Crítica | All Her Fault (Minissérie)
- Rafael Carvalho

- 6 de jan.
- 3 min de leitura
Sarah Snook brilha em uma história marcada por reviravoltas demais

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Uma mãe chega para buscar o filho na casa de um amiguinho, mas quem abre a porta é uma senhora que não faz a menor ideia de quem ela é ou do que está acontecendo. Assim começa a sequência de acontecimentos inquietantes de All Her Fault, minissérie baseada no livro homônimo de Andrea Mara, que explodiu na internet mundial no início deste ano.
A trama da série criada por Megan Gallagher é direta, mas construída para manter a desconfiança o tempo todo: todos os personagens se tornam suspeitos pelo desaparecimento de Milo. Cada um guarda segredos, apresenta inconsistências em suas versões e carrega algo que parece fora do lugar. Seria a mãe que deixou o filho brincar com alguém que mal conhecia? Ou o pai, que faz questão de parecer correto, mas já no primeiro episódio deixa claro que não é tão confiável quanto aparenta? Ou talvez até os irmãos dele, que também escondem histórias turbulentas que parecem longe de vir à tona por acaso. É justamente nisso que All Her Fault se sustenta, na culpa que assombra cada envolvido.
A culpa corrói, mesmo quando não é a principal causa do problema que aconteceu. Ela nasce em motivos banais. Uma culpa de ter se atrasado por causa de um engarrafamento, comer algo sem realmente querer, planejar uma viagem sem ter dinheiro suficiente. Algo aparentemente tão chulo pode se transformar em um sentimento enorme quando se mistura a uma tragédia. Gallagher se debruça sobre esse sentimento para causar o maior impacto possível, até que o choque inicial seja substituído pela frustração e pela sensação de que foi prometido mais do que a série realmente entrega.
All Her Fault acaba caindo nas armadilhas comuns a esse tipo de narrativa. Ao se levar excessivamente a sério, perde o próprio sentido dramático e passa a apostar quase exclusivamente no choque e em uma sucessão de reviravoltas que não conseguem recuperar o fôlego que a minissérie vai perdendo ao longo do caminho. Recorre ainda à artimanha preguiçosa de explicar tudo em um único episódio, simplificando o entendimento do espectador e tentando controlar artificialmente o que ele deve sentir durante toda a jornada.

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Em compensação, boa parte do elenco de All Her Fault, especialmente Sarah Snook - como é bom ver ela de volta nas telinhas - e Dakota Fanning, está plenamente em sintonia com o tom da série. Discordo de quem afirma que as performances se apoiam na canastrice, pois todos entregam exatamente o que o texto exige, conduzindo o espectador a tentar entender onde cada personagem se encaixa nesse quebra-cabeça, como se também fosse mais um detetive dentro da história. Há motivos tanto para gostar quanto para desgostar deles, misturando as caixinhas de bonzinhos e vilões e dando um pouco mais de fôlego à trama.
Ela pode até não fugir do genérico das séries de mistério, mas também não dá para dizer que não diverte. As diretoras Minkie Spiro e Kate Dennis instigam o espectador ao máximo a cada reviravolta, fazendo com que nos questionemos constantemente se nossas teorias ainda fazem sentido ou não. Foi interessante acompanhar o desenrolar dessa história, mas, ao mesmo tempo, também foi cansativo.
De forma geral, ao longo de seus oito episódios, All Her Fault não reinventa a fórmula, e nem precisa, mas cumpre seu papel de entreter na rinha de ricos, em meio a um roteiro tendencioso e marcado por boas atuações. Pensando pelo lado positivo, pelo menos são oito episódios assistindo Sarah Snook brilhar.
Nota: 3/5



















