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Crítica | Off Campus: Amores Improváveis (1ª temporada)

  • Foto do escritor: Gabriella Ferreira
    Gabriella Ferreira
  • há 12 horas
  • 4 min de leitura

Romance universitário ganha adaptação madura e envolvente.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

A adaptação de Off Campus finalmente chegou ao Prime Video nesta terça-feira (13), com oito episódios que mostram que Amores Improváveis entendeu perfeitamente como transformar um fenômeno literário em uma boa série de televisão.


Inspirada nos livros da autora Elle Kennedy, a produção adapta o primeiro livro da saga, “O Acordo”, mas já deixa claro desde o início que não pretende funcionar apenas como uma cópia fiel das páginas. A trama acompanha a compositora Hannah Wells (Ella Bright) e o jogador de hóquei Garrett Graham (Belmont Cameli), que fazem um trato para benefício mútuo: ela o ajuda nos estudos e ele tenta ajudá-la a conquistar o garoto por quem ela está interessada. Obviamente, a convivência acaba aproximando os dois muito mais do que eles imaginavam.


Pelas mãos da showrunner Louisa Levy, a série entende rapidamente que televisão exige uma dinâmica diferente da literatura. Enquanto os livros focam mais diretamente nos casais protagonistas, a adaptação amplia o universo e dá espaço para personagens que antes eram quase coadjuvantes.


E isso faz toda diferença.


A decisão de já inserir elementos “O Jogo”, terceiro livro da saga, funciona muito bem. O romance entre Allie Hayes (Mika Abdalla) e Dean Di Laurentis (Stephen Kalyn) surge cedo e ajuda a construir um senso de continuidade que muitas séries do gênero acabam perdendo. Ninguém fica esquecido ou desaparece da narrativa quando o foco muda, algo que acontece bastante em produções como Bridgerton.


Sem entrar em detalhes específicos sobre mudanças da obra original, a maior parte das adaptações feitas parece bastante coerente com os personagens e com os temas da história. Algumas cenas icônicas dos livros realmente ficaram de fora, mas a troca faz sentido quando o resultado entrega um universo mais vivo e melhor desenvolvido.

A série também entende muito bem o que precisava ser atualizado.


Mesmo em 2015, “O Acordo” já trazia discussões sobre masculinidade tóxica, abuso e violência sexual de uma forma interessante para o público jovem adulto. Em 2026, porém, a adaptação aprofunda esses temas com ainda mais responsabilidade. Os personagens masculinos conversam diversas vezes sobre consentimento, limites e comportamento abusivo, algo extremamente importante em uma série que provavelmente vai alcançar um público muito maior do que apenas leitores de romance universitário.


Em um momento em que discursos red pill e conteúdos sobre “homens alfa” voltam a crescer nas redes sociais, ver uma produção adolescente tratando essas questões com naturalidade e responsabilidade acaba se tornando um dos pontos mais fortes da série.


Inclusive, algumas reclamações de fãs sobre mudanças no comportamento de Garrett parecem ignorar completamente a proposta da adaptação. Garrett passa a temporada inteira tentando não repetir os padrões violentos do pai abusivo. Então fazia pouco sentido manter determinadas atitudes tóxicas do livro apenas para agradar leitores mais apegados ao material original.


Os livros sempre estarão lá. Uma adaptação precisa dialogar com o tempo em que é lançada.


E Amores Improváveis consegue fazer isso sem perder a essência romântica que fez com que os livros se tornassem tão populares.

Imagem: Divulgação
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Outro destaque importante é Logan, interpretado por Antonio Cipriano. A série já posiciona o personagem como peça central da narrativa e prepara os conflitos que provavelmente serão desenvolvidos na próxima temporada, que já está confirmada e deve começar a ser gravada nas próximas semanas.


A inclusão de um personagem não binário como elo familiar mais novo de Logan também acrescenta bastante ao arco emocional dele e ainda funciona como uma forma natural de explicar o universo do hóquei para espectadores que não conhecem tanto o esporte.


Aliás, o hóquei aparece na medida certa. Ele é importante para a construção dos personagens, principalmente Garrett, mas nunca domina completamente a narrativa. As cenas esportivas funcionam bem, mas a série entende que o centro da trama são as relações humanas.


Os roteiristas também se divertem espalhando referências e pistas dos próximos livros e spin-offs ao longo da temporada, algo que deve agradar bastante os fãs mais atentos da saga.


Entre os destaques técnicos, a trilha sonora merece atenção especial. As músicas originais funcionam muito bem e as regravações de canções de Ariana Grande e One Direction ajudam a reforçar esse clima nostálgico de drama adolescente dos anos 2000. E talvez seja justamente essa a melhor definição para Amores Improváveis: uma série que lembra clássicos como One Tree Hill e The O.C., no melhor sentido possível.

Imagem: Divulgação
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Existe romance, humor, drama familiar, amizades carismáticas e personagens que parecem ter potencial para acompanhar o público durante muitas temporadas.


O elenco principal também segura muito bem as cenas dramáticas. Ella Bright e Belmont Cameli têm bastante química, mas Belmont impressiona especialmente nos momentos envolvendo a relação abusiva de Garrett com o pai.


Outro ponto positivo é o cuidado da produção nas cenas íntimas envolvendo a atriz mais nova do elenco. A série consegue transmitir sensualidade sem exagerar na exposição do corpo da atriz, tratando essas sequências com bastante respeito.


No fim, Amores Improváveis acerta justamente por entender que adaptação não significa reprodução exata. Algumas mudanças não apenas funcionam, como melhoram o material original e tornam a história mais madura, atual e coerente com o público de hoje.


Agora resta torcer para que o Prime Video não demore para lançar a segunda temporada. O universo de Off Campus ainda tem muitas histórias boas para contar.


Nota: 4.5/5

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