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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1325 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Stranger Things (5ª temporada, Parte 1)

    O primeiro episódio deste volume mostra essa nova realidade e como cada um está lidando com ela, mas O segundo episódio abre com uma excelente sequência, mas mostra o medo que os criadores têm em matar aquela conexão com os demogorgons que vimos anteriormente e é abordado de uma maneira bacana, ainda que mostre Não é algo que necessariamente incomode, mas que mais uma vez mostra a limitação dos Duffer em ir além seja: quem assiste, vai querer a zona conforto, mas é ousando sair dessa zona que a série realmente se mostra

  • Crítica | Indiana Jones e a Relíquia do Destino

    mais perto de emular o estilo de Spielberg, como na divertida e caótica perseguição em Tangier, que se mostra

  • Crítica | The Son (TIFF 22)

    The Son mostra a dinâmica de uma família divorciada, com dois núcleos: o de Peter (Hugh Jackman), que

  • Crítica | X-men '97 (temporada 1)

    A melhor produção da Marvel em anos é um melodrama político e emocionante que honra a equipe Foto: Divulgação Dado o histórico recente do estúdio, fui conferir X-Men ‘97 com os dois pés atrás. Dos super-heróis, eles sempre foram meus favoritos, então posso dizer que estava receoso com o que assistiria. Já no primeiro episódio meus medos caíram por terra e dava para notar que Beau DeMayo, o showrunner, e sua equipe talentosa sabiam o que estavam fazendo. Continuando a clássica série animada, que foi ao ar de 1992 a 1997, porém construindo uma independência, mesmo com toda a nostalgia presente. Os X-Men ainda estão tentando se reestruturar depois de perder o Professor X, Scott assume a liderança, mas uma grávida Jean Grey tem dúvidas sobre o seu futuro na equipe e a segurança do seu filho sendo um mutante em uma sociedade que não os aceita. Tudo fica mais abalado com a chegada de Magneto à mansão, informando que o desejo de Charles Xavier era de que ele fosse o novo líder, enquanto a raça humana está cada vez mais intolerante. É apenas o ponto de partida de uma série que aborda diversos conflitos dramáticos, políticos e respeita a essência das histórias em que são baseadas e dos personagens. Não há como se falar nos X-Men e não citar o preconceito contra minorias. É uma metáfora há tempos usada nas mais diversas mídias em que os mutantes foram retratados e mesmo sendo mostrado de modo bastante expositivo, ainda parece ser impossível para alguns entenderem. Enquanto o Professor X era pacífico até demais, Magneto sabe muito bem o que precisa ser imposto e tem consciência de que a maioria da raça humana despreza os mutantes, não importando quantas vezes os X-Men já salvaram o mundo. O drama se complementa com ação em sequências belíssimas, onde há um impacto real ali e o visual é, de fato, deslumbrante. O traço do desenho é muito bonito, embora a movimentação seja um pouco lenta, provavelmente com o intuito de remeter às animações dos anos 90, época em que a trama se passa. Foto: Divulgação A forma como o arco central da temporada vai sendo construído é surpreendente e muito bem escrita. Reviravoltas não faltam, sejam das mais folhetinescas, como romances secretos que levam a triângulos amorosos ou sacrifícios emocionantes. Além dos personagens já citados, o foco se divide, a princípio, entre Vampira, Gambit, Tempestade, Jubileu, Fera, Morfo e Wolverine. Cada um tem seu momento de brilhar, e diferente dos filmes, Logan não é o protagonista isolado. Este é um dos maiores trunfos da produção, porque com uma gama de personagens incríveis, é um desperdício deixar que apenas um tenha um desenvolvimento apropriado. Todos têm seu momento de brilhar e o formato episódio ajuda que a cada semana o foco mude de um para outro, o que garante mais nuances e camadas a eles e faz com que intensifique nossa reação quando alguma tragédia acontece, por exemplo. É uma estrutura funcional, mesmo que o quarto episódio seja o mais fraco da temporada por ter Jubileu – carismática, mas de longe a menos interessante – no centro da trama, ele ainda é um alívio necessário para o que viria a seguir. É fantástico e ao mesmo tempo doloroso, principalmente no espetacular quinto episódio, chamado “Remember It”, e como o nome já diz, é um daqueles difíceis de esquecer. Os eventos dele vão reverberar até o último episódio e desconfio que pelo resto da série. Falando nele, o fantástico último episódio reúne tudo que fez a temporada ser tão excepcional. Emoção, lutas incríveis, reviravoltas, desenvolvimentos de personagens, a parceria dos X-Men e uma pitada de cafonice que faz parte do charme e o gancho deixado para o que vem a seguir me anima bastante. Foi um acerto enorme do Disney+ que a exibição fosse semanal. A cada episódio podíamos discutir os acontecimentos e ansiar pelo seguinte, enriquecendo ainda mais a experiência. É difícil falar sem spoilers, mas o sentimento de que os X-Men são uma família, com conflitos internos e externos, dramáticos e políticos é o coração da série, mas sem deixar a ação de lado, afinal estamos falando de super-heróis, que mesmo com poderes e um gene diferenciado, ainda são extremamente humanos, quer a sociedade aceite ou não. Esta é a verdadeira essência da equipe e fico muito feliz como a animação conseguiu honrar esta dinâmica, e mesmo que de forma didática, abordou temas maduros como casamento, luto, religião e intolerância. O que vimos em tela é realmente bonito, seja em conversas mais íntimas ou nas sequências de batalhas mais viscerais, onde os poderes são usados exalando criatividade e que me fizeram duvidar que um filme live action faça jus. Eu sei que eu quero mais do que vi aqui, porque agora com a confiança restaurada, só posso esperar o melhor. Nota: 5/5

  • Crítica | Minha Vida Com a Família Walter (1ª temporada)

    Nova série adolescente da Netflix acerta ao apelar para a nostalgia Foto: Divulgação Não é segredo para ninguém que eu sou um grande entusiasta do gênero teen e quando vi o trailer dessa, logo me animei. Não por achar que ia ser uma grande série, mas por enxergar ali vários elementos que fizeram sucesso em outras produções no passado. No primeiro episódio já tive uma decepção e a experiência foi péssima. A trama simplesmente jogada na tela, um texto ruim e uma direção que não sabia muito bem o que fazer com seus inúmeros personagens mal apresentados. Se a Netflix aprovasse séries pelo episódio piloto, provavelmente esse aqui não chegaria à nossa tela. Apesar da horrorosa primeira impressão, resolvi ver mais um e senti uma leve melhora, que me fez ver o terceiro e aí sim eu consegui enxergar a série que ela poderia ser: uma despretensiosa diversão nostálgica. Após uma grande tragédia familiar, Jackie (Nikki Rodriguez) se muda de Nova York para uma pequena cidade no Colorado, onde vai morar com a família Walter, porque sua mãe foi uma grande amiga de Katherine (Sarah Rafferty), a matriarca e é acolhida por ela e seu marido George (Marc Blucas). Jackie dividirá o teto com mais DEZ irmãos, mas seus olhos se direcionam logo para Cole (Noah LaLonde) e Alex (Ashby Gentry). Na escola, faz alguns amigos como Grace (Ellie O’Brien) e Skylar (Jaylan Evans), mas também alguns inimigos como Erin (Alisha Newton), a ficante de Cole. Somente citando alguns dos personagens de mais destaque para ressaltar mais um problema que é o excesso. São muitas pessoas para que o roteiro dê conta em apenas dez episódios e com isso temos algumas tramas bem desinteressantes sendo mostradas, e ainda que possuam carisma, a maioria dos atores deixa a desejar. Se tivessem os característicos 22 episódios das séries que ela quer espelhar, tudo bem, haveria tempo, mas não é o caso aqui e isso pesa contra. Foto: Divulgação Evidentemente, o que norteia a narrativa é o triângulo amoroso. Jackie tem química tanto com Cole quanto com Alex, e cabe ao telespectador decidir seu lado. Mesmo que faça parecer que há chance para Alex, o bom moço, o enredo sempre dá um jeito de mostrar que o coração de Jackie balança mesmo é por Cole, o bad boy. Os três são construídos da forma mais clichê possível e eu não digo isso de maneira negativa porque era o que eu esperava. Ela é uma típica patricinha da cidade grande quando se muda para o interior e tem todo aquele choque cultural. Alex, como falei, é o irmão bom, certinho e que age conforme as regras. O contrário de Cole, que não é exatamente mau, porém é mais rebelde, digamos assim e é sempre comum que esses tipos chamem mais atenção da mocinha. Joey e Pacey, Elena e Damon, Veronica e Logan, Brenda e Dylan, são inúmeros os casos que podem ser citados, mas o que não significa que na eventual 2ª temporada Alex não terá mais chance. Ainda há muita água para correr. Mesmo com os problemas citados, ‘Minha Vida com a Família Walter’ é gostosa de se assistir, quando consegue contornar parte deles e mostrar a que veio. A atmosfera das séries adolescentes dos anos 2000 está muito presente ali em uma cidadezinha, nos personagens, na rivalidade feminina que pode se transformar em uma amizade no futuro, no triângulo amoroso, episódios temáticos de feriados com barracos entre familiares e por aí vai... não faltam elementos calorosos que fazem a produção ser facilmente assistível, principalmente neste período de final de ano, onde produções que não exigem muito de você ganham mais espaço. Passa longe de ser inovadora ou revolucionária e ela nem tem pretensão de ser, mas se você, assim como eu, estava com saudade de séries assim, essa aqui vai suprir o vazio e aquecer seu coração. Nota: 3/5

  • Crítica | Rainha Charlotte: Uma História Bridgerton (Minissérie)

    Divulgação Adaptada do sucesso literário da norte-americana Julia Quinn, ‘Bridgerton’ chegou à Netflix em 2020

  • Crítica | Better Man - A História de Robbie Williams

    Irreverente e autoconsciente (até certo ponto), biografia de Robbie Williams se distingue em meio à mesmice atual do gênero. Divulgação Talvez seja difícil para nós, brasileiros, mensurar o tamanho da popularidade de Robbie Williams no Reino Unido (embora você provavelmente conheça uma ou outra música dele, como Angels ou Sexed Up). Mas basta dizer que ele emplacou sete singles no topo das paradas britânicas, 13 dos seus 14 álbuns estrearam em 1º por lá, seis desses álbuns estão entre os mais vendidos da história do país e ao longo de sua carreira foram 18 prêmios Brit Awards. Considerando o impacto de sua trajetória e seus altos e baixos — com direito a problemas conjugais, familiares e com drogas —, a vida e carreira de Williams é a receita certa para o atual (e já saturado) modelo de cinebiografias que superabundam a cada temporada de premiações. Que curioso, portanto, que Better Man seja, sob certos aspectos, uma cinebiografia nada convencional. O primeiro e mais óbvio motivo é aquele que já estampa qualquer foto ou pôster de divulgação do filme: ao invés de aparecer como um ser humano, Robbie Williams é transformado em um chimpanzé de CGI antropomorfizado, dublado sobretudo por ele próprio (que também atua como narrador) e Jonno Davies (que também fornece a captura de movimentos). A decisão incomum pode causar certo estranhamento de início, mas não demora a nos habituarmos a essa figura símia a. Além do mais, transformar Williams em um chimpanzé acaba fazendo sentido justamente pelas vezes em que vemos o artista ser comparado a um animal, seja pela família, pelos colegas, imprensa e tantos mais, apelando à ideia de desumanização com a qual muitos popstar são tratados. Mais do que essa curiosa decisão, porém, o que realmente distingue Better Man da seara de cinebiografias “oscarizáveis” é a irreverência com a qual Williams trata sua própria história. Ao menos em sua primeira hora, o filme se comporta como uma sátira musical, abordando com autoconsciência e um pé no exagero, na fantasia e no lúdico a trajetória de ascensão do artista, como evidenciado na performance de Rock DJ, talvez a mais memorável dentre as sequências musicais do filme. Mesmo nunca deixando de seguir de perto a cartilha do gênero — com direito aos problemas paternos, ao empresário malvadão e à descoberta do prazer no luxo e na luxúria —, o filme consegue remodelar essa cartilha à sua própria imagem, entregando algo próprio. Outro ponto importante é justamente o cuidado da obra em não relativizar ou “passar pano” para as ações erráticas de Williams. Sim, a ausência paterna é apontada como uma grande catalisadora para seu comportamento problemático e de bad boy, mas o filme trata o personagem como o responsável pelos seus próprios erros, longe de se configurar uma biografia chapa branca como tantas que temos visto por aí (alô, Bohemian Rhapsody). Nesse sentido, posiciono o longa como uma espécie de irmão mais novo de Rocketman, onde mesmo com a presença de figuras antagônicas óbvias, nunca havia dúvidas sobre a (ir)responsabilidade de Elton John pelos próprios atos. Aqui, aliás, há um nítido — ainda que óbvio — trabalho de apontar para o senso de autoimagem de Williams, que está constantemente em conflito consigo mesmo, sua necessidade de ser amado e adorado e a incapacidade dessa adoração preencher seu vazio interior. Divulgação Infelizmente, quanto mais se aproxima do auge do estrelato do artista e da sua eventual queda, mais Better Man acaba caindo nas armadilhas básicas do gênero. A irreverência e o tom satírico da primeira metade logo dão espaço a uma abordagem mais séria e dramática que, embora não sem seu peso (a montagem da ascensão do personagem e a sequência de Angels são as minhas favoritas do filme, aliás), acabam tirando muito do brilho que o filme tinha a oferecer justamente por não se contentar com um lugar comum. A própria relação dele com o pai, Peter (Steve Pemberton), reflete essa transformação tonal do filme: o final redentor de ambos, regado a lágrimas e à perdão, pode até ter acontecido na vida real, mas não condiz com o próprio tratamento que o longa dá a Peter e aos efeitos da ausência deste sobre Williams, caindo numa abordagem piegas e excessivamente sentimental que faz parecer que estamos vendo uma outra obra daquela das últimas 2h. Ainda que no fim das contas se transforme exatamente no tipo de filme que tentou não ser, Better Man ainda oferece elementos o suficiente para se distinguir em meio à mesmice de cinebiografias medíocres e previsíveis feitas para ganhar prêmios. É a prova de que um clichê pode ser contado mil vezes e não há problema nisso: é a forma pela qual se conta esse clichê que importa. Nem que essa forma seja ver um chimpanzé de CGI antropomorfizado cumprindo toda a tabela do roteiro de ascensão, queda e ressurgimento de um popstar. Nota: 3.5/5

  • Crítica | A Noite Já Está Partindo (15º Olhar de Cinema)

    Comédia dramática argentina escreve uma carta agridoce ao cinema sem ousar os voos mais altos aos quais tem potencial. Imagem: Divulgação Talvez poucos assuntos interessem ao cinema como falar sobre si mesmo. Basta pensar em Cantando na Chuva, que em 1952 já discorria sobre a passagem do cinema silencioso para o sonoro no fim dos anos 20, ou até exemplos mais locais (e ainda mais antigos), como Hollywood Studios, filme paranaense de 1930 exibido no Olhar de Cinema em que seu diretor, Arthur Rogge, visitou Hollywood para pensar estratégias de desenvolvimento de uma indústria cinematográfica local. A Noite Já Está Partindo, de Ramiro Sonzini e Ezequiel Salinas, se veste do verniz ficcional para discutir o cinema como lugar de escape e acolhimento, mas também o inserindo num panorama dolorosamente real das faltas de investimentos e políticas públicas. Ambientado em Córdoba, na Argentina, o filme acompanha Pelu (Octavio Bertone), um projecionista de um cinema de rua decadente na cidade que perde o emprego devido aos cortes de gastos, e para se manter trabalhando ali em meio às dificuldades financeiras aceita o bico de segurança noturno do lugar, criando aos poucos uma pequena comunidade de amigos que frequentam o espaço. O filme se desenrola numa sucessão de pequenos eventos, quase sketches, à medida que Pelu passa a não apenas vigiar o cinema, mas também a viver nele, e traz para dentro estes amigos. Há o ensaio de algumas situações narrativas que parecem indicar um determinado foco da obra, mas Sonzini e Salinas se contentam nesse aspecto cotidiano e repleto de mini situações em seu geral bastante humorísticas, concentrando-se majoritariamente em Pelu, mas gradativamente abrindo espaço para os outros personagens, como o flanelinha Jose (Rodrigo Fierro) e a produtora de conteúdo adulto Vale (Juana Oviedo). Não é um problema em si que o filme se detenha sobre esse cotidiano dos personagens, mas é perceptível como há instantes em que ele demonstra uma vontade de ser mais do que isso e, no entanto, nunca abraça por completo essa vontade – e esse potencial. Isso é evidente no bloco com Vale, sobretudo na sequência em que ela se grava enquanto Pelu a assiste ao longe, e a dupla de diretores brinca com os pontos de vista, fundindo os planos para colocar os personagens praticamente lado ao lado, numa exibição sensual de voyeurismo e escopofilia que deixaria Brian DePalma orgulhoso. No entanto, é um instante inspirado e de grande destaque num filme que se contenta com o básico. Não que se trate de básico malfeito, pelo contrário: Sonzini e Salinas conferem um certo brilho e textura a essa imagem P&B que lhe conferem um aspecto de sonho (ainda que a própria escolha pelo P&B pouco importe, no fim das contas), e a atuação de Bertone, se parece em geral feita de uma nota só, também não ofende, se destacando em uma determinada cena onde ele se emociona com um dos filmes que está assistindo. Mas, no fim das contas, A Noite Já Está Partindo é esta carta agridoce ao cinema, pontuada por instantes apaixonados, mas esparsos. Outras cartas mais contundentes e pungentes já foram escritas, de modo que o filme se revela num bom e velho arroz e feijão: nutre em alguma medida, mas está longe de ser o melhor prato que já provamos. Nota: 3/5

  • Crítica | Vento Norte (15º Olhar de Cinema)

    Longa emblemático do cinema gaúcho e sulista impressiona pela força dos seus planos e da sua paisagem. Imagem: Divulgação Um dos aspectos mais prazerosos de festivais de cinema é a possibilidade de assistir, para além dos vários lançamentos, filmes clássicos em versões restauradas que possibilitam ampliar e até mesmo tensionar os cânones. Nesse sentido, Vento Norte (1951) é um excelente exemplo dessas possibilidades: único filme de ficção dirigido pelo fotógrafo gaúcho Salomão Scliar, foi também o primeiro longa de ficção sonoro do Rio Grande do Sul (bem como do sul do país) e, após ser exibido com sua cópia restaurada no festival de Rotterdam no início do ano, agora enfim chega ao Brasil por intermédio da parceria entre o Olhar de Cinema e a Cinemateca Capitólio, de Porto Alegre. Scliar constrói uma história cujo texto aposta na simplicidade, amparado sobretudo nos conflitos amorosos e dramáticos entre seus quatro protagonistas: João (Roberto Bataglin), o misterioso forasteiro que chega à vila de pescadores; Luiza (Patricia Diniz), a jovem ajudante dos pescadores que se apaixona perdidamente por João; Antônio (Manoel Macedo), líder dos pescadores e ex-amante de Luiza; e Maria (Berta Scliar), esposa de Antônio e objeto da atração de João. A narrativa segue contornos esquemáticos conforme o triângulo (ou quarteto) amoroso se desenrola com contornos cada vez mais trágicos, sendo fortemente alimentada pelo melodrama da época. No entanto, Scliar já demonstra uma vontade imagética que eleva o filme para além dos prováveis clichês, a começar pelo uso de não-atores para comporem os demais pescadores e moradores da vila, em consonância com o neorrealismo italiano que mais tarde influenciará o Cinema Novo. Além disso, se o texto do filme se sustenta em determinados arquétipos e convenções, o diretor o eleva através da imagem, como evidente no plano em que os quatro personagens são vistos ou se encaram por intermédio de um espelho, evidenciando as conexões que os unem (e mais tarde os destruirão). Mais do que isso, porém, Scliar pensa a paisagem e os cenários naturais daquela porção do litoral gaúcho como um personagem à parte. Desde o início está posta a relação quase mística e reverente dos personagens com a natureza, sobretudo com o mar e o vento norte do título, cuja força inclemente toma suas próprias vidas e dá o sustento a essa comunidade apenas quando quer, quase como se a amaldiçoando (e o fato dessa “maldição” coincidir com a chegada de João e seus desenrolares só ampliam a ambiguidade mística da obra). O olhar de Scliar – que não sem surpresas assume também a direção de fotografia do filme – faz com que os rugidos do mar e do vento, e as imagens das praias, as dunas e falésias se assomem sobre essas vidas humanas diminutas, como se seus dramas e paixões não fossem nada frente à verdadeira força que rege suas vidas. Assistir Vento Norte é pensar em quantos grandes filmes brasileiros ainda estão fora do cânone, esperando para serem merecidamente descobertos. É também a prova de como o cinema é, antes de tudo, a união entre imagem e som e que sua grafia é quem dita uma obra ao invés do texto escrito e falado – algo óbvio, mas que precisa ser reiterado em tempos de “discursos” e “mensagens” embaladas em filmes plasticamente estéreis e vazios. Numa sucessão de planos hipnotizantes, Salomão Scliar fez um dos filmes mais bonitos e imponentes da história do cinema brasileiro. Nota: 4/5

  • Crítica | Homem-Aranha: Através do Aranhaverso

    A inventividade do Aranhaverso supera-se na mais aguardada continuação do ano Foto: Divulgação Esta é uma resenha sobre uma sequência. E não há nada de muito especial sobre uma sequência de filmes de heróis. Comumente repetirão a história principal, aumentarão a quantidade de inimigos, e bom, nós já conhecemos a história: ninguém entra (ou eu prefiro acreditar que você não fará essa escolha equivocada) numa sessão no escuro. Mas caso seja sua opção viver uma aventura no desconhecido, esta é a fórmula do filme de herói: garoto normal incompreendido encontra poderes -> garoto normal incompreendido com poderes aprende o peso e a responsabilidade de ter estes tais poderes -> garoto normal incompreendido com poderes, que agora aprendeu o peso e a responsabilidade de ter tais poderes, agora amadurecido e em amadurecimento, lança-se em seu mundo de herói e vai salvar o mundo. Está aí a fórmula, seu dever, agora, é jogá-la fora e esquecer grande parte do que já viu a respeito. Homem-Aranha: Através do Aranhaverso não faz questão de seguir a cartilha. A estranheza diante do universo dispõe-se diante dos olhos da mesma maneira como se duzentos tipos diferentes de alucinógenos tivessem sido expelidos no ar antes do filme começar, então já fica o aviso caso você seja sensível sensorialmente. As cores e os patterns gráficos introduzem sequenciais referências vanguardistas das artes plásticas que acompanham os diferentes Spiders e suas personalidades ou reações (em algum momento eu estive certa de ter visto detrás de um deles a composição viii, de kandinsky). Deles, o que mais salta aos olhos, o Spider-punk, do igualmente enigmático Daniel Kaluuya, é um amontoado geométrico de colagens vivas em movimento símile ao stopmotion, conferindo o ar anárquico, descolado e artístico que o personagem exala. [Spoiler na próxima frase, caso não queira, pode passar para o próximo parágrafo]. Os cameos fizeram a plateia vibrar de loucura, como quando um outro ator, já muito querido e desejado pelos mais famosos fancasts de Miles Morales aparece, encarnando outro personagem (mas este, obviamente, é surpresa). Foto: Divulgação Quanto à história, Gwen Stacy lidera a narrativa, e, ao conduzir o fio da história, traz uma outra voz que acrescenta perspectiva e profundidade à história sem cansar o rumo, apesar da duração de mais de 2h. Quando a história começa do ponto temporal de algo que já aconteceu, a sensação de quem assiste é a de que estaremos sendo, progressivamente, introduzidos a uma viagem temporal (coisa que a Marvel adora), porém, aqui, com um pouco mais de critério estético e rigor quanto ao roteiro. Miles Morales, em sua realidade, ainda não sabe como encontrar sua amiga Gwen, mas a mantém em seus pensamentos — e desenhos, e, novamente, a influência artística retorna, já que Miles está inserido na cultura hip-hop, graffiti, e todos os outros desdobramentos estéticos. O desejo do adolescente de reencontrar a amiga (e potencial interesse romântico rapidamente deixado de lado pela trama que, graças a Deus, parece não querer se importar com isto) torna-se o mesmo que o dela quando, recrutada por uma grávida e black-power Jessica Drew e pelo misterioso Miguel O’Hara, líder da Sociedade Aranha, recebe um bracelete sônico que a transporta para diversas realidades. Há neste recrutamento, no entanto, uma função, um trabalho que caberá à Gwen fazê-lo, e você obviamente acompanhará no filme, afinal esta é uma resenha sem spoilers. Você também acompanhará que não há vilões neste filme, e este é necessariamente um triunfo do Aranhaverso. Todos têm os motivos plenamente cabíveis e compreensíveis para fazer o que fazem, e você os entenderá. Não há bem e mal ou perspectivas essencialmente dicotômicas, ou que excessivamente reforcem a necessidade de tomar um lado em detrimento de outro, como em outras produções no Universo Cinematográfico da Marvel. Curiosamente, uma animação, vista muitas vezes (de modo preconceituoso) como um gênero exclusivo para produções infanto-juvenis, adota caminhos extremamente maduros na construção da narrativa. No fim, era perceptivel que grande parte do público estava 1) sem saber como a coisa ia escalar, ou, 2) em dúvidas sobre o caráter do antagonísta do filme, que parecia justo demais para ser tratado apenas como vilão, e o principal, 3) se o próprio Miles Morales, em sua ânsia por fazer a coisa correta, estava de fato certo. O desenvolvimento da trama leva o Aranhaverso até às últimas consequências. O filme é bonito, muitíssimo bem produzido e estabelece, até então, um nível alto de qualidade e refinamento de técnicas diversas até mesmo para os próprios parâmetros. Continuar mantendo o nível é um compromisso que, aparentemente, estão dispostos a manter. Nota: 5/5

  • Crítica | O Rei Da TV (2ª temporada)

    Um reinado de altos e baixos, mas sempre com polêmica Foto: Divulgação Menos de seis meses após a sua estreia, o Star+ já tratou de trazer uma segunda temporada de O Rei Da TV, série baseada na vida do apresentador e empresário Silvio Santos. Após nos mostrar a ascensão do dono do baú e seus conflitos iniciais com a criação do SBT, o segundo deste show traz eventos a partir do final dos anos 80, quando o MC “Quem quer dinheiro?” resolveu cair de paraquedas na política ao se candidatar para o cargo da presidência do Brasil. Além desse tópico, os novos episódios também exploram a guerra pela audiência entre SBT e Globo nos anos 90, o sequestro do patriarca da família Abravanel e de uma de suas filhas e intercala com momentos que se passam nos anos 2010 quando houve a fraude do Banco PanAmericano. Um dos pontos mais positivos da temporada é a fluidez com que ela transcorre os assuntos, fazendo com que não se torne cansativo assistir e acompanhar as mudanças que ocorrem no decorrer dos oito episódios. Outro ponto a se destacar foi a escolha dos momentos em que intercalam a trama, trazendo um contraste direto na própria vida e escolhas do protagonista, enquanto nos anos 90 vemos uma subida em larga escala em relação a poder, dinheiro e audiência, nos anos 2010 nos deparamos com os problemas envolvendo uma fraude bancária, perda de dinheiro e uma possível prisão do líder sbtista. Tudo isso sendo carregado, dessa vez, somente por José Rubens Chachá no papel de Senor. A série segue com o mesmo tom em relação à figura do queridinho apresentador dominical, tentando mostrar um lado mais mordaz e traiçoeiro enquanto age pelos bastidores e em momentos de enfrentamento de conflitos. Apesar de não explorar com clareza as possíveis motivações para o tão almejado cargo de presidente em 89, (o que poderia ter sido interessante ver, já que a série não se atém somente aos fatos ocorridos e se permite liberdade imaginativa), é instigante acompanhar aquela curta trajetória no meio político, que, aliás, é algo já explorado desde a temporada anterior, quando nos mostrou um pouco sobre a mídia e a ditadura. Neste tópico é onde vemos que os interesses pessoais e profissionais sempre estarão ligados diretamente de quem precisa ser bajulado, deixando em cheque que o personagem não tem convicções morais. Foto: Divulgação Aproveitando o gancho sobre eleições e momento político, é necessário frisar o quanto a produção deixa a desejar em relação à caracterização. Figuras políticas sempre foram retratadas em diversos programas, principalmente de humor, de maneira satirizada e bastante ridícula propositalmente, o que acabou acontecendo também aqui, seja proposital ou não, ficou destoando bastante do drama que tentaram trazer, e parecia algo feito de última hora. Outros personagens também sofrem com esse problema, aliás, fazem o espectador sofrer. A produção parece ter certa dificuldade em caracterizar principalmente nomes conhecidos do humor, como Sérgio Mallandro, com uma interpretação sofrível de uma imitação mal feita, e Ronald Golias, que foi jogado na trama de qualquer jeito, por falar nisso. Uma das coisas que se tornam muito repetitivas é a relação Gugu x Silvio Santos, que se estende por horas e horas, parecendo não haver nenhum outro problema dentro da emissora. No entanto, é nessa relação que temos um Silvio mais egoísta, o que é até legal de ver. Outro embate que trouxe alguns benefícios dramáticos, foi o que envolve sua esposa, Íris Abravanel, quando tentava emplacar suas novelas, Leona Cavalli teve mais destaque e se saiu muito bem no que lhe foi proposto. Contudo, o que essas duas tramas deixam é um questionamento sobre a razão de não vermos outros nomes tão conhecidos na história do próprio canal, como, por exemplo, Carlos Alberto de Nóbrega, que segue Silvio há anos e não há nenhuma menção a ele ou a seu programa, mesmo que seu pai tenha sido representado na temporada anterior. Como já é notável que a série adora trazer polêmicas e conflitos, fica a pulga atrás da orelha sobre não retratar essa relação conflituosa, como é de conhecimento geral. Algo muito bacana de assistir é a forma como ela retrata alguns momentos marcantes da TV, na temporada anterior tivemos a inesquecível piada do bambu, e nessa tivemos a constrangedora participação de Jean-Claude Van Damme dançando coladinho com a Gretchen no Domingo Legal. Outro momento que a temporada retratou bem foi a entrevista de Patrícia Abravanel sobre o seu sequestro de uma semana. Os novos episódios também fizeram questão de mostrar a figura de Patrícia como uma pessoa que já queria estar metida ali naquele meio e que ansiava pelos holofotes sobre si. Apesar dos altos e baixos, a série manteve a proposta de trazer uma figura quase mítica para o plano terreno dos humanos comuns, ela torna interessante assistir sobre esse personagem, visto com bons olhos e que se pinta como bonzinho, de uma maneira mais aberta. Mesmo correndo por muitos anos em somente duas temporadas, O Rei Da TV consegue se sair bem, e diferente do final da estreia que deixou um gancho sobre continuação, essa parece fechar seu ciclo propositalmente. No entanto, se ela quiser voltar, sabemos que polêmica e assunto é o que não vai faltar. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda

    Continuação adapta bem as questões geracionais e entretém, mesmo sendo previsível. Divulgação Vinte e dois anos depois de Tess (Jamie Lee Curtis) e Anna (Lindsay Lohan) terem enfrentado uma crise de identidade, Anna agora tem uma filha e uma futura enteada. Enquanto enfrentam os desafios da união de duas famílias, Tess e Anna descobrem que o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar. Como é de consenso geral, o lado positivo de se chegar onde quer que seja com as expectativas baixas é que o mínimo básico alcançado se torna um resultado positivo. E é exatamente neste contexto que Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda passa por média. Estamos vivenciando o recente período de pós-fracassos de qualidade (e às vezes de bilheteria) dos remakes e continuações de Hollywood, especialmente da Disney. Toda derivação anunciada vem com um olhar de desconfiança e quase nenhuma empolgação a não ser por parte dos fãs daquele produto. E ainda que este filme tenha sido uma ideia pensada essencialmente para lucrar, ainda consegue ter alguns bons momentos, mais do que era esperado, preciso confessar. O primeiro ato é uma bagunça desgovernada e por vezes vergonhosa. Ele tenta reinserir as personagens já conhecidas e apresentar novos nomes num ritmo quase vertiginoso, empurra várias piadas sem cabimento nos tempos do texto e cria situações ridículas que poderiam ter escalas menores de desdobramentos e ainda serviriam para o propósito pensado. Mas quando as grandes trocas acontecem é que a diversão começa, e até mesmo as bagunças que ainda persistem ficam mais organizadas, e justificadas. Divulgação O roteiro sabe atualizar a mensagem central de “se colocar no lugar do outro”, uma metáfora completamente literal desde a primeira versão do filme nos anos 70. O conflito de gerações na troca de papéis com mais uma camada, e dessa vez adicionando um elemento externo aos laços de sangue, abre um leque diversificado de brincadeiras, piadas e lições de moral, e o texto abraça o máximo que pode. Me peguei algumas vezes me inserindo nos embates encenados, algo que não fazia quando era adolescente e assistia ao filme de 2002 incontáveis vezes. Existe aqui uma sensibilidade no trato do enredo que se preocupa em não deixar suas personagens fazendo trapalhadas ao léu, e amarra tão bem quanto pode suas motivações e objetivos. Mesmo tendo um desfecho detalhadamente previsível, é de fato surpreendente o quão engraçado e, sim, emotivo, o filme consegue ser com uma premissa repetida. É notório que foi um trabalho divertido para todos os envolvidos na frente e por trás das câmeras, destaco os retornos de Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis que, mais uma vez, são a alma da produção. Nota: 3/5

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