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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1318 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Ninguém Quer (1ª temporada)

    Veronica Mars e Seth Cohen em uma série de comédia romântica? Nem precisava ser tão boa, mas é Foto: Divulgação/ Netflix Quando foi anunciada, eu já estava vendido só por saber que seria estrelada por Kristen Bell e Adam Brody, dois atores que adoro por ter acompanhado na adolescência Veronica Mars e O.C.: Um Estranho no Paraíso, duas das minhas séries teen favoritas. E quem conhece os dois sabe que Veronica e Seth formariam um belo casal e Ninguém Quer só comprova isso, mesmo com personagens diferentes. Aqui, Kristen é Joanne, uma mulher solteira que tem um podcast com a irmã Morgan (Justine Lupe), onde falam sobre suas desventuras românticas e sexuais. Já Adam faz o papel de Noah, um rabino que acabou de sair de um longo relacionamento. Os dois se conhecem em um jantar na casa de uma amiga em comum e o interesse é mútuo, mesmo com tantas diferenças já visíveis, mas a barreira religiosa pode impedir que as coisas entre eles evoluam. Criada por Erin Foster, é uma comédia romântica com todos os clichês possíveis e isso não é uma coisa ruim, pela maneira como eles são apresentados. Mesmo seguindo por caminhos previsíveis, a série tem um texto ágil, moderno e esperto, que sabe utilizar referências com dinamismo, fazendo do humor um de seus maiores trunfos, através do exagero e do sarcasmo. Bell e Brody têm um excelente timing cômico, e além, claro, de uma química maravilhosa que deixa impossível não torcer pelo casal. Ambos os personagens têm semelhanças com outros que já interpretaram, mas eles têm talento e carisma suficientes para se diferenciar. O fato de o empecilho principal do casal ser a religião é uma das coisas que mais me agrada porque traz uma certa inovação dentro do gênero. Claro que há uma ex na jogada, mas Noah sabe bem que é Joanne quem ele quer, no entanto o judaísmo tem algumas regras mais rígidas, e claro, a mãe dele, que não facilitam o envolvimento dele com uma shiksa (uma mulher mundana, digamos assim, em hebraico). Foto: Divulgação/ Netflix Além do casal principal, os excelentes coadjuvantes elevam o nível da série. Justine Lupe, a Willa de Succession, está excelente como Morgan e Timothy Simmons, o Jonah de Veep, fantástico na pele de Sasha, o irmão bobão de Noah. Eles até brincam que são “os irmãos derrotados”, o que é mais um clichê, mas clichês são clichês porque funcionam e aqui não fogem à regra. Sasha é também o marido dominado de Esther, papel de Jackie Thorn, que está muito bem como a megera da vez, por ser amiga de Rebecca (Emily Arloock), mas que Joanne vai conquistando também aos poucos. As mães, devo dizer, também são outro achado. Bina é a mãe de Noah, que, obviamente não aceita seu filho com uma mulher tão livre quanto Joanne e tem algumas sacadas maravilhosas. É quase uma vilã que a gente adora odiar, graças ao talento de Tovah Feldshuh. Com um pouco menos de destaque temos Lynn, mãe de Joanne, que rouba a cena sempre que aparece por ser meio alheia a tudo de um jeito maravilho e que Stepahanie Faracy consegue fazer com maestria. São dez episódios facilmente devoráveis que parecem até menos por conta do formato Netflix, onde um termina e outro já começa, sem parecer fim de nada, mas apenas um corte de uma cena para outra, ainda que seja uma pouco episódica. Há uma leveza na trama que a deixa muito gostosa de se assistir e a construção do relacionamento é um tanto crível, ainda que rápida, mas condiz com o desenvolvimento dos personagens, porque parecia ser tudo que eles necessitavam naquele momento da vida. Há pouca complexidade envolvida e poderia ter mais para enriquecer a série, mas às vezes tudo que a gente precisa depois de um dia difícil é torcer para um casal e dar boas risadas. Ninguém Quer é justamente isso e não tem pretensão de ser mais. Há potencial para muitas temporadas e espero que elas venham, só não demorem dois anos para chegar. O que já é ótimo ainda tem espaço para amadurecer. Nota: 4/5

  • Crítica | Agatha Desde Sempre (Minissérie)

    quantidade quase industrial, quando o MCU adentrou no universo das séries no Disney+ com Wandavison, lá em 2021

  • Crítica | Plantão Policial (1ª temporada)

    assistir alguma coisa no formato procedural, aquele clássico “caso do dia” e saber que Dick Wolf, um mestre

  • Crítica | Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa

    Coração e humor de um dos quadrinhos mais amados do Brasil são eficazmente transportados para a telona Foto: Divulgação Não é difícil imaginar que você, como eu, cresceu tendo algum tipo de contato com os gibis da Turma da Mônica. Responsáveis pela formação de milhões de leitores Brasil afora, as criações de Maurício de Sousa enfim ganharam sua primeira adaptação em live-action em 2019, com Turma da Mônica – Laços, que foi seguida por sua sequência Lições e uma série na Globoplay. Agora, o universo se expande com Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa, dirigido por Fernando Fraiha e co-roteirizado por ele, Elena Altheman e Raul Chequer. O filme segue Chico Bento (Isaac Amendoim) em sua conhecida jornada com a goiabeira de Nhô Lau (Luís Lobianco), de quem está sempre roubando goiabas. Porém, quando o Dotô Agripino (Augusto Madeira) aparece com planos de derrubar a goiabeira para construir uma estrada asfaltada pela Vila Abobrinha, cabe a Chico reunir seus amigos — Zé Lelé (Pedro Dantas), Rosinha (Anna Julia Dias), Tábata (Lorena de Oliveira), Hiro (Davi Okabe) e Zé da Roça (Guilherme Tavares) — para impedir que uma tragédia ocorra. Apesar do ótimo legado deixado por Laços e Lições, restava a dúvida se a qualidade dos filmes se manteria na primeira incursão cinematográfica fora do Bairro do Limoeiro, especialmente considerando que todo o universo de Chico Bento é um dos mais populares da franquia, desde sua criação nos anos 1960. Porém, o esmero e cuidado para a adaptação eram perceptíveis desde o anúncio da escalação de Isaac Amendoim, influenciador digital mirim, para o papel (num vídeo fofíssimo dele com Maurício de Sousa). Esse esmero e cuidado são vistos aqui, com uma constante e deliciosa sensação de sermos remontados à infância, como se folheássemos os gibis do Chico e sua turminha. Foto: Divulgação O grande mérito de A Goiabeira Maraviósa é justamente em capturar uma certa inocência, regada a muito coração e humor, que tanto marcam os gibis, sem perder de vista a linguagem cinematográfica apropriada. Embora alguns recursos estéticos e narrativos (como a câmera trêmula, a narração em off) possam soar cansativos depois de um tempo — além da cota de participações especiais que chamam um tanto a atenção para si mesmas, como as de Chequer e Taís Araújo —, o longa mantém um ritmo ágil que não deve em nada às histórias em quadrinhos que lemos, especialmente no que se refere ao elenco mirim que é a força e o coração da obra. Isso é ainda mais evidente na própria atuação de Isaac Amendoim, que esbanja tamanho carisma e talento que é como vermos o próprio Chico Bento em carne e osso. O humor inocente que ele deposita no personagem (como na sequência em que descreve sua “amizade” com Nhô Lau), a energia caótica típica de suas ações e até mesmo uma tremenda dose de sensibilidade — nos seus sentimentos por Rosinha e na sua relação quase simbiótica com a goiabeira — são marcas de um talento em ascensão. Sem exagero nenhum, Isaac é a alma do filme e entrega aqui provavelmente uma das minhas atuações mirins favoritas no cinema recente. Movido por uma compreensão sincera a respeito do que faz os quadrinhos de Chico Bento serem tão amados por milhões de brasileiros, Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa renega o cinismo para apostar em uma aventura honesta, feita com o coração e que guarda os melhores elementos dos gibis e deste universo caipira idealizado, eficazmente transpondo-os para as telonas. É mais um acerto do universo cinematográfico da Turma da Mônica, fazendo jus a tudo que tornou esses quadrinhos patrimônios culturais do nosso país e da nossa cultura. Nota: 4/5

  • Crítica | Amor da Minha Vida (1ª temporada)

    Moderna, série triunfa na naturalidade, mas às vezes peca pela falta dela Foto: Divulgação Abordando as desventuras amorosas dos melhores amigos Bia (Bruna Marquezine) e Victor (Sérgio Malheiros) e aquela confusão mental dos 20 e poucos (ou tantos, até) que todo mundo passa, é impossível não se identificar com a história, o problema é que nem sempre acontece de forma orgânica. Me surpreendi muito com o primeiro episódio, o texto esperto e jovial, a personagem de Marquezine é muito bem apresentada e seu envolvimento com Marcelo (Danilo Mesquita) sendo construído genuinamente. No entanto, nos momentos finais, acontece uma reviravolta um tanto folhetinesca. O problema não é a reviravolta em si, mas como ela pareceu forçada. E é neste tom que a série segue por seus dez episódios, mas felizmente o lado bom prevalece na maior parte. A Bia de Marquezine é a maior força da produção. A atriz está excelente no papel e este, dos que eu assisti, é seu melhor trabalho. Ela está muito mais experiente, madura, segura de si e se entrega ao papel na maior espontaneidade. Sabe chorar muito bem e isso não era segredo para ninguém, mas é nas situações corriqueiras que seu talento se destaca mais. Sérgio Malheiros está muito bem como o coprotagonista, no entanto, seu personagem demora um tanto para engatar. Em Bia, há muito mais humanidade por ela ser melhor desenvolvida pelo roteiro, enquanto do lado de Victor são apresentadas mais características clichês, que perdem um pouco do fator da imprevisibilidade e até prejudica o eventual envolvimento romântico deles, o que não é spoiler. Há química, mas havia mais com outros parceiros de ambos e até o dinamismo entre eles se perde um pouco. Fica clara a tentativa de ser algo meio Normal People, mas só fica na tentativa mesmo. Não significa que seja ruim, só não tem profundidade o suficiente. É como se Bia estivesse no ponto certo, mas Victor não. Foto: Divulgação Outro ponto positivo é a direção de René Sampaio e Tatiana Fragoso e codireção da própria Marquezine. A câmera focando no rosto dos personagens traz uma sensação de intimidade, de estar ali junto com aquelas pessoas, até porque a familiaridade é evidente. Se não rolar uma identificação pessoal, alguém retratado ali te lembra pelo menos um alguém que você conhece. As cenas de sexo são muito bonitas e há uma elegância presente nelas que deixa tudo mais intenso e não menos real. Criada e escrita por Matheus Souza, o roteiro é outro mérito. Junto com seus colaboradores, ele consegue dar muita naturalidade às situações, com gírias e referências bastante atuais. No entanto, às vezes escorrega no exagero em alguns casos e alguns diálogos e circunstâncias soam forçadas com muita exposição. Marquezine tem alguns monólogos fortes sobre essa crise existencial da idade e como eu disse, a atriz está excelente em todos eles, mas o texto em si, em um especificamente, me passa a sensação de “você precisa se identificar” e tira a naturalidade da cena. Entre alguns baixos e vários altos, a série consegue capturar bem a essência das idas e vindas dos 20 e poucos. É comum que alguns ciclos se repitam e isso não me incomoda em um período da vida onde tudo que temos são incertezas e isso é bem retratado nos dez episódios de quase quarenta minutos cada, onde há um equilíbrio entre o drama e a comédia – que nem sempre funciona, devo dizer – nunca deixando o clima pesar demais. O ritmo é bom e em momento algum a série se torna maçante, mesmo com os defeitos que eu já apontei. A última cena - da qual eu gosto muito - tem tons de finitude, mas pode ser que haja espaço para mais, porém acho que funciona melhor como uma minissérie, pois uma 2ª temporada poderia ficar repetitiva e colocar a maturidade atingida em jogo. O principal ponto são os erros que nos fazem humanos e é através deles que aprendemos a ser quem somos. É um válido sopro de honestidade. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Trilha Sonora Para um Golpe de Estado

    Os horrores do colonialismo e imperialismo sob a pulsação inquietante do jazz Foto: Divulgação Em fevereiro de 1961, os músicos de jazz Abbey Lincoln e Max Roach invadiram, junto com outros manifestantes, o Conselho de Segurança da ONU para protestar contra o assassinato de Patrice Lumumba, então primeiro-ministro do recém-criado Estado do Congo. Esse, porém, é apenas o ponto de partida (e também clímax) da intrincada tapeçaria tecida pelo diretor belga Johan Grimonprez para denunciar os crimes de seu país natal no Congo e a cumplicidade das potências ocidentais com tais crimes durante a Guerra Fria. Para tal denúncia, ele adota uma estratégia no mínimo curiosa, entrelaçando a história desses crimes e jogos de poder com o próprio jazz, para muito além das figuras de Lincoln e Roach (que, aliás, pouco aparecem no filme). O título Trilha Sonora Para um Golpe de Estado, aqui, tem um duplo — ou até mesmo triplo — sentido: tanto diz respeito à seleção musical que acompanha o filme quanto ao fato de que os próprios EUA naquele período, se aproveitando da popularidade do jazz a nível nacional e global, enviam alguns dos seus mais famosos músicos do gênero — como Louis Armstrong e Dizzy Gillespie — como “embaixadores” mundo afora, especialmente aos países mais vinculados ao bloco comunista da União Soviética e de Nikita Kruschev. É uma curiosa aula de história e geopolítica que ilustra o poder e influência massivos dos bens culturais. Quando falo em um “triplo sentido”, me refiro que, mesmo formalmente, Grimonprez conduz seu filme como uma obra de jazz: dinâmica, pulsante, por vezes errática, mas incrivelmente virtuosa. O trabalho de montagem de Rik Chaubet, nesse sentido, é para ser aplaudido, já que ele tem a hercúlea tarefa de conciliar um sem-número de imagens de arquivo, seja das reuniões no Conselho de Segurança da ONU, entrevistas tiradas de outros materiais, trechos de livros e relatórios expostos como textos em tela, gravações feitas no Congo colonial e recém-independente, performances dos artistas de jazz (que incluem, para além dos já citados, Miles Davis, Nina Simone, Thelonius Monk, John Coltrane e muitos outros) e muito mais. É bem verdade que o fluxo incessante de informações e gravações pode chegar a exaurir em determinados momentos, em especial na última hora, mas é notável como Grimonprez e Chaubet conseguem articular fontes tão distintas e diversas para construir um relato contundente — e muitas vezes revoltantes — do que o Ocidente fez às nações africanas, em especial ao Congo naquele período (e que infelizmente continua a fazer), mesmo sob o discurso da “democracia” e da “paz”. Foto: Divulgação Apesar de ser um esforço em sua maior parte recompensador, é notório que, em meio ao fluxo narrativo e informacional que conduz o filme, alguns tópicos são subdesenvolvidos ou até se perdem pelo caminho. Por exemplo, a própria ênfase inicial dada no jazz como essa máquina ideológica de “soft power” acaba sendo deixada de lado depois de certo momento, com a trilha de jazz sendo mantida mais num nível circunstancial do que efetivamente diegético. Além do mais, há por vezes uma certa dependência do texto em tela (com as falas, excertos e trechos de materiais escritos e gravações de áudio) que não condiz com a potência das imagens por si só. E, embora não veja como intencional da parte de Grimonprez focar na realidade dos afro-americanos à época para a discussão aqui abordada — para além do envolvimento político de artistas e intelectuais negros dos EUA com a questão africana —, é no mínimo curioso que, ao enfim discutir a morte de Lumumba, o filme opte por centrar na reação justamente deste grupo, quando até aqui vinha apresentando de maneira bem sólida a questão do Congo e os impactos do evento nele ocorridos para o próprio processo de libertação das ex-colônias africanas, dentro de um contexto geopolítico global. Apesar dessas irregularidades em algumas das suas escolhas formais e narrativas, Trilha Sonora Para um Golpe de Estado é cinema-denúncia feito de maneira inventiva e original, retratando uma história muitas vezes desconhecida aqui no Ocidente (o motivo sabemos bem) e que reflete tantas injustiças e disparidades ocorridas em outros processos históricos, seja na África, Ásia ou nas Américas. Goste-se ou não de jazz, a utilização dele como um fio condutor (ainda que frágil em alguns momentos), seja na forma ou na própria trama, como instrumento de repressão ou de libertação, é o grande diferencial através do qual o documentário emerge e nos impacta com sua mensagem. 3.5/5

  • Crítica | Luiz Melodia - No Coração do Brasil

    Documentário sai do convencional e coloca o protagonista para contar sua própria história Foto: Divulgação A partir desta quinta-feira, 16, alguns cinemas do circuito nacional irão exibir o documentário Luiz Melodia - No Coração do Brasil e revisitar a história de um dos maiores nomes da música popular brasileira. Luiz foi um ator, cantor e compositor brasileiro que misturava MPB, rock, blues, soul e samba. Filho do sambista e compositor Oswaldo Melodia, de quem herdou o nome artístico, cresceu no morro de São Carlos no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. O documentário busca celebrar a vida e obra do cantor e compositor brasileiro Luiz Melodia. A produção conta a história do artista que, ao abraçar sua liberdade musical e originalidade, desafiou muitas normas do mercado fonográfico e cultural brasileiro. Com materiais raros e inéditos de arquivo, também reflete a importância cultural de seu legado e da cena musical à qual ele contribuiu desde os anos 70. Dirigido por Alessandra Dorgan, o filme chega às telas carregado de sensibilidade, contando a história em primeira pessoa. Esse é um dos pontos mais interessantes do documentário, que em vez de tentar fazer algo mais engessado e profissional, busca nos mostrar quem era Luiz Melodia pelo seu próprio olhar. Com uma pesquisa impecável de áudio e imagens, a direção tornou possível que nós ouvíssemos do próprio Luiz sobre sua infância no morro de São Carlos, suas influências artísticas múltiplas, seu início de carreira como poeta até chegar a seus primeiros passos na MPB compondo para Gal Costa e Maria Bethânia. Foto: Divulgação E acho que é isso que torna o documentário tão especial e marcante, e por mais que a história de Luiz seja interessante, o jeito escolhido para homenageá-lo eleva ainda mais todas essas nuances. Mérito não só de uma direção muito competente, mas também de uma montagem que nos leva quase a um passeio ou uma conversa com Melodia. Aqui, os altos e baixos da carreira se encadeiam com performances ao vivo de canções marcantes do cantor. E ao mesmo tempo que as imagens de arquivo tornam o documentário tão especial, acho que ele fica preso em mostrar muitas delas, em especial apresentações completas, e acaba não explorando algumas questões com mais profundidade sobre a vida do cantor. Utilizando-se da narrativa linear, Luiz Melodia - No Coração do Brasil é um retrato tocante sobre um músico ainda muito invisibilizado pelo público geral. Sem dúvidas, o documentário apresenta bem o trabalho de Luiz para quem não o conhece e homenageia a grande figura da música brasileira. Nota: 4/5

  • Crítica | Pablo e Luisão (1ª temporada)

    Humor de qualidade no absurdo do dia a dia é aposta certeira da série de Paulo Vieira. Imagem: Divulgação As aventuras de Luisão (Ailton Graça), pai do humorista Paulo Vieira, e de seu inseparável amigo Pablo (Otávio Muller). Juntos, eles vivem inventando planos mirabolantes que acabam gerando consequências inusitadas, especialmente para as crianças Paulo (Yves Miguel), Neto (João Pedro Martins) e Conceição (Dira Paes), a mãe dos meninos. Eu confesso que não esperava gostar tanto. Tava com saudade de assistir algo tão nosso, tão brasileiro. Um tipo de humor tão interiorano, mas que consegue atingir todo mundo, porque mesmo que você não tenha vivido em cidades assim ou situações parecidas, ainda é incrível ver os absurdos aprontados pelos protagonistas, e saber que, pelo menos, a ideia original de cada episódio é real, deixa tudo mais incrível ainda. As cenas finais com Conceição, Luís e Pablo são maravilhosas e o sentimento ali é palpável. A ambientação ajuda bastante também, o design de produção te transporta para meados dos anos 2000, e ainda por se passar em Palmas, no Tocantins, traz visibilidade para um estado que quase nunca tem espaço nas mídias nacionais. Imagem: Divulgação São 16 episódios onde cada um conta um causo, todos divertidíssimos, mas alguns são mais que outros, naturalmente. Aílton Graça, Otávio Muller e Dira Paes estão fantásticos e conseguem passar esse sentimento genuíno para a ficção. Não é surpresa pra ninguém porque o trio já demonstrou que sabe fazer rir com maestria, e quando são amparados por um texto tão bom como esse de Paulo Vieira e seu time de roteiristas, fica mais fácil ainda. Yves Miguel e João Pedro Martins, as crianças, são um achado, vale dizer. Eles ainda não têm um timing perfeito como os veteranos, mas o que falta de prática, sobra em fofura. Além disso, ainda temos participações especiais de nomes como Rejane Faria, Miguel Falabella, Carlos Francisco, Lima Duarte e tantos outros talentos. Digo que não é aquele tipo de produção que provoca apenas um risinho simpático, é coisa pra gargalhar mesmo. Talvez por eu ser do interior, seja mais identificável pra mim, mas acima de tudo é uma série sobre família e amizade, que são coisas mais universais. A escrita é muito humana, corriqueira e conversa com o telespectador de uma maneira tão orgânica que eu não canso de exaltar. Vi todos os episódios de um dia pro outro, é uma delícia de assistir e mesmo com tanta risada, ainda sobrou espaço para emocionar no final. É uma das melhores séries do ano, digo com tranquilidade, e aguardo a confirmação de uma 2ª temporada. Tenho certeza que Pablo e Luisão ainda têm muitos causos para nos contar. Nota: 4,5/5

  • Crítica | Task: Unidade Especial (Minissérie)

    inovadora e revolucionária, o modo como a história é contada, faz toda diferença e Brad Ingelsby é mestre

  • Crítica | Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

    Hamnet (2025) é um filme devastador.

  • Crítica | All Her Fault (Minissérie)

    Sarah Snook brilha em uma história marcada por reviravoltas demais Divulgação Uma mãe chega para buscar o filho na casa de um amiguinho, mas quem abre a porta é uma senhora que não faz a menor ideia de quem ela é ou do que está acontecendo. Assim começa a sequência de acontecimentos inquietantes de All Her Fault, minissérie baseada no livro homônimo de Andrea Mara, que explodiu na internet mundial no início deste ano. A trama da série criada por Megan Gallagher é direta, mas construída para manter a desconfiança o tempo todo: todos os personagens se tornam suspeitos pelo desaparecimento de Milo. Cada um guarda segredos, apresenta inconsistências em suas versões e carrega algo que parece fora do lugar. Seria a mãe que deixou o filho brincar com alguém que mal conhecia? Ou o pai, que faz questão de parecer correto, mas já no primeiro episódio deixa claro que não é tão confiável quanto aparenta? Ou talvez até os irmãos dele, que também escondem histórias turbulentas que parecem longe de vir à tona por acaso. É justamente nisso que All Her Fault se sustenta, na culpa que assombra cada envolvido. A culpa corrói, mesmo quando não é a principal causa do problema que aconteceu. Ela nasce em motivos banais. Uma culpa de ter se atrasado por causa de um engarrafamento, comer algo sem realmente querer, planejar uma viagem sem ter dinheiro suficiente. Algo aparentemente tão chulo pode se transformar em um sentimento enorme quando se mistura a uma tragédia. Gallagher se debruça sobre esse sentimento para causar o maior impacto possível, até que o choque inicial seja substituído pela frustração e pela sensação de que foi prometido mais do que a série realmente entrega. All Her Fault acaba caindo nas armadilhas comuns a esse tipo de narrativa. Ao se levar excessivamente a sério, perde o próprio sentido dramático e passa a apostar quase exclusivamente no choque e em uma sucessão de reviravoltas que não conseguem recuperar o fôlego que a minissérie vai perdendo ao longo do caminho. Recorre ainda à artimanha preguiçosa de explicar tudo em um único episódio, simplificando o entendimento do espectador e tentando controlar artificialmente o que ele deve sentir durante toda a jornada. Divulgação Em compensação, boa parte do elenco de All Her Fault, especialmente Sarah Snook - como é bom ver ela de volta nas telinhas - e Dakota Fanning, está plenamente em sintonia com o tom da série. Discordo de quem afirma que as performances se apoiam na canastrice, pois todos entregam exatamente o que o texto exige, conduzindo o espectador a tentar entender onde cada personagem se encaixa nesse quebra-cabeça, como se também fosse mais um detetive dentro da história. Há motivos tanto para gostar quanto para desgostar deles, misturando as caixinhas de bonzinhos e vilões e dando um pouco mais de fôlego à trama. Ela pode até não fugir do genérico das séries de mistério, mas também não dá para dizer que não diverte. As diretoras Minkie Spiro e Kate Dennis instigam o espectador ao máximo a cada reviravolta, fazendo com que nos questionemos constantemente se nossas teorias ainda fazem sentido ou não. Foi interessante acompanhar o desenrolar dessa história, mas, ao mesmo tempo, também foi cansativo. De forma geral, ao longo de seus oito episódios, All Her Fault não reinventa a fórmula, e nem precisa, mas cumpre seu papel de entreter na rinha de ricos, em meio a um roteiro tendencioso e marcado por boas atuações. Pensando pelo lado positivo, pelo menos são oito episódios assistindo Sarah Snook brilhar. Nota: 3/5

  • Crítica | One to One: John and Yoko (Festival do Rio 2025)

    Get Back, de Peter Jackson, e Beatles ‘64, produzido por Martin Scorsese, chega ao Festival do Rio de 2025

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