todo ser humano é mesmo podre. O Triângulo da Tristeza é equilátero: formado por três partes completamente diferentes – desde a paleta de cores ao ritmo de montagem – unidas por uma temática e alguns personagens que por vezes o próprio filme esquece que tem. Isso não é necessariamente ruim, mas também não é exatamente bom. Ao final, nos resta uma salada (mal digerida, diga se de passagem) de caricaturas e sátiras sociais que querem dizer muito mas não conseguem de fato exprimir nada do que já não tenhamos visto melhor antes. Nota: 3/5
- Crítica | Ela Disse
Os bastidores do artigo que chacoalhou a indústria cinematográfica hollywoodiana Divulgação: Universal Pictures Brasil Em 5 de outubro de 2017 duas jornalistas do poderoso The New York Times, Jodi Kantor e Megan Twohey expuseram a conduta inapropriada do ex-figurão do cinema através do artigo “Harvey Weinstein Paid Off Sexual Harassment Accusers for Decades” (tradução da autora: “Harvey Weinstein pagou pelo silêncio de seus assédios por décadas”). A história que rodou o mundo, promoveu discussões sobre abuso sexual em ambientes de trabalho e impulsionou o movimento #MeToo nas redes sociais chegou aos cinemas com um elenco renomado e execução convincente. Se você está procurando por um filme levinho à la sessão da tarde, já aviso que este não é sua opção. A direção precisa de Maria Schrader flerta assertivamente com os fatos, e é possível que em alguns momentos o traçado que divide a realidade da ficção torne-se mais embaçado, com a ajuda de recursos externos. Os espectadores mais ansiosos (como eu), ou que curtem um gênero mais ágil, aqui, terão de aprender a esperar. E arrisco: esperar pode ser prazeroso. É interessante como a costura dos fios das vidas das personagens, que vão se aproximando de modo progressivo, é tecida visualmente. Apesar de ambas trabalharem no célebre The New York Times, fica visível que Jodi e Megan além de estarem em diferentes momentos da vida no aspecto profissional e pessoal, não tinham intimidade. E é completamente aceitável dentro de uma empresa com mais de 4 mil funcionários. É legal também a forma como elas se aproximam – por admiração e aconselhamento. Não sei se o livro (publicado no Brasil pela Companhia das Letras) descreve com detalhes como foi a aproximação, mas a escolha narrativa é sutil e suave. Female gaze at its finest. Este é um retrato real-ficcional sobre violências cometidas contra as mulheres, e no decorrer do longa outras modalidades apresentam-se discreta e cotidianamente, mostrando como o assédio moral, físico, intelectual e sexual são frequentes, e mesmo a contragosto, recebemos reforço da sociedade para achar normal, inevitável. Outro detalhe importante (ponto para a direção e roteiro!) é a ausência da face do abusador. Obviamente, Harvey Weinstein não concordaria em aparecer num filme que o desmascara, e esse papel é atribuído ao dublê de corpo e voz, Mike Houston. Mas no momento em que este traço separador da realidade ficcional e da ficção da realidade é ultrapassado, com o áudio original contendo a voz do ex-produtor intimidando a modelo Ambra Battilana Gutierrez em 2015, enquanto a câmera percorre lentamente - quase como uma punição? - os corredores do Peninsula Hotel, a indignação e a dormência impotente invadem quem assiste. Dizer que Carey Mulligan (Bela Vingança), Zoe Kazan (Clickbait) e Patricia Clarkson (Objetos Cortantes) executaram com precisão e credibilidade é chover no molhado. Mas preciso e quero destacar a participação de Samantha Morton (Alpha em The Walking Dead) como Zelda Perkins. A performance, ainda que curta, é como um raio, que brilha e atemoriza. Em poucos minutos ela segura a cena com maestria, e a dobradinha com Zoe Kazan em seu silêncio presente, atento, e de quem não consente, fecham um ato importante para o final - do longa e da matéria. A cadência do filme, sutil e lenta, sem deixar de ser forte e intensa, espelha o sentimento e o tempo por detrás da revelação do abuso. Para mim, como mulher negra que sofreu assédio, a experiência do tempo foi como uma grande pausa, até perceber muitos anos depois que o que fora feito não era normal. Ao fim do filme, a sensação que permanece é a de vingança adiada. Vencemos, mas até quando? Se aquelas mulheres brancas, atrizes de alto renome e prestígio, foram assediadas com o silêncio permissivo e omisso da comunidade cinematográfica de “alto” escalão, o que dizer de nós, mulheres negras, dissidentes de gênero, pertencentes ao Sul Global? Não mudaremos o mundo, mas insistiremos. She Said é a demonstração pública de um clamor que não vai parar. Nota: 4.5/5
- Crítica | A Semente do Fruto Sagrado
Dando uma explicação macro, em 2022, a estudante Mahsa Amini, de 22 anos, morreu após ser detida pela
- Lázaro Ramos diz que Feito Pipa propõe uma "pedagogia do afeto" ao discutir masculinidade
A gente mostra que esse personagem tem afeto pelo filho, que ele gosta do filho, mas que tem uma rigidez de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma vaga em Melhor Filme Internacional no Oscar 2027
- Cineasta de Sergipe é selecionado para formação internacional promovida pelo ator Antonio Banderas
Talent, programa internacional de formação audiovisual que acontece entre os dias 5 e 14 de março de 2026 Possui especialização em Direção pelo Centro Afrocarioca de Cinema (2020) e em Roteiro pela EICTV (2023 Em 2020, venceu o LAB Negras Narrativas com o curta-metragem Ímã de Geladeira, exibido em festivais como a Mostra de Tiradentes, o Festival de Gramado, o Chicago Latino Film Festival, o Seattle Black Film
- Especial Leo Tabosa: 15 anos de cinema versátil, plural e nordestino
carreira do diretor pernambucano, que terá seu primeiro longa-metragem exibido na abertura do Cine Ceará 2025 em Caruaru, no agreste de Pernambuco, Tabosa é graduado em História e em Comunicação Social, além de mestre idealizador e diretor artístico do Cine Jardim – Festival Latino-americano de Cinema de Belo Jardim, e da Mostra Seus curtas marcaram presença em importantes mostras e festivais dentro e fora do Brasil: Brasília, Gramado Foi o grande vencedor na Mostra Competitiva de Curtas Nacionais do Cine-PE, conquistando Melhor Filme
- “Quem sabe um filme assistido aqui não transforme a vida de alguém?": Andrei Ferreira comenta expectativas para a 4ª edição do Festival Internacional de Cinema de Itabaiana
Estava até lendo um livro da Spcine sobre a Mostra de São Paulo. A diretora da Spcine está desde a quarta edição, e ela relata que a Mostra só se consolidou como o que Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Como você enxerga o papel de festivais de cinema fora do eixo Rio-SP Ainda existe essa visão de que o eixo Rio-SP é o único lugar onde as coisas acontecem, mas é fundamental Pernambuco, o Panorama na Bahia voltando com força, o Festival de Penedo em Alagoas, a Aruanda na Paraíba, a Mostra
- Crítica | Vidas Passadas
protagonistas masculinos quem talvez brilhem mais: Teo Yoo entrega uma das atuações mais marcantes de 2023
- Crítica | Vulcões - A Tragédia de Katia e Maurice Krafft
Quando o cinema nos permite imergir nas possibilidades do amor (e da obsessão) Foto: Divulgação Toda vez que me ponho a pensar na vastidão do universo, sinto uma pontada de melancolia me dominar. Independentemente de sua fé ou crença (se é que tenha uma), há um certo peso esmagador quando nos enxergamos como o que realmente somos dentro da infinitude do cosmos — minúsculos e até insignificantes. Nem precisamos ir tão longe: basta olharmos para a Terra e a natureza, suas forças impiedosas e alheias a nós, humanos, conforme exercem seus poderes de destruição e criação. Poucas forças da natureza representam tanto essa capacidade e dualidade quanto vulcões, e é nessa convicção que Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft se sustenta, usando a história de vida (e morte) do casal de vulcanólogos franceses Katia e Maurice Krafft. Apesar do subtítulo em português enfocar a tragédia (o casal morreu durante a erupção do Monte Ouzen, no Japão, em 1991), o documentário é tudo, menos trágico. Sim, o poder destrutivo dos vulcões observados e visitados pelos Krafft está sempre presente, mas mais do que isso, o filme está interessado em nos mostrar o que os atraiu tanto nesses vulcões, de forma que nos sintamos atraídos também. Para isso, a diretora Sara Dosa se vale das próprias imagens de arquivo do casal, que gravavam ostensivamente suas expedições aos vulcões em erupção. Esses materiais, aliados aos diversos registros de entrevistas dadas por eles (em especial Maurice) durante os anos 1960 e 1990 e as leituras dos diários de Katia, permite que adentremos as vidas particulares e profissionais de ambos, como se eles mesmos fizessem esse convite do pós vida para os conhecermos melhor e entendermos (e vivenciarmos) a obsessão que os guiava. Foto: Divulgação As intenções de Dosa são claras: usar a história de amor dos Krafft para entrelaçá-la com o amor de ambos pelos vulcões. Mas sua abordagem passa longe de ser chapa-branca: uma vez que temos acesso direto ao que Katia e Maurice gravaram, é fácil entender o que os uniu em primeiro lugar e os manteve juntos mesmo com suas nítidas diferenças até o último dia de vida dos dois. É inevitável pensar em diversos momentos do documentário: “eles são loucos”, e ao mesmo tempo... é fácil entender porque eles foram atraídos por algo tão comum. Mesmo nos instantes mais trágicos — erupções no Congo, nos EUA, na Colômbia e a no Japão que ceifou suas vidas —, há uma beleza magnética e desafiadora em imagens de montanhas cuspindo fogo e gases, em rios de lava que trazem destruição e lava, nos atraindo na medida em que nos assombra. Se há um porém aqui, é na escolha da narração em off. Não só porque a maioria dos materiais de arquivo falam por si só (e em diversos momentos Dosa entende isso, dando voz a Katia e Maurice e a eles apenas), mas porque o tom monocórdico adotado por Miranda July, ao mesmo tempo em que consegue fugir dos chavões de documentários sobre natureza, também parece deslocado, incoerente com o tom que o próprio longa adota. Depois de um tempo é até possível se acostumar com esse modelo de narração, mas acaba sendo o calcanhar de Aquiles da obra. A despeito dessa estranha escolha, contudo, Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft consegue com maestria nos por na pele de Katia e Maurice, entender esse amor tão obsessivo por vulcões e partilhar desse amor por pouco mais de 1 hora e meia. Uma das mágicas do cinema é nos permitir empatizar e viver sentimentos e conexões que de forma alguma vivenciaríamos na vida real. Nesse aspecto, portanto, Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft é mais do que bem-sucedido, mesmo que jamais passemos perto de um vulcão.´ Nota: 4,5/5












