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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1329 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Falando A Real (1ª temporada)

    As nuances bem-humoradas entre dor, amor e luto Foto: Divulgação A união da comédia ao drama já é uma técnica centenária utilizada por diversas formas de arte. O objetivo da chamada “dramédia” é proporcionar ao seu público aquele velho sorriso de canto, mesmo quando a vida não contribui com esse processo. É com essa noção em mente que a nova série do Apple TV+, Falando a Real, consegue prender a atenção do seu público e entregar uma sequência de episódios leves e divertidos, mesmo quando o seu tema central gira em torno de um medo unânime – perder quem nós mais amamos. A série conta a história de Jimmy (Jason Segel), um psicólogo que está enfrentando um luto profundo após a morte repentina de sua esposa. Sobrecarregado e buscando uma forma de escapismo através de álcool e drogas, Jimmy também não está sendo o pai mais presente para Alice (Lukita Maxwell), sua filha adolescente, o que acaba provocando um afastamento brusco entre os dois. Enquanto realiza um dos seus atendimentos, Jimmy simplesmente foge das regras e resolve “falar a real” para os seus pacientes, adotando algumas formas nada convencionais, ou profissionais, de orientar o processo terapêutico. Foto: Divulgação Talvez o que seja o grande diferencial de ‘Falando a Real’ é a sua autenticidade ao trazer os dilemas de Jimmy acompanhados dos vários conflitos que os seus pacientes estão enfrentando. O cuidado que os criadores Bill Lawrence, o próprio Jason Segel e Brett Goldstein tiveram ao construir um seriado melancólico, porém esperançoso, foi essencial para trazer o tom mais adequado para a obra. Ao passo que a série traz a sensação de nostalgia de algumas sitcoms mais antigas, o seu roteiro é tão atual e provocativo que o telespectador não pode evitar a sensação de estar vendo algo novo. No mais, dentre as coisas que chamam atenção na produção, a química do ciclo principal de personagens é a mais relevante delas. A dinâmica de Jimmy com Gaby (Jessica Williams) e Paul (Harrison Ford), respectivamente sua colega de trabalho e seu superior, possui um timing cômico rápido e, muitas vezes, até elegante. Além disso, o arquétipo mentor-pupilo funciona muito bem entre Ford e Segel – é irresistível acompanhar o crescimento pessoal dos dois ao longo da temporada. Concluindo, Falando a Real é um acalento para tempos difíceis. De fato, escrever uma comédia sobre perda é uma tarefa complicada, visto que há uma linha tênue entre o olhar otimista e o irrealista. Mas, é com um certo prazer que recomendo Falando a Real como uma série que cumpre com os seus objetivos – nos divertir, emocionar e, acima de tudo, acreditar que há uma luz no fim do túnel. Nota: 4,5/5

  • Crítica | Mythic Quest (3ª temporada)

    Apostando em corajosos recomeços Divulgação: Apple TV+ Ao final da sua segunda temporada, 'Mythic Quest' parecia entregar uma espécie de final definitivo, com seus dois protagonistas, Ian (Rob McElhenney) e Poppy (Charlotte Nicdao) saindo da empresa que dá nome à série para embarcarem em um projeto próprio, além de várias mudanças no status quo dos demais personagens. Cheguei a me perguntar se a série se encerraria ali, mas o anúncio de sua renovação para mais duas temporadas me fez ver a confiança da AppleTV nela, que continua a ser uma de suas joias mais subestimadas. Assim, a terceira temporada carrega o desafio de apresentar um cenário bastante diferente das anteriores, onde Ian e Poppy trabalham em um novo jogo idealizado por ela, contando com o auxílio de Dana (Imani Hakim), enquanto o excessivamente gentil David (David Hornsby) comanda agora a Mythic Quest e tem a autoritária Jo (Jessie Ennis) como assistente. Além disso, vemos enfim Carol (Naomi Ekperigin) enfim promovida a uma das personagens principais, o retorno de Brad (Danny Pudi) após ser preso e a ausência de C.W. Longbottom (F. Murray Abraham, cujos motivos para não continuar na série não foram explicados até hoje). Em termos narrativos, a temporada segue essas duas linhas macro - os cotidiano da Grimpop e da Mythic Quest - quase sempre separadamente, embora ao final do primeiro episódio tenhamos a revelação hilária de que ambas as empresas funcionem no mesmo prédio. Embora essa separação interfira na fluidez dos arcos, também permite uma certa reinvenção por parte da série, explorando novas interações entre os personagens e aprofundando tramas e conflitos que vinham sendo semeados nas temporadas anteriores. Divulgação: Apple TV+ Por exemplo, Brad trilha uma espécie de “jornada de redenção”, ou o mais próximo que uma série tão ácida quanto 'Mythic Quest' poderia dar ao seu personagem mais maquiavélico. Já Jo se revela um deleite: um pouco de sua personalidade é aparado, mas ela é mais do que nunca a mesma personificação hilária de uma mulher conservadora, autoritária e atraída pelo poder que já víamos nas outras temporadas, roubando a cena cada vez que aparece. Da mesma forma, é delicioso ver personagens como David e Dana crescerem aos poucos sem deixarem de ser quem são - Dana a voz da razão nesse universo maluco e David neurótico e frágil. Contudo, senti falta de um maior espaço para Carol e Rachel (Ashley Burch), embora no caso desta última a ausência de carisma faça com que seus sumiços não sejam tão lamentados assim. Mesmo adotando um ritmo mais lento que implica em alguns episódios menos marcantes do que outros, a temporada se paga na sua reta final, conforme traz para o primeiro plano a complexa e meio conturbada relação de Ian e Poppy, tão distintos quanto parecidos entre si. Como de praxe, temos aqui um episódio de flashback que diverge da narrativa principal para trazer as origens de alguns de seus personagens ou conceitos, e dessa vez as origens em questão são justamente as dos dois protagonistas, no que é um dos melhores episódios da série como um todo e que explica bem os altos e baixos da parceria criativa e platônica deles. Mesmo estando um pouco abaixo das duas primeiras temporadas, essa terceira não deixa a peteca cair diante de um novo cenário e novos desafios não apenas para seus personagens, mas também para a série em si. Estão aqui os mesmos elementos que a abrilhantam - o humor ousado, afiado e inteligente; os personagens malucos, mas ainda assim profundamente humanos; a delicada linha entre comédia e drama; a metalinguagem e as referências sempre na medida certa; e muito mais. Com um novo e promissor cenário se desenhando nos minutos finais, mal posso esperar para ver o que 'Mythic Quest' nos reserva para sua próxima temporada. Nota: 4/5

  • Crítica | Derry Girls (3ª temporada)

    Com três temporadas, série irlandesa chega ao fim sendo uma das melhores comédias adolescentes dos últimos tempos Divulgação: Netflix Distribuída mundialmente pela Netflix, a série “Derry Girls” teve sua terceira e última temporada lançada neste mês de outubro no streaming. Criada em 2018 por Lisa McGee, a série conta, de modo principal, as aventuras de Erin (Saoirse-Monica Jackson), Orla (Louisa Harland), Clare (Nicola Coughlan), Michelle (Jamie-Lee O'Donnell) e James (Dylan Llewellyn) na pequena cidade de Derry, na Irlanda do Norte durante a década de 90. Além de frequentarem uma escola secundária para meninas católicas, o grupo de amigos ainda precisa enfrentar os desafios da adolescência. De plano de fundo na vida desses jovens surge um conflito político que assolou a Irlanda na época, onde Derry era um dos principais palcos de disputa entre protestantes e católicos. É quase como acompanhar um documentário irônico, divertido e espirituoso em uma zona de guerra. Em três temporadas, o assunto foi ganhando forma e se inserindo nas narrativas de cada personagem e dos seus conflitos internos. Mas os problemas perpassam a política e suas violências e entram nas temáticas que se encaixam na vida de qualquer adolescente: Problemas com dinheiro, status social, brigas com a família, e dificuldades na escola são alguma das coisas que Erin, Orla, Clare, Michelle e James enfrentam ao longo dos episódios. E é no decorrer dessa trama que “Derry Girls” conquista o telespectador e transforma esses personagens em quase amigos íntimos da nossa vida. Divulgação: Netlix Afinal, é muito difícil não se apegar a essa galera. A série tem uma vibe muito nostálgica, engraçada e familiar, segue em uma crescente até a sua terceira temporada e termina de uma forma espetacular sem perder seu charme e diálogos fortes e afiados. Seguindo a estrutura clássica das sitcoms, “Derry Girls” sabe executar bem todos os clichês do gênero durante os menos de 30 minutos por episódio. Sendo pouco conhecida no Brasil e sabendo o momento certo de parar de contar uma história, a série terminou sem muito alvoroço e deixou em mim uma sensação muito contraditória, pois, eu facilmente assistiria mais uns 200 episódios sobre a vida de cada um. Mas, a série termina de uma forma tão incrível que é impossível querer um outro final. No fim das contas, o que importa é que “Derry Girls” merece ser assistida e compartilhada, mesmo depois do seu fim, para a nossa geração e para a geração mais nova que vem por aí. Sua temática nunca envelhece e ter Erin, Orla, Clare, Michelle e James te acompanhando, nem que por pouquíssimo tempo, na adolescência deve valer muito a pena. Nota: 5/5

  • Crítica | Mythic Quest (4ª temporada)

    catálogo da AppleTV, Mythic Quest tem mantido um caminho relativamente estável desde sua estreia lá em 2020

  • Crítica | Grand Prix: A Toda Velocidade

    O exemplo recente mais vívido disto é Zootopia (2016), que consegue misturar as mais variadas classes

  • Crítica | Verdade Oculta (1ª temporada)

    Ethan Hawke se supera em excelente nova série do criador de Reservation Dogs. Imagem: Divulgação Desta vez, nós acompanhamos Lee Rayborn (Hawke), um jornalista independente de Tulsa e por conta de sua obsessão em denunciar escândalos de corrupção que dominam a cidade, ele não é bem quisto pelos poderosos do local. Quando o membro de uma família rica se suicida, Lee suspeita que foi um assassinato e decide fazer desta sua próxima história, mas quando começa a seguir pistas deixadas pelo falecido, as coisas ficam cada vez mais complicadas e perigosas, colocando em risco sua vida e de sua própria família. Então, você pode ler essa sinopse e pensar que já viu tantas tramas assim antes, mas o brilhantismo de Sterlin Harjo não está exatamente nas surpresas do mistério em si, mas na criatividade em como ele chega lá. E por mais que o caminho seja tortuoso para o protagonista, para quem assiste é televisão de alta qualidade. Ethan Hawke é um dos meus atores favoritos em atividade na atualidade e o homem é capaz de tudo. Sua versatilidade não é novidade para ninguém, mas este ano é mais uma prova com seus trabalhos em The Lowdown – que aqui no Brasil ganhou o título de Verdade Oculta – e Blue Moon, belíssimo filme de Richard Linklater, pelo qual ele foi indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator em Comédia ou Musical. Mesmo sendo esnobado nas indicações em série, a perda é deles que não reconheceram este verdadeiro furacão. E eu digo isso porque na pele de Lee, o que o personagem mais causa é confusão, mesmo com a melhor das intenções. Ele é um idealista que acredita na força do jornalismo, ao mesmo tempo que falha como pai e tenta ser o melhor que consegue ser. Sua relação com a filha é um fator crucial para a trama e o arco do personagem como um todo. Interpretada por Ryan Kiera Armstrong – sim, a protagonista do novo reboot de Buffy, a Caça Vampiros –, a menina é muito talentosa e consegue emocionar genuinamente nesta relação complicada de amor e decepção. “Genuína” é uma palavra-chave aqui, porque por mais que os personagens carreguem uma certa excentricidade – um dos pontos em que a produção mais lembra Twin Peaks –, em momento algum eles se tornam caricaturas e muito disso graças ao elenco habilidoso e carismático que acompanha Hawke, além do texto de Harjo e sua equipe, claro. Kyle MacLachlan é Donald Washberg, o mais próximo que temos de um vilão principal aqui e seu personagem em nada lembra Dale Cooper, a não ser o rosto, rs. O sempre ótimo Keith David é Marty, um tipo de detetive particular que ajuda a família Washberg, pelo menos de início, e tem uma jornada bem interessante no decorrer da temporada. Outra das minhas personagens favoritas é Betty Jo, a viúva interpretada por Jeanne Tripplehorn. É uma mulher que faz o que for preciso para sobreviver e eu gosto muito disso por não saber exatamente o que esperar dela, para o bem ou para o mal. Não vou falar muito para evitar spoilers, porque sim, há boas reviravoltas no enredo. Imagem: Divulgação Vocês já ouviram a frase que os melhores dramas também são comédias? Pois é, The Lowdown não foge à regra. Sterlin Harjo sabe equilibrar a essência dramática com a comicidade no roteiro formidavelmente, sendo consideravelmente mais violenta e adulta, mas sem perder a mão e com diálogos rápidos e afiados que elevam a narrativa, aprofundam os personagens e suas relações. Harjo é nativo-americano sendo esta a primeira vez que seu protagonista é um homem branco e a escolha não é à toa. Se em Reservation Dogs os indígenas predominavam com sua merecida visibilidade, aqui eles não ficam de fora e se destacam em papéis coadjuvantes, não deixando de criticar a figura do “salvador branco”. É um complexo que Lee inevitavelmente carrega, mas ao cometer erros, ainda que seja com a intenção de ajudar, acaba prejudicando muito mais, o que se torna uma das principais viradas da temporada. Não entrarei em detalhes, por óbvio, mas quem assistiu vai entender e quando você assistir também saberá do que eu estou falando. São oito episódios que compõem este ano de estreia e o desfecho é bastante satisfatório, tanto para o mistério quanto para o arco dos personagens. Em meio a intrigas e reviravoltas do caso, a série é extremamente divertida. Mesmo que tudo esteja conectado, ela tem uma natureza episódica, onde cada hora pode ser aproveitada e o entretenimento é garantido, sem esquecer que estão lidando com assuntos sérios. Há uma certa previsibilidade, mas isso só incomoda se você se importar mais com a linha de chegada do que com a jornada e se há outra regra na TV que vale a pena ser mencionada é: é a jornada que importa. E eu digo isso afirmando que o episódio final é muito competente, mas uma série que sabe ser série, tem que fisgar o telespectador em cada episódio e não só no final. Felizmente é o que acontece nesta que é uma das melhores do ano e já começa com um espetacular episódio piloto. Torço por uma renovação e acredito que há muito potencial para explorar mais histórias de Lee Rayborn. Nota: 5/5

  • Crítica | O Profeta (15º Olhar de Cinema)

    Fé e poder num longa moçambicano de grandes aspirações artísticas, mas muito aquém delas. Imagem: Divulgação Recentemente li Terra Sonâmbula, do autor moçambicano Mia Couto, para um dos clubes literários de que faço parte. Chamou-me a atenção os elementos do realismo mágico que o escritor imprimia em sua obra, abraçando aspectos do animismo, daquilo que nós ocidentais entendemos por “fantástico” ou “sobrenatural”, como uma parte integrante do mundo da obra, tratadas com naturalidade ou sem qualquer espanto. Parte desse sentimento está presente em O Profeta, do diretor Ique Langa, mas sob uma outra chave: a da fé. Ao acompanhar a jornada do pastor Helder (Admiro Laura Munguambe) ao realizar uma espécie de pacto faustiano para aumentar seu rebanho (com resultados cada vez mais sombrios), Langa traz esses elementos aparentemente tão antagônicos – a fé cristã e as magias ancestrais constantemente demonizadas –, evitando caminhos óbvios para tratar seu tema, sobretudo no âmbito estético e formal. É uma longa de indubitável beleza, isso é certo, apostando numa fotografia P&B e em diferentes razões de aspecto que reforçam os aspectos mágicos e poéticos da obra e comunicam os diferentes momentos de Helder, sua esposa e seu rebanho de fiéis. A câmera de Langa prioriza tomadas longas, planos estáticos que reduzem seus personagens a meros elementos da natureza que os cerca (seria ela o verdadeiro poder ao invés do Deus cristão? Não sabemos), enquanto os instantes de pesadelo, onde o peso das ações de Helder se volta contra ele e sua consciência, ganham ainda mais força pela paleta de cores ou as imagens e seus cortes desorientadores. No entanto, tamanha primazia estética não é o bastante para nos fazer esquecer do quão falho o filme é em relação ao tratamento do seu cerne temático e narrativo. Grandes obras do cinema foram feitas apostando numa cadência reflexiva e intimista para tratar da fé (como A Palavra, de Carl Theodor Dreyer), mas aqui Langa nunca consegue imprimir a tensão que deseja, sobretudo a partir do momento em que Helder faz o seu “pacto”. As tomadas longas se revelam cansativas quando o filme parece querer apostar numa outra chave, e ele ainda sofre de sucessivos falsos finais que tornam a sua curta duração muito maior do que já é. Não ajuda que Admiro não parece dar conta da latitude dramática pedida pelo filme para seu personagem, de modo que suas crises de consciência e seus conflitos morais parecem desinteressantes ou até mesmo tediosos. É louvável que Langa aposte num outro modo de se pensar cinema para discutir temas que já renderam tantas abordagens como a fé e a religião. Mas apesar deste panorama muito único do que seria essa fé cristã num contexto em que ela ora se digladia ora se alia com outras forças sobrenaturais presentes no mundo, O Profeta nunca avança para além da sua estética chamativa, convertendo-se numa experiência apática – e considerando que ser “morno” ou apático é uma forma condenável de ser cristão, esse acaba sendo o maior pecado do filme. Nota: 2/5

  • Crítica | The Alto Knights: Máfia e Poder

    Mas aqui não há denominador comum para os autores e o resultado deixa bem à mostra a falta de unidade

  • Crítica | Disciplina (15º Olhar de Cinema)

    Disciplina mostra que os sete anos longe da cadeira de direção não amansaram ou enferrujaram Affonso O diretor se mostra disposto a se reinventar e trazer novas possibilidades para seu cinema, sem, no entanto

  • Crítica | Wicked

    Em Wicked, mergulhamos em uma trama que, desde o início, nos mostra que talvez a narrativa predominante Chu (responsável por In The Heights - Um Bairro em Nova York de 2021, outra excelente adaptação do teatro

  • Crítica | Slow Horses (2ª temporada)

    Divulgação: Apple TV+ Na pele de Lamb, Gary Oldman se mostra completamente à vontade e entrega um dos

  • Crítica | O Pálido Olho Azul

    Uma fictícia história de Edgar Allan Poe disfarçada de investigação policial Divulgação: Netflix Baseado no livro homônimo de Louis Bayard, 'O Pálido Olho Azul' traz uma premissa curiosa: e se víssemos uma série de assassinatos sendo cometidos na prestigiada academia militar de West Point em 1830, e um jovem Edgar Allan Poe se envolvesse na investigação deles? Na vida real, Poe de fato passou um tempo em West Point, mas o longa imagina esse cenário hipotético para criar uma espécie de “história de origem” para o famoso escritor, aqui vivido por Harry Meling. Mas Poe não é o personagem principal da obra. Esse posto pertence a Augustus Landor (Christian Bale), investigador aposentado que é convocado pelos superiores de West Point para resolver o mistério não apenas da primeira morte, como também de sua profanação - o coração da vítima é arrancado enquanto ela se encontrava no necrotério. A inserção de elementos religiosos e do ocultismo tornam essa quase uma história escrita pelo próprio Poe, um dos precursores da literatura policial (e de fato há diversos acenos e referências à sua bibliografia), mas vê-lo como personagem e não como autor é o diferencial que 'O Pálido Olho Azul' busca. A dinâmica entre ele e Landor (que o usa para se infiltrar entre os cadetes e descobrir a identidade do assassino) é o motor do filme, e as atuações de seus intérpretes são o grande mérito da obra. Elogiar Bale é chover no molhado, já que ele é um dos melhores atores de sua geração e consegue transparecer perfeitamente as diferentes facetas de um homem metódico, mas enlutado pela morte de sua esposa e o desaparecimento de sua filha. Já Meling - que tem uma carreira cada vez mais interessante desde seus dias como Duda Dursley em “Harry Potter” - incorpora um lado enérgico e ingênuo de Poe que destoa da imagem geral que se tem do escritor, embora seja compreensível dada esta ser sua “história de origem”. Se por um lado sua performance às vezes um pouco caricata e poética destoa do clima lúgubre predominante no filme (o qual é potencializado pela fotografia cinzenta e desoladora de Masanobu Takayanagi), logo ele encontra seu espaço e atinge as notas certas dessa versão de Poe. Divulgação: Netflix Contudo, o filme não tarda a se revelar uma experiência morna, mesmo com um ótimo elenco - que ainda inclui Gillian Anderson, Toby Jones, Lucy Boynton, Fred Hechinger, Simon McBurney, Timothy Spall e outros. A direção de Cooper é regular, mas nunca consegue imprimir como um todo a atmosfera pretendida pelo roteiro (também de Cooper), que é vista mais no trabalho de fotografia de Takayanagi e na trilha do veterano Howard Shore, a qual é contida, mas contém mesclas de romantismo e gótico,. Pior, o filme parece possuir dois clímaxes, e o primeiro deles, que fecha o segundo ato da obra, é o melhor, já que os trinta minutos restantes soam como um epílogo onde é forçada uma grande reviravolta final que em nada agrega à trama (além de exigir um bocado da suspensão de descrença do espectador). A impressão que fica é que o filme se alonga por 30 minutos a mais do que deveria, entregando um final bastante anticlimático que só serve para romper a ingenuidade de Poe e aproximá-lo da versão mais conhecida do autor. 'O Pálido Olho Azul' se revela, portanto, uma experiência cinematográfica bastante decente, mas que não vai além disso. É como observar a preparação de um prato que tinha tudo para ser saboroso, mas cujo resultado final é ok. Ao menos nos dá a oportunidade de ver os talentos conjuntos de Bale e Meling, que carregam o filme nas costas. Mas tenho certeza de que se o próprio Edgar Allan Poe escrevesse essa história a tornaria muito melhor. Nota: 3/5

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