ALEX: Marcos Alexandre leva drama sobre dança, distância e laços familiares ao Marché du Film — Mercado de Cannes 2026
- Gabriella Ferreira

- há 1 hora
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Longa acompanha jovem bailarino dividido entre a chance de construir uma carreira internacional e o impacto da depressão pós-parto enfrentada pela mãe no Brasil.

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Há algo de profundamente sensível nas histórias sobre partidas. Não apenas as geográficas, mas aquelas que atravessam afetos, responsabilidades e o inevitável amadurecimento. É nesse território emocional que “Alex”, novo longa-metragem de Marcos Alexandre, constrói sua narrativa ao acompanhar um jovem bailarino dividido entre a realização de um sonho internacional e a urgência de permanecer próximo da própria família.
Ambientado entre Salvador e Paris, o drama acompanha Alex, um dançarino de 18 anos que vê sua vida mudar ao conquistar uma bolsa integral em uma companhia estrangeira. Criado pela mãe solo, Roberta, ele carrega o desejo de construir uma carreira fora do país enquanto lida com a gravidez de risco da mãe. O que inicialmente parece ser a concretização de tudo aquilo que sempre buscou logo se transforma em um conflito emocional marcado pela distância, pelo silêncio e pelas consequências da depressão pós-parto enfrentada por Roberta após o nascimento da filha caçula, Beatriz.
Com produção da Gran Maitre Filmes e da Produtora Portátil, “Alex” surge como um projeto interessado não apenas em discutir pertencimento e ascensão social através da arte, mas também em observar as fragilidades afetivas que acompanham processos de ruptura familiar. A dança aparece como impulso de liberdade, mas também como elemento que distancia o protagonista das raízes que o formaram.
Enquanto participa do Marché du Film, em Cannes, o projeto busca ampliar sua rede de coprodução internacional, estabelecer parcerias estratégicas para financiamento e circulação, além de fortalecer o caminho de internacionalização pensado para o longa desde as primeiras etapas de desenvolvimento. Segundo os produtores, a presença no mercado também funciona como uma oportunidade de apresentar o potencial universal da história a distribuidores, agentes de vendas e possíveis parceiros estrangeiros interessados em integrar a trajetória do filme.

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As referências citadas pelo projeto ajudam a compreender o caminho emocional que o longa pretende percorrer. Obras como Billy Elliot ecoam na relação entre juventude, arte e resistência social, enquanto Close inspira os momentos de introspecção e vulnerabilidade emocional do protagonista. Já A Thousand and One aparece como referência para a construção do vínculo entre mãe e filho dentro de um contexto urbano atravessado por desafios sociais. O brasileiro Cavalo também integra esse mosaico de influências ao contribuir para a atmosfera sensorial e poética buscada pela narrativa.
Ainda em fase de desenvolvimento e captação, o longa vem construindo uma trajetória consistente em laboratórios e mercados audiovisuais. O projeto passou por iniciativas como Base e Diáspora Lab, em 2022, além do Brasil CineMundi 2023, através do Paradiso Multiplica, e do Lab Produtiva 2024. No circuito de mercado, integrou eventos como Salvador Capital Afro, Nicho54, Nordeste Lab e Ventana Sur, chegando agora ao Marché du Film, durante o Festival de Cannes.

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Para Emerson Dindo, da Produtora Portátil, a presença do filme em Cannes faz parte de uma estratégia construída desde as primeiras etapas do desenvolvimento.
“A participação de Alex no Marché du Film faz parte da estratégia de internacionalização que desenhamos para o projeto desde o início. Acreditamos que a trajetória de um filme começa muito antes de sua estreia, e estar em Cannes é construir caminhos para sua circulação internacional. Trazer o projeto ao Marché é, portanto, uma etapa central dessa construção.”
Já Gabriela Correia destaca a dimensão universal da história e o potencial de conexão do projeto com diferentes públicos.
“Levar Alex para o Marché du Film é também testar como essa história ecoa fora do Brasil. A gente acredita muito na força do projeto e em como ele pode criar conexões com pessoas de diferentes lugares. Estar em Cannes coloca o filme em diálogo com o mercado internacional desde cedo, abre possibilidades de parceria e ajuda a construir o caminho que imaginamos para ele.”
O próprio Marcos Alexandre associa sua chegada ao Marché à jornada emocional vivida pelo protagonista.
“Enquanto escrevia a história de Alex, meu maior desejo era levar o protagonista para um lugar que ele sempre sonhou estar e suas consequências. Ao chegar em Cannes pela primeira vez, sinto que compartilho de um sentimento similar ao de Alex, que é de estar em um espaço que sempre quis viver. O Marché é o principal mercado de cinema, estar aqui possibilita com que o projeto possa acrescentar uma parceria internacional e criar laços que fazem parte da narrativa construída até agora.”
Com filmagens previstas entre Salvador e Paris, “Alex” segue em fase de desenvolvimento e captação. Em Cannes, o longa integra a estratégia de internacionalização do projeto, apresentando a história a possíveis parceiros estrangeiros, investidores e agentes do mercado audiovisual interessados em coprodução e circulação internacional.
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*Esta matéria faz parte de uma série especial que o Oxente Pipoca preparou sobre os filmes brasileiros em destaque no Marché du Film 2026, o mercado de cinema do Festival de Cannes. Em cada publicação, aqui e nas nossas redes sociais, você vai encontrar detalhes como: sinopse, equipe envolvida, diretores, produtoras e muito mais que tivermos acesso.
Fontes: Cinema do Brasil e envolvidos no projeto para o Oxente Pipoca






















