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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1329 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Until Dawn - Noite de Terror

    Adaptação de jogo tem seus bons momentos, mas gasta energia demais tentando fazer algum sentido. Divulgação Um ano após o misterioso desaparecimento de sua irmã Melanie (Maia Mitchell), Clover (Ella Rubin) e seus amigos partem para um vale remoto onde ela desapareceu em busca de respostas. Explorando um centro de visitantes abandonado, eles se veem perseguidos por um assassino mascarado numa série de eventos que parece se repetir. O grupo logo percebe que a única maneira de escapar é sobreviver, definitivamente, até o amanhecer. Não existe quase nada de novo no argumento de Until Dawn: grupo de jovens, alguém desaparecido, cabana na floresta, loop temporal, efeito borboleta, assassino sanguinolento. E o filme tem plena consciência disso, mas nunca trata esses traços como amarras, pelo contrário, ele tenta explorá-las ao máximo e criar situações que as levem ao limite. Entre piadas com o contexto, sequências criativas de morte e uma resolução até inesperada, o longa consegue criar bons momentos de tensão, de susto e de humor. O thriller se perde, porém, ao tentar se justificar e se explicar demais. Não possuo qualquer intimidade com o jogo que serve como material base para o desenvolvimento do projeto, mas como espectador confesso que pouco me importou as várias prováveis respostas que o texto tenta dar para o tanto de absurdo que acontece em cena. Inclusive faltou se entregar mais para esse absurdo sem olhar para trás, afinal o enredo apresenta um campo fértil para inimagináveis possibilidades de executar ideias absurdas, e sem a precisão de um embasamento. É fantasia e pronto, causa e consequência aqui não deveriam interferir na execução. E essas “várias prováveis respostas” não dialogam entre si, são ensaios jogados ao público para que quem está do lado de cá perceba que aquilo tudo não é apenas bobagem sem nexo, mas é, e tranquilo. Divulgação O encantador elenco desempenha bem seus papéis pré-moldados e garantem que as partes mais divertidas do roteiro ganhem forma com o mínimo de autenticidade necessário. Não sei qual será o futuro da franquia, mas caso haja uma continuação – o que certamente deve acontecer dado que o final implora por isso – torço para que o argumento se desprenda mais de suas referências, seja o jogo ou seja outros filmes, e busque arriscar mais em suas próprias abstrações. Nota: 2,5/5

  • Crítica | Premonição 6: Laços de Sangue

    E é precisamente isso que Premonição 6: Laços de Sangue (2025) traz pro jogo, pro bem e pro mal. complexidade desnecessária para acabar caindo no mesmo lugar, como aconteceu com o chatíssimo O Macaco (2025

  • Crítica | Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

    A fórmula de sempre, agora com filtro bonito no Instagram. Imagem: Divulgação Lançado na última semana, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos marca o retorno da primeira equipe de super-heróis criada pela Marvel ao estúdio que a concebeu. A produção chega com a difícil missão de reintroduzir os personagens para uma nova geração sem cair na repetição para os fãs acostumados com a formação dos anos 2000. Depois da tentativa fracassada de 2015, o novo longa entra como peça-chave na reconstrução do universo Marvel, que busca reviver o prestígio da era Vingadores. Diferente das versões anteriores, o filme não perde tempo com uma narrativa de origem. Os personagens já são conhecidos e atuam como heróis em uma Terra estilizada, com uma Nova York retrofuturista que remete ao charme dos anos 1960. Carros voadores, arquitetura arrojada e cores vibrantes criam um cenário novo e bem-vindo no universo cada vez mais saturado da Marvel. Esse visual, aliado ao escopo cósmico grandioso, é um dos responsáveis por devolver uma sensação de deslumbramento que os últimos filmes do estúdio deixaram para trás. A trama gira em torno da ameaça de Galactus à Terra-828 e do dilema pessoal de Sue Storm, que está grávida. A presença da Surfista Prateada como mensageira do vilão cósmico eleva o tom do conflito. O elenco é outro trunfo. Pedro Pascal, mesmo enfrentando uma clara fadiga pela exposição em diversos projetos nos últimos anos, entrega um Reed Richards sólido o suficiente para sustentar o grupo e permitir que os demais se destaquem. Joseph Quinn, como Tocha Humana, e Ebon Moss-Bachrach, como o Coisa, emprestam muito carisma aos personagens e criam uma dinâmica envolvente entre os quatro protagonistas. Mas é Vanessa Kirby quem domina as duas cenas mais marcantes do filme, uma sequência de ação intensa e um momento emocional comovente, provando que sua Mulher Invisível é o coração da narrativa. Imagem: Divulgação Apesar da escala cósmica da história, o que realmente sustenta Primeiros Passos é o núcleo familiar. A força do filme está nas relações entre os personagens, que soam genuínas e têm química de sobra. É essa dinâmica que torna o filme agradável de assistir e o diferencia positivamente dentro da fase recente do estúdio que são sofríveis de assistir. O roteiro escorrega em alguns clichês e usa a fórmula de sempre que estamos acostumados, mas a naturalidade com que o quarteto interage em cena compensa boa parte das falhas. Outro dos principais méritos do filme é que ele funciona por si só. Não é necessário ter assistido a uma dezena de outras produções da Marvel para entender o que está acontecendo. Primeiros Passos se sustenta com autonomia, sem muletas narrativas, sem depender de conexões forçadas com o multiverso e, o melhor de tudo, sem fanservice pulando na tela a cada cinco minutos. Em um universo que virou sinônimo de interdependência sufocante, esse respiro é quase revolucionário. Se as atuações são fidedignas e em sintonia com o tom do filme, o mesmo não pode ser dito dos efeitos visuais, que têm momentos de impacto, mas também deslizes. O CGI oscila bastante e se o efeito borracha do Senhor Fantástico, a fluidez visual da Surfista Prateada em movimento e a escala imponente de Galactus fazem bonito nas telonas, o bebê Franklin se inspira em Renesmee e fica visualmente feio em alguns momentos de interação com alguns personagens. No fim, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não reinventa a roda e nem devolve à Marvel todo o seu brilho perdido, mas acerta ao recuperar parte do encantamento e do senso de aventura que pareciam esquecidos. O que realmente preocupa é o futuro desse promissor Quarteto, já que o estúdio parece não saber fazer histórias independentes e têm a necessidade de sugar tudo para dentro de seu esquema megalomaníaco, onde nenhum filme respira sozinho e tudo precisa estar conectado a algo maior, ainda que sem propósito claro. Primeiros Passos funciona justamente por evitar essa armadilha. Infelizmente, a boa trama que poderia se desenvolver será engolida pela engrenagem do estúdio em suas próximas aparições, e é provável que nem o carisma desse elenco salve a próxima missão. Nota: 3.5/5

  • Crítica | Drácula: Uma História de Amor Eterno

    Luc Besson deixa de lado parte das alegorias para construir filme performático. Divulgação Século XV, após a morte de sua esposa, a princesa Elisabeta, o príncipe Vlad II renuncia a Deus e herda uma maldição eterna, se tornando um vampiro. Séculos depois, na Londres do século XIX, ele vê uma mulher parecida com sua falecida esposa e a persegue, selando seu próprio destino. Romances góticos são, por natureza, conteúdos extravagantes. Grandes cenários, paixões sublimes, motivações avassaladoras que causam reações elegantemente absurdas. Sempre há alegorias demais nas entrelinhas para abordar temas intrínsecos ao ser humano. No caso de Drácula, livro do autor irlandês Bram Stoker, o desejo físico carnal, e o amor idealizado (ambos se complementando) são os alicerces para a construção do enredo. Besson não é mais discreto dos diretores de cinema. Olhando de longe o panorama de sua filmografia vemos trabalhos dos mais diversos temas, gêneros e abordagens, e bons ou ruins, uma coisa é certa, sempre é divertido assistir aos seus filmes nada sutis. Tendo em mãos uma história rica de texto e subtexto, Besson não poupa o espectador em ornamentar e colorir tudo à sua perspectiva. Dito isto, aqui há pouquíssimas metáforas no roteiro, que também é de responsabilidade do francês, ele é preto no branco e por mais haja vários subtemas como religiosidade, fé cristã, mortalidade, ambição e microestruturas de poder, todas eles orbitam no anseio do vampiro romeno de ter sua amada de volta. Todas as motivações são ditas com clareza, todas as palavras enunciadas dizem exatamente o que a semântica primária busca, o diretor está muito mais preocupado e interessado nas possibilidades narrativas e visuais que pode alcançar com tudo isso. Divulgação O diretor transforma a tela em um palco de exuberância performática, onde o expressionismo visual ganha forma através do corpo em movimento. Ele aposta em coreografias em danças, cenas de transe e possessão e sequências de luta que exploram os limites físicos dos atores, compondo um balé bonito e visceral. Esses elementos funcionam bem na composição da linguagem estética, traduzindo em ação e gesto os estados emocionais extremos que dominam os personagens. O americano Caleb Landry Jones está brilhante no papel-título e consegue imprimir uma identidade sensual, carismática e assustadora diferente de todas as outras incontáveis versões que o cinema internacional já viu. Da mesma forma, Zoe Bleu e Matilda De Angelis trazem frescor e intensidade à narrativa com suas atuações bem esboçadas e executadas. Quanto a Christoph Waltz, sustento a minha ideia de que ele continua fazendo o mesmo personagem desde Bastardos Inglórios, o sabichão-cínico, mudando apenas a abordagem a cada roupa que veste. O longa entende que esta é uma história universalmente revisitada e se preocupa apenas em ser fiel ao seu próprio tom de fantasia, de drama e de romance, e o resultado é divertido, cafona (no melhor dos sentidos) e caprichado. Nota: 3,5/5

  • Crítica | A Holandesinha (15º Olhar de Cinema)

    As dores e alegrias do fazer fílmico aliados a uma sensível e calorosa representação de pessoas com síndrome de Down. Imagem: Divulgação O cinema existe em múltiplas formas, com variados modos de se fazê-lo. Raramente, porém, ele existe como uma arte solitária; claro, muitos filmes foram feitos quase que única e exclusivamente por seu realizador(a), mas é mais frequente que ele seja feito em coletivo, independentemente do tamanho da equipe responsável por dar-lhe vida. Em A Holandesinha, de João Gabriel Kowalski e Luiza Godoi, o coletivo importa e muito. É ele quem torna o sonho de Luiza de tornar seu primeiro filme, Lágrimas de um Pierrot, possível. Ela aspira, tem grandes sonhos e ambições, sabe o que quer para seu filme, tem suas referências bem delineadas e cada uma das cenas em sua cabeça. Ela também é uma jovem com síndrome de Down. Contudo, em nenhum momento a síndrome é tratada como uma anomalia ou limitação para que a visão de Luiza seja posta em tela. A jovem é respeitada pela equipe que a cerca – formada de pessoas muito mais experientes que ela no ramo cinematográfico –, mas essa mesma equipe nunca a trata com condescendência ou paternalismo, subestimando-a pela sua condição ou tomando dela as rédeas da realização da sua obra. Claro, a inexperiência de Luiza no ramo salta aos olhos desde os primeiros minutos, quando está claro que suas ambições são muito maiores do que as condições reais para a realização de Lágrimas de um Pierrot. Mas o que poderia ser fonte de desgaste ou tensão se revela num dos pontos altos do filme, que é encharcado de um humor muito natural nas interações de Luiza com João Gabriel e os demais membros da equipe. À medida que as gravações avançam, vemos a jovem aprender mais e mais como exercer seu ofício cinematográfico, sem sacrificar sua integridade, sensibilidade e visão. Nesse sentido, é nítido em cada minuto de A Holandesinha como Luiza encanta todos ao seu redor, e o mesmo acontece com o público. Revelam-se genuínos o carinho e amor que ela emana pelas pessoas à volta, como seu amigo João Vitor Paiva, protagonista de Lágrimas de um Pierrot (e, assim como ela, também portador da síndrome de Down), assim como é impossível não rir dos seus comentários, observações, de como busca expressar o que tem em mente para que os demais membros da equipe compreendam, ou também sua postura de ouvir e aprender. Quando a vemos chorando de emoção diante de uma gravação que deu certo, nos emocionamos juntos, porque é fácil torcer por ela e sua visão criativa. A Holandesinha funciona, portanto, como um curioso registro reverso do fazer fílmico, onde acompanhamos primeiramente os bastidores e depois o resultado final. E mesmo em seus curtos minutos, Lágrimas de um Pierrot nos deixa com aquele gostinho de “quero mais”: mais daquele universo oitentista, caricato, divertido e de alguma forma muito sincero. Tal sinceridade se estende a tudo que vemos por trás das câmeras no restante deste documentário, que preza pela sensibilidade e doçura sem diminuir sua protagonista, mas alçando-a ao lugar que ela deve assumir: a de uma futura grande realizadora. Nota: 4/5

  • Crítica | Meninas Malvadas: O Musical

    A atriz e cantora americana, que interpretou a personagem nos palcos em 2019 e 2020, é uma catarse como atemporalidade da sua história que ressoou com o público quando foi lançada em 2004 e deve ressoar novamente em 2024

  • Crítica | Sou de Virgem (1ª temporada)

    Boots Riley entrega com mais uma gigante amostra de afrosurrealismo bem elaborado Foto: Divulgação Sou

  • Crítica | Wicked: Parte 2

    Conclusão faz enxertos precisos para recontar final apressado da melhor forma possível. Imagem: Divulgação O capítulo final da história não contada das bruxas de Oz começa com Elphaba e Glinda separadas, vivendo com as consequências de suas escolhas. Elphaba (Cynthia Erivo) vive no exílio, escondida na floresta de Oz, enquanto continua sua luta pela liberdade dos Animais silenciados e tenta desesperadamente expor a verdade que conhece sobre O Mágico (Jeff Goldblum). Enquanto isso, Glinda se tornou o glamouroso símbolo da Bondade para todo o reino de Oz - ela vive no palácio da Cidade das Esmeraldas e desfruta das vantagens da fama e da popularidade. Sob a orientação de Madame Morrible (Michelle Yeoh, vencedora do Oscar), Glinda tem se tornado um conforto efervescente ao povo de Oz ao tranquilizar as massas de que tudo está bem sob o governo do Mágico. O segundo ato da peça Wicked é uma bagunça. O encerramento é apressado, alguns personagens de O Mágico de Oz aparecem sem a mesma importância que outros, o arco da crueldade com os animais simplesmente deixa de ser mencionado, e além de isso tudo possui as músicas menos marcantes (ou pelo menos as menos populares) do espetáculo. Então, para mim, é impossível avaliar Wicked: Parte 2 sem levar em consideração isso tudo, e que é, obviamente diferente da peça, uma capítulo à parte do primeiro filme. E o longa soube bem preencher, bem, a maioria pelo menos, das lacunas da obra de teatro. Uma das principais forças dessa produção está na permanência da química entre Cynthia Erivo e Ariana Grande. As duas retomam com naturalidade a sintonia emocional apresentada no primeiro longa e mais uma vez percorrem um alcance cênico que vai do humor ao drama em segundos sem perder coerência com as trajetórias de suas personagens. Ambas entregam performances vocais de alto nível, preenchendo os espaços invisíveis das cenas com interpretações que soam orgânicas, precisas e profundamente sentidas. Imagem: Divulgação Os números musicais continuam bem planejados e coreografados, utilizando cenografia, iluminação, sombras e enquadramentos diferenciados para ampliar a intensidade das ideias que cada canção pretende transmitir. A sequência As Long As You’re Mine, No Good Deed e For Good seguem uma curva ascendente de emoção que praticamente salta da tela, alcançando o espectador de forma quase física graças à sensibilidade das atrizes e do desenho musical que acompanha a narrativa visual com a força necessária. Também é possível perceber que os animais finalmente recebem a atenção devida, tendo seus conflitos valorizados e conduzidos a uma conclusão que, na peça, se finda de maneira abrupta demais. Além disso, o trabalho recebe duas novas músicas que acrescentam camadas às protagonistas, reforçando dilemas internos e motivações que ajudam a enxergá-las com ainda mais profundidade. Ariana Grande, em especial, confirma seu domínio pleno da personagem, entregando presença, maturidade emocional e carisma inquestionáveis. Ainda assim, mesmo com os acréscimos bem incorporados, algumas conexões com o enredo de O Mágico de Oz continuam parecendo um pouco deslocadas, como se a necessidade de justificar pontos específicos pesasse mais do que a fluidez orgânica da narrativa. A conclusão propriamente dita, especialmente os últimos trinta minutos, segue com ritmo ligeiramente apressado, como se a produção ainda estivesse equilibrando fidelidade ao material original e a obrigação de dar respostas ao público. No fim, é uma obra mais contida que a anterior, menos festiva e também menos óbvia em suas mensagens. É justamente no segundo ato que Wicked revela a complexidade real de suas personagens, mostrando que não existem dualidades absolutas e que os vínculos de afeto se constroem em caminhos sinuosos que às vezes se cruzam e às vezes se afastam, mas que, no fundo, seguem uma direção comum, a da construção de quem cada uma deseja ser. O resultado é bonito, é denso, e não desanda apesar das falhas. Nota: 4/5

  • Crítica | A Fabulosa Máquina do Tempo

    Documentário de Eliza Capai transforma o olhar de meninas do sertão em uma bonita narrativa sobre futuro, memória e resistência. Imagem: Divulgação É curioso como o cinema costuma imaginar o futuro sempre pelo pior caminho possível. Quando pensamos em ficção científica, é comum encontrar histórias sobre o fim do mundo, máquinas dominando humanos ou uma humanidade caminhando para o desastre. A Fabulosa Máquina do Tempo, novo documentário de Eliza Capai que estreia nesta quinta-feira (30), faz um movimento completamente diferente: ele olha para o futuro a partir do sonho. O filme acompanha meninas de Guaribas, no interior do Piauí, que participam de uma oficina de audiovisual e começam a criar uma máquina do tempo imaginária. A partir dessa brincadeira, elas revisitam histórias das gerações anteriores, conversam com suas famílias e passam a imaginar quais futuros gostariam de construir. A ideia poderia facilmente cair em um documentário convencional sobre desigualdade social, mas Eliza Capai encontra uma abordagem muito mais interessante. O filme não transforma essas meninas em personagens de uma realidade difícil que precisam ser "salvas". Pelo contrário: elas são o centro de tudo. São elas que conduzem a narrativa, fazem perguntas, descobrem informações, contam suas histórias e mostram como enxergam o mundo. A câmera não está ali apenas para registrar a infância dessas meninas. Ela entende que existe inteligência, criatividade e uma forma própria de interpretar a realidade naquele olhar infantil. E esse talvez seja o maior acerto do documentário. A Fabulosa Máquina do Tempo entende que brincar também é uma forma de pensar sobre questões sérias. Quando as meninas inventam situações, criam personagens e imaginam o futuro, elas estão tentando organizar as informações que recebem sobre o mundo ao redor. A brincadeira não diminui a força dos temas abordados; ela torna tudo ainda mais poderoso. A estrutura narrativa também merece destaque. Eliza mistura elementos de documentário, ficção científica e fantasia sem que isso pareça forçado. O filme encontra uma linguagem própria ao acompanhar a lógica dessas meninas, que conseguem transformar problemas complexos em possibilidades de criação. A fotografia é outro grande destaque. A câmera acompanha as protagonistas com uma proximidade que coloca o espectador dentro daquele universo, enquanto a paisagem da Serra das Confusões ganha uma dimensão quase fantástica. Existe beleza nas imagens, mas o filme nunca usa essa beleza para esconder as dificuldades enfrentadas pelas personagens. Porque A Fabulosa Máquina do Tempo não foge dos temas mais duros. A pobreza, o machismo estrutural, o alcoolismo, as desigualdades e as limitações impostas às mulheres aparecem ao longo da narrativa. A diferença é que Eliza Capai não permite que esses problemas sejam a única definição dessas meninas. E isso torna o filme ainda mais político, especialmente, em um período em que o Brasil volta a discutir quais caminhos quer seguir, especialmente com a proximidade das eleições, o documentário propõe uma reflexão fundamental: que futuro estamos construindo para essas crianças? Quem terá direito de sonhar? Quem terá espaço para ocupar lugares que historicamente foram negados? Imagem: Divulgação Ao colocar meninas do sertão nordestino imaginando suas próprias possibilidades, o filme também fala sobre o papel da mulher na sociedade. As histórias das mães e das avós mostram como as desigualdades atravessam gerações, mas as meninas representam justamente a possibilidade de romper esse ciclo. O mais bonito é que o filme consegue falar de tudo isso sem perder a leveza. Ele não termina deixando o espectador com a sensação de que os problemas são grandes demais para serem enfrentados. Pelo contrário: termina fazendo acreditar naquelas meninas e nos futuros que elas imaginam. Ainda que alguns momentos poderiam explorar mais profundamente determinadas questões sociais apresentadas ao longo da narrativa, a força do olhar escolhido por Eliza Capai supera essas limitações. O filme entende que imaginar também é uma forma de construir caminhos. E talvez essa seja a maior qualidade de A Fabulosa Máquina do Tempo: em vez de prever um futuro inevitavelmente pior, ele escolhe acreditar que existe outro possível. Um futuro onde essas meninas existem, sonham e têm o direito de construir suas próprias histórias. Nota: 4.5/5

  • Crítica | Levante

    história dentro de um Brasil conservador e violento com a prática do aborto Foto: Divulgação Entre 2012 e 2022 diversos festivais nacionais e internacionais e já acumulou 20 prêmios, incluindo Melhor Filme pela crítica Alguns anos atrás, em 2020, por exemplo, parlamentares evangélicos atacam clínica para impedir aborto A linha de amor e companheirismo que liga quem integra o time de vôlei comandado por Sol mostra para

  • Crítica | The Comeback (3ª Temporada)

    Não vou citar todo o elenco recorrente para não alongar ainda mais a crítica – apenas os maiores destaques acertos, arte só é arte porque ela é essencialmente humana, por isso o trabalho dos roteiristas se mostra

  • Crítica | Rising Up At Night

    social com intensidade, mas não apresenta conclusão Foto: Divulgação O documentário de Nelson Makengo mostra

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