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Crítica | Elle (1ª temporada)

  • Foto do escritor: Gabriella Ferreira
    Gabriella Ferreira
  • há 17 horas
  • 2 min de leitura

Diverte como drama adolescente, mas perde força ao revisitar o passado de uma personagem tão icônica.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Trazer Elle Woods de volta parecia uma missão quase impossível. Afinal, Legalmente Loira transformou a personagem vivida por Reese Witherspoon em um dos maiores ícones das comédias dos anos 2000. A boa notícia é que Elle, nova série da Prime Video, não tenta repetir exatamente o sucesso dos filmes. A má notícia é que, justamente por ser um prequel, acaba criando problemas para a própria história que deveria anteceder.


A produção acerta ao assumir sua identidade como um drama voltado ao público juvenil. Em oito episódios, entrega romances, amizades, conflitos familiares e descobertas típicas da adolescência com bastante leveza. É mais um acerto da Prime Video dentro desse segmento, com uma narrativa ágil e personagens fáceis de acompanhar.


As referências aos filmes aparecem o tempo inteiro e funcionam como um agrado para os fãs. O problema é que a série decide colocar Elle em uma jornada muito parecida com aquela vista em Legalmente Loira. Guardadas as devidas proporções, a protagonista passa novamente por situações que moldam sua personalidade e sua autoconfiança. Isso acaba diminuindo parte do impacto do filme, já que descobertas que antes pareciam transformadoras agora soam como lições que ela já havia aprendido anos antes.


Por outro lado, o elenco é um dos grandes acertos da produção. Lexi Minetree faz um trabalho impressionante ao reproduzir os trejeitos, expressões e maneirismos que Reese Witherspoon eternizou nos cinemas, mas sem soar como uma imitação. Sua Elle convence justamente por parecer uma versão mais jovem da personagem, mantendo o mesmo carisma.


Os coadjuvantes também elevam a série. Os dois interesses amorosos da protagonista são extremamente carismáticos e tornam fácil torcer por qualquer um deles, ainda que exista um inevitável desconforto para quem conhece o destino de Elle. A dinâmica familiar também funciona muito bem, especialmente graças à mãe da protagonista, Eva. June Diane Raphael entrega uma atuação divertida, acolhedora e ao mesmo tempo complexa, sendo um dos destaques da temporada.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Outro ponto positivo está na ambientação. A década de 1990 ganha vida através do figurino, da direção de arte e, principalmente, da trilha sonora, recheada de bandas grunge e sucessos da época. A série também aproveita esse cenário para abordar inseguranças e conflitos típicos da adolescência sem deixar de atualizar a franquia, incorporando mais diversidade ao elenco e às histórias.


Com uma segunda temporada já confirmada, fica a principal dúvida: até onde Elle conseguirá expandir esse universo sem se afastar ainda mais do material original? Se a primeira temporada já altera a forma como enxergamos a trajetória da protagonista nos filmes, os próximos episódios precisarão encontrar um equilíbrio entre construir uma identidade própria e respeitar o legado de Legalmente Loira.


No fim, Elle funciona muito melhor quando deixa de ser um prequel e abraça sua essência de série adolescente. Divertida, carismática e bem interpretada, entrega uma temporada consistente, mas que ainda carrega o peso de tentar reescrever o passado de uma personagem que talvez nunca precisasse de uma história de origem.


Nota: 3,5/5



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