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- Crítica | Cangaço Novo (2ª temporada)
Imagem: Divulgação Por mais que um crítico tente expressar seu parecer de maneira objetiva e impessoal , sabemos que isso é impraticável: crítica é, fundamentalmente, opinativa e toda opinião é, necessariamente Abro mão, então, dos protocolos e começo esta crítica falando de mim. específico, intensificaram esse retorno: quando assisti a Bacurau (2019) e ao acompanhar Cangaço Novo (2023 Cada detalhe se mostra pensado para além das funções narrativas, entrando no difícil e maravilhoso terreno
- Crítica | Magnatas do Crime (1ª temporada)
satisfatória que é a cara de Guy Ritchie, para o bem e para o mal Foto: Divulgação Guy Ritchie virou mestre
- Crítica | DNA do Crime (1ª temporada)
Série se perde nos clichês americanos na hora de contar história verdadeiramente brasileira Foto: Divulgação Após um assalto de proporções épicas a uma instalação de uma seguradora de valores no Paraguai, os policiais federais da delegacia de Foz do Iguaçu empreendem uma investigação complexa que envolve um grupo de crime organizado que atua em diversos estados e países da fronteira com o Brasil. Essa é a premissa básica de DNA do Crime, série brasileira lançada em novembro pela Netflix. Com a alcunha de ser a primeira série policial nacional do streaming, em sua semana de estreia, atingiu a posição número um do Top 10 Brasil e Global da Netflix, sendo reconhecida como a série de língua não-inglesa mais assistida no país e no mundo. O sucesso dos seus oito episódios se deve às boas cenas de ação da trama e da qualidade do seu elenco, que segura um roteiro emaranhado de clichês de forma surpreendente. No front desta investigação, temos três personagens que são o ponto propulsor da série. Do lado policial, conhecemos a agente Suellen (Maeve Jinkings), que está retornando após a sua licença maternidade, e Benício (Rômulo Braga), um agente repleto de problemas pessoais que está lidando com a perda do seu antigo parceiro após uma invasão à um presídio. Do outro lado, somos apresentados a Sem Alma (Thomás Aquino), um dos líderes da organização criminosa, que também esteve presente na invasão que vitimou o antigo parceiro de Benício. Foto: Divulgação DNA do Crime gira entre esses três personagens, tornando a história envolvente pela qualidade dos atores desses protagonistas. Eles são o ponto forte da narrativa pela profundidade que eles conseguem dar ao contar a história individual de cada um. Outro ponto positivo é a boa química entre eles, especialmente entre Jinkings e Braga interpretando essa dupla meio disfuncional nessa missão. A trama de DNA do Crime é baseada em uma ocorrência que de fato existiu. Em 2017, uma seguradora paraguaia foi assaltada por uma gangue brasileira, que embolsou oito milhões de dólares. O caso foi noticiado na época como “o maior assalto da história do Paraguai” e o seu ponto de virada acontece quando a Polícia Federal decide usar a análise de DNA para ajudar na investigação. Esse gancho da trama, que dá o nome da série, tem a sua importância destacada, mas, parece ficar em segundo plano na maior parte do tempo, dando foco aos dois policiais protagonistas, suas perseguições repletas de ação e dramas pessoais, do que de fato mostrando os pormenores dessa tecnologia revolucionária. Focar nisso, talvez, desse mais fôlego à narrativa, que parece se perder dentro dos clichês já propostos milhares de vezes por outras séries do gênero. Não me leve a mal, DNA do Crime tem seu mérito e é muito boa tecnicamente mas, talvez para se encaixar aos gostos de um público de massa, entregou um produto engessado, sem nenhum elemento que a diferencie das milhares de séries policiais do catálogo da Netflix. Ainda assim, é sempre bom ver mais produções brasileiras no streaming, e, com a confirmação da segunda temporada, resta torcer para que a série se aprofunde não só no tema dito como o principal da sua história, mas também busque uma identidade própria na hora de contar uma trama verdadeiramente brasileira. Nota: 3/5
- Crítica | A Queda da Casa de Usher (Minissérie)
Mike Flanagan se despede da Netflix com história de horror em seu mais alto nível Foto: Divulgação Finalizando um ciclo quase que perfeito das suas produções na Netflix, Mike Flanagan lançou, neste mês de outubro, sua última minissérie produzida pelo streaming. A Queda da Casa de Usher é uma de suas obras mais peculiares, interessantes e fecha com chave de ouro uma história de sucesso que rendeu muitas boas histórias para os amantes de terror. Agora, Mike nos apresenta a família Usher, uma dinastia de bilionários da indústria farmacêutica, que está passando por um momento de crise: conforme o governo americano, liderado pelo promotor Auguste Dupin, tenta finalmente responsabilizar a família pelas milhares de mortes causadas pelo analgésico altamente viciante vendido por sua empresa, os herdeiros do magnata Roderick Usher começam a morrer, um a um, em circunstâncias violentas e misteriosas. Em oito episódios, adentramos na história desta família, onde exceto o seu primeiro e o seu último capítulo (que introduz e finaliza a história), vemos cada um dos seis filhos protagonizando o restante dos seis episódios, com foco maior em suas particularidades e insanidades, em uma mistura poderosa de um terror psicológico com momentos que remetem a um terror mais gore e menos interpretativo. Foto: Divulgação A Queda da Casa de Usher reconstrói em sua trama elementos das obras do escritor Edgar Allan Poe na trama criada, roteirizada (sete dos oito episódios) e dirigida (quatro episódios) por Flanagan. As histórias de Poe contribuem com diversas referências, costuradas no roteiro de uma forma muito inteligente, sem perder a sua originalidade, criando sua própria identidade dentro de uma mitologia já bem estabelecida. O drama familiar de Rodrick e de sua irmã Madeline começa muito antes da ruína da empresa dos dois e conhecer o passado ao mesmo tempo em que entendemos o presente na medida em que a série vai avançando é um dos méritos de como Flanagan amarra bem suas histórias. A dinastia é assombrada há décadas e Roderick relembra sua história abrindo, aos poucos, alguns mistérios ao espectador e ao detetive Dupin: algo sinistro aconteceu com sua mãe na sua infância, uma reviravolta no Ano Novo de 1980, e, hoje, uma espécie de maldição que recai sobre cada um de seus filhos. Filhos esses que são desenvolvidos, cada, em cima de um problemático invólucro pessoal e muito bem interpretados pelos atores do Flanaverse. Prospero é o jovem bastardo e inconsequente, Leo é o maníaco obcecado, Camille é a controladora e viciada em trabalho, Victorine é a que quer resolver todos os problemas do mundo, passando por cima do que for necessário, Tamerlane só pensa no poder e no dinheiro e Frederick é cruel e não possui nenhum tipo de compaixão com o próximo. Essa combinação entre os seis, seus círculos familiares e a história maligna que os circula torna A Queda da Casa de Usher uma minissérie intrigante, inteligente e forte para o seu espectador. Nessa Succession sobrenatural, o dinheiro e o poder se sobressaem acima de qualquer coisa e Mike Flanagan prova que contar histórias de terror em minisséries é o seu maior trunfo como cineasta. Resta torcer que suas futuras obras sigam o mesmo alto padrão que ele impôs para si mesmo nos últimos anos. Nota: 5/5
- Crítica | No Mundo Da Luna (1ª temporada)
Série da HBO Max não consegue transportar o melhor do livro para as telas Divulgação: HBO Max No último domingo, 13, a HBO Max liberou a série brasileira “No Mundo da Luna” em seu streaming. Esperada por muitos fãs do universo literário, a obra é adaptada do livro de mesmo nome da autora Carina Rissi e marca a estreia da onda de adaptações de Carina como “Procura-se” e “Perdida”. O livro "No Mundo da Luna” foi lançado no Brasil em 2015 e a série mantém a mesma base em seu enredo principal. Nela, acompanhamos a história de Luna (Marina Moschen), uma recém-formada jornalista em busca de trabalho na área que escolheu. Luna tem origem cigana e, para se aproximar da profissão, acaba aceitando escrever sobre horóscopo para um portal de notícias usando cartas do baralho cigano herdado de sua família. Para a surpresa de Luna, o baralho com séculos de história começa a se comunicar diretamente com ela. Em sua nova jornada, Luna precisará enfrentar os desafios do primeiro emprego e manter vivo o sonho de ser jornalista. Além de cartas falantes, Luna se apaixona por dois rapazes do trabalho, um muito diferente do outro. Para superar as crises dos 20 e poucos anos, Luna conta com ajuda de suas duas melhores amigas, que também vivem suas próprias questões. Sabrina é uma artista com dificuldade em viver de arte na era dos NFTs, e Bia é uma gamer profissional que trabalha em uma equipe só de homens. Divulgação: HBO Max “No Mundo da Luna” é produzida pela Moonshot Pictures, com direção geral de Roberto d’Ávila e possui dez episódios com cada um com pouco mais de 30 minutos. Como eu tive a oportunidade de ler o livro antes de assistir a série, acredito que minha experiência, comparada com quem não teve acesso ao material original, poderá ser bem diferente. Primeiramente, vale destacar que um dos maiores pontos positivos dessa adaptação são seus atores e elenco que combinam de uma maneira singular com os personagens descritos por Carina e fazem um ótimo trabalho mesmo com a simplicidade do roteiro de uma comédia romântica. Além disso, outro grande destaque interessante da série é trazer de uma forma mais firme a questão da identidade cigana e da importância da cultura ser vista além dos preconceitos que cercam o tema. “No Mundo da Luna”, de fato, foi uma das primeiras séries voltadas para o público jovem que tocou no tema de uma forma profunda, pouco estereotipada e com destaque e protagonismo. A série também traz assuntos mais atuais com assuntos que dominaram o noticiário e as redes sociais nos últimos anos de uma forma mais sutil e provocativa. Já tecnicamente, a série também tem uma trilha sonora interessante e entrega um trabalho de edição e de fotografia bem redondinhos por meio de uma direção de câmera bem ágil. Divulgação: HBO Max Porém, meu grande problema com essa adaptação foi justamente a história. A ideia de adicionar um triângulo amoroso não funciona e faz com que a protagonista não consiga desenvolver uma relação minimamente interessante com nenhum dos dois pretendentes. Dante Montini (protagonista e par romântico da Luna no livro) ficou ótimo nas mãos de Léo Bittencourt, mas, totalmente apagado e reduzido a uma rivalidade boba entre dois homens. É difícil se conectar com a protagonista quando o telespectador não consegue entender bem quais são seus propósitos. E isso vale também para os coadjuvantes, em especial as duas melhores amigas de Luna, que em suas narrativas individuais não convencem e agem de forma extremamente caricata graças aos rumos escolhidos pelos roteiristas. Todo rolê do universo dos games e da questão de NFTs parece quase uma esquete do Porta dos Fundos (e eu não falo isso no bom sentido). Minha impressão é que “No Mundo da Luna”, ao fazer tantas mudanças na obra original, não entendeu quem era o público-alvo majoritário da série. Seriam os adolescentes pseudomodernos do Twitter? Os fãs de histórias de romance? O público jovem-adulto já leitor dos livros da Carina Rissi? No fim das contas, a grande possibilidade é que mesmo sendo uma série até legal de ser maratonada, ela não deva agradar, de fato, quase ninguém desses grupos, fazendo com que os fãs dos livros, que devem encarar novas adaptações pela frente, pensem duas vezes antes de dar o play. Nota: 2,5/5
- Crítica | Silvio Santos Vem Aí
Tom emulado de narrativa artificial consolida resultado com aparência barata e amadora Imagem: Divulgação Em 1989, Silvio Santos (Leandro Hassum) surpreendeu o Brasil ao entrar na corrida presidencial. Sua equipe de campanha envia então a jornalista Marília (Manu Gavassi) para acompanhar e entrevistar Silvio, com o objetivo de entender o seu passado e prever o que os adversários podem vir a usar contra ele nos debates. Apesar de ser figura onipresente nos domingos das famílias de todo o Brasil, a vida particular de Silvio é um mistério e a jovem jornalista precisa encarar o desafio de descobrir quem é o homem por trás da lenda. Quanto mais Marília convive com Silvio, mais ela sente a necessidade de entender o que o motiva a concorrer à presidência. O relacionamento dos dois se constrói como uma espécie de duelo – enquanto Silvio tenta resguardar sua vida privada, Marília precisa esmiuçá-la nos mínimos detalhes. Desse encontro, ambos sairão mudados. Dar vida a uma personalidade tão distinta em seus maneirismos como foi Silvio Santos sempre será uma missão arriscada. Se a proposta não for trazer uma interpretação que assumidamente tente fugir do real, como pastiche, por exemplo, ela eventualmente vai cair num espaço caricato involuntariamente. E então tem-se um rosto bem conhecido pela sua maneira de fazer comédia, como Leandro Hassum, e não teria outra possibilidade a não ser o confronto dessas personalidade em cena, que, em vez de convergirem para o meio-termo, acabam por competir pelo mesmo lugar impossível de ser alcançado por dois corpos diferentes. Hassum, apesar do esforço evidente, nunca encontra o ponto de equilíbrio entre a imitação e a interpretação, tornando o Silvio que vemos em tela uma figura híbrida, distante tanto do homem quanto do mito (dualidade clichê que toda obra abordando a figura parecem querer tratar). O roteiro busca humanizar a figura de Senor Abravanel, mas encerra por mistificar ainda mais a figura idolatrada do grande comunicador, do azarão seguidor da teologia do progresso, do Midas midiático. A estrutura narrativa de colocar a personagem Marília imaginando as etapas propositais da vida de Silvio Santos enquanto ele apresenta seus diversos programas, num tipo de Fellini desastrado, resulta em momentos bagunçados e um tanto vexatórios por nunca conseguir encontrar o mesmo tom entre real, imaginário, fictício, comédia, drama, romance, paródia e referência. Imagem: Divulgação As atuações imprimem artificialidade, presas a gestos engessados e expressões previsíveis. Existem, inclusive, vários personagens coadjuvantes que em nada somam ao todo. Falta organicidade às performances e um olhar mais sensível da direção de atores para extrair verdade das cenas. A dinâmica com Marília, que deveria sustentar o arco emocional do filme, se dissolve em trocas mecânicas e sem tensão dramática. Os diálogos, a cenografia e o ritmo seguem a mesma lógica apressada. Tudo parece ter sido feito com o mínimo de cuidado estético, sem a pesquisa ou o requinte visual que uma produção de época naturalmente exige. Há uma falta de textura, de identidade e de vida nas composições de cena, como se a pressa em concluir o projeto tivesse suprimido o desejo de refiná-lo. É um longa que, em vez de iluminar a complexidade hipotética da persona Silvio Santos, apenas endossa o vazio de uma encenação que nunca cativa ou mesmo convence. Nota: 1/5
- Crítica | Magnatas do Crime (2ª temporada)
Guy Ritchie refina seu universo de aristocratas criminosas em temporada mais segura e coesa. Divulgação Spin-off (ou releitura) do filme homônimo de 2019, Magnatas do Crime entrelaça o habitual interesse de Guy Ritchie por narrativas ambientadas no mundo do crime com um outro mundo, talvez ainda mais perigoso e sórdido: o da aristocracia britânica. A primeira temporada nos introduziu o duque Eddie Horniman (Theo James), forçado a assumir não só a chefia da família como também os negócios ilegais que o pai assumiu com Bobby Glass (Ray Winstone) e sua filha Susie (Kaya Scodelario), que usavam as terras dos Hornimam para sua plantação de maconha. Nesta segunda temporada, o poder de Eddie e Susie se consolida, mas também surgem divergências entre os dois, bem como ameaças oriundas de novos (e velhos) inimigos. A série segue calcada num ritmo ágil, onde os eventos se sucedem sem muitas enrolações (mas sempre com muitas complicações para os personagens). Porém, esta segunda temporada deixa de lado um pouco a estrutura episódica da anterior, especialmente em sua segunda metade, para focar em uma narrativa mais abrangente e seriada, com a introdução da máfia italiana, personificada no chefão Marco Moretti (Sergio Castellito) e sua afilhada Isabella (Benedetta Porcaroli), que se configura o novo interesse amoroso de Eddie. Uma mensagem da série para deixarmos de lado quaisquer shipp entre ele e Susan? Talvez sim, já que ela também ganha seu interesse amoroso na forma do enigmático Joe Green (Tyler Conti). No entanto, a série nunca deixa de lado o vínculo dos dois protagonistas – ainda que estremecido pelas suas ambições e divergências – e inegavelmente a química entre Theo James e Kaya Scodelario segue um dos seus pontos fortes. Apesar de um começo um tanto abrupto, tanto ao trazer Eddie numa posição de poder mais consolidada em relação à temporada anterior quanto na introdução de novos personagens – como Cico (Michelle Morrone), lorde Richard (Hugh Bonneville), Nanny (Benjamin Clementine) –, este segundo ano logo encontra uma segurança que talvez faltasse à série em seu início, segurança essa que se reflete até em algumas atuações, como a de James. Longe de ser um ator brilhante, eu acho que ele consegue se acomodar nesse tipo charmoso, soturno e potencialmente violento que o personagem exige, demonstrando algumas vulnerabilidades (sobretudo na segunda metade da temporada) que o enriquecem e o elevam para além de um tipo meio marcado de personagem desse tipo de produção – a saber, o protagonista que é engolido pela violência deste mundo e se torna o indivíduo mais perigoso e poderoso possível. Divulgação Da mesma forma, Scodelario consegue construir bem o conflito que sua Susie vivencia entre a lealdade ao pai e os interesses e ambições em comum que partilha com Eddie. Embora o conflito entre Eddie e os Glass que vai sendo construído nos primeiros episódios não chegue a se concretizar da maneira que se esperaria, a personagem também tem espaço para oferecer outras nuances. Nomes como Vinnie Jones, Joely Richardson e Bonneville também tem seus momentos para brilhar (os dois primeiros ganhando um episódio quase todo dedicado a eles na reta final da temporada, o qual pode ser o melhor da série até o momento), além de participações menores que sempre nos lembram da excentricidade cômica deste universo. Em compensação, a quase completa ausência de Daniel Ings e seu imprevisível Freddy é fortemente sentida. O uso do personagem como um dispositivo de enredo na primeira temporada foi um de seus pontos fracos, mas não por demérito de Ings, e vê-lo ter aqui tão pouco espaço, como se a série resolvesse ir para um outro extremo em relação à sua presença em cena, é uma pena. Essa decisão se torna ainda mais incompreensível quando ao final seu papel nos eventos da temporada é mais esclarecido, mas, sem dar maiores spoilers, gosto que a série evita reciclar elementos de O Poderoso Chefão no que tange à relação de Eddie e Freddy, com a promessa de uma maior participação deste último no futuro da série. Apesar desses tropeços, a segunda temporada de Magnatas do Crime é uma grata surpresa. Mais coesa e segura da história que quer contar, ela refina os pontos fortes da primeira temporada e elimina grande parte dos seus pontos fracos. Com uma terceira temporada já confirmada, mal posso esperar pelas próximas desventuras e crimes dos Hornimam, Glass, parceiros e inimigos neste excêntrico e sangrento universo. Nota: 4/5
- Crítica | Queens of the Dead
Imagem: Divulgação Lançado nos cinemas brasileiros em 5 de março de 2026, Queens of the Dead é o tipo
- Crítica | Ted Lasso (3ª Temporada)
Por isso, esses primeiros episódios (foram disponibilizado quatro para os críticos) focam mais em uma
- Crítica | Nada Será Como Antes - A Música do Clube da Esquina
Documentário aposta no seguro para contar história de icônico álbum da música brasileira Foto: Divulgação Considerado por muitos uma das melhores obras brasileiras de todos os tempos, o primeiro álbum do Clube da Esquina completou recentemente 50 anos de lançado. Para contar a história de como surgiu o disco, o documentário Nada Será Como Antes - A Música do Clube da Esquina se debruça no processo criativo dos músicos, incluindo lugares, pessoas e outras referências que influenciaram a criação das canções. Com a participação de Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini e muitos outros músicos, o documentário dirigido por Ana Rieper mergulha na história dos artistas e no laço da amizade que construiu o movimento do Clube da Esquina na cidade de Belo Horizonte ao fim da década de 60. Lançado nos cinemas na última quinta-feira, 28, o documentário tem uma proposta mais imersiva nos afetos que permearam esses encontros até culminar na produção do primeiro disco em uma tentativa não de esmiuçar o detalhes da gravação, mas, entender de onde surgiram as inspirações para letras como Trem Azul e Um Girassol da Cor Do Seu Cabelo. Foto: Divulgação Ana Rieper consegue ambientalizar bem o telespectador naquela Belo Horizonte que se erguia nas proximidades de uma ditadura militar no país e tudo fica mais físico quando entendemos como a cidade é uma protagonista da história dos músicos, que misturaram as referências gringas da época com a experimentação solta de uma conversa entre amigos para criar música, sem pretensão nenhuma. O documentário aproveita também o carisma dos músicos, especialmente dos irmãos Borges, para também divertir com os causos e acasos da história dos dois com seus colegas. Milton Nascimento, por conta da pandemia, teve sua participação um pouco reduzida. Com 1h10 de projeção, quando o documentário acaba, a sensação é que ele poderia ter sido bem mais longo do que ele se propôs. Afinal, a criação do movimento do Clube da Esquina vai muito além do que foi mostrado. Sabe a série The Beatles: Get Back do Disney+? Minha impressão é que a história de Nada Será Como Antes - A Música do Clube da Esquina poderia ser algo nesse estilo. Quase 500 minutos para entender um dos álbuns mais icônicos de todos os tempos talvez nem seja tempo suficiente assim, mas pode nos apresentar nuances mais profundas, coisas que o documentário apenas nos mostrou pela sua superfície. Nota: 3,5/5
- Crítica | Flamin' Hot: O Sabor que Mudou a História
lanche que revolucionou a indústria de alimentos e se tornou um fenômeno da cultura pop estadunidense. 2023
- Crítica | Carême – O Rebelde da Culinária (1ª temporada)
Culinária, intrigas e sedução marcam a nova ficção histórica do AppleTV+. Divulgação O sucesso de Game of Thrones na década passada não apenas impactou o gênero da fantasia na TV e no streaming, mas também o da ficção histórica. As inspirações medievais da série e suas intrigas políticas (tão, senão mais aclamadas que seus elementos fantásticos) inspiraram um filão de obras que, mesmo se passando em nosso mundo nos mais diversos períodos do passado, usavam e abusavam de elementos mais adultos – em especial o sexo e a violência – para narrar as disputas de poder nas mais diversas esferas da sociedade. É na esteira de um certo ressurgimento dessas séries que Carême – O Rebelde da Culinária, nova produção francesa do AppleTV+ a ser lançada em 30/04, vem para disputar seu próprio espaço. Ambientada durante os primeiros anos do regime de Napoleão no início do século XIX, a série acompanha seu protagonista, Marie-Antoine Carême (Benjamin Voisin), um jovem, talentoso e ambicioso chef que trabalha com seu pai adotivo e, após este ser preso injustamente pela polícia napoleônica, recorre ao misterioso nobre e ex-clérigo Charles Maurice de Talleyrand (Jérémie Renier), que promete ajudá-lo e até mesmo o emprega, mas em troca de seus esforços de espionagem em meio ao cenário turbulento que se desenha para as forças napoleônicas. Embora Carême e boa parte das figuras retratadas na série realmente tenham existido (a série é baseada no livro Cooking for Kings: The Life of Antonin Carême, The First Celebrity Chef, do historiador Ian Kelly), inegavelmente são tomadas liberdades criativas que propulsionam a história, em especial esse lado “espião” do protagonista. Lançado de paraquedas nesse cenário de intrigas e disputas políticas, ele se vê forçado a lançar de suas maiores armas para sobreviver – suas habilidades geniais com a culinária e também seu charme e sedução. A série adota, ao menos em sua primeira metade, uma estrutura mais episódica, quase procedural, onde Carême precisa ajudar Talleyrand com algum problema relacionado ao círculo de Napoleão ou ao próprio (que, curiosamente, quase não aparece, e quando aparece é apenas em planos-detalhe que ocultam seu rosto). Na segunda metade, a coroação de Napoleão se torna o pano de fundo no qual a trama se desenrola com mais segurança, sem o ritmo mais apressado que ameaça atropelar os primeiros episódios. Admito, porém, que a faceta “espiã” de Carême é o aspecto menos interessante da série, mesmo que gere bons entretenimentos com os jogos de interesse e mudanças de lealdade. É só que não há nada de muito novo ou até mesmo inspirado aqui, o que se estende até mesmo às cenas de sexo, filmadas com pouco tesão, mesmo que a série insista que seja uma das armas mais perigosas e eficazes da história da política. Ao menos essa parte da série ajuda a dar o devido destaque a Talleyrand, que nas mãos de Renier se converte no personagem mais intrigante e interessante da temporada, com suas motivações dúbias (supostamente em nome da França, mas até que ponto tais interesses não são apenas os seus? É possível confiar num homem que trocou tantas vezes de lado durante a Revolução Francesa?) e a relação que constrói com o protagonista, talvez o verdadeiro coração da temporada. É justamente ao apostar no tratamento de Carême pelo que ele realmente foi conhecido – o primeiro chef celebridade da história – que a série cresce e se distingue em sua abordagem. Já no primeiro episódio o vemos criar um prato tão original e criativo que consegue apaziguar as tensões entre Napoleão e o embaixador inglês, e cada vez que temos o enfoque em seus pratos e criações, ou em sua personalidade turbulenta dentro da cozinha, vê-se a série mais inspirada. Chega a ser curioso que a figura de Carême é apresentada como anacrônica e à frente do seu tempo antes mesmo de o vermos em ação, como atesta o figurino do personagem e até mesmo o andar que Voisin imprime ao personagem. Divulgação Outro ponto positivo da série é a maneira como ela insere naturalmente uma noção de uma França mais diversa naquele período do que a historiografia oficial, especialmente através de suas duas protagonistas femininas, Henriette (Lyna Khoudri, uma mulher árabe) e Agathe (Alice da Luz, uma mulher negra). Mesmo que o texto ainda por vezes resvale em algumas obviedades para sustentar esse discurso mais representativo (ou aluda a um potencial triângulo amoroso entre Câmere e as duas personagens), no geral a inserção desses elementos se dá de maneira bem orgânica à trama e à ambientação. Ainda que não sem suas imperfeições, Carême se revela uma grata surpresa que permite conhecer um personagem, o qual particularmente não fazia ideia da sua relevância para sua culinária mundial nem seu grau de envolvimento na política francesa da época – independentemente se ele foi mesmo um espião ou “só” um chef muito talentoso. Com um final que deixa ganchos para se explorar os conflitos destes personagens em meio ao cenário das guerras napoleônicas, só posso esperar que ela alie de maneira cada vez mais acertada essa distinta dinâmica entre culinária, sexo, poder e intrigas políticas. Nota: 3.5/5












