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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"
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- Crítica | Adulto/Homem (15º Olhar de Cinema)
Pedro Diógenes dilata a potência da imagem e do som enquanto nos convida a refletir sobre o ofício da atuação. Imagem: Divulgação 20 atores esperam numa sala, prontos para serem chamados a fazerem o teste de elenco para o qual estão ali. Num único plano de quase 70 minutos, regido por um travelling lentíssimo que deixaria Andrei Tarkovski orgulhoso, a câmera passeia pelos seus rostos conforme eles esperam, e esperam, e esperam. Enquanto isso, numa outra dimensão – a sonora –, eles refletem sobre seus ofícios como atores, o que os levou a buscarem tal profissão e quais as maiores dificuldades da área, além de compartilharem anedotas, lerem textos ou ensaiarem as falas do filme para o qual estarão fazendo o teste. Gosto muito de filmes que oferecem metacomentários sobre a arte, especialmente porque, enquanto artista (mais especificamente escritor), me identifico muito na ideia de que nós podemos – e vamos – sofrer por essa arte, mas que outra opção temos se não nos agarrarmos a ela? Claro que os atores aqui divergem em suas percepções: alguns veem que a atuação foi algo nato em suas vidas, outros consideram “apenas” um trabalho, mas isso não elimina as experiências em comum, sejam as dores ou as delícias. Cada um dos atores merece palmas por imprimirem tamanha naturalidade e organicidade em seus rostos e corpos no ato de esperar, ainda que entendamos que há todo um processo de encenação por trás. Mas Pedro Diógenes não se contenta em “colar” seus rostos às vozes que ouvimos, pelo contrário: gradativamente ele vai descolando imagem do som, conforme o que parecia um roteiro bem estabelecido – um conjunto de respostas de cada ator às perguntas feitas por Diógenes e equipe – vai se convertendo em um produto mais “abstrato” e experimental até. Vozes são transferidas de um ator para o outro ou até mesmo se sobrepõem, outras formas de narração são empregadas (as diferentes vezes em que o texto de Adulto/Homem, o “filme dentro do filme”, é lido são um destaque à parte para ilustrar diferentes formas de entonação e atuação), e as reflexões e experiências que à primeira vista pareciam individuais se acumulam e se tornam coletivas. Assim, cada vez que parece que essa estrutura irá saturar, Diógenes e sua equipe – com especial destaque ao trabalho de fotografia de Ivo Lopes Araújo e o som de Tiago Campos e Breno Furtado – conseguem maneiras de se reinventar, seja apostando no inesperado, no humor ou na intersecção e oposição entre a imagem e o som. Tudo isso enquanto dá espaço para se pensar as múltiplas formas de se fazer atuação, ajudando a dar uma dimensão do processo por trás do ofício, ao qual o público dificilmente tem acesso. Como diz Pedro Guimarães, pesquisador de performances e jogos atorais, o rosto do ator é o lugar nobre dos sentimentos de veiculação dos afetos, sentimentos e emoções. Também é aqui o lugar nobre da espera intermitente: pelo próximo teste de elenco, pelo próximo trabalho, pelo próximo sonho a ser alcançado, e que não precisa ser grandioso. Uma das falas mais pungentes vêm de um dos entrevistados que, ao ser perguntado sobre qual seria o seu maior sonho, responde apenas que seria ter seu pai numa sala de cinema o assistindo atuar. Atores são humanos, afinal de contas. E Pedro Diógenes encontra nos caminhos incomuns da potência dilatada das dimensões imagética e sonora de Adulto/Homem o espaço perfeito para apresentar suas humanidades ao público. Nota: 4.5/5
- Crítica | Telúrica, a Íntima Utopia (15º Olhar de Cinema)
Documentário se ampara no teatro, na horizontalidade e no afeto para diminuir estigmas em torno de pessoas em sofrimento psíquico. Imagem: Divulgação Originária do latim tellus (que significa “terra”), a palavra “telúrica” pode se referir a diversas dimensões relacionadas àquilo que é relativo à Terra, seja na geofísica, astronomia ou nas artes. Em Telúrica, a Íntima Utopia, a palavra norteia o título e os bastidores da nova peça da companhia teatral Ueinzz, formada em São Paulo em 1996 e que é composta em grande parte por pessoas em sofrimento psíquico, bem como profissionais da área da saúde e das artes. Neste cenário multidisciplinar e multirreferencial, o documentário de Mariana Lacerda evita maiores didatismos para trazer os cotidianos da companhia e dos seus atores. Foca nos ensaios, nas trocas e sobretudo nos afetos, visibilizando esses indivíduos sem limitá-los às suas condições e sofrimentos. Os melhores momentos do longa vêm nestes instantes mais íntimos, onde eles compartilham suas reflexões, suas trajetórias e propostas para a peça. De maneira inteligente, não há demarcação de quem é “paciente” e quem é profissional, porque não se trata disso; todos são apresentados numa perspectiva horizontalizada que os respeita e confere-lhes humanidade. Ainda assim, essa proposta também não vem sem certas limitações. O filme se desenrola todo dentro de um galpão onde os ensaios são feitos, e com isso a ênfase se dá neste processo criativo rumo à peça e na existência dos personagens ali dentro, mas não na existência para fora daquele espaço – a qual certamente seria inegável para mensurar aquilo que eles trazem para este universo (ainda que alguns relatos e monólogos “supram” tal lacuna). Além disso, se em determinados momentos a câmera de Lacerda transita com naturalidade pelo espaço e captura movimentos e instantes muito orgânicos, em outros a encenação parece controlada demais (como em algumas trocas entre atores e lideranças da companhia), inclusive no aspecto formal. Nesse sentido, até a trilha sonora reflete essa irregularidade; ao final entendemos que ela faz parte da peça em si, mas sua utilização ao longo do filme parece quase manipuladora, ou ao menos destoante do tom que as imagens dos bastidores assumem. No fim, também é preciso fazer um questionamento: longe de qualquer julgamento moral sobre estes personagens, mas em que medida eles têm algum controle e autonomia sobre sua própria imagem que vemos no filme? Pode a horizontalidade e os afetos suprirem questões ligadas a consentimento e ética? Não é uma questão que o filme tem interesse em responder, mas que a permeia de uma maneira um tanto desconfortável. Ainda assim, é louvável que ele se comprometa a não estigmatizar estas pessoas, reforçando o papel libertador e catártico da arte. Ou como cantaria Rita Lee em Ovelha Negra, música que fecha o filme com uma mensagem um tanto óbvia, mas ainda assim certeira: Baby baby Não adianta chamar Quando alguém está perdido Procurando se encontrar Baby baby Não vale a pena esperar, oh não Tire isso da cabeça E ponha o resto no lugar Nota: 2.5/5
- Crítica | The Last of Us (2ª temporada)
Apesar das críticas à inserção da batalha em Jackson contra os infectados no segundo episódio (elemento construir diversos ótimos momentos – e ser muito melhor do que seus detratores a acusaram, com várias críticas Se é a ênfase na jornada de Abby que vai devolver esse brilho, só saberemos lá para 2027.
- Crítica | Grease: Rise Of Pink Ladies (1ª temporada)
Estrelado por John Travolta e Olivia Newton-John, o filme mostra os dois adolescentes se apaixonando. Já Grease: The Rise of the Pink Ladies, que estreia 40 anos após o lançamento do filme, mostra a história Dito isso, apesar de estar fazendo duras críticas a série, ela não é somente composta de erros.
- Crítica | O Auto da Compadecida 2
O filme se passa vinte anos depois da primeira história e mostra a pacata rotina de Chicó (Selton Mello o que frustra um pouco mais é o roteiro usar das meta-piadas como forma de se blindar de possíveis críticas
- Crítica | Sutura (1ª temporada)
E isso não é um ponto negativo, pelo contrário, mostra o quanto o roteiro está atento ao todo em vez Então tem crítica social bem explícita para o espectador mais obtuso, mas tem também suas sutilezas narrativas
- Crítica | Cartas Para Meus Pais Mortos (15º Olhar de Cinema)
Ignacio Aguero mescla a dimensão pessoal do luto e da memória com o panorama político do Chile no último meio século. Imagem: Divulgação Demoram alguns minutos até que Cartas Para Meus Pais Mortos comunique o que pretende em suas 2h de duração. Imagens domésticas se sucedem: os interiores de uma casa, um jardim meio malcuidado, gatos que passeiam por ele... e então a voz de seu realizador Ignacio Aguero se revela, abordando as mortes de seus pais – sobretudo a de seu pai, quando tinha apenas 18 anos e Salvador Allende acabara de ser eleito presidente do Chile – e tomando-as como ponto de partida para as investigações que faz sobre a própria história do Chile dos últimos 50 anos, sobretudo os efeitos da ditadura de Augusto Pinochet. Aguero concilia suas gravações domésticas com imagens de arquivos e outros excertos audiovisuais, enquanto sua voz narra as lembranças do pai, o passado deste na Marinha e sobretudo seu trabalho em uma fábrica até a sua morte. Esta última parte é complementada pelos depoimentos de Manuel Medina, ex-líder sindical da fábrica que conheceu o pai de Aguero e que, como muitos líderes sindicais, sofreu brutalmente nas mãos da ditadura. Os depoimentos de Medina são longos, quase sem cortes, e mesmo em meio à névoa da memória, constituem-se a alma da obra, ou uma das almas, já que no fim das contas Cartas Para Meus Pais Mortos é muitas coisas em um filme só. Tem-se um documentário que parte desta dimensão particular para evocar o coletivo e o público, algo muito comum – basta pensar em Retratos Fantasmas, de Kleber Mendonça Filho –, mas é a maneira como Aguero faz essa ponte que o destaca nesta seara específica de documentários. Ele brinca com as imagens, com a sua própria narração (marcada por pausas e hesitações, como se esquecesse do que estava falando e que ainda segue gravando a fala), contrapõe imagens e textos que nem sempre conversam entre si. Não que isso sempre funcione, como evidentes em sequências como a que em que narra o assassinato de um amigo na ditadura enquanto sua câmera grava folhas caídas. De fato, parece haver no início um completo desinteresse na imagem ou na forma como ela é gravada e registrada, sobretudo no que se refere aos seus registros domésticos, como se estes fossem deliberadamente inferiores ao texto narrado (mas ora, não é o cinema uma arte audiovisual?). Mais eficazes são os usos das imagens de arquivo, sobretudo as gravações do pai de Aguero, que de alguma forma prenunciam o caráter questionador da câmera do cineasta décadas depois. Mas à medida que o filme progride, mesmo que sua duração possa ser sentida em determinados momentos, ele vai ganhando força e confiança para explorar esta sua natureza aparentemente contraditória, com alguns resultados até mesmo humorísticos. Estes caminhos tortuosos podem certamente não agradar a todos, mas pelos menos ajudam Aguero a sair de seu lugar um tanto pequeno-burguês para tratar com ousadia (e também certa sensibilidade) um tema tão espinhoso e ainda doloroso para o Chile e a América Latina como a ditadura. O resultado final pode aparentar ser um tanto errático, mas exitoso em sua proposta de nos marcar de alguma forma a partir das memórias pessoais e familiares do diretor. Nota: 3/5
- Crítica | O Clube das Mulheres de Negócios
dos maridos bem mais jovens, muitos deles traídos, meio burrinhos e com looks sensuais que deixam a mostra Fica claro que O Clube das Mulheres de Negócios poderia se tornar uma boa sátira, ou um bom filme com crítica
- Painel do Encontro de Ideias debate as novas formas de acesso do público aos documentários brasileiros (Mostra de SP 2026)
O evento, que é realizado durante a Mostra de SP e chega à sua sexta edição, conta neste ano com 60 palestrantes
- Crítica | Leite em Pó (54º Festival de Cinema de Gramado)
autoral de Segundo, já presente em trabalhos anteriores, com destaque para os curtas-metragens Sideral (2021 ) e Big Bang (2022), adiciona, aos poucos, camadas afetivas à narrativa de Leite em Pó, sem convertê-la
- Crítica | Springsteen: Salve-me do Desconhecido
mente de Springsteen entrasse num vórtex de negatividade e questionamentos existenciais durante um crítico
- Crítica | Longlegs: Vínculo Mortal
ocultista, e consiga se equilibrar entre os dois de forma bastante estável, as reviravoltas e os elementos críticos












