top of page

Resultados de busca

Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1318 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Black Rabbit (Minissérie)

    Ritmo intenso tenta disfarçar o vazio de uma trama genérica Foto: Reprodução Jude Law é Jake, dono do Black Rabbit, um restaurante em ascensão, que mergulha no submundo do crime depois que seu irmão Vince, papel de Jason Bateman, volta à Nova York fugindo de agiotas perigosos. A premissa mesmo básica, ainda desperta o interesse porque tem um elenco competente, sequências bem dirigidas, mas já no primeiro episódio, o interesse vai se esvaindo e a tentativa de Zach Baylin e Kate Susman de criar uma versão de Jóias Brutas (2019) em minissérie saiu pela culatra. A trama começa com um flashforward, já mostrando um assalto ao bar e depois voltamos no tempo até entendermos até chegar ao fatídico dia em episódios futuros. Não só é bastante previsível, como enfadonho. Jude Law está muito bem no papel do irmão mulherengo que tenta ser responsável, mas acaba entrando no mundo do crime e as coisas vão se tornando uma bola de neve. Bateman é o irmão sem rumo na vida, já envolvido com negócios escusos e apesar do ator estar bem no que se pede dele, sinto que há um erro de escalação aqui e ele parece não se encaixar no personagem. É um tipo diferente do que ele faz habitualmente, mas este não é exatamente o problema. Enquanto Law parece desaparecer facilmente na pele de Jake, Bateman está se esforçando para que o telespectador compre seu Vince. No elenco coadjuvante temos o fantástico vencedor do Oscar Troy Kotsur (No Ritmo do Coração) na pele de um vilão que não serve para muita coisa, sinceramente. Desperdiçados também são os ótimos Sope Dirisu (Gangs of London), Morgan Spector (A Idade Dourada), Dagmara Dominczyk (Succession) e outros tantos que não passam de uma folha de papel. São oito episódios cheios de reviravoltas e nenhuma delas parece importar. Por mais que a direção tente, não consegue elevar o roteiro que não tem qualquer substância. Os acontecimentos são vários, mas nenhum deles tem impacto. Podem até chocar em um primeiro momento, mas o que é impactante permanece e definitivamente não é o caso desta história tão esquecível. Personagens traem, matam, morrem e ninguém dá a mínima porque é tudo muito rápido e se você se preocupa mais com o ritmo do que com uma trama marcante, temos um grave problema. No final, há um claro esforço para emocionar, mas dada a pífia construção da relação dos irmãos, não é capaz de comover ninguém, enquanto outros enredos são resolvidos com extrema facilidade. A sensação de que a minissérie poderia ser um filme é iminente. Teria salvação? Provavelmente não, mas pelo menos não duraria oito horas. Nota: 2,5/5

  • Crítica | A Diplomata (3ª temporada)

    Com a protagonista de Keri Russell mais vulnerável do que nunca, a série tem seu melhor ano Foto: Reprodução/Netflix Começando exatamente de onde o grande gancho da 2ª temporada nos deixou, o excelente primeiro episódio consegue exaltar todos os pontos altos da produção: o ritmo eletrizante, os diálogos rápidos, o humor, o elenco em perfeita sintonia e mais um gancho de cair o queixo que dita o tom da temporada e coloca o futuro do casamento de Kate (Keri Russell) e Hal (Rufus Sewell) em jogo – além de uma reunião de The West Wing com a chegada de Bradley Whitford. Grace Penn (Allison Janney) agora é a presidente dos Estados Unidos e foi ela quem orquestrou o ataque que deu início à série. Kate e Hal são das poucas pessoas no mundo que sabem disso, então as principais tramas da temporada são os desdobramentos deste segredo e como isso afeta a nossa protagonista, dando espaço para seu crescimento pessoal e para a série amadurecer. Keri Russell é uma das minhas atrizes favoritas e eu sou completamente apaixonado pelo talento dela. Seja em Felicity ou The Americans, aqui ela faz algo totalemente diferente, mesmo sem mudanças físicas. A parceria que dela com Rufus Sewell na demonstração dessa relação tão complexa entre os dois, é uma das mais interessantes da TV atual. Com os novos desafios, ambos conseguem se sobressair expondo suas vulnerabilidades, dando camadas mais humanas aos personagens que ainda não tínhamos visto na série. O segundo episódio possui flashbacks do começo do relacionamento que fazem paralelo com a atual situação do casal, que nunca esteve tão fragilizado dada uma certa reviravolta. A química e o amor estão ali, mas o profissional e pessoal andam de mãos dadas aqui e isso nem sempre é uma coisa boa. Para eles, porque para nós que assistimos, ganhamos entretenimento de qualidade. Foto: Reprodução/Netflix É um verdadeiro deleite vê-los atuarem e quando se juntam a ninguém menos que Allison Janney e Bradley Whitford – vulgo CJ Cregg e Josh Lyman de The West Wing – tudo se eleva. Whitford é Todd, marido de Grace, e se identifica com Kate por ambos estarem se sentindo um pouco deslocados. O sexto episódio, que é focado nesta dinâmica de poder (ou falta de), é fantástico. Parece um bolo e a cada fatia, uma nova camada era revelada. Os diálogos são afiadissimos e quando os quatro estão em cena, é impossível não querer ver mais e mais. Felizmente, tanto Whitford quando Janney já estão confirmados como parte do elenco fixo para a 4ª temporada. E claro, os coadjuvantes anteriores não ficam de lado e Eidra (Ali Ahn), Billie (Nana Mensah), Throwbridge (Rory Kinnear), Stuart (Ato Essandoh) e Dennison (David Gyasi) também têm seu momento de brilhar, mesmo que alguns tenham menos destaque. A trama política é intrínseca aos dramas pessoais, afinal estas pessoas públicas respiram trabalho. Ainda lidando com as consequências dos atos escondidos e suas novas ramificações, as coisas vão se tornando uma bola de neve. Debora Cahn é uma ótima roteirista e ela consegue o seu melhor equilíbrio nesta temporada, que felizmente voltou a ter oito episódios, já que a 2ª teve apenas seis e foi um tanto apressada. Os enredos se desenvolvem com mais fluidez e a gente sabe o que está acontecendo sem que um núcleo atropele o outro, ainda que as rápidas viradas na narrativa sejam uma forte característica. Outro ponto que às vezes me incomodava e agora foi consertado, era o humor. Em alguns casos, partiu quase para o pastelão e destoava do tom do resto. Aqui ganha mais sutileza e nuance, sem perder a identidade. Aquelas piadas com a busca pela Bíblia ideal no primeiro episódio não me deixam mentir e eu gargalhei alto. Cahn conseguiu atingir com maestria quase todos os pontos que quis, dosando o entretenimento das intrigas políticas com algo mais complexo dramaticamente e mostrando o porquê A Diplomata é uma das melhores séries da atualidade, o que nos leva a outro gancho que resume bem esta dualidade. Agora é aguardar pela 4ª temporada e torcer para que a qualidade se mantenha. Potencial não falta. Nota: 4,5/5

  • Crítica | A Voz de Hind Rajab

    está longe de ser a única: das dezenas de milhares de palestinos mortos desde a invasão de Israel em 2023

  • Crítica | O Urso (3ª temporada)

    Entre o brilhantismo e algumas imperfeições, a série segue fazendo jus à sua reputação Foto: Divulgação O Urso é uma série que vive e morre em seus personagens. A terceira temporada – já tão controversa, tão divisiva, tão menos amada que suas antecessoras – é a expressão máxima disso, já que em termos narrativos há pouco avanço, ainda mais considerando que ela e a próxima temporada foram concebidas como metades de um todo. Mas talvez seja aqui que a série expresse mais o quanto quer que olhemos para esses personagens, seus mundos internos, seja através do caos ou da (crescente) calmaria que inunda vários de seus episódios. Fomos deixados no final do segundo ano com a noite de abertura do restaurante que dá nome à série, um Carmy (Jeremy Allen White) preso literal e metaforicamente e afastando todos que ama – em especial Richie (Ebon Moss-Bacharach) e Claire (Molly Gordon) – enquanto Sydney (Ayo Edebiri) sucumbindo à ansiedade depois de fazer tudo para que a noite não fosse um completo desastre. No episódio de abertura da nova temporada, intitulado Amanhã, não vemos necessariamente o amanhã, mas sim o passado de Carmy, as pessoas que moldaram sua vida (em especial seu ex-chefe abusivo interpretado por Joel McHale) e o que isso diz do homem que ele é hoje. O episódio em si, marcado por uma não-linearidade e uma atmosfera até então única na série, serve como uma ponte entre os eventos da temporada passada e os dessa. É um começo ousado para uma temporada ousada, e o estranhamento é bem-vindo para nos dar a dimensão da psique fraturada do nosso protagonista, que por diversas vezes vai reproduzir com seus colegas e funcionários as mesmas tendências abusivas que o personagem de McHale exerceu contra ele, mesmo que seu passado também seja marcado por figuras tão maravilhosas como a chefe Terry (Olivia Colman, que retorna para mais algumas participações especiais). Jeremy Allen White tem a difícil tarefa de interpretar seu personagem na fase mais detestável possível – me remetendo a figuras como Don Draper no ponto mais baixo da vida lá em Mad Men – e não é exagero enxergá-lo como o antagonista da temporada. Mas é claro que nem tudo é preto no branco; sua cena confrontando um personagem no último episódio é uma verdadeira aula de atuação, que (espero eu) deve servir de ponto de virada para Carmy. Mas se ele é um buraco negro sugando todos ao seu redor, felizmente temos figuras como Sydney e Richie, com seus desenvolvimentos tão coesos e brilhantes. É uma delícia ver a camaradagem entre os dois, especialmente quando lembramos da hilária cena dela o esfaqueando lá na primeira temporada; assim como a proteção de Richie a Fak (Matty Matheson) ou a camaradagem de Syd com Marcus (Lionel Boyce, aparecendo menos do que deveria, mas sempre trazendo uma bem-vinda leveza com seu personagem) e sobretudo com Tina (Lisa Colón-Zayas). Não posso falar desta sem citar o belíssimo episódio 06 - Guardanapos, que nos conta como a personagem foi trabalhar no então The Beef e conheceu Michael (Jon Bernthal). Toda a sequência de mais de 10 minutos dos dois personagens apenas conversando, perante a câmera mais do que segura de Ayo Edebiri em sua estreia na direção, é um dos muitos pontos altos da temporada e da série, que indica a confiança que esta tem em seus personagens para conduzir a narrativa. Foto: Divulgação Mas serei um pouco do contra aqui para dizer que, ao contrário da maioria, não tenho Guardanapos como meu episódio favorito da temporada. Esse posto vai para o 08 - Lascas de Gelo, onde o destaque é dado a Natalie “Sugar” (Abby Elliott, o grande destaque da temporada na minha opinião) e sua complicada mãe Donna (Jamie Lee Curtis). Um episódio quase inteiramente focado nas duas, em close-ups que transparecem anos de mágoas e arrependimentos, mas também de amor, indicando a possibilidade de reconciliação e de redenção que cada vez mais se torna um mote na série. São dois episódios unidos por esses destaques individuais a essas personagens, e que revelam o melhor que O Urso tem a oferecer. Infelizmente, a temporada tem seus percalços que a impedem de atingir o mesmo nível das antecessoras, em especial da segunda. Embora eu adore Fak e algumas das cenas envolvendo ele e seu irmão Teddy (Ricky Staffieri), o excesso de cenas de apelo cômico dos dois no decorrer dos episódios acaba mais servindo como um desvio, que tampouco se encaixa no desenvolvimento sutil dos personagens num geral, mas numa tentativa da série de mostrar que, apesar de todas as evidências do contrário, ela é sim uma comédia, para justificar suas indicações ao Emmy. Mas talvez o grande problema aqui – e temo que tenha se tornado o grande problema da série como um todo – é o tratamento dado à Claire. Na temporada passada eu defendi a presença da personagem, que já era acusada por muitos como uma manic pixie dream girl, entendendo que o propósito narrativo dela era muito claro e bem-aplicado. Dessa vez, porém, a justificativa para seu espaço na história é muito menos clara, se entregando de fato a esse tropo da manic pixie, ou seja, uma mulher que existe unicamente para o desenvolvimento do protagonismo masculino. O mais estranho é ver logo O Urso – uma série que tem no retrato da saúde mental um dos seus pontos mais fortes – apelar para tal tropo, como se Claire fosse ser a tábua de salvação de Carmy (sendo que ele precisa de umas três sessões de terapia por semana para lidar com seus traumas, e não de uma mulher para salvá-lo de si mesmo). Além do mais, esse é um dos vários pontos que ficam em aberto ao final da temporada, já que, como disse, ela foi concebida como uma espécie de “meia-temporada”, o que explica seu ritmo mais vagaroso em relação às anteriores. Assim, há muitas coisas aqui que só poderão ser melhor julgadas após o lançamento da quarta temporada, mas é meu entendimento de que a temporada também deve ser olhada por si mesma. Nesse sentido, parece até meio irônico que Carmy seja o único a receber uma espécie de conclusão aqui no que se refere aos seus dilemas internos, já que todos os demais ficam em suspenso diante do que está por vir. Mas apesar dessa sensação de incompletude, ainda enxergo que O Urso se mantém extraordinariamente sólida em seu terceiro ano. Entendo os que desgostaram dos rumos tomados aqui ou consideraram a temporada mais fraca até o momento, mas aprecio e valorizo séries que não se acomodam com o lugar-comum, reinventando-se e tomando novos rumos mesmo que estes alienem seu público. Teria sido fácil para a série permanecer no caos e histrionismo da primeira temporada (e de fato o segundo e terceiro episódios nos relembram de como assisti-la pode ser uma experiência emocionalmente desgastante), mas é muito mais importante aqui ver esses personagens crescerem, mudarem, errarem, enfim, serem humanos. E mesmo com algumas imperfeições pelo caminho, esta nova temporada atende com maestria a essa proposta. Nota: 4/5

  • Crítica | Elle (1ª temporada)

    Diverte como drama adolescente, mas perde força ao revisitar o passado de uma personagem tão icônica. Imagem: Divulgação Trazer Elle Woods de volta parecia uma missão quase impossível. Afinal, Legalmente Loira transformou a personagem vivida por Reese Witherspoon em um dos maiores ícones das comédias dos anos 2000. A boa notícia é que Elle, nova série da Prime Video, não tenta repetir exatamente o sucesso dos filmes. A má notícia é que, justamente por ser um prequel, acaba criando problemas para a própria história que deveria anteceder. A produção acerta ao assumir sua identidade como um drama voltado ao público juvenil. Em oito episódios, entrega romances, amizades, conflitos familiares e descobertas típicas da adolescência com bastante leveza. É mais um acerto da Prime Video dentro desse segmento, com uma narrativa ágil e personagens fáceis de acompanhar. As referências aos filmes aparecem o tempo inteiro e funcionam como um agrado para os fãs. O problema é que a série decide colocar Elle em uma jornada muito parecida com aquela vista em Legalmente Loira. Guardadas as devidas proporções, a protagonista passa novamente por situações que moldam sua personalidade e sua autoconfiança. Isso acaba diminuindo parte do impacto do filme, já que descobertas que antes pareciam transformadoras agora soam como lições que ela já havia aprendido anos antes. Por outro lado, o elenco é um dos grandes acertos da produção. Lexi Minetree faz um trabalho impressionante ao reproduzir os trejeitos, expressões e maneirismos que Reese Witherspoon eternizou nos cinemas, mas sem soar como uma imitação. Sua Elle convence justamente por parecer uma versão mais jovem da personagem, mantendo o mesmo carisma. Os coadjuvantes também elevam a série. Os dois interesses amorosos da protagonista são extremamente carismáticos e tornam fácil torcer por qualquer um deles, ainda que exista um inevitável desconforto para quem conhece o destino de Elle. A dinâmica familiar também funciona muito bem, especialmente graças à mãe da protagonista, Eva. June Diane Raphael entrega uma atuação divertida, acolhedora e ao mesmo tempo complexa, sendo um dos destaques da temporada. Imagem: Divulgação Outro ponto positivo está na ambientação. A década de 1990 ganha vida através do figurino, da direção de arte e, principalmente, da trilha sonora, recheada de bandas grunge e sucessos da época. A série também aproveita esse cenário para abordar inseguranças e conflitos típicos da adolescência sem deixar de atualizar a franquia, incorporando mais diversidade ao elenco e às histórias. Com uma segunda temporada já confirmada, fica a principal dúvida: até onde Elle conseguirá expandir esse universo sem se afastar ainda mais do material original? Se a primeira temporada já altera a forma como enxergamos a trajetória da protagonista nos filmes, os próximos episódios precisarão encontrar um equilíbrio entre construir uma identidade própria e respeitar o legado de Legalmente Loira. No fim, Elle funciona muito melhor quando deixa de ser um prequel e abraça sua essência de série adolescente. Divertida, carismática e bem interpretada, entrega uma temporada consistente, mas que ainda carrega o peso de tentar reescrever o passado de uma personagem que talvez nunca precisasse de uma história de origem. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Daisy Jones & The Six (Minissérie)

    Adaptação eleva a história do livro e aborda as nuances das relações humanas Foto: Divulgação É quase impossível ter acompanhado o universo literário nos últimos anos e não ter ouvido falar de Daisy Jones & The Six. A obra de Taylor Jenkins Reid foi publicada em 2019 no Brasil e conquistou uma legião de fãs em todo mundo e, seguindo a tendência atual de Hollywood, não demorou muito para a produtora Hello Sunshine (da atriz Reese Witherspoon) comprar os direitos do livro e anunciar uma adaptação em formato de minissérie pela Amazon Prime Video. Depois de muita espera e adiamentos por conta da pandemia, Daisy Jones & The Six chega ao streaming a partir do dia 3 de março. Com seus três primeiros episódios sendo lançados de primeira e os dois últimos lançados no dia 24 de março, o público acompanhará a história da banda fictícia que, nos anos setenta, dominava as paradas de sucesso, fazia shows para plateias lotadas e conquistava milhões de fãs. Porém, no dia 12 de julho de 1979, no último show da turnê ‘Aurora’, eles se separaram e ninguém nunca soube por quê. É com esse gancho narrativo do mistério que separou a banda mais popular da época que começamos a embarcar nessa história. Seguindo um formato de um falso documentário que mescla os flashbacks da década de setenta com entrevistas, nos anos 90, com membros da banda, familiares, produtores e jornalistas da época que discorrem sobre a história e o surgimento da banda e evidenciam o grande fenômeno que ela se tornou, se tornando quase uma figura mítica dentro da história do rock. Foto: Divulgação Nesses primeiros três episódios, Daisy Jones & The Six faz um excelente trabalho em introduzir seus personagens. Conhecemos Daisy e infância problemática, seu primeiro encantamento pelo mundo glorioso de Hollywood e entendemos o que fez ela se apaixonar pela música. Daisy é uma personagem muito complexa e repleta de nuances e vislumbrá-la desde o começo é fundamental para entender suas escolhas durante o resto da série. Também vemos os primeiros passos dos “Dune Brothers” e o processo para virarem o “The Six”. Adaptada para a televisão por Michael H. Weber e Scott Neustadter, a minissérie consegue, ao mesmo tempo, seguir fielmente o material original e trazer um frescor de originalidade à história. Narrativamente, Daisy Jones & The Six faz boas escolhas criativas, fazendo com que as mudanças necessárias de uma adaptação não atrapalhem a jornada individual de cada personagem. A minissérie se aprofunda mais em algumas histórias de personagens coadjuvantes, por exemplo, dando um contexto ainda melhor para entendermos o mundo de sexo, drogas e rock’n’roll da década de setenta. Um dos principais trunfos da produção é, sem dúvidas, as escolhas de elenco. Sam Claflin, um veterano de adaptações literárias para o público jovem, é um Billy Dune que luta constantemente com seus demônios internos e Sam consegue refletir isso muito bem nas telas com charme e uma sedução que só astros do rock poderiam ter (e ele também surpreende com uma voz incrível). Já Riley Keough, intérprete de Daisy Jones, vive o papel de sua vida. A personagem principal era descrita nos livros de uma maneira apoteótica, quase mística, tornando- se algo muito difícil de ser transposto para as telas, mas ela consegue de maneira brilhante. Também vale mencionar e destacar as ótimas performances de Camila Morrone, Suki Waterhouse e da brasileira Nabiyah Be. Foto: Divulgação Musicalmente, Daisy Jones & The Six tem um trunfo nas mãos. Todas as músicas cantadas na série, incluindo o álbum “Aurora”, também serão lançadas nas plataformas digitais. Com canções produzidas por músicos como Phoebe Bridgers, Madison Cunningham, Marcus Mumford, Jackson Browne e Blake Mills, a trilha sonora da série tem tudo para ser popular nas paradas de sucesso da vida real. É incrível perceber como as letras conversam bem com os acontecimentos da série e que esses momentos musicais exalam originalidade e veracidade. É difícil assistir e não ficar se perguntando se Daisy Jones & The Six realmente existiu de verdade. Algo que contribui para isso é a excelente ambientação da série, que consegue nos transportar para a Los Angeles e Estados Unidos dos anos 70 de uma forma muito natural. Com uma fotografia muito atraente, a minissérie também é um deleite técnico com boas direções e roteiros episódicos muito consistentes. Com dez episódios, Daisy Jones & The Six é uma história que tem todos os fatores necessários para se tornar o mais novo fenômeno nos próximos meses. A narrativa é envolvente, os personagens são cativantes, as músicas são viciantes e a junção desses elementos forma uma minissérie imperdível tanto para os fãs dos livros quanto para aqueles que não fazem ideia sobre a história da maior banda fictícia de todos os tempos. E no fim das contas, a minissérie é realmente muito mais que contar o que aconteceu na formação, estrelato e separação da banda. Daisy Jones & The Six é uma história sobre relações humanas, sobre os altos e baixos da vida, sobre relações familiares e sobre o amor. E isso também é rock’n’roll. Nota: 5/5

  • Crítica | The Boys (4ª temporada)

    Com a sutileza de um trator, a narrativa critica o extremismo colocando Luz-Estrela (Erin Moriarty) – O Profundo se mostra como um ótimo alívio cômico e se me dissessem que Chace Crawford seria engraçado , então esta crítica é com base neles, e mesmo que quatro episódios já tenham disponibilizados na plataforma

  • Crítica | Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes

    Então em 2020, Suzanne Collins surge com um prequel de sua criação: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes

  • Encontro de Ideias chega à sua sexta edição debatendo e dialogando sobre as várias facetas do cinema brasileiro (Mostra de SP 2026)

    Confira a cobertura do Oxente Pipoca no primeiro dia do evento, que integra a Mostra de SP. Créditos: Sara De Santis Há seis anos, a Mostra de SP tem buscado expandir sua abrangência para além Berlim, Feito Pipa, de Allan Deberton, foi o escolhido para representar o Brasil na corrida do Oscar 2027 O filme foi exibido no Festival do Rio (a crítica pode ser lida aqui) e também está sendo exibido na Mostra de SP antes da sua estreia nos cinemas, no dia 05 de novembro.

  • Crítica | Glass Onion: Um Mistério Knives Out (TIFF 22)

    Courtesy of TIFF Enquanto muitas pessoas acabam levando críticas negativas para tomar seus horizontes , Rian Johnson conseguiu criar um de seus maiores sucessos, ambos em crítica e espectadores, após o polêmico Johnson também consegue adicionar referências datadas de 2020, desde o filme se passar no começo da pandemia

  • Crítica | The Things You Kill (Festival Sundance de Cinema 2025)

    “Ninguém é ressentido por natureza” Fonte: Divulgação Ali (Ekin Koç), um professor universitário de Literatura turco, fica confuso com as circunstâncias suspeitas da morte de sua mãe doente. Durante seu processo de luto, Ali revela seu ressentimento por seu pai distante (Ercan Kesal) e faz amizade com um jardineiro chamado Reza (Erkan Kolçak Köstendil), com quem cria um vínculo pessoal profundo. O argumento deste filme turco é uma proposta de narrativa, rica, instigante e multifacetada que gerou um roteiro incisivo, espero e prático. Prático porque ele é cheio de frases de efeitos prontas, mas que são usadas com tanta precisão e perspicácia que não soam artificiais nem deslocadas. Frases que vão ser base para o enredo, como a que citei no subtítulo deste texto; frases de contexto social e frases de alfinetadas políticas (diretíssimas para os EUA). Dualidades e paradoxos humanos refletidos em laços familiares são o centro da história que se desdobra em incontáveis camadas sólidas de subtemas, todos bem conectados. E a frase destacada resume e definem a raiz de toda a estrutura enigmática do longa. Fonte: Divulgação O cineasta iraniano Alireza Khatami entrega um filme complexo montado em cima de um suspense que ultrapassa os limites do real. Bem calculado e perfeitamente executado, tudo em cena é importante, o dito e o não dito, o visto e o não visto. Não é à toa que Ali leciona Literatura. Não é à toa que o longa abre com um relato de um sonho. É um filme inteligente, intrigante e com muito pano pra manga quanto aos assuntos que contempla. Conhecemos Ali, sua personalidade, seu passado e seu presente, através dos vários personagens que o cercam. Sua esposa, sua mãe, seus alunos, sua médica, seu chefe, suas irmãs e seu pai. Eles definem quem Ali é como sua vida está: aos pedaços. Tudo funciona exatamente diferente do planejado. A impressora trava na sua vez de usar. O sítio não tem água. Sua disciplina será descontinuada. A mãe doente morre. Ele descobre que é infértil. E ainda assim ele se mantém numa calma nervosa. Há, no entanto, dois elementos que fazem com que Ali mude: a chegada do jardineiro misterioso e a descoberta de segredos sobre seu pai. Estes elementos estão intrinsecamente ligados como causa e consequência. Essas duas personas são responsáveis por todas as ações do início ao final. Durante suas aulas de tradução, Ali explica aos alunos a importância do texto adaptado para outros cenários, locais e contextos, ele fala sobre linguagem fática, fala sobre sentido, sobre interpretação, sobre morte, sobre rumor. Tudo é importante, tudo é relevante para o quebra-cabeças daquele personagem, e para rechear as charadas mais evidentes do filme. Para além disso, o elenco é um primor. Ekin Koç e Erkan Kolçak Köstendil funcionam bem de forma individual para ditar as mudanças no tom do filme, e operam ainda melhor quando dividem cena com uma dinâmica fluida e condizente com cada situação. É um filme para ser revisto com a atenção curiosa de uma revisão, e ainda assim não perderá o encanto e os efeitos surpresa. Nota: 4,5/5

  • Crítica | La Virgen de la tosquera (Festival Sundance de Cinema 2025)

    Neste aspecto lembra uma versão mais sutil e dosada do malaio Tiger Stripes (2023).

bottom of page