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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1318 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Mais Pesado é o Céu

    Filme carrega no drama para narrar conto cruel de desesperança Foto: Divulgação Após acolher uma criança abandonada, Teresa (Ana Luiza Rios) conhece Antônio (Matheus Nachtergaele) e os dois iniciam uma jornada pelas estradas. O passado em comum, para eles, são as memórias de uma cidade submersa no fundo de uma represa. A vida é sonho, mas o futuro é a incerteza. Mais Pesado é o Céu é um road movie banhado num niilismo assustador, onde os personagens condenados a uma estrada-esteira tentam buscar propósito num caminho que sempre acaba por levá-los ao mesmo lugar de origem. Fisicamente e metaforicamente. A estrada se torna o não-lugar onde Teresa e Antônio estão condenados a uma punição recorrente que parece não se importar com quem seja, suas histórias ou o que os levou até ali, o que importa é o castigo. Toda essa carga, no entanto, parece arrastar o desenvolvimento da narrativa, que poderia variar situações, sem abandonar os lugares e a estrada, e ainda assim teria o mesmo impacto com um pouco mais de dinâmica. O casal de atores protagonistas dá vida – até onde é possível – a personagens que se agarram a tudo que aparece em seus caminhos como uma tentativa desesperada de validar suas existências. Com atuações cruas, Ana Luiza Rios e Matheus Nachtergaele constroem pessoas que apenas esboçam outros sentimentos além de desengano e desolação. No entanto, assim como a cidade que buscam está inundada, suas forças parecem comprimidas pela pressão do que se não pode ver, das mágoas incontáveis, da cadeia de sofrimentos, do céu que se desdobra impiedosamente encarando, em sua grandeza, a miudez de seus destinos. Foto: Divulgação Sempre com uma imagem em baixa saturação, onde mesmo os planos abertos de dias claros conseguem parecer densos e lúgubres, Petrus Cariry usa todos os recursos visuais que estão ao seu alcance para dar forma e peso à realidade sempre abarrotada de Mais Pesado é o Céu. Blocking, sombras, silhuetas e linhas, muitas linhas compõem a gestalt cinematográfica que funciona quase como uma cartilha bem ilustrada de como imprimir clareza e objetividade, sem cair na obviedade e no simplório. E essas muitas linhas horizontais e verticais enquadram, dimensionam, direcionam e aprisionam os personagens com uma inteligência de quem pega numa câmera com a certeza daquilo que está fazendo. Não espere um final feliz, não ache que vai ficar tudo bem, o diretor passa o filme inteiro nos apontando para um desfecho atroz, e além de atroz é abrupto. Não há esperança. No percurso marcado do longa-metragem é cada um por si e a estrada contra todos. Nota: 3,5/5

  • Crítica | A Escola do Bem e Mal

    Uma fantasia genérica de mensagem confusa que já nasceu datada. Divulgação: Netflix Se fosse lançado há 10 anos, The School For Good and Evil talvez desfrutasse de um maior prestígio, em meio à proliferação de filmes genéricos inspirados em Harry Potter e obras do Disney Channel como Descendants. Saindo agora, não apenas parece um filme bastante atrasado e perdido no tempo, como não traz consigo nenhum diferencial ao soar apenas como um apanhado de conceitos e chavões da fantasia, o que é piorado por uma dependência excessiva no CGI que torna a história (ainda mais) artificial e a tentativa de elaborar uma mensagem não tão maniqueísta que, no entanto, nunca é reforçada pelo restante da obra. Após um breve prólogo que nos apresenta aos irmãos gêmeos Rhian e Rafal (Kit Young), fundadores da escola do título, adentramos a história principal, narrada por ninguém menos que Cate Blanchett de maneira a se assemelhar aos contos de fada que constantemente cita (embora depois de um tempo a narração seja deixada de lado, mesmo quando recebe um tratamento metalinguístico). As protagonistas, Sophie (Sophia Anna Caruso) e Agatha (Sofia Wylie), são melhores amigas desde a infância em um pequeno vilarejo e, embora muito diferentes – Sophie ama contos de fadas e almeja ser uma princesa, enquanto Agatha é destratada como uma bruxa –, se apoiam. Porém, a despeito de suas personalidades e aparências, ambas são conduzidas à Escola, que treina em sua parte do Bem os mocinhos e na do Mal os vilões. Enquanto Sophie é colocada junto com os vilões, Agatha é posta junto aos mocinhos, e ambas tentam a todo custo mostrar que tiveram seus lugares trocados, ainda que as evidências mostrem o contrário. Na superfície, tem-se uma premissa que poderia ensinar bastante sobre preconceito e como as aparências enganam, além de tentar desfazer a dualidade Bem/Mal que molda a escola, seus professores e alunos. A direção de arte e o figurino certamente fazem seu trabalho nesse aspecto: se o lado do Bem parece diretamente saído de Bridgerton com seus vestidos coloridos, espaços pomposos e fadas, o do Mal soa uma versão (ainda mais) sombria de Hogwarts, onde lobos maus fazem o papel de guardas e todos precisam usar preto e possuir habilidades sombrias. Porém, a história nunca consegue avançar para além disso: não fosse pela insistência de Agatha em questionar que tipo de Bem é esse que vemos (e de fato, é um Bem tão fútil e vaidoso que nem uma reviravolta no último ato resolve o problema), tudo que teríamos é uma narrativa que apenas reproduz um maniqueísmo bobo. Ao menos, a personagem ganha uma certa latitude através da performance de Sofia Lyle, que talvez seja o grande destaque do elenco à medida em que vemos alguma evolução na sua trajetória. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de Caruso, que entrega em Sophie uma personagem inconsistente, irritante e com a qual sequer nos envolvemos, já que é difícil gostar dela desde o começo, quando é apenas uma garota boba querendo ser uma princesa, e isso se torna quase impossível ao final do seu arco dolorosamente previsível. Parece que apenas as duas protagonistas não sabem o que todo o restante do elenco e nós, espectadores, já sabemos sobre para onde suas trajetórias na Escola as levarão. O pior de tudo é ver que o roteiro se acovarda em abraçar por completo a ideia de Sophie como uma antagonista, introduzindo um elemento diretamente ligado ao prólogo para “justificar” a maldade em suas ações – e que, vejam só, continua a reproduzir uma noção maniqueísta das coisas. Não ajuda que o elenco adulto, mesmo carregado de estrelas, é tristemente subaproveitado. Kerry Washington exagera na caricatura, enquanto Charlize Theron não faz feio, mas também não se destaca; e nem vou falar de Michelle Yeoh e Lawrence Fishburne, que são reduzidos a participações de luxo. É nítido aqui que o diretor Paul Feig (conhecido por comédias como Missão Madrinha de Casamento e a versão feminina de Ghostbusters) não está confortável em dirigir um longa tão fora da sua zona de conforto, entregando sequências que se apoiam demais no CGI para criar uma tentativa de espetáculo visual que acaba soando vazio, além de um roteiro que sequer esconde o sem-número de referências. Pior são as insistências em uma tentativa “vã” de modernizar os contos de fada que acabam sendo deixadas de lado conforme o longa avança, incorrendo ainda em anacronismos dispensáveis como os hits de música pop na trilha sonora que destoam completamente da trilha sonora de Theodore Shapiro – o uso de You Should See Me In a Crown de Billie Eilish no momento da “grande virada” de Sophie coroa (sem trocadilhos) o ridículo da cena em si. Infelizmente, qualquer mínima tentativa de trazer algo refrescante a um gênero que parece tão saturado é soterrada em poucos minutos, conforme a narrativa de The School For The Good and Evil vai se tornando mais e mais genérica e previsível. Ao fim, o longa soa como um amontoado de partes que remetem a diversas outras obras que já vimos antes, e não se iguala a nenhuma delas. Nota: 2/5

  • Crítica | O Ensaio (Temporada 1)

    Nathan Fielder brinca de Deus e tenta curar a ansiedade. Como seria a vida se pudéssemos ensaiar alguns momentos e situações que precisaremos enfrentar no futuro, mas que no presente estivesse nos deixando extremamente ansiosos? Se precisássemos ensaiar uma conversa muito séria, ter que relevar um segredo, uma entrevista de emprego, ou até mesmo um encontro, e avaliar todas as possibilidades ali, tudo poderia ser visto com outros olhos e até facilitaria quando o momento chegasse, certo? Foi pensando exatamente nisso que o humorista e roteirista Nathan Fielder criou ‘O Ensaio’. Como dito antes, por se tratar literalmente de ensaios, todos os cenários principais são réplicas de locais reais, onde as pessoas envolvidas irão para o “agora ou nunca” delas. Sendo um dos pontos positivos, esses cenários são incríveis por realmente se atentarem aos detalhes e os deixarem exatamente iguais aos seus originais, fazendo com que a pessoa-alvo do ensaio consiga se colocar na situação e ver todos os ângulos possíveis que isso possa gerar. Outro ponto positivo a ser citado é a direção, também de Nathan Fielder, que explora de maneira dinâmica todas as possibilidades de ambiente e situação, nos levando por vários momentos a uma imersão contemplativa enquanto os minutos se passam. O texto, que também foi escrito por Nathan Fielder em cooperação com Carrie Kemper e Eric Notarnicola, é outro fator que agrega qualidade à série. Ele evidencia que estamos diante de uma produção que tem muitos caminhos que podem ser trabalhados, e que em nenhum deles vai deixar previsível o que virá depois. Para finalizar, com sua segunda temporada já garantida, ‘O Ensaio’ é um dos grandes trunfos deste ano, chegou sem fazer muito barulho e entregou uma temporada sensacional. Vale citar que a série deixa no público aquele sentimento de inconsistência e reflexão em relação à vida. É uma série que transita com sutileza entre a ficção e a realidade, que diverte e também emociona, e que traz consigo algo para ficar marcado no telespectador que ela é uma produção espetacular. É uma série que vai te levar a questionamentos sobre escolhas, futuro e o livre-arbítrio, e que vale muito a pena ser conferida.

  • Crítica | Mais Que Amigos (TIFF 22)

    A comédia romântica do ano. Divulgação: TIFF De tempos em tempos surge uma comédia romântica nos cinemas que ninguém espera, mas acaba surpreendendo na bilheteria, fazendo com que o gênero aposte menos em seu potencial e acabe lançando filmes com a mesma fórmula mudando apenas o elenco. No entanto, enquanto alguns estúdios continuam apostando no mesmo, a Universal decidiu dar uma chance a uma comédia romântica com uma casal que, apesar de já ter sido feito antes, nunca foi apresentado desta maneira em uma grande produção. Bros, 'Mais Que Amigos' no Brasil, conta a história de Bobby (Billy Eichner), um podcaster, que enquanto cria o primeiro museu de história LGBTQI+ dos Estados Unidos, acaba se apaixonando por Aaron (Luke Macfarlane) após o conhecer em uma festa. Sendo um homem autodeclarado emocionalmente indisponível, Bobby faz de tudo para que Aaron o dê uma chance. Divulgação: TIFF Não tem como falar do filme sem falar do seu histórico elenco, onde todos os papéis importantes, LGBTQIA+ ou hétero, são interpretados por pessoas que fazem parte da comunidade. A narrativa envolvendo o elenco em si, é um dos muitos pontos altos, dando a cada ator uma personalidade semelhante a seus outros trabalhos, enquanto eleva seus lados cômicos e criam momentos importantes para todos, ao invés de serem abordadas apenas por suas sexualidades. Além disso, é visível o trabalho que o diretor, Nicholas Stoller, teve com Eichner, que co-escreve o roteiro, conseguindo criar uma das comédias mais engraçadas em muitos anos. Mesmo seguindo a estrutura básica de filmes do gênero e tendo alguns clichês, eles se encaixam perfeitamente no longa, não usando de um drama excessivo para criar uma falsa compaixão com o personagem. Divulgação: TIFF Mais Que Amigos é um excelente exemplo de como Hollywood deve parar de apostar em histórias parecidas, como também incluir minorias nelas, na frente e atrás das câmeras, para que assim realmente consiga as tratar de maneira digna e fiel. Nota: 4.5/5

  • Crítica | Coringa: Delírio a Dois

    Em 2024, ninguém imaginaria que um filme vencedor do Leão de Ouro em Veneza e 11 indicações ao Oscar, começar pela trilha sonora, assinada novamente por Hildur Guðnadóttir, que venceu o Oscar da categoria em 2020

  • Crítica | Industry (3ª temporada)

    se consolida como uma das melhores do ano Foto: Divulgação/ HBO Se você perguntasse, lá por volta de 2020 si os postos de melhores da série, como certamente alguns deles figurarão nas listas dos melhores de 2024

  • Crítica | Iracema (Curta-metragem)

    Com visual impactante e narrativa confiante, a ficção científica alcança bem mais que sua curta duração Foto: Divulgação Dirigido, escrito, produzido, montado e finalizado por Yuri Célico, Iracema é um curta realizado por uma pequena equipe durante um final de semana no Rio Grande do Sul. Livremente inspirado na canção "Iracema", de Adoniran Barbosa, este filme conta a história de Patrícia, uma lésbica enlutada que perdeu todas as memórias de sua amada recém-falecida. De Iracema sobraram apenas as botas, nas quais Patrícia agora projeta um imenso luto capaz de dar a elas o peso e a massa necessários para transformá-las em uma singularidade cósmica que vai distorcer todo o tempo e o espaço ao redor. É empolgante poder acompanhar um belo e fresco trabalho vir a público simultaneamente ao “despertar” de seu esperto e talentoso cineasta. Iracema é o primeiro curta-metragem de Yuri Célico, que já chega provando que não se contém a orçamento e limitações técnicas, por assim dizer, para explorar e exibir o tamanho do seu potencial criativo, visualmente e narrativamente. Foto: Divulgação Adaptando a famosa canção homônima do sambista Adoniran Barbosa, o roteiro dá novas cores ao texto ao apresentar uma interpretação cheia de presença, e ainda assim não confronta quaisquer das linhas originais, para os mais puristas. E conseguir dar uma reviravolta inventiva numa canção tão popular sustentando sua ideia a cada novo elemento em cena é trabalho de gênio. Iracema consegue com vivacidade, requinte plástico e muito sentimento criar um surrealismo que, ao mesmo tempo em que se assemelha a Bertrand Mandico, é repleto de uma personalidade moldada pelas cores, texturas, formas e através de uma câmera esperta que desenha com detalhe até os momentos mais simples da ficção científica. Um sci-fi cheio de brasilidade, metafísico e romântico queer inspirado num samba e tudo isso bem amarrado não poderia resultar em nada além de um deslumbre. Nota: 4/5 Foto: Divulgação

  • Crítica | A Semente do Fruto Sagrado

    Dando uma explicação macro, em 2022, a estudante Mahsa Amini, de 22 anos, morreu após ser detida pela

  • Crítica | Pssica (Minissérie da Netflix)

    Entre a beleza e a brutalidade da Amazônia, minissérie expõe o tráfico humano e transforma denúncia social em suspense hipnótico Imagem: Divulgação A Netflix mergulha mais uma vez no universo do audiovisual brasileiro com Pssica, minissérie baseada no livro homônimo do paraense Edyr Augusto. Ambientada nos rios da Amazônia Atlântica, a produção combina realismo brutal e atmosfera quase mística para retratar uma trama marcada por violência, sobrevivência e destinos cruzados. Sob a direção de Quico Meirelles, filho de Fernando Meirelles (que também trabalha na direção da série), a obra se apoia em personagens complexos e narrativas entrelaçadas, evocando tanto o thriller quanto o drama social. O resultado é uma experiência intensa que provoca desconforto e fascínio na mesma medida. Divida em quatro episódios, o enredo parte de três protagonistas que representam universos distintos, mas inevitavelmente ligados pela engrenagem da violência: Janalice (Domithila Cattete), vítima de um sequestro cruel; Preá (Lucas Galvino), herdeiro relutante de uma gangue fluvial; e Mariangel (Marleyda Soto), em busca de vingança pela perda da família. Cada arco narrativo é construído de uma forma muito particular, onde cada história se interliga em determinados momentos. Um dos aspectos mais marcantes da adaptação é a inserção de trechos do livro em determinadas cenas, especialmente nos momentos de maior tensão ou violência. Quico Meirelles conduz Pssica com um ritmo que alterna entre contemplação e brutalidade. Há momentos em que a câmera repousa sobre o silêncio sufocante dos rios, permitindo que a paisagem carregue uma tensão quase invisível, e, de repente, a narrativa é sacudida por explosões súbitas de violência. Essa cadência não apenas sustenta o suspense, mas também traduz a própria lógica da sobrevivência. Imagem: Divulgação A fotografia é um dos pontos altos da minissérie. Ao apostar em tons escuros, contrastes fortes e texturas naturais, ela cria uma atmosfera quase mística, em que a floresta e os rios não são apenas cenários, mas forças vivas que oprimem e condicionam cada escolha dos protagonistas. Essa estética reforça o peso simbólico da “pssica”: a maldição que parece impregnar não só os personagens, mas também a própria terra, como se o ambiente estivesse conspirando contra qualquer possibilidade de redenção. O grande acerto de Pssica é não romantizar nenhuma das linhas narrativas colocadas para cada protagonista. Cada personagem pode ser, simultaneamente, vítima e algoz, salvador e destruidor. Essa ambiguidade quebra maniqueísmos fáceis e cria um jogo narrativo que instiga o público a repensar continuamente suas percepções sobre quem é o “herói” e quem é o “vilão”. Muito disso perpassa pela atuação do trio protagonista, que é extremamente competente (assim como o elenco da minissérie como um todo). Intensa, densa e profundamente inquietante, Pssica reafirma o potencial do audiovisual brasileiro em criar obras que não apenas entretêm, mas também cutucam feridas abertas da realidade social. Ao abordar temas como o tráfico humano e a exploração sexual na Amazônia, a minissérie expõe a engrenagem violenta que atravessa vidas e territórios, transformando denúncia em arte. É uma produção que exige fôlego e disposição do espectador pelos temas fortes que aborda, mas que recompensa com um mergulho na escuridão dos rios amazônicos, onde beleza e violência se confundem, e onde toda esperança parece assombrada pela inevitável sombra de uma maldição. Nota: 4.5/5

  • Crítica | A Namorada Ideal (Minissérie)

    Olivia Cooke e Robin Wright se enfrentam em um jogo de gato e rato previsível, mas viciante Imagem: Divulgação O clichê quando bem trabalhado, é, no mínimo, muito divertido. Felizmente é o caso desta nova produção do Prime Video, em que Robin Wright é Laura, uma mãe superprotetora com uma vida perfeita. Uma bela carreira, marido amoroso e o filho prodígio Daniel (Laurie Davidson). No entanto, seu mundo é abalado com a chegada de Cherry, papel de Olivia Cooke, a nova namorada de Daniel. Laura acredita que a moça é uma alpinista social e está escondendo algo, mas será que ela está apenas paranoica? A narrativa é contada através dos pontos de vistas de ambas, o que é um diferencial, lembrando The Affair, mas ainda assim sem muita profundidade no texto e o que confere alguma nuance às personagens são as performances fantásticas de Cooke e Wright. Laura é uma mulher rica, composta e gosta de controlar tudo ao seu redor. Cherry é pobre, veste roupas curtas e ambiciona uma vida mais luxuosa. O que as une é o principal fator que as separa: o amor por Daniel. O rapaz é um tanto desinteressante para nós que assistimos e ainda bem que o enredo gira em torno das duas. Ambas estão ótimas e é crível que há sentimentos reais envolvidos ali, mesmo com toda manipulação e intrigas. Elas elevam o nível da coisa deixando o drama e o suspense muito mais palpável. Robin Wright – que também dirige os três primeiros episódios, dando um tom elegante ao roteiro folhetinesco – finalmente se desprende da robótica – pelo menos nas últimas temporadas – Claire de House of Cards, com expressões sutis, dada a finesse da persona, mas sem se perder quando a cena pede intensidade. Olivia Cooke, que é sempre um desbunde, é a melhor coisa da minissérie. A atriz consegue atingir todas as notas que o roteiro dá a sua Cherry e ir além. Por meio do texto, não é difícil notar que a moça realmente é uma interesseira, mas é através dos olhares e trejeitos de Cooke que sabemos que ela é muito mais. Imagem: Divulgação Em seis episódios temos reviravoltas descabidas e muito melodrama nesta história de traições e intrigas. Como eu disse, lembra The Affair, na questão dos pontos de vista, mas é muito mais Revenge, com uma produção notoriamente mais cara e caprichada, tendo a rivalidade feminina como escopo e as armações dignas de um bom novelão. O final, onde tudo culmina e a rixa chega ao ápice, tem as sequências mais previsíveis e convenientes, mas são salvas pela direção de Andrea Harkin – que comandou as três últimas horas dando seguimento ao firme trabalho de Wright nas três primeiras – e pela entrega visceral das protagonistas. A cena final, apesar de ser esperada, é de arrepiar e encerra bem a história, com uma trilha sonora pontual – que é outro dos pontos altos da produção – que é a cereja do bolo e combina perfeitamente com a atmosfera sexy e folhetinesca da minissérie. O entretenimento é garantido aqui, faça sentido ou não. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Fundação (3ª temporada)

    Novo ano não corrige todos os problemas da série, mas reforça sua posição como uma das mais instigantes produções de ficção científica da atualidade – e a mais grandiosa Foto: Reprodução/ AppleTV Mesmo em sua trôpega primeira temporada, Fundação nunca se acanhou de usar um senso de escala grandioso e épico para dar vida à atemporal saga de Isaac Asimov, mesmo adaptando-a em seus próprios termos – nem sempre muito bem-sucedidos. Corajosamente, a série se assumiu como uma espécie de antologia, o que fica evidente mais uma vez neste novo ano, que se passa 150 anos após a temporada passada. O que talvez diferencia esta nova temporada em relação às anteriores é a presença de uma figura antagonista mais definida, personificada no telepata Mulo (Pilou Asbæk), o qual se revela uma ameaça tão aterrorizante à galáxia – como evidenciado na primeira cena da temporada – que leva ao inimaginável: a possibilidade de uma aliança entre a Fundação e o Império. Claro que isso não ocorre de forma linear, já que diferentes grupos lutam uns com e contra os outros pelos seus próprios interesses, seja Gaal Dornick (Lou Lloubell) agindo em prol da Segunda Fundação, ou os três imperadores-clones Amanhecer, Dia e Crepúsculo (Cassian Bilton, Lee Pace e Terrence Mann, respectivamente), mais desunidos do que nunca enquanto sua conselheira-robô Demerzel (Laura Birn) luta de todos os modos para salvar sua dinastia. Há muitos núcleos e novos personagens – como o casal Toran (Cody Fern) e Bayta Mallow (Synnøve Karlsen); Quent (Cherry Jones) a embaixadora da Fundação nos domínios do Império e que cultiva uma curiosa relação com o Irmão Crepúsculo; Hal Pritcher (Brandon P. Bell), capitão de informações da Primeira Fundação que está ligado a Gaal; Magnificus Gigantus (Tómas Lemarquis), baladista do Mulo; dentre outros. Como antes, esta temporada de Fundação não se acanha de “recomeçar” a história com estas novas linhas narrativas, ainda que leve muito em consideração o que veio antes através de flashbacks ou dos personagens que se mantêm fixos a cada temporada. Isso exige um esforço por parte do espectador para se situar em relação ao que está acontecendo, e a série até cai num certo didatismo (em especial com as narrações em off de Gaal) para nos aclimatar a este novo período da história. Uma vez que as tramas engrenam e as conexões entre os personagens são estabelecidas, porém, é impossível não ser fisgado pelo encadeamento narrativo e a construção de mundo. Evidentemente, algumas tramas são mais interessantes que as outras, mas essa temporada seja talvez a mais equilibrada em relação aos seus núcleos, especialmente porque não tarda para que eles se unam ou convirjam conforme a história progride. Reflexo disso está no papel de Gaal nessa temporada: se antes a personagem estava costumeiramente mais isolada dos outros núcleos, mesmo sendo a coprotagonista da série junto com Hari (Jared Harris, menos presente aqui, mas sempre brilhante), aqui ela assume um protagonismo maior conforme sua personagem assume uma posição central na luta contra o Mulo, mesmo que o texto nem sempre pontue bem as maneiras pelas quais ela mudou e amadureceu nos 150 anos que separam essa temporada da anterior. Foto: Reprodução/ AppleTV Percebe-se também uma fragilidade na própria construção do Mulo, mesmo que ela tivesse sido pincelada na temporada passada, já que ora ele é apresentado como um vilão invencível, ora é “nerfado” para justificar as maneiras como outros personagens escapam dele ou o enfrentam. Não ajuda muito a maneira como Asbæk parece em alguns momentos repetir seu Euron Greyjoy de Game of Thrones, com uma atuação que beira o caricato na tentativa de impor um senso de ameaça do personagem aos devidos núcleos, ainda que ele convença muito bem em sequências onde sua postura contida é muito mais assustadora (como a envolvendo uma criança no segundo episódio). Mais uma vez, onde a série brilha é no núcleo dos imperadores e de Demerzel. Laura Birn oferece mais e mais nuances à sua robô milenar, incorporando os dilemas e conflitos centrais da série (humanidade, livre-arbítrio, ética e moral) à medida que sua Demerzel é posta à prova pelas escolhas dos personagens que a cercam e por tudo que ela viveu e fez. Já Pace, Bilton e Mann têm mais uma vez a chance de oferecer novas versões aos seus Cleons, e acertam em cheio: Pace faz um Irmão Dia que à princípio parece um Jesus hipster desinteressado no trono que ocupa, mas evolui para demonstrar perspicácia e clareza enquanto desvenda alguns dos principais mistérios deste universo; Bilton oferece uma encarnação amadurecida do Irmão Amanhecer que, na tentativa de ser melhor e mais justo que os irmãos, acaba encontrando sua própria queda; e Mann tem o trabalho mais difícil, já que seu Irmão Crepúsculo evolui (ou regride) de um homem sábio para um tirano em franca deterioração, que traz sobre sua dinastia a tragédia que se previa desde o começo da série. No campo estético e técnico, a série segue sendo um primor de encher os olhos, com um dos melhores usos de CGI na televisão atual – mesmo que em um ou outro momento se perceba um nível um pouco mais baixo, como se o orçamento estivesse mais reduzido. Mas não é só através dos efeitos visuais que a série nos impacta com a sua grandiosidade, mas também com os trabalhos de direção de arte e figurinos, que conseguem ilustrar a variedade de povos, espaços e mundos através da galáxia, tanto em planos abertos quanto nos espaços mais fechados (tudo que envolve o palácio dos Cleon em Trantor sempre me deixa deslumbrado). É um feito hercúleo que, se não necessariamente nos distrai dos problemas do texto, evoca sensações e uma atmosfera intencionalmente pensadas para nos transportar para este futuro glorioso e assombroso. A terceira temporada de Fundação ainda incorre em alguns tropeços que já tinham sido vistos nas temporadas anteriores e que dificilmente sumirão conforme a série avançar em direção ao futuro – ainda que seu chocante final nos faça pensar que não veremos um salto temporal tão grande para a próxima temporada. Ainda assim, é um tipo de espetáculo cada vez mais raro na TV, mesmo em meio às avalanches de franquias que abundam nos streamings e se anunciam como “cinema” ao invés de “televisão”. Nem sempre esse senso de espetáculo está devidamente alinhado com as complexidades da história contada, mas não resta dúvidas de que esta temporada reforça mais uma vez a capacidade da série de ser uma das mais ousadas e instigantes obras de ficção científica em exibição na atualidade – e sem sombra de dúvidas a mais grandiosa. Nota: 3,5/5

  • Crítica | O Telefone Preto 2

    E o diretor repete sua estilosa e granulada condução em O Telefone Preto 2 (2025). Mesmo Derrickson levando seu trabalho tão à sério quanto possível, o viés lúdico de O Telefone Preto 2 (2025

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